sábado, 20 de junho de 2026

SOS Racismo.

Pode ser arte pop de ‎uma ou mais pessoas, barba, pessoas a estudar e ‎texto que diz "‎HMMM... ISTO É SURPREENDENTEMENTE APLICÁVEL... DIVERSIDADE INCLUSÃO TOLERÂNCIA E COMPLIANCE ACIMA DE TUDO! SOS RACISMO APAV Apoio à Vítima MANUAL MANUALDOKGB MANUAL DO KGB DETECÇÃO PERSEGUIÇÃO DE DISSIDENTES GUIA PRÁTICO PARA PROTEGER REGIME DISCURSO ÓDIO É CRIME!* *(o NÓS DIZEMOS QUE έ) Projecto co-financiado pela Uniao Europeia SOS RACISMO APAV poioàVitima ιο ZERO VERDADE RELATIVA SINAIS CRITICA ÁS DE ALERTA: MIVORIAS 5 SARCASSTO 台 QUESTIONA NARRATIVA ه LÓGICA INDEPENDENTE HUMOR FACTOS PERMANENTE GUIA PRATICO SOCIALMENTE CORRECTO COMO DENUNCIAR TEU MICROAGRESSÕES VIZINHO PARA NEU MANUAL PARALEIGOS LEIGOS LINGUAGEM OBRIGATÓRIA OBRI RE-EDUCAR RE- CANCELA EDUCAR DENUNCIAR LEMBRETE: RALMENTE‎"‎‎A propósito do “manual” do discurso de ódio da coligação APAV/SOS Racismo, importa dizer uma coisa: não descobriram a pólvora. Isto de escrever manuais para detectar, classificar, vigiar, condicionar e perseguir dissidentes tem já uma longa e belíssima tradição nos regimes que se diziam sempre do lado certo da História.
Duvidam?
Fica aqui uma pequena lista de exemplos históricos, só para percebermos como a criatividade burocrática aplicada à repressão política é uma arte intemporal.
Na União Soviética, o KGB infiltrava informadores entre estudantes para reportar não apenas planos de fuga, literatura proibida ou contactos suspeitos, mas também canções e piadas ouvidas à noite nos dormitórios. Sim, piadas! Criminalizar piadas não saiu da cabeça dos nossos wokes. É uma tradição histórica!
Na Lituânia soviética, os agentes reportavam estudantes que cantavam canções anti-soviéticas, gozavam com a propaganda oficial ou brindavam à independência da Lituânia. Também havia preocupação com jovens que se aproximavam de estrangeiros para comprar cigarros, roupa, discos ou pastilhas elásticas, porque isso era um indicio de "ocidentalização".
Na Alemanha de Leste, a Stasi tinha a famosa Directiva 1/76, onde se falava de “forças hostis-negativas”. O objectivo era fazer o levantamento de pessoas, grupos, contactos, influências e ambientes onde pudesse nascer actividade contrária ao regime. Em linguagem normal: descobrir quem pensava mal, quem falava com quem, quem podia influenciar quem e onde estavam os focos de pensamento dissidente.
A Stasi foi ainda mais longe com a chamada Zersetzung, uma espécie de sabotagem psicológica silenciosa. Entre as técnicas estavam rumores, cartas anónimas, telefonemas, fotografias comprometedoras, destruição da reputação, sabotagem profissional, criação de suspeitas dentro de grupos, rivalidades internas e isolamento social. Não era preciso prender imediatamente o dissidente. Bastava destruir-lhe a vida aos bocadinhos. Se quiserem saber onde nasceu a cultura do cancelamento, têm a vossa resposta na Stasi!
