A Língua Portuguesa não necessita de pedir licença para existir, nem de ser rebaptizada ao sabor das modas ideológicas contemporâneas. É uma das grandes línguas de cultura da Humanidade, formada ao longo de séculos de História, literatura, diplomacia, ciência e expansão civilizacional. Muito antes de certas tertúlias “descoloniais” descobrirem o prazer semântico da autoflagelação civilizacional, já o Português era veículo de pensamento, administração, poesia, comércio e universalidade. Recentemente, José Eduardo Agualusa, no lançamento do livro “Tudo sobre Deus”, durante o festival Remexe Rio, resolveu brindar o público com uma reflexão sobre “As aventuras das Línguas Portuguesas”, no plural. Estava dado o mote para mais um exercício contemporâneo de revisionismo linguístico, esse desporto intelectual tão apreciado por sectores que parecem sentir vergonha da própria matriz civilizacional que lhes permite, precisamente, publicar livros, viajar pelo mundo e discursar em festivais internacionais. Com uma prosa sentimental e algo piegas, o escritor propôs que a Língua Portuguesa deixasse de ser Portuguesa para passar a chamar-se “Língua Geral”, por considerar que o idioma teria deixado de ser “colonial, de opressão, de exploração e de domínio”, tornando-se antes um “território de encontros e afectos”. Curiosa formulação. Sobretudo porque a esmagadora maioria das línguas globais nasceu, expandiu-se ou consolidou-se através de impérios, migrações, guerras, alianças comerciais e influências culturais. O Inglês não se disseminou pelo mundo graças a festivais de poesia pacifista, o Castelhano não chegou à América por intercâmbio académico, e o Francês não adquiriu estatuto diplomático universal por mera simpatia gastronómica. Percebe-se perfeitamente que o gigantesco mercado editorial Brasileiro constitua, na imaginação do escritor, um palco particularmente apetecível para este tipo de discurso ideologicamente alinhado com as tendências culturais da actualidade, podendo daí colher apreciáveis dividendos mediáticos e editoriais. Todavia, uma coisa parece garantida: tal estratégia dificilmente assegurará o respeito intelectual das pessoas verdadeiramente sérias, sobretudo das que conhecem minimamente a História, a formação e a projecção universal da Língua Portuguesa. Mais curioso ainda é verificar que o próprio Agualusa beneficiou amplamente do espaço cultural Português e europeu. Estudou no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, recebeu bolsas literárias em Portugal, além de apoios de instituições Holandesas e Alemãs. Nada de escandaloso nisso — pelo contrário. O problema surge quando se tenta transformar a língua que proporcionou essa projecção internacional numa espécie de entidade abstracta, órfã da sua origem histórica e civilizacional. Como se o Português tivesse nascido espontaneamente numa assembleia multicultural sob os auspícios da ONU de Guterres. Aliás, se a lógica defendida por Agualusa fosse levada às últimas consequências, talvez o próprio escritor devesse dar o exemplo pessoal da ruptura identitária que propõe para a Língua Portuguesa. Poderia começar por abandonar o nome “José Eduardo”, de matriz claramente Ibérica e Cristã, substituindo-o por algo considerado culturalmente mais “descolonizado”. Talvez “Malungo”, em referência Angolana; “Omar”, de influência Árabe; ou “Caíque”, de origem Guarani. Quanto ao apelido “Agualusa”, igualmente integrado na tradição onomástica de expressão Portuguesa, poderia igualmente ser adaptado a uma fórmula mais consentânea com essa nova utopia linguística sem raízes nem origem definida. O problema destas teorias não reside no reconhecimento legítimo das influências culturais múltiplas — isso sempre existiu e constitui riqueza civilizacional —, mas na tentativa algo caricatural de apagar deliberadamente a matriz histórica fundadora da Língua Portuguesa, como se reconhecer a origem de uma língua fosse automaticamente um acto de opressão. Curiosamente, ninguém exige ao Inglês que deixe de se chamar Inglês por possuir vocábulos Normandos, Latinos, Germânicos ou Hindustânicos. Só ao Português parece exigir-se o estranho ritual contemporâneo da autoflagelação identitária permanente. Importa, pois, recordar alguns factos elementares que parecem causar incómodo a certos pregadores da nova ortodoxia linguística. O Português deriva do Latim vulgar há cerca de dois mil anos e possui um substrato Céltico-Lusitano ligado aos Galaicos, Lusitanos, Célticos e Cónios. Com o colapso do Império Romano e a presença de povos Germânicos e Iranianos ou Eslavos — Suevos, Vândalos, Búrios, Alanos e Visigodos — consolidou-se o Proto-Galego-Português. Ou seja, o Português não nasceu em Luanda, no Rio de Janeiro ou numa conferência pós-colonial; nasceu na faixa ocidental da Península Ibérica, desenvolveu-se historicamente em Portugal e daí irradiou para o mundo. E irradiou de forma extraordinária. Nos séculos XV e XVI, Portugal construiu um império marítimo e comercial que levou o Português a África, à Ásia e à América. O idioma tornou-se língua diplomática, comercial e administrativa em vastíssimas regiões do globo. Foi língua franca no Oriente, serviu de meio de comunicação entre povos asiáticos, africanos e europeus, e chegou a ser idioma dominante no Sri Lanka durante séculos. Dessa expansão nasceram crioulos, variantes regionais e influências recíprocas. Exactamente como aconteceu com todas as grandes línguas universais da História. Mas há um detalhe frequentemente omitido pelos entusiastas da desconstrução identitária: a Língua Portuguesa continua, ainda hoje, a desempenhar uma função civilizacional indispensável, sobretudo em África. Em numerosos países africanos coexistem centenas de dialectos e línguas locais sem intercompreensão mútua. Sem o Português, a comunicação administrativa, jurídica, educativa e até nacional tornar-se-ia caótica. O Português funciona como elemento agregador, instrumento de unidade nacional e ponte internacional. Ironia das ironias: a língua tantas vezes denunciada como “opressora” é precisamente a que permite a comunicação entre comunidades que, de outro modo, permaneceriam linguisticamente fragmentadas. Também em Timor-Leste o Português teve um papel político fundamental. Durante a ocupação da Indonésia, a preservação da Língua Portuguesa tornou-se símbolo de resistência nacional e afirmação identitária. O idioma funcionou como elo diplomático com o exterior e como marca distintiva face ao ocupante. Estranho instrumento de “opressão colonial”, este, que serviu de bandeira cultural na luta pela independência. A relevância literária da Língua Portuguesa é igualmente incontestável. Obras como “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, elevaram o idioma ao patamar das grandes línguas clássicas europeias. Mais tarde, autores como Fernando Pessoa, José Saramago, Machado de Assis ou Mia Couto demonstraram a extraordinária capacidade do Português para exprimir pensamento filosófico, ironia, lirismo, crítica social e universalidade humana. No plano diplomático e político, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa constitui hoje um espaço estratégico de cooperação internacional. O Português é uma das línguas mais faladas do mundo e possui crescente relevância geopolítica. Não obstante isso, há sempre quem considere mais urgente problematizar o nome da língua do que promover efectivamente o seu ensino, a sua difusão científica ou a sua valorização cultural. No domínio científico, o Português continua a ser instrumento de produção e transmissão de conhecimento em universidades, centros de investigação e instituições académicas espalhadas por vários continentes. Apesar do predomínio internacional do inglês, o Português mantém uma função essencial na democratização do acesso ao saber e na formação de milhões de pessoas. A verdade é simples, embora aparentemente incómoda para certos círculos intelectuais: o Português não precisa de ser desculpado pela História para justificar a sua existência. Nenhuma grande língua do mundo possui um passado asséptico, neutro ou angelical. As línguas são produtos da História da Humanidade — e a História da Humanidade raramente se escreveu com pétalas de rosa e declarações de boas intenções. Assim, a Língua Portuguesa permanece aquilo que sempre foi: uma língua de cultura, de civilização, de universalidade e de futuro. Uma língua viva, plural e global, suficientemente forte para acolher influências externas sem perder identidade própria. E talvez seja precisamente essa solidez histórica que incomoda aqueles que gostariam de transformar tudo quanto herdámos numa vaga amálgama sem memória, sem origem e, de preferência, sem maiúsculas. Sem Portugal não existiria Língua Portuguesa — apenas silêncio histórico! João Micael Presidente da Matriz Portuguesa – Associação para o Desenvolvimento da Cultura e do Conhecimento
Espaço do Raio Xis
Cogito, ergo sum.
