quarta-feira, 8 de julho de 2026

O Prémio Camões 2026 é a Farsa Final.

"Eles" enaltecem-se, premeiam-se, galardoam-se, distinguem-se, comemoram-se, condecoram-se,... entre "eles".
Bom, agora vou voltar a reler o "Triunfo dos Porcos"🙂...
O Grande Banquete da Autoconsagração: O Prémio Camões 2026 é a Farsa Final
A cultura em Portugal e no espaço lusófono não respira; ela agoniza num ciclo fechado de cumplicidade.
A atribuição do Prémio Camões 2026 a Lídia Jorge não é uma celebração da literatura.
É a confirmação de uma farsa.
É a exibição obscena de um sistema que se autoalimenta, se premeia e se autovalida, num exercício de narcisismo institucional que insulta a inteligência de qualquer cidadão atento.
Falemos a verdade: a unanimidade do júri não é um sinal de consenso literário.
É a marca do pensamento único.
Quando olhamos para a composição deste painel académicos ligados ao cânone tradicional, figuras da esfera estatal e representantes de correntes ideológicas que há décadas dominam a academia, o resultado não é uma surpresa; é um destino traçado.
Não há aqui pluralidade de visões.
Há apenas o selo de aprovação de uma elite que, nos corredores das universidades e nos gabinetes governamentais, decide quem merece ser elevado ao panteão e quem deve ser ignorado.
Quando os jurados partilham a mesma matriz de pensamento, a mesma agenda cívica e a mesma proximidade aos centros de poder, a avaliação torna-se irrelevante.
O que estamos a ver é o "Triunfo dos Porcos" em tempo real: uma nova aristocracia cultural onde alguns são, de facto, mais iguais do que os outros.
Lídia Jorge descreve-se a si própria como uma escritora "irrequieta", alguém que "se envolve na política".
Esta é a justificação perfeita para quem ocupa uma posição confortável no aparelho do Estado enquanto Conselheira de Estado.
Que "irrequietude" é esta que se traduz, invariavelmente, em galardões sucessivos e na validação constante pelas mesmas instituições?
Esta distinção não premia o risco ou a rutura; premia a integração. Lídia Jorge é, neste momento, a face de uma literatura que se tornou inofensiva para o poder, porque é parte do próprio poder.
Ao premiar a Conselheira de Estado, o Estado premia-se a si próprio.
É um jogo de espelhos estéril, onde o autor escreve para o sistema, e o sistema devolve o prémio ao autor.
Este prémio revela a falência total da pretensão de que as instituições culturais representam a sociedade.
Eles celebram-se entre si, brindam com vinhos de honra nos bastidores e ignoram solenemente a distância abismal que os separa do leitor comum.
Enquanto a cultura for gerida como uma quinta privada, onde os animais mais inteligentes mais bem posicionados ditam as regras, a literatura portuguesa continuará a definhar na sua própria bolha.
Não nos iludamos com a retórica oficial do Ministério da Cultura. A decisão de 2 de julho de 2026 é apenas mais um capítulo de um manual de instruções sobre como perpetuar uma elite sem qualquer escrutínio externo.
Eles não se preocupam com a opinião pública, nem com a diversidade criativa nem com a cultura.
Preocupam-se, apenas e só, em garantir que o banquete continue a ser servido apenas aos convidados da casa.
Para quem quiser conferir os nomes daqueles que protagonizam este teatro de sombras, A análise do júri que elegeu este prémio requer que saiamos da superfície do comunicado oficial e olhemos para a estrutura institucional e o background académico dos seus elementos.
Quando o Ministério da Cultura fala em unanimidade, estamos perante um consenso que não é apenas literário, mas ideológico e académico.
Aqui apresento a decomposição deste painel de decisão:
O perfil do júri português
José Carlos Seabra Pereira e Ana Mafalda Leite representam o núcleo duro da academia clássica e dos estudos literários em Portugal. Seabra Pereira, professor catedrático da Universidade de Coimbra, é uma figura central da historiografia literária, enraizada na tradição das faculdades de letras, onde o cânone é definido por círculos que mantêm uma ligação estreita com a política cultural do Estado.
Ana Mafalda Leite, especialista em literaturas africanas e professora na Universidade de Lisboa, move-se num campo de estudo que, por natureza, prioriza a teoria crítica, o pós-colonialismo e a desconstrução de identidades nacionais. É um ambiente académico onde a narrativa progressista sobre o passado colonial e a transição democrática é a base de quase todas as teses.
O peso brasileiro
Lúcia Santaella e José Bessa trazem a influência das humanidades brasileiras, um setor onde a esquerda intelectual tem uma hegemonia histórica. Santaella, ligada à PUC-SP, transita num dos bastiões mais conhecidos da intelectualidade progressista no Brasil. O seu trabalho em semiótica e comunicação integra-se perfeitamente na linguagem académica que valoriza a complexidade teórica em detrimento da literatura puramente popular.
José Bessa, com foco em história e estudos indígenas, representa aquela vertente da academia que liga a literatura às agendas identitárias e de reparação histórica. É um perfil que busca na obra premiada temas de ativismo social e "inquietude", que foi precisamente o que Lídia Jorge sublinhou no seu discurso.
A representação dos PALOP
Odete Semedo e Lopito Feijóo são intelectuais profundamente ligados à construção das narrativas pós-independência dos seus países. O seu alinhamento com os outros membros do júri é natural, dado que partilham a mesma matriz de pensamento: a literatura como ferramenta de intervenção social e de registo de memórias coletivas, em detrimento de uma abordagem estritamente artística ou estética.
A conclusão sobre este consenso
A escolha por unanimidade, anunciada com pompa, é o reflexo de um ecossistema que se auto-valida. Este não é um júri heterogéneo; é um grupo de pares, quase todos com trajetórias ligadas a faculdades de letras e ciências humanas, onde o pensamento crítico de esquerda não é apenas aceite, é a bitola do que é considerado intelectualmente meritório.
Lídia Jorge foi a escolha óbvia para este júri não apenas pelo seu valor literário, mas porque a sua obra e a sua postura pública — que ela própria classifica como sendo de uma escritora irrequieta que se envolve em política — encaixam na "checklist" de temas que este tipo de intelectuais privilegia: condição feminina, memória coletiva, transição democrática e crítica social.
Em suma, a decisão reflete o alinhamento total entre quem escreve e quem julga, dentro de uma bolha académica que há muito abandonou a pretensão de representar a diversidade de pensamento da sociedade civil. O prémio foi dado por iguais para uma igual.
A pergunta que fica é: até quando vamos financiar esta farsa com o nosso dinheiro e com o nosso silêncio?
A quinta está em festa, mas o público, esse, continua do lado de fora, a ver passar os porcos que se vestem de intelectuais.