Na Alemanha de Leste, os alvos podiam ser grupos cristãos, movimentos de paz, ambientalistas, artistas críticos, pessoas que queriam sair do país ou simplesmente pessoas demasiado independentes para o gosto do partido. Num dos exemplos mais absurdos, a Stasi planeava usar acusações morais e intrigas conjugais para criar desconfiança dentro de um círculo de paz em Pankow. A ideia era simples: se não consegues vencer argumentos, destrói as relações. Se não os consegues prender todos, faz com que deixem de confiar uns nos outros.
Na Roménia comunista, a Securitate também tinha manuais e materiais de formação para ensinar os seus operacionais a descrever “inimigos do Estado”. O mais delicioso é que a linguagem psicológica e criminológica era usada para dar um ar científico à perseguição ideológica. Um manual da Securitate sobre psicologia criminal definia desvio como afastamento das “normas dominantes”. E quais eram as normas dominantes? As normas ideológicas do partido-Estado. Traduzindo: quem não cabia na visão oficial podia ser tratado como suspeito. A ciência, essa senhora respeitável, transformada em bengala de polícia política. Também aqui, os nossos wokes e a nossa UE não inovam. Copiam.
Na mesma Roménia, havia pessoas descritas como “elementos”, “inimigos”, “desviantes” ou “hostis à nossa ordem socialista”. A pessoa deixava de ser pessoa. Passava a categoria. Passava a etiqueta. Passava a caso. E quando um regime começa a transformar cidadãos em categorias suspeitas, já estamos no terreno onde tudo é possível e quase tudo acaba por ser justificado em nome de uma suposta higiene moral colectiva. Incluindo matar ou, na melhor das hipóteses, enviar para centros de "reeducação". Estejam atentos porque já há gente presa por opiniões políticas por cá, e em Inglaterra já há mais detidos por tweets do que por roubos. Não, não estou a exagerar. Antes estivesse.
Portanto, quando hoje vemos organizações supostamente dedicadas ao apoio à vítima a entrar em projectos políticos com manuais para detectar “discurso de ódio”, convém ter memória histórica e perceber que a metodologia é bem conhecida por quem tem um bocadinho de conhecimentos de História.
O padrão é sempre parecido: primeiro cria-se uma linguagem moralmente blindada, uma moral que não pode ser desafiada. Depois classificam-se opiniões como perigos. Depois, transformam-se os adversários em ameaças. Depois ensinam-se activistas, técnicos, funcionários e instituições a reconhecer os sinais de desvio, com manuais deste tipo. Finalmente, tudo passa a ser prevenção. E quando tudo é prevenção, já ninguém precisa de provar grande coisa. Basta suspeitar, catalogar, assinalar, denunciar e condicionar.
E assim se vão transformando Estados democráticos em ditaduras, em lume brando, com palavras bonitas, financiamentos públicos, projectos europeus, manuais... até que depois surge a policia política, nunca anunciada como tal. Só depois é que percebemos: "a policia política era aquela".