terça-feira, 26 de maio de 2026
APAGAR PORTUGAL DA LÍNGUA PORTUGUESA: A NOVA UTOPIA IDEOLÓGICA
O Jogo de Espelhos da Tutela Laboral.
*Independentemente de tudo isto, a reforma laboral é necessária.* Guerra e Paz | 260 | Inês Palma Ramalho - Guerra e Paz - Now Estando nós em plena discussão da proposta das novas leis do trabalho, apelidadas convenientemente de Trabalho 21, torna-se imperativo olhar para além do jargão jurídico e desmascarar quem está verdadeiramente a conduzir este processo. O cargo ocupado por _Maria do Rosário Palma Ramalho_ não é apenas o de Ministra do Trabalho. É, com uma ironia que roça o sadismo, Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Mas importa perguntar: solidariedade com quem? Vamos aos factos, porque a realidade não precisa de adjetivos para ser escandalosa. Segundo a declaração entregue no Tribunal Constitucional, cujo registo público pode ser consultado no portal oficial em http://www.tribunalconstitucional.pt, a mulher que decide o valor do teu salário e as horas do teu descanso acumula um património superior a 5,3 milhões de euros. Leste bem. Cinco vírgula três milhões. Ela não é apenas uma académica. Ela é a elite financeira personificada. Para compreender o impacto real deste contraste, os indicadores de rendimento do Instituto Nacional de Estatística disponíveis em http://www.ine.pt mostram que a esmagadora maioria das famílias portuguesas vive num ecossistema financeiro completamente oposto. Traduzindo isto para uma linguagem que qualquer cidadão comum entenda, significa que quem desenha as regras sobre o salário mínimo, a contratação coletiva ou o subsídio de desemprego vive numa realidade económica radicalmente oposta à da esmagadora maioria dos trabalhadores que dependem dessas mesmas leis para sobreviver. A falta de vivência das dificuldades do dia a dia gera, inevitavelmente, uma profunda insensibilidade legislativa. A teia familiar explica a quem esta governante deve lealdade. O seu marido é _António Ramalho_. O nome soa familiar? É o ex-CEO do Novo Banco, o homem que geriu a instituição financeira enquanto nós, contribuintes, injetávamos lá milhares de milhões de euros para cobrir os buracos do sistema. E onde está o marido dela agora? É o atual presidente da Lusoponte. Percebem o ciclo? O marido gere as pontes onde tu pagas portagem diariamente para ir trabalhar. A mulher gere as leis que permitem que tu sejas explorado quando chegas ao local de trabalho. O dinheiro sai do teu bolso e do teu tempo, e fica tudo na casa deles. Isto é o que o jornalismo de investigação define como o risco de captura do Estado, que ocorre quando os interesses privados e corporativos influenciam desproporcionalmente as decisões públicas. Mas nem pensem que o controlo se fica pelos bancos e pelas portagens, pois a teia fecha-se sobre si mesma numa lógica circular. Enquanto a mãe dita as regras de como o teu trabalho deve ser flexível, a filha, _Inês Palma Ramalho_, senta-se na cúpula do PSD como vice-presidente do partido que sustenta o governo. Sela-se assim o Dinheiro, o Governo e o Partido numa autêntica santíssima trindade do poder. Com um ecossistema natural feito de administrações bancárias e cúpulas partidárias, como pode alguém que acumula mais de cinco milhões de euros legislar sobre o salário mínimo nacional? Esta governante passou a vida inteira nos corredores seletos e asséticos da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e em presidências de associações de elite, trancada numa torre de marfim a escrever os manuais que ensinam como a lei pode servir o patrão. Na verdade, a doutrina do Direito do Trabalho produzida por esta elite tendeu, ao longo das últimas décadas, a teorizar a flexibilidade laboral como uma necessidade económica incontornável, facilitando a gestão empresarial e a redução de custos com o pessoal, em detrimento da estabilidade e da proteção histórica do trabalhador. Esta concentração de influência num único agregado familiar não é uma mera coincidência infeliz; é o reflexo de um sistema de circulação de elites que esvazia a democracia por dentro. Quando analisamos as propostas de alteração às leis laborais da chamada Agenda do Trabalho, cujos diplomas e votações se encontram registados no arquivo parlamentar percebemos que o jargão técnico da flexibilidade e da adaptabilidade esconde uma transferência direta de riscos do topo para a base. Para o trabalhador que está na linha de montagem, num grande entreposto logístico ou ao balcão de um supermercado, o que significa na prática a flexibilização do tempo de trabalho? Significa que a fronteira entre a vida profissional e a vida familiar deixa de existir. O trabalhador passa a estar disponível em permanência, adaptando as suas horas de descanso e o seu planeamento familiar às necessidades flutuantes do mercado, sem que isso se reflita num aumento proporcional e digno do seu rendimento. É a legalização da precariedade existencial disfarçada de modernidade económica. Enquanto o cidadão comum conta os cêntimos para pagar a portagem da Lusoponte na deslocação diária para o emprego, o topo da estrutura decide que esse mesmo trabalhador deve ser mais maleável, mais disponível e menos protegido contra o despedimento. O nexo de causalidade é evidente: quem nunca sentiu a angústia de um contrato a prazo ou da incerteza do final do mês não possui as ferramentas humanas necessárias para legislar sobre a segurança social e a dignidade de quem trabalha. A verdadeira tragédia deste modelo não reside na ilegalidade, mas sim na perfeita legalidade com que estas ligações se processam. Tudo está devidamente declarado, tudo cumpre escrupulosamente a lei e os regulamentos de incompatibilidades. No entanto, a legitimidade ética desmorona-se. Não se trata de uma teoria da conspiração formal, mas sim da constatação empírica de que as leis do trabalho correm o risco de deixar de servir para proteger a parte mais fraca do contrato laboral para passarem a ser um instrumento de otimização de lucros das grandes corporações. O escândalo real não é o incumprimento das regras do sistema, o escândalo é o conteúdo e o propósito das próprias regras que estão a ser desenhadas. E enquanto a trindade do dinheiro, do governo e do partido continuar a operar em circuito fechado, a justiça social continuará a ser uma miragem na pasta de uma tutela que confunde solidariedade com caridade. WHISTLEBLOWER Este artigo é publicado ao abrigo do direito fundamental à liberdade de expressão e de informação, salvaguardado pelos artigos 37.º e 38.º da Constituição da República Portuguesa. A análise apresentada baseia-se em dados patrimoniais, biográficos e políticos de consulta pública, retirados de fontes oficiais. O conteúdo tem fins estritamente de comentário político, jornalismo de cidadania e interesse público, constituindo o livre exercício do escrutínio democrático sobre titulares de cargos públicos.