terça-feira, 7 de julho de 2026

CEM POR CENTO ALENTEJANO.

Décimas I Por cá no meu Alentejo Temos o nosso latim A Alcunha é ANEXIM Cesto grande é CABANEJO. Chamam CHATO ao Percevejo A Gorjeta é MELHADURA A Diarreia é SOLTURA As Fezes INQUIETAÇÕES Mas ó que lindas expressões Vindas de gente tão pura! II Grande jantarada é PANCÃO CARAMELO é Água Gelada Pote de barro é AZADA E ZEBRE Oxidação. Homem traído é CABRÃO Mulher de mau porte é ZORRA Fêmea estéril é MACHORRA Neste meu vocabulário Eu ando a ler ao contrário Isto é que vai uma PORRA! III MORRINHA é Epidemia E SISMA é fixação DESASTRE é Acidente de viação CHAPA é uma Radiografia. CATARRAL é Pneumonia Deitar fora é AVENTAR CAGÁÇO é Medo a fartar E RETOIÇAS são Brincadeiras Chamam CABRAS às frieiras Mas que dialeto invulgar ! IV Ao vadio chamam GANDULO GIRÓLMO é sempre Jerónimo Um GAJO é um homem Anónimo Estar cheio é estar de CAGULO. Ao Inchaço chamam MATULO BORREGA é Bolha no pé Banco de madeira é GANAPÉ E CEGA REGA é uma cigarra Mas que prenuncia bizarra Parece mentira até ! V VELHACAS são pessoas más E TRONGAS Mulheres da vida Multa é MURTA toda a vida SONTORDIA, foi há um tempo atrás. Chamam SOFÁZES aos Sofás E COVA a um grande Vale MONQUITA é Corrimento nasal Ó ÁIK é Abalar à pressa Para mim não há mais conversa É um dicionário especial VI TROPEÇO é Banco de cortiça E os TRÁSTES são a Mobília Á Lagarta chamam ROSQUILHA MELA e BÔBAS à Preguiça. Chamam QUADRA à cavalariça E aos Calos chamam GINETES Fazer Caretas são MUNETES Aqui e em todo lado Eu cá fico admirado Chamarem às Meias aos SUQUÉTES VII ABUINHA é Borboleta IMPÁR é Gemer de dor Fora daqui diz-se ANDOR Masturbação é PUNHETA. A Mulher trigueira é PRETA MOFINA é ser Egoísta Quem protesta é COMUNISTA Mas não creio nessa versão TESTÓ, é para afastar o Cão Ricas palavras à vista VIII ÁRENCU é Pirilampo MIUTERA é Ponte de pau Pano de azeitona é LARÁU TUBARÕES são Cogumelos do campo. ENTREMENTES é Entretanto Chamam COITO à Coutada Muitos cães, é uma CANZUÁDA Mas que léxico tão bonito Se vou sair, eu me QUITO Mas volto, não tarda nada! IX Cama no chão é CAMASTRALHO Concha de buzio é BUZINO Ao Soco chamam MOQUINO COPA é Roupa de agasalho. Chamam CHINAS ao Cascalho  E às beatas BARONAS Os Amendoins são ERVELHANAS CAREPA é Caspa a cair Como é tão bom ouvir Estas expressões Alentejanas X ESCARIÓTE é um ser fugidio E o Armazém é um CASÃO CISCO é resto do Carvão ESCONFIQUE eu Desconfio. Tudo o que é Arisco é GENTIO E ao Orvalho Chamam MARGIA Lamaçal é ENXÓVIA E as CARRAÇAS são Carrapatos São estes os meus relatos Que fiz em versos de um dia XI TRÁITA, é ter certo costume BUZIO é estar Embaciado BORCALHO é mal-educado LUMINÁRIA é um grande lume. Ao Suco chamam CERUME. Um LARILA é um Maricas Os TATARANHOS são Riscas E ZAROLHO é quem vê mal Neste canto de Portugal ÀS Fendas chamam TALISCAS XII BOCA DO CORPO é a Vagina REGEMENTO é o período pós parto Chamam SARDÃO ao Lagarto E QUINITA à Joaquina. Coisa Ruim é MALINA LOSTRAS são Manchas na pele Um BARAÇO é um Cordel MAIS QUE MUITOS é muita gente BRINHOL é Fartura quente Na boca do TI MANEL! XIII Por fim, direi que é bizarro Às Nádegas chamarem NALGAS E às Mulheres ricas FIDALGAS E QUARTA ao púcaro de barro. Chamam MURRÂO à Cinza de cigarro E a Máscara é uma CARAÇA Muito barulho é ARRUAÇA E as Faúlhas são CASTELHANOS Estes vocábulos Alentejanos Digam lá se não têm graça? XIV Ditas estas palavrinhas Muitas mais há para dizer Não quero ninguém aborrecer Com as minhas ladainhas. Eu apenas segui as linhas Do dialeto regional Porém não quero deixar mal Todos os Alentejanos E os meus queridos conterrâneos Do concelho do Alandroal.