Quando é que isto muda?

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "Expresso esso 22 min G Milícia extrema-direita extrema- de desmantelada pela unidade anti-terrorismo da daP J pelo DCIAP queria invadir causar estragos nos dois locais. Motivo? Davam apoio comunidade imigrante em Portugal. Leia 0 artigo pelo link nos comentários Lider neonazi ačedeu aos arquivos municipais para obter as plantas do SOS Racismo e da Mesquita do MartimM Moniz"
Uma pergunta que aparece com frequência nos comentários é esta: quando é que isto muda? E, sobretudo, muda pelo voto?
Meus caros, se há coisa que tento fazer, com as limitações evidentes da condição humana, é raciocinar com algum rigor. Vou acertar sempre? Não. Ninguém acerta sempre, e eu muito menos. Não faltam por aqui pessoas a lembrar-me disso.
Mas tentando fazer um exercício lógico, baseado na história das civilizações, parece-me possível fazer uma distinção grosseira, mas útil: há sociedades que mudam governos, corrigem abusos e resolvem conflitos por vias essencialmente pacíficas. E há sociedades que passam a vida à pancada, até já ninguém saber muito bem se estão a lutar por uma ideia, por uma bandeira, por uma tribo ou apenas porque sim.
E o padrão histórico parece-me claro. Nas civilizações que conseguem resolver os seus problemas com pouco ou nenhum sangue, há mais estabilidade, mais desenvolvimento, mais tecnologia, mais confiança social e níveis de pobreza tendencialmente mais baixos.
Nas civilizações onde todos se comem uns aos outros, há pobreza, atraso, medo, morte e, invariavelmente, um chefe qualquer a explicar que a violência era necessária para salvar o povo.
Isto para dizer uma coisa muito simples: eu não acredito em soluções não pacíficas. Não acredito em aventuras de força. Não acredito em minorias iluminadas que decidem “salvar” o país contra o próprio país. Não acredito que um país melhor possa nascer de um chão encharcado de medo e repressão.
E não, isto não resulta de uma lavagem cerebral que me tenham feito na Faculdade. Resulta de olhar para a história com um mínimo de seriedade.
Falemos: Países que se desenvolveram sem liberdade, pluralismo e algum grau de consenso social? Há poucos exemplos. Os países do Golfo? Têm petróleo. E mesmo esses só prosperaram porque o mundo desenvolvido criou tecnologia, indústria e mercados capazes de dar valor ao petróleo. Não foi propriamente uma revolução cultural no deserto.
Querem falar da China? Falemos. A China aumentou brutalmente o PIB sob um regime autoritário. É verdade. Mas continua a ser um país duríssimo para viver e trabalhar, com desigualdades brutais, vigilância massiva, repressão política e milhões de pessoas ainda presas a condições de vida que nenhum europeu aceitaria durante quinze minutos, excepto porventura na Albânia. E grande parte do salto chinês assentou em copiar em massa tecnologia criada em países livres.
A verdade é esta: o desenvolvimento precisa de criatividade. E a criatividade precisa de liberdade. Pode haver obediência sem liberdade. Pode haver fábricas sem liberdade. Pode haver disciplina sem liberdade. Pode até haver crescimento durante algum tempo sem liberdade. Mas a inovação, o pensamento crítico, a confiança social, a cultura de responsabilidade e a capacidade de reforma sustentada não nascem de sociedades aterrorizadas.
Nascem de sociedades onde se pode discordar, onde se pode criticar, onde se pode, até, fazer greve. Sítios onde a mudança se faz convencendo pessoas, e não esmagando nem aterrorizando pessoas.
Por isso, sim: isto muda pelo voto. Ou, pelo menos, só deve mudar por essa via. Não vejo alternativa menos má. É lento? É. É frustrante? Muito. Dá vontade de desistir quando se vê uma comunicação social que trata uns como santos e outros como ameaça? Evidentemente.
É irritante assistir a instituições capturadas por agendas políticas, enquanto fingem que estão apenas a defender a democracia? Óbvio.
Mas a alternativa é pior. A alternativa é aceitar a lógica de que, se o sistema está podre, então vale tudo para o derrubar. E quando se abre essa porta, ela nunca se fecha apenas para “os nossos”. Fecha-se para todos. Hoje é contra quem odiamos. Amanhã é contra quem incomoda. Depois é contra quem discorda. No fim, já ninguém fala e somos a Síria ou o Líbano.
Se alguém acha que existe forma melhor de reformar Portugal do que conquistar apoio popular, vencer culturalmente, convencer pessoas e criar uma maioria política suficientemente ampla para alterar o rumo do país, a minha mensagem é simples: está errado.
É difícil. É lento. É ingrato. É muitas vezes desesperante. Mas é o único caminho que pode produzir um país melhor sem destruir o país pelo caminho.
Parafraseando Churchill, a democracia é a pior forma de mudar as coisas. Excepto todas as outras que a humanidade já experimentou.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Um ar que se nos dá: saiba quem mais polui a atmosfera em Portugal

 A ideia foi-se instalando com a eficácia das grandes simplificações contemporâneas: nos círculos mediáticos e políticos o grande problema ambiental será hoje, quase em exclusivo, o das alterações climáticas, causado pelas emissões de dióxido de carbono e de outros gases com efeito de estufa.

Nessa narrativa, repetida por governos, empresas, fundações, agências de comunicação e por boa parte da imprensa, o cidadão comum aparece como o culpado difuso: continua a usar combustíveis fósseis, anda de automóvel, não mudou os seus hábitos, embora, no caso português, viva num país onde os transportes públicos continuam, em muitas zonas, pelas ruas da amargura, mas onde se exige à população uma conversão ecológica que o próprio Estado não garante em condições mínimas.



 Pedro Almeida Vieira

paginaum

Global Notícias em falta.

 


Câmaras Municipais já cancelaram mais de 10 mil licenças de alojamento local por inatividade ou incumprimento de seguros