Joana Amaral Dias . SIRESP
🚨 O SIRESP TEM AS MÃOS MANCHADAS DE SANGUE 🩸, é o retrato do centrão podre, e voltou à ribalta por maus motivos - demissão do secretário-geral adjunto do MAI, que denunciou “graves irregularidades” e “conflitos de interesses”. 📡 O SIRESP é a rede dos bombeiros, INEM, PSP, GNR e proteção civil. Devia funcionar quando tudo o resto falha. Acontece o oposto. Anda há quase 25 é, ele mesmo, uma emergência permanente. 📍2004- concurso à pressão no verão - sem concorrência - e na saída do então PM Santana Lopes 📍2005 — adjudicação de mais de 500 milhões ao consórcio ligado ao universo SLN/BPN (o banco que nos custou 6 mil milhões 💸 e que depois faliu 📍2013 — falhas graves durante temporal- 1 morto 📍2014 — problemas de cobertura em hospitais, elevadores, garagens, aeroportos 📍2016 — nova falha crítica em incêndios no Sardoal. 📍2017 —117 mortos ❌❌❌ 📍2017 — descobre-se que o Estado não fiscalizava o sistema desde 2010. 📍2019 — o Estado compra a totalidade do SIRESP. 📍2025 — falhas no Apagão. 📍2025 — o próprio Governo admite necessidade de substituição urgente. 📍2026 — mais 26 milhões para manter o sistema. 📍2026 — novas falhas na #Kristin. 📍2026 — auditoria deteta insuficiências na contratação pública, pagamentos indevidos e falhas de controlo. ❓E qual é a resposta do Governo? 👉🏻Reconduzir a administração. O SIRESP tornou-se o retrato perfeito do centrão: 💰 milhões enterrados, 💸 negociatas duvidosas ❌ responsabilidades desaparecem. 🚨 A pergunta continua sem resposta: ⁉️Para que serve afinal o SIRESP para além de engordar bolsos ⁉️ ⁉️se o estado nem a segurança básica dos cidadãos garante, serve para quê⁉️
sexta-feira, 22 de maio de 2026
O recente artigo de opinião de Ana Catarina Mendes, intitulado "Não é justiça forte, é justiça espetáculo"
Sob a capa nobre da defesa dos direitos fundamentais, o que ali se desenha é um plano coordenado para erguer uma muralha de opacidade em redor dos titulares de cargos públicos.
Vamos desmontar a reza, peça por peça, expondo a engrenagem de desinformação que tenta transformar arguidos poderosos em mártires da democracia.
O mito do parágrafo único e os envelopes de São Bento.
A narrativa da eurodeputada começa por atribuir a queda de um governo com maioria absoluta a um mero acidente de escrita do Ministério Público. É a tese do parágrafo fatal que teria destruído a estabilidade do país sem base factual.
Esta afirmação é factual mente falsa.
A Operação Influens não caiu do céu por causa de uma nota de imprensa mal redigida.
O comunicado oficial limitou-se a cumprir o imperativo de transparência ao informar o país de que corria um inquérito autónomo no Supremo Tribunal de Justiça, uma obrigação legal quando surgem indícios que visam o primeiro-ministro.
Para o cidadão compreender, o Ministério Público não inventou uma suspeita; apenas seguiu a lei que obriga a separar os processos quando o chefe do governo é visado, pois os procuradores de primeira instância não o podem investigar diretamente.
O que verdadeiramente abalou o executivo não foi a sintaxe jurídica, mas sim a descoberta de dezenas de milhares de euros em notas de dinheiro vivo escondidos em caixas de vinho e estantes de um gabinete oficial em São Bento.
Reduzir uma investigação complexa, sustentada em escutas telefónicas validadas por juízes e indícios de favorecimento em negócios milionários de lítio e hidrogénio, a um problema de redação é tentar fazer passar os cidadãos por estúpidos.
O fantasma da Casa Pia e os telefonemas de urgência
A escolha do processo Casa Pia para abrir o artigo é de uma enorme ousadia histórica.
Catarina Mendes usa o caso como o pecado original da justiça mediática, mas esquece-se de contar o que se passou nos bastidores do poder político em maio de 2003.
As célebres escutas telefónicas daquela época revelaram que figuras de topo do partido do governo, incluindo António Costa e Eduardo Ferro Rodrigues, mantiveram contactos diretos com Paulo Pedroso nas vésperas da sua detenção.
Houve uma clara tentativa de controlo de danos e de interferência política. O foco das lideranças partidárias não foi a proteção das vítimas vulneráveis ou o apuramento da verdade, mas sim o ataque feroz aos magistrados e ao juiz de instrução Rui Teixeira, rotulando a investigação como uma cabala.
A validação destes factos e a cronologia dos áudios que expuseram a promiscuidade entre o poder político e os alvos da justiça estão documentadas publicamente na verificação de factos disponível em https://poligrafo.sapo.pt/.../rui-rio-ha-escutas.../. O arquivamento posterior da acusação contra o dirigente partidário na fase de instrução não apagou o rasto de pressão institucional que o regime exerceu para se auto proteger.
Miguel Macedo e a cortina de fumo do bipartidarismo
Para tentar vender a imagem de uma crítica isenta e transversal, o artigo recupera a absolvição de Miguel Macedo no caso dos vistos gold.
É uma manobra clássica de diversão: atira-se um nome da oposição para fingir que a indignação não tem colagem partidária única. Contudo, confunde-se propositadamente a responsabilidade criminal com a ética republicana.
A demissão de um ministro da Administração Interna quando os diretores máximos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e do Instituto dos Registos e do Notariado são detidos por suspeitas graves de corrupção não é um abuso judicial.
É a aplicação básica do princípio da responsabilidade política.
Um governante tem o dever de supervisão. A sua absolvição em tribunal anos mais tarde limpa o seu cadastro criminal, mas não apaga a degradação institucional e o desleixo na fiscalização dos serviços públicos sob a sua tutela direta. Usar este exemplo para atacar a magistratura é tentar institucionalizar a irresponsabilidade política em Portugal.
A falácia das fugas de informação e o direito ao escrutínio
O choro ritual contra as fugas de informação serve para construir a tese de que o Ministério Público passa deliberadamente papéis aos jornalistas para assassinar reputações.
Omite-se uma realidade processual elementar: assim que o processo deixa de estar em segredo de justiça interno e os arguidos têm acesso aos autos, centenas de pessoas, entre advogados, assistentes e funcionários, passam a ter cópias digitais de toda a matéria gravada e escrita.
Atribuir as fugas em exclusivo aos investigadores é uma falácia conveniente para quem quer desacreditar a acusação.
Na verdade, o que assusta a classe política não é o método da fuga, é o conteúdo revelado.
Numa democracia aberta, o direito dos cidadãos a saber como os seus governantes gerem o erário público e que favores trocam com grandes grupos económicos sobrepõe-se à exigência de um apagão informativo. O jornalismo cumpre o seu papel constitucional ao expor estes meandros, e as regras que garantem a liberdade de imprensa.