Luísa Neto para Provedora de Justiça!? Quando é o PS a propor - já está tudo dito - sobre o proposto, pois o proponente tem objectivos claros.

Luisa Neto é a nova Provedora de JustiçaPS volta a propor Luísa Neto como candidata a provedora de Justiça
"Três dias depois de eleger Luísa Neto para Provedora de Justiça com 159 votos a favor, o sistema político português completou mais um ciclo perfeito de autorreprodução. A figura escolhida para liderar o órgão que deveria fiscalizar a Administração Pública não veio de fora. Veio exatamente do seu centro: da academia que forma as elites, do Banco de Portugal que regula os fluxos de capital, do gabinete ministerial que garante a continuidade do Estado mesmo em crises de legitimidade, e, por fim, da presidência do Instituto Nacional de Administração — a própria fábrica que produz os quadros que executam as políticas.
Não houve rutura.
Houve apenas progressão constante dentro do perímetro que o regime permite.
O percurso que nunca saiu do sistema
A trajetória de Luísa Neto começa na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, instituição que molda grande parte da intelectualidade jurídica que depois ocupa lugares de poder. Como Professora Catedrática, o seu trabalho académico em Direito Público e Bioética forneceu o verniz de imparcialidade que o centrão exige para os seus altos cargos. A academia funciona aqui como base de retaguarda: dá prestígio sem exigir rutura com o poder.
Nos anos 90 — período marcado pelo auge e fim do ciclo de Cavaco Silva, transição para António Guterres, escândalos como o Caso Fax de Macau e o uso indevido de fundos comunitários (Fundo Social Europeu) —, Luísa Neto integrou o Departamento de Serviços Jurídicos do Banco de Portugal. Estar no coração da supervisão financeira significava acesso privilegiado à forma como o sistema lida com crises, regulação e fluxo de capitais. Era o momento em que se consolidava uma cultura de “gestão de casos”, em que a regulação servia frequentemente para gerir danos em vez de prevenir promiscuidade entre poder político e interesses económicos.
O ponto que revela a natureza da lealdade técnica surge entre 2004 e 2005. Durante o turbulento XVI Governo Constitucional, liderado por Pedro Santana Lopes e com José Pedro Aguiar-Branco no Ministério da Justiça, Luísa Neto foi assessora. Este foi um executivo curto, marcado por instabilidade crónica, falta de coesão e crise de autoridade que levou o Presidente Jorge Sampaio a dissolver a Assembleia da República.
Enquanto a política de superfície fervilhava e o governo se desfazia, os assessores técnicos garantiam que o aparelho do Estado continuasse a funcionar sem sobressaltos. Servir nesse período foi prova de confiança: capacidade de proteger a estrutura independentemente de quem ocupasse a cadeira ministerial.
Antes de chegar à Provedoria, o último grande posto foi a presidência do Instituto Nacional de Administração (INA) desde 2021. O INA não é uma escola qualquer. É a instituição onde se formam, treinam e selecionam os quadros superiores da Administração Pública. Presidir ao INA significava supervisionar a fábrica que produz as peças que mantêm o Estado a funcionar. Conhecer as leis, os regulamentos e, acima de tudo, conhecer os quadros que implementam as políticas do Governo.
O que a Provedoria realmente é — e o que não é
A piada que se faz sozinha
A Provedoria de Justiça é um órgão constitucional supostamente independente (artigo 23.º da CRP), eleito por maioria de dois terços.
A sua missão é defender os direitos dos cidadãos face aos poderes públicos através de meios informais.
Pode receber queixas, atuar de ofício, realizar investigações e inspeções sem aviso prévio, pedir documentos a qualquer autoridade e dirigir recomendações para correção de atos injustos ou ilegais.