A tese de que a justiça está a usurpar o poder político cai por terra quando olhamos para as instâncias superiores do próprio sistema judicial.
O Tribunal Constitucional é o exemplo mais flagrante de partidarização institucional.
Dez dos seus treze juízes são eleitos por voto direto dos deputados no parlamento, o que resulta numa partilha de quotas ideológicas entre os dois maiores partidos do bloco central.
Esta engenharia de nomeação belisca a confiança pública e cria a perceção legítima de que certas decisões são tomadas para acomodar agendas partidárias.
O exemplo recente da validação das alterações à Lei da Nacionalidade é visto por vários setores como um frete legislativo feito à medida de interesses específicos, sacrificando o rigor jurídico em nome da conveniência eleitoral.
Quando as cúpulas da justiça parecem sintonizadas com quem as nomeia, o povo percebe que o sistema foi desenhado para perpetuar o estado de coisas e proteger os infratores de colarinho branco.
O abuso do garantismo como passaporte para a impunidade
O texto de opinião de Ana Catarina Mendes utiliza o conceito sagrado de garantismo penal como um escudo para a impunidade.
Exige-se que a presunção de inocência funcione como uma mordaça social, impedindo o eleitorado de fazer qualquer juízo de valor político sobre comportamentos antiéticos até que exista uma sentença definitiva.
Num país onde os recursos sucessivos, os incidentes de suspeição e as manobras dilatórias permitidas pelos códigos processuais fazem com que os processos arrastem por mais de uma década, exigir o silêncio da sociedade civil até ao trânsito em julgado é o mesmo que garantir um salvo-conduto permanente para os políticos continuarem a exercer funções e a disputar eleições sem escrutínio.
O que o artigo classifica como justiça espetáculo é, na verdade, o pânico generalizado das elites partidárias perante uma magistratura que se recusa a arquivar processos nas gavetas do poder.
O combate à corrupção e ao tráfico de influências não destrói a democracia; o que destrói o Estado de Direito é a tentativa concertada de amordaçar os procuradores para salvar os suspeitos do costume e prevenir os do futuro...
WHISTLEBLOWER
Críticas a Donald Trump, um buraco negro e uma viagem ao passado com Paul McCartney: assim foi a despedida de Stephen Colbert do Late Show
"Não entrevistou o Papa Leão, mas recebeu um notável elenco de estrelas. No último episódio do Late Show, Colbert despediu-se do teatro que foi sua casa por 11 anos com música, humor e beatlemania.
A multidão no exterior do Ed Sullivan Theatre, em Nova Iorque, casa do The Late Show há 33 anos, é evidência da realidade inevitável: após 11 anos como líder de audiências no panorama da late night television, o programa apresentado por Stephen Colbert chegou ao fim. Numa noite emotiva, o humorista despediu-se da “máquina de alegria” das noites da CBS ao lado de um elenco de convidados invejável, sem descartar o habitual humor crítico e ágil: entre censuras à administração Trump e ao canal de televisão, sucederam-se momentos musicais, um Papa Leão XIV mal-disposto e uma pitada de fantasia.
O último programa de Colbert abriu com um segmento de quatro minutos, em que se dirigiu à audiência ao vivo e aos espectadores em casa. “[Durante anos,] estivemos aqui para sentir as notícias convosco e, não sei de vocês, mas eu certamente senti-as”, admitiu o apresentador, tirado do ar pela administração da CBS por alegados problemas financeiros. A decisão, tornada pública pelo próprio Colbert no passado mês de julho, esteve envolta em polémica, uma vez que foi avançada poucos dias depois de o humorista acusar a Paramount (empresa-mãe do canal) de ter praticado “um grande e gordo suborno” à administração Trump, a fim de consumar um negócio milionário." Do observador
Há municípios afectados pelas tempestades que "ainda não avaliaram nenhuma casa", ministro da Economia apela a mais rapidez.
Importante para todos é saber-se quais as camaras, e de preferência saber-se a que partido pertence o presidente dessa camara! que ainda nada fizeram!
"O ministro da Economia alertou para a "disparidade" nos processos de avaliação de habitações afectadas pelas tempestades do inverno, apelando aos municípios “mais lentos se aproximem dos mais rápidos".
O ministro da Economia reconheceu que “há ainda muito a fazer na atribuição dos apoios até 10 mil euros” para a reconstrução de casas que ficaram destruídas depois do comboio de tempestades que assolou o país em janeiro e fevereiro. Esta sexta-feira no parlamento, Manuel Castro Almeida admitiu que há atrasos, “apesar de 13 municípios já terem concluído todos os processos e 10 municípios terem ultrapassado os 90%”. Nestes casos, os apoios foram pagos ou indeferidos.
Segundo Castro Almeida, os processos de indemnização estão a decorrer “de formas diferenciadas”. Há municípios que estão “muitíssimo mais lentos e alguns não avaliaram nenhuma casa”.
Observador
No Palácio de Belém, algo mudou profundamente na forma como Portugal se posiciona perante o mundo.
Fontes próximas do meio diplomático revelam um descontentamento crescente com a presidência, que decidiu romper com a tradição de neutralidade do país para ceder ao populismo fácil das redes sociais e das agendas ideológicas.
O primeiro grande sinal desta cedência aconteceu a 19 de maio, durante a entrega do Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa, um evento oficial que pode ser consultado no portal em http://www.coe.int.
No seu discurso, o Presidente da República usou o palco para fazer um ataque unilateral a Israel. Chorou publicamente a morte de indivíduos descritos como jornalistas na Faixa de Gaza, mas omitiu deliberadamente o resto da história.
Para quem acompanha estes temas sem o filtro da propaganda, a realidade é muito mais crua do que o discurso oficial faz parecer.
Muitos destes supostos repórteres são, na verdade, operacionais armados.
Indivíduos que de dia faziam reportagens encomendadas e à noite guardavam armas, integrados nas fileiras do Hamas e da Jihad Islâmica.
Quando a figura máxima do Estado português chora por estes agentes sem contextualizar quem eles eram, está a validar desinformação e a branquear o terrorismo.
O Presidente preferiu ignorar os relatórios de segurança e conseguiu a proeza de não proferir uma única palavra sobre o Irão ou sobre o Hezbollah, que diariamente bombardeia o norte de Israel.
A confirmação desta deriva política veio logo no dia seguinte, a 20 de maio.
As portas do Palácio de Belém abriram-se para receber oficialmente os familiares dos dois médicos portugueses detidos na chamada Global Sumud Flotilla.
O registo deste encontro e a agenda oficial da Presidência estão acessíveis em http://www.presidencia.pt.
À saída, montou-se o habitual circo mediático perante as câmaras, com queixas de que o cônsul de Portugal em Telavive ainda não tinha conseguido falar com os detidos, tentando passar a imagem de que os jovens médicos são heróis desamparados.
Desmontando a retórica política, a verdade sobre este caso é simples.
Aquela flotilha nunca foi uma missão de caridade ou de ajuda humanitária.
Foi uma provocação política orquestrada para desafiar a segurança e furar um bloqueio militar numa zona de guerra ativa. Os dois médicos sabiam perfeitamente ao que iam. Ninguém entra numa operação daquelas por ingenuidade. Eles conheciam os riscos e sabiam que seriam usados como peões de manobra ideológicos.