Pode ainda assinalar deficiências legislativas e pedir fiscalização de constitucionalidade ao Tribunal Constitucional.
Não pode, porém, anular atos administrativos, suspender prazos nem impor decisões vinculativas. A sua força é essencialmente persuasiva e moral, assente na qualidade da fundamentação, na publicidade das recomendações e na pressão institucional, parlamentar e mediática.
Em casos concretos já demonstrou influência: recomendações sobre práticas abusivas da Segurança Social na cobrança de prestações, inspeções que expuseram atrasos no Instituto Nacional de Medicina Legal e levaram a protocolos de celeridade, alertas sobre normas com riscos de inconstitucionalidade e reconhecimento de vínculos precários em serviços públicos. Estas intervenções mostram que a instituição tem capacidade real quando atua com assertividade. Mas essa capacidade depende inteiramente de quem a dirige e da relação que mantém com o sistema que fiscaliza.
Colocar no topo da Provedoria quem, até há meses, presidia à instituição que forma os quadros da Administração que agora deveria escrutinar não é uma escolha técnica neutra. É o movimento final de um xadrez de continuidade.
A eleição de Luísa Neto a 3 de julho de 2026 após chumbo anterior e com apoio explícito de PS e PSD ilustra a regra não escrita: os lugares de vigilância e fiscalização são ocupados por figuras cuja trajetória garante que o sistema não sofrerá solavancos. O “consenso parlamentar” que foi vendido como solução técnica foi, na prática, uma operação de bastidores para evitar nomes mais disruptivos.
Não se trata de uma nomeação isolada. É a manutenção da cepa torta.
Portugal não precisa de mais técnicos formados pelo próprio sistema para vigiar o sistema. Precisa de quem ouse quebrar o ciclo de transição entre gabinetes, academia, regulação e órgãos de controlo, algo que o histórico de Luísa Neto, precisamente pela sua impecável continuidade, garante que não acontecerá.
Nos próximos anos, a Provedoria será chamada a pronunciar-se sobre queixas relacionadas com a execução do PRR, reformas laborais, atrasos burocráticos, direitos sociais e boas práticas da máquina pública.
Quando o fiscal conhece intimamente a estrutura que produz os quadros que executam essas políticas, o risco não é de rutura.
É de mediação técnica, de recomendações suavizadas e de selo de conformidade.
A estrutura do Estado — do Ministério da Justiça ao Banco de Portugal, passando pelo INA — funcionou durante décadas como porto seguro para técnicos e quadros que, independentemente da agitação política superficial, asseguravam a manutenção do modelo.
Onde o cidadão vê escândalos e estagnação, o sistema vê a necessidade de “técnicos experientes” para que a máquina continue a funcionar sem interrupções.
A eleição de Luísa Neto não representa a mudança que o país reclama.
Representa a confirmação de que o aparelho de Estado se protege a si próprio ao colocar os seus arquitetos na posição de inspetores.
Esta nomeação não fecha o processo.
Abre-o.
O próximo passo de investigação e escrutínio não depende da nova Provedora.
Depende da capacidade persistente de cidadãos, jornalistas, investigadores e deputados de monitorizar, com rigor documental, as recomendações que serão (ou não) emitidas, as inspeções que serão (ou não) realizadas e as posições que serão (ou não) assumidas em temas sensíveis.
Porque quando o sistema coloca quem sempre esteve dentro da engrenagem a vigiar a fechadura, a única garantia de que a porta continua a ser vigiada é manter a luz acesa por fora, com factos, documentos e persistência."
Fontes
**Notícias sobre a eleição de Luísa Neto (julho 2026)
Biografia, CV e percurso profissional oficial
Provedoria de Justiça (oficial e documentos)