Ao recebê-los em Belém com honras e passadeira vermelha, o Presidente acabou por transformar ativistas radicais em mártires nacionais, validando quem viola bloqueios militares e apoia indiretamente estruturas terroristas.
Um passaporte português serve para proteger os cidadãos cumpridores e trabalhadores, não para ser usado como salvo-conduto por ativistas que vão conscientemente criar incidentes internacionais e depois exigem que o Estado os vá salvar.
Esta postura de Belém representa uma rutura e uma traição ao eleitorado moderado que colocou o Presidente no poder.
Ao ceder à pressão das franjas mais radicais para garantir aplausos fáceis dos comentadores de serviço, o Chefe de Estado escolheu a imagem pessoal em detrimento da justiça, promovendo a divisão interna e manchando a credibilidade externa da diplomacia portuguesa.
quarta-feira, 20 de maio de 2026
‘No Terramoto de 1975’
/Cinquenta anos depois, quando tudo parece esquecido neste país anestesiado pelos supostos brandos costumes, é importante que haja pessoas como o Tomás para tratar da amnésia./ Rui Moreira <https://sol.iol.pt/perfil/rui-moreira/695a2f7a0cf2c7eb2446713d> O epicentro de - No terramoto de 1975 - a notável obra do meu irmão Tomás que Rui Ramos considerou «o mais importante e interessante livro escrito sobre a revolução por ocasião dos seus 50 anos» - é um episódio que, apesar de noticiado à época, não mereceu atenção. Em resumo - porque tudo está relatado e bem documentado no livro -, em 1975 os trabalhadores metalúrgicos da Molaflex, assistindo à degradação da empresa desde que o seu patrão - o meu Pai, Ruy Höfle de Araújo Moreira - fora preso há mais de cem dias por Eurico Corvacho - o gauleiter do Conselho de Revolução para o Norte -, pronunciaram-se pacificamente contra a detenção à porta do Quartel de Santo Ovídio, no Porto. Convocada pela comissão de trabalhadores da empresa, a manifestação foi violentamente reprimida pelos militares. O meu Pai, que estava em isolamento e não poderia conhecer ou tampouco incentivar o protesto, foi transferido para Lisboa pela calada da noite. Durante dias, a família não soube do seu paradeiro. Os partidos democráticos, que se opunham ao jugo gonçalvista, ficaram em silêncio. O livro faz justiça aos que desmentiram a ‘luta de classes’, contextualizando as circunstâncias históricas em que se deu a detenção arbitrária do meu Pai e descrevendo as tentativas vãs de o envolverem numa conjura em que nunca participou. Sim, o meu Pai fez parte dos que bem cedo denunciaram que a revolução havia sido capturada por quem tinha como missão oferecer Angola aos soviéticos, coletivizar a economia e controlar os movimentos sociais. Mas essa denúncia não constituía crime. E, quando ficou claro que era inocente, mantiveram-no preso com o objetivo de atingir a sua empresa. À libertação tardia seguir-se-ia um incêndio na Molaflex por fogo posto, que interrompeu a produção por largos meses e coincidiu com um atentado bombista à casa de família. Cinquenta anos depois, a história oficial só nos fala da rede bombista de direita, só nos narra histórias em que os trabalhadores se revoltaram contra os patrões capitalistas e só nos faz crer que, por seremos livres, temos uma dívida para com militares que traíram e envergonharam a farda. Mas, na verdade, somos livres apesar deles e graças aos que combateram os seus desmandos. Os piores ‘orientaram-se’: Corvacho e Rosa Coutinho montaram um chorudo negócio de import/export com Angola, cobrando ao MPLA pelos serviços prestados. Já o esbirro que ainda hoje se vangloria de ter detido o meu Pai, de seu nome Boaventura Ferreira, acabaria condecorado por Marcelo com a Ordem da Liberdade. Esse ‘herói’ entrou no gabinete do meu Pai para o prender sem mandado de captura e com capangas armados até aos dentes. Encontrou-o a trabalhar, pois recusara-se a fugir mesmo sabendo que a canalha o ia prender. Os empresários do antigo regime que fugiram, e viram as suas grandes empresas nacionalizadas, refizeram os negócios à custa de indemnizações compensatórias e de novos privilégios corporativos, enquanto o meu Pai e tantos outros tiveram de resgatar as suas empresas intervencionadas ou sabotadas por comunistas e pela soldadesca a soldo. Não beneficiaram de apoios e foram esmagados pela falta de crédito, dada a má vontade e incompetência dos bancários da banca nacionalizada, que depois se converteram ao capitalismo e se transformaram em banqueiros de sucesso. Ao nosso Pai nem sequer lhe pediram desculpa pelo cativeiro, pelo dano físico e moral, pelo insulto, pelo impacto na família, pela destruição patrimonial. Os trabalhadores, que o acolheram com foguetes no dia em que regressou, mantiveram o seu emprego, mas a empresa nunca recuperou a pujança do passado. E o meu Pai nunca mais voltou a ser o mesmo: perdeu a saúde e o otimismo mas uniu-nos a todos, de dentes cerrados, até ao fim. Agora, o Tomás faz-lhe justiça, com sobriedade e sem comiseração. Na apresentação do livro revi muitos dos antigos trabalhadores, que encontro quando vou a São João da Madeira ou à nossa quinta em Milheirós, ali ao lado. Para eles, serei sempre, e com orgulho, ‘o filho do senhor Ruy’. Os netos e bisnetos do meu Pai, que não o conheceram, e os que lerem o livro perceberão por que razão será sempre o nosso querido herói. Cinquenta anos depois, quando tudo parece esquecido neste país anestesiado pelos supostos brandos costumes, é importante que haja pessoas como o Tomás para tratar da amnésia.
A CAMISINHA DE 1830 QUE VEM COM SACANAGEM IMPRESSA
A CAMISINHA DE 1830 QUE VEM COM SACANAGEM IMPRESSA

O Rijksmuseum, em Amsterdã, guarda essa peça. É um preservativo de 1830 feito de tripa de ovelha. A imagem impressa nele mostra uma freira levantando a batina para três padres nus. Por quase dois séculos, o maior museu da Holanda teve vergonha de colocar isso numa vitrine.
Só em 2022 ele foi exposto pela primeira vez. O nome da exposição? "Safe Sex?". Compraram em leilão por mil euros. Antes disso, sexo era assunto de depósito.
Essa tripa de ovelha conta 400 anos de história em 19 centímetros. O desenho é uma piada anticlerical francesa. Depois da Revolução de 1789, zoar a hipocrisia da Igreja virou esporte nacional. Imprimir uma orgia num preservativo em 1830 era crime triplo. Obscenidade, heresia e ofensa à moral. Quem comprou arriscou prisão para dar risada.
E não pense que era baratinho. Um preservativo desses custava o equivalente a vários dias de trabalho de um operário em Paris. Era artigo de luxo, vendido em bordéis caros e farmácias "sob o balcão". A mesma elite que fazia lei para prender "sodomita", usava isso em segredo.
A história do preservativo não começou com prazer. Começou com medo de morrer. Em 1560, o médico italiano Gabriele Falloppio estava desesperado. A sífilis, chamada de "doença francesa", matava mais soldado que guerra. Ele inventou uma bainha de linho embebida em ervas e testou em 1.100 homens. Nenhum se infectou. Foi o primeiro teste clínico da história.
No século XVIII, virou acessório de sedutor. Giacomo Casanova, o maior cafajeste da história, chamava de "redingote anglaise", casaco inglês. Ele soprava para testar se tinha furo, usava e depois lavava para reusar. Fediam, eram caros, mas funcionavam. Sem eles, Casanova teria morrido de sífilis aos 30.
O problema é que usar era ilegal. Nos Estados Unidos, as Leis Comstock de 1873 proibiam vender qualquer coisa "obscena" pelo correio. Preservativo dava cadeia. Por isso eram vendidos disfarçados como "proteção para viajantes" ou "artigo de borracha medicinal". A hipocrisia sempre deu um jeito.
A revolução veio em 1844, quando Charles Goodyear patenteou a vulcanização da borracha. Em 1855 nasceu o primeiro preservativo de borracha. Ainda era grosso como pneu de bicicleta. Só em 1920, com o látex, ficaram finos e descartáveis como conhecemos hoje.
Duas guerras mundiais transformaram ele em equipamento militar. Na Segunda Guerra, o exército americano distribuía 50 milhões por mês. O slogan era direto: "Não esqueça, coloque antes de colocar dentro". Sífilis e gonorreia tiravam mais soldado de combate que bala.
Depois veio a AIDS em 1980 e o preservativo virou questão de vida ou morte global. Saiu da gaveta da farmácia e foi parar em campanha de governo na TV.
Essa peça de 1830 é um documento. Mostra três coisas que nunca mudaram. Primeiro, que sexo sempre foi político. Segundo, que a lei era para pobre e o prazer para rico. Os mesmos príncipes que eram exilados por "escândalo" como Ludwig Viktor da Áustria frequentavam os lugares onde um objeto desses circulava. Terceiro, que antes da penicilina em 1943, sífilis era sentença de cegueira, loucura e morte. Reis como Henrique VIII tiveram sintomas. Essa tripa de ovelha tosca era a única coisa entre uma noite de prazer e definhar por 20 anos.
Hoje você compra na farmácia sem pensar. Em 1830 era contrabando. Em 1920 era vergonha. Em 1980 era sobrevivência.
De tripa de ovelha ao látex, a história do preservativo é a história de como a humanidade tentou separar sexo de morte. E pelo visto, com uma boa dose de deboche no meio.
Texto: Renato Drummond Tapioca Neto
Gamanço máximo.
/E, assim, graças aos Climáximos Portugal vai tornar-se um case study de melhoria climática que o resto do mundo irá imitar. Saques, pilhagens e assaltos a bancos suceder-se-ão por todo o planeta e, no dia seguinte, tal como o bisonte pintado em Altamira que foi caçado horas depois, a crise climática termina./ João Cerqueira <https://sol.iol.pt/perfil/joao-cerqueira/695914ee0cf255913377e47b> 19 de maio 2026 Há cerca de 30 mil anos os primeiros humanos modernos, ou Cro-Magnon, pintaram auroques, cavalos, bisontes e outros animais nas paredes das cavernas onde viviam. Os Cro-Magnon acreditavam que dessa forma poderiam controlar os animais dos quais dependia a sua sobrevivência. Através de rituais magico-religiosos, que incluíam música, dança e narrativas míticas, pretendiam conseguir o aumento da fertilidade destes animais e a sua posterior captura. E o facto de raramente se encontrarem representações deles próprios nestas cavernas significava que estes homens não se consideravam superiores aos animais, pelo contrário. Ou seja, veneravam a natureza e dela só extraiam o que necessitavam para sobreviver. Assim, se a esta prática somarmos uma ausência de pegada ecológica, os Cro-Magnon foram os primeiros ecologistas. Os descendentes dos Cro-Magnon no século XXI são os Climáximos. Ainda que a pegada ecológica dos Climáximos nada tenha a ver com a dos Cro-Magnon, seja até igual à de qualquer cidadão poluidor que usa meios de transporte movidos a combustíveis fósseis, roupas fabricadas na China, telemóveis, computadores e cartão de crédito de plástico, a crença no pensamento mágico é semelhante. Os Climáximos não pintam obras de arte em cavernas, ou noutros locais, antes borratam paredes e atiram tinta contra pessoas e quadros, mas o objectivo mágico, a crença de que uma acção irá – sabe-se lá como - desencadear a outra, é análoga. É por isso que, depois das borratadas e do corte de estradas, os Climáximos começaram agora roubar supermercados. Segundo eles, roubar uma lata de salsichas é um alerta quanto às consequências da crise climática sobre os alimentos, uma denúncia dos lucros escandalosos destas grandes empresas, enfim, um protesto contra o capitalismo predador que aquece o planeta e contribui para o aumento da fome. Parece que a fome até diminuiu nos últimos dois anos - https://globalallianceagainsthungerandpoverty.org/pt-br/novo/a-fome-no-mundo-diminui-mas-as-disparidades-persistem-alerta-relatorio-da-onu/ <https://globalallianceagainsthungerandpoverty.org/pt-br/novo/a-fome-no-mundo-diminui-mas-as-disparidades-persistem-alerta-relatorio-da-onu/> - mas, no reino do pensamento mágico, os números são um sortilégio que cada um manipula como lhe der jeito. A narrativa mítica, desta vez anticapitalista, também está presente; as mensagens deixadas nas prateleiras após os roubos são como as mãos dos artistas pré-históricos deixadas nas paredes; e é bem provável que quando se reúnem nas florestas, com as caras pintadas, penas na cabeça e sob efeito de cogumelos alucinogénios, os Climáximos executem danças rituais ao som de batuques e flautas até tombarem de exaustão. Aparecesse por lá algum director do Pingo Doce ou da Sonae e poderia ter o mesmo destino que um auroque pré-histórico encurralado por Cro-Magnons. O problema destes Cro-Magnons do século XXI é que roubar meia dúzia de artigos num supermercado não é suficiente para inverter o aquecimento global, ou as alterações climáticas, ou os humores de São Pedro que, com a suas chaves do Céu, abre e fecha as chuvas. No máximo, o clima poderá melhorar em Barrancos ou em São Lourenço da Montaria - e neste momento até está bom -, mas é preciso muito mais magia, batucada e alucinação para abranger todo o território nacional, os Açores – um caso complexo – e a Madeira. E quanto a uma melhoria global, isso nem se fala. Portanto, são necessárias acções de magia em grande escala: uma roubalheira global. Primeiro, há que saquear todos os supermercados nacionais, roubar todos os bancos e assaltar umas vivendas em Cascais. E, assim, graças aos Climáximos Portugal vai tornar-se um case study de melhoria climática que o resto do mundo irá imitar. Saques, pilhagens e assaltos a bancos suceder-se-ão por todo o planeta e, no dia seguinte, tal como o bisonte pintado em Altamira que foi caçado horas depois, a crise climática termina. Cumprido o seu dever, os Climáximos poderão abandonar de vez as cidades e começar a viver em cavernas como os seus ancestrais Cro-Magnon. E se lhes faltarem auroques, não quiserem abater cavalos ou souberem caçar coelhos, talvez ainda reste algum supermercado próximo onde possam fazer compras.
terça-feira, 19 de maio de 2026
Estado impedido de exigir documentos já existentes nos serviços públicos. O que muda na prática?
O Estado deixa de poder exigir documentos que já tem nos seus próprios serviços. Nova regra, com efeitos imediatos, alarga-se a entidades que gerem fundos europeus e apoios às empresas. O que muda na obrigação de entregar documentos ao Estado? 1 de 8 O novo despacho, publicado esta terça-feira em Diário da República, reforça uma regra simples: o Estado deixa de poder pedir aos cidadãos e às empresas documentos que já estejam na posse de outros serviços públicos. Na prática, sempre que a informação já exista dentro da Administração Pública, passa a ser responsabilidade dos próprios serviços obtêm-la internamente. Despacho n.º 3790/2026, de 24 de março. O diploma é explícito ao determinar que as entidades “devem abster-se de solicitar […] documentos em posse de qualquer serviço e organismo da Administração Pública”, eliminando pedidos repetidos e redundantes. https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/despacho/3790-2026-1075988812 Que entidades passam a estar obrigadas a cumprir esta regra? 2 de 8 A grande novidade é o alargamento da regra a organismos com forte impacto económico. Passam a estar abrangidas entidades como: Agência para o Desenvolvimento e Coesão; Estrutura de Missão “Recuperar Portugal”; Autoridades de gestão de fundos europeus; Direção-Geral da Economia; IAPMEI (incluindo empresas públicas participadas); AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal; Agência para a Investigação e Inovação.Estas entidades gerem incentivos, fundos europeus e apoio às empresas — áreas onde a burocracia tem sido mais criticada. Os organismos referidos devem garantir a partilha de dados e documentos necessários à correta instrução e ao bom andamento dos procedimentos, nos quais se incluem procedimentos de candidaturas, que estejam a seu cargo, entre si e entre todos os restantes serviços e organismos da Administração Pública. Em que situações deixa de ser necessário entregar documentos? 3 de 8 Sempre que um documento já exista num serviço público — por exemplo, dados fiscais, certidões ou registos — o cidadão ou empresa deixa de ter de o apresentar novamente. Mas há uma condição essencial: é necessário dar autorização. O acesso à informação depende do consentimento do titular, garantindo controlo sobre os dados. Ou seja, o princípio é: menos papel, mas com controlo do cidadão. O que muda na prática para empresas e cidadãos? 4 de 8 Na prática, esta alteração pode significar: menos deslocações e pedidos de certidões; redução de custos administrativos; processos mais rápidos (sobretudo em candidaturas a fundos); menos duplicação de documentos. Para as empresas, especialmente as que recorrem a apoios públicos, o impacto pode ser significativo ao reduzir atrasos e exigências burocráticas. Que diploma é alterado por este despacho? 5 de 8 O novo despacho altera o Despacho n.º 8312/2025, que já previa esta dispensa de entrega de documentos. A diferença é que agora o Governo pretende garantir que a regra não fica apenas no papel, alargando-a e impondo a sua aplicação a mais entidades, sobretudo nas áreas económicas. Qual é a base legal desta dispensa de documentos? 6 de 8 A medida assenta no artigo 28.º-A do Decreto-Lei n.º 135/99, que estabelece que os serviços públicos devem organizar-se para não exigir aos cidadãos documentos que já existam na Administração. O objetivo é claro: inverter a lógica tradicional em que o cidadão prova tudo, passando essa responsabilidade para o próprio Estado. Por que motivo o Governo fez esta alteração agora? 7 de 8 O despacho reconhece a necessidade de “assegurar uma aplicação uniforme” da regra, admitindo implicitamente que ela não estava a ser cumprida de forma consistente. A mudança surge também num contexto de pressão para reduzir burocracia, sobretudo no acesso a fundos europeus e no apoio às empresas. Quando entram em vigor estas regras? 8 de 8 As novas regras entram em vigor imediatamente, na data da publicação do despacho, isto é, esta terça-feira, dia 24 de março. Isto significa que, em teoria, os serviços abrangidos deixam desde já de poder pedir documentos que o próprio Estado já detenha. <https://eco.sapo.pt/descodificador/estado-impedido-de-exigir-documentos-ja-existentes-nos-servicos-publicos-o-que-muda-na-pratica/02-que-entidades-passam-a-estar-obrigadas-a-cumprir-esta-regra> *
“Armadilha de Tucídides”.
O que é o aviso que Xi fez a Trump. Thucydides recounted how rising power Athens challenged Sparta, resulting in a destructive 30-year war.Natalllenka.m/Shutterstock <https://www.shutterstock.com/image-vector/greek-mural-sparta-warriors-athens-mythology-2282882227?trackingId=d34427e3-80fd-4aac-9120-2288a7be51c7&listId=searchResults> *O presidente da China recordou ao seu homólogo norte-americano o conceito histórico que expressa os receios de um conflito entre as duas maiores potências do planeta.* Nas declarações iniciais da recente cimeira com Donald Trump, a 15 de Maio, o presidente chinês,*Xi Jinping*, invocou uma frase do historiador grego do século V a.C.*Tucídides*para lançar um aviso velado ao presidente dos Estados Unidos. “O mundo chegou a uma nova encruzilhada. Conseguirão a China e os EUA ultrapassar a chamada*‘Armadilha de Tucídides*‘ e construir um novo paradigma para as relações entre grandes potências?” Tucídides tem tido uma presença surpreendentemente forte nos assuntos internacionais este ano, diz*Neville Morley*, professor de História Clássica da Universidade de Exeter, num artigo noThe Conversation <https://theconversation.com/xi-warned-trump-against-the-thucydides-trap-heres-what-ancient-greece-can-tell-us-about-us-china-relations-283106>. Em Janeiro, o primeiro-ministro canadiano,*Mark Carney*, citou a famosa frase do Diálogo dos Mélios segundo a qual “*os fortes fazem o que podem*e os fracos sofrem o que têm de sofrer”, para alertar para o declínio de uma ordem assente em regras. Outros*citaram-na para descrever as acções militares*norte-americanas na Venezuela e no Irão, tanto em sentido positivo como negativo. Xi, porém, recorreu antes à visão de Tucídides sobre a “r*azão mais verdadeira*, embora menos discutida” da*Guerra do Peloponeso*entre Atenas e Esparta. A tradução mais conhecida das suas palavras, de 1875, é esta: “Foi a ascensão de Atenas, e*o medo que isso despertou em Esparta*, que tornou a guerra inevitável.” O académico norte-americano de relações internacionais*Graham Allison*desenvolveu a partir daí a ideia da*Armadilha de Tucídides*. O objectivo declarado de Tucídides era que os leitores considerassem a sua história*útil para compreender acontecimentos futuros*. Assim, defendeu Allison, podemos transformar as suas palavras num princípio geral: quando uma “potência estabelecida” como Esparta é*confrontada com uma “potência emergente”*como Atenas, o*resultado é, em geral, o conflito*. *A História, sustenta Allison, confirma esta tese*. Ao longo dos séculos, 12 de 16 exemplos de uma grande potência estabelecida confrontada com uma rival emergente*resultaram em guerra, incluindo as duas guerras mundiais*. S*erá também esse o caso entre os EUA*, hegemonia global desde o colapso da União Soviética, e*uma China ressurgente que desafia o seu domínio*, em especial no plano económico? Três armadilhas A ideia de Allison foi muito debatida. Em 2017, foi convidado para a Casa Branca para falar sobre a sua aplicação à China e aos Estados Unidos. Por isso, a referência de Xi à Armadilha de Tucídides foi*menos uma ideia nova do que uma evocação*do primeiro mandato de Trump. *A teoria foi levada a sério pelo Governo chinês*, nem que fosse como guia para o pensamento norte-americano. Esta foi identificada como*uma das três armadilhas*que a China enfrenta hoje. As outras duas são a*Armadilha de Tácito*, conceito que descreve uma situação em que um governo ou líder se torna tão impopular que passa a ser odiado e criticado independentemente do que faça, e a*Armadilha do Rendimento Médio*, que descreve a estagnação de um país que, após ter deixado a pobreza para trás, perde competitividade e não consegue avançar para o patamar de economia rica. A discussão sobre a Armadilha de Tucídides tem-se centrado sobretudo na análise de Allison sobre a situação contemporânea. O debate tem girado em torno de saber se a sua caracterização da relação entre os EUA e a China está correcta e se o advento das*armas nucleares e/ou a interdependência económica*alterou essa dinâmica. Allison apresentou a Armadilha de Tucídides como um aviso, para incentivar ambos os governos a procurar compromissos e cooperação. *O risco é que a potência estabelecida interprete Tucídides*como dizendo-lhe para*conter potenciais rivais antes de estes se tornarem uma ameaça*— mesmo que isso torne a guerra mais provável. Daí a ênfase de Xi em evitar a armadilha. Mas os políticos norte-americanos da linha mais crítica relação à China vêem nisso um*estratagema para adiar o conflito*até que o equilíbrio de poder seja mais nivelado. Uma lição de prudência Uma vez que esta é apresentada como uma teoria assente em dados históricos e na autoridade de Tucídides, vale a pena notar que*é questionável*em ambos os aspectos. Caracterizar muitos conflitos do passado como dizendo respeito apenas a duas potências rivais, uma estabelecida e outra em ascensão, é duvidoso; a Primeira Guerra Mundial*foi apenas sobre a Grã-Bretanha e a Alemanha*, por exemplo? Quanto a Tucídides,*a frase crucial é uma tradução muito livre*do que de facto escreveu, que é muito mais ambíguo. Uma versão mais literal seria: “O facto de Atenas se tornar grande*levou os espartanos a temer e impeliu para a guerra*”. *Impeliu quem? Tucídides não especifica*. Os espartanos? E, se assim foi, foram realmente impelidos ou apenas sentiram que o estavam a ser? Ambos os lados? Ou toda a situação? Está simplesmente a ser pouco claro — ou fá-lo deliberadamente, para levar os leitores a pensar mais profundamente? Depois de apresentar esta*afirmação opaca e algo ambígua*, Tucídides expôs uma narrativa detalhada dos acontecimentos que conduziram à declaração de guerra por Esparta. Essa narrativa incluiu muitos momentos em que as coisas poderiam, discutivelmente,*ter tido um desfecho diferente*. A sua interpretação deu relevo tanto a desenvolvimentos de curto como de longo prazo, bem como a*decisões e emoções individuais*, além de factores estruturais. A sua “armadilha” é muito mais complexa — e,*definitivamente, não é inevitável*. Isto é muito familiar para leitores atentos de Tucídides. A sua obra não oferece leis simples sobre a guerra e a política, antes expõe a complexidade do comportamento humano de uma forma que nos leva a pensar mais profundamente sobre ele. Mas*as suas ideias são muitas vezes apresentadas de forma errada*, como princípios simplistas que supostamente explicam o mundo. A resposta de Trump a Xi, de que os EUA poderiam estar em declínio sob Biden, mas*são agora o país mais “quente” de sempre*,é uma leitura errada até da versão simplificada de Tucídides proposta por Allison. A teoria da “Armadilha” nada diz sobre declínio; diz apenas que*a superpotência estabelecida enfrenta agora uma rival*. Mas a*ansiedade em torno do declínio e da decadência*impregna hoje o pensamento ocidental. Talvez isso seja indício do mesmo tipo de medo que passou a dominar o pensamento espartano e que, como o próprio Tucídides relatou, arrastou ambos os Estados para uma guerra destrutiva. https://theconversation.com/xi-warned-trump-against-the-thucydides-trap-heres-what-ancient-greece-can-tell-us-about-us-china-relations-283106
segunda-feira, 18 de maio de 2026
A MEIA-VERDADE / MENTIRA do,PRESIDENTE do TRIBUNAL CONSTITUCIONAL
Escrevo isto a propósito da recente declaração de Inconstitucionalidade da proposta de Lei sobre a perda de nacionalidade portuguesa, como pena acessória para crimes graves. . O Presidente actual, de saída, do T.C. afirmou que o chumbo do projecto de Lei foi votado por Unanimidade! Foi noticiado que todos os juízes reprovaram o diploma de alteração à legislação penal, que tinha sido alvo de fiscalização preventiva. . A MEIA-VERDADE / MENTIRA Ora o Tribunal Constitucional é composto por 13 juízes, com mandatos únicos de 9 anos. Destes, 10 são eleitos pela Assembleia da República (por maioria qualificada) e 3 são cooptados (escolhidos pelos restantes juízes). . Acontece que neste momento da Votação estavam no exercício das suas funções apenas 10 Juízes e não 13. Isto porque os restantes 3 ainda não foram eleitos pela Assembleia da República. . VEJAMOS a ORIGEM de CADA um dos 10 JUÍZES actuais . Indicados pelo PS 1. José João Abrantes – Presidente – Indicado pelo PS; 2. José Ascensão Ramos - Indicado pelo PS; 3. Dora Lucas Neto - Indicada pelo PS; 4. Joana Fernandes Costa - Indicada pelo PS; . Indicados pelo PSD 1. João Carlos Loureiro – Vice-Presidente- Cooptado – PSD; 2. Afonso Patrão – Indicado pelo PSD; 3. José Eduardo Figueiredo Dias - Indicado pelo PSD; . Outros 1. Mariana Canotilho – Indicada pelo PCP; 2. Carlos Carvalho – Cooptado Independente; . CONCLUSÃO Donde a tal “unanimidade” refere-se a um Tribunal Incompleto; Ou seja, uma “meia-verdade”, ou “meia-mentira”, como se queira; Para ter sido uma verdade absoluta, a tal “unanimidade” anunciada, teriam de ter votado 13 Juízes e não os 10 que votaram. . O FUTURO Agora o PSD quer preencher os 4 lugares a preencher (contando com o Presidente que sai): • 2 ao PSD, que ficará com 5 Juízes; • 1 ao CHEGA • 1 ao PS, que a ser assim ficará com 5 Juízes, • 1 que permanece do PCP • 1 que permanece Independente: contando com a próxima saída do actual Presidente, que anunciou a tal “unanimidade”! . Ficará assim o Tribunal Constitucional a ter: • 5 Juízes indicados pelo PS; • 1 Juíz indicado pelo PCP; . 1 Juiz independente; Mais • 5 Juízes indicados pelo PSD; • 1 Juíz indicado pelo CHEGA; . PERGUNTO: 1º. - Estamos na realidade perante um Tribunal ideológicamente Independente? A resposta é muito clara! NÃO! Nem NUNCA o tivemos! . 2º. – Se estivermos a falar de independentes dos partidos, sem filiação partidária, aí sim! . TERMINO MAS … é credível que as pessoas /Juízes se “esqueçam" da sua inclinação Ideológico / Política? Desculpem, mas isso seria sobre-humano! . 3°. - Estão as indicações dos Juízes em consonância com a Representação Parlamentar dos partidos que os indicam? Claro que NÃO! . Miguel Mattos Chaves