 Autarquias cancelaram 10.324 registos de alojamento local por falta de atividade e incumprimento do seguro obrigatório de responsabilidade civil. Lisboa, Porto e Algarve concentram maioria dos casos.
As autarquias portuguesas já cancelaram 10.324 registos de alojamento local (AL) no âmbito de uma operação nacional de limpeza do registo, destinada a eliminar unidades sem atividade. De acordo com o Diário de Notícias, o processo, iniciado no final de 2025, está a permitir identificar estabelecimentos licenciados que não estão em funcionamento efetivo.
A medida ganhou um novo enquadramento com a obrigação, em vigor desde março de 2025, da entrega anual do seguro de responsabilidade civil por parte dos titulares de AL. Este documento é exigido para cobrir eventuais danos causados a hóspedes ou a terceiros e a sua falta pode levar ao cancelamento do registo pelos municípios.
Entre os concelhos que já concluíram ou mais avançaram com o processo, destaca-se Lisboa, onde foram anuladas 6.765 licenças, cerca de 40% do total existente. Já no Porto, as autarquias cancelaram 1.413 registos, o equivalente a 12% do universo local, ficando a cidade com 10.821 unidades ativas.
A ALEP estima que o processo de registo do seguro de responsabilidade civil levará ao cancelamento de entre 40 e 45 mil alojamentos, mantendo-se ativos entre “85 a 90 mil” espaços.
No Algarve, a operação já foi concluída em dois municípios. Em Lagoa, a autarquia retirou 598 registos por falta de apresentação do seguro dentro dos prazos definidos, num total de 3.755 licenças. Em Lagos, o município avançou com o cancelamento de 1.548 registos, o que corresponde a 26% do total de alojamentos locais registados.
Segundo a Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP), o ritmo do processo varia consoante os municípios, com alguns a apresentarem já uma base mais atualizada devido a fiscalização prévia, enquanto outros ainda estão numa fase inicial de verificação, sobretudo no Algarve, onde se concentra grande parte da oferta nacional e onde o trabalho deverá prolongar-se nos próximos meses.
observador

O encobrimento: um dossiê enterrado para evitar o escândalo. Inglaterra.

O documento estava concluído em 2023. Encomendado pelo Cabinet Office, o departamento que apoia diretamente o primeiro‑ministro, depois de se terem descoberto os primeiros indícios de fraudes nos pacotes de resgate da pandemia.
O relatório era para ser partilhado com a Foreign Office e os altos funcionários do governo. Mas, depois de verem os números e as conclusões, os responsáveis da anterior administração conservadora decidiram que o documento nunca deveria sair da gaveta.
O arquivo foi classificado como secreto – alegadamente para não causar “embaraço político” – e permaneceu enterrado até 8 de Junho de 2026, quando o diário britânico The Telegraph o revelou ao mundo.
O que o documento descreve é uma catástrofe de proporções épicas na gestão do dinheiro público. Entre 2015 e 2021, mais de 28 mil milhões de libras (cerca de 37,5 mil milhões de dólares) em fundos dos contribuintes britânicos terão sido desviados para organizações criminosas, grupos terroristas e Estados hostis, através de programas de ajuda externa e dos empréstimos de emergência concedidos durante a pandemia. As falhas nos controlos foram tão profundas que o dinheiro chegou às mãos do Estado Islâmico na Síria, de redes ligadas à Rússia e até a entidades associadas ao exército chinês.
As conclusões do dossiê são avassaladoras.
Mostram que o Estado, a máquina mais poderosa da sociedade, foi sistematicamente incapaz de proteger o dinheiro dos contribuintes. E, mais grave, que a verdade foi intencionalmente escondida para poupar a reputação de quem estava no poder.
O sistema que falhou – e quem foi atingido
A investigação do Telegraph identificou três grandes vulnerabilidades que foram exploradas em larga escala.
A primeira e mais grave foi o programa de empréstimos Bounce Back Loan, criado para ajudar as pequenas empresas a sobreviver durante a pandemia. As verbas eram desembolsadas com verificações mínimas para que o dinheiro chegasse rapidamente a quem precisava, mas essa urgência abriu uma janela de oportunidade para a fraude em massa. Um relatório ao Parlamento em Dezembro de 2025 concluiu que os contribuintes perderam cerca de 10,9 mil milhões de libras em fraudes e erros nos esquemas de apoio à pandemia, e que apenas 1,8 mil milhões tinham sido recuperados até à data.
O dossiê do Cabinet Office vai mais longe e revela casos concretos que lembram um thriller de espionagem: empréstimos Covid canalizados para membros do Estado Islâmico na Síria, subsídios concedidos a empresas ligadas ao Estado russo, e fundos de combate ao terrorismo que acabaram nas mãos de extremistas anti‑ocidentais.
Há registo de investimentos em projectos de investigação associados ao exército chinês, e de redes criminosas ligadas à imigração ilegal que receberam fundos através de subsídios de habitação e abonos de incapacidade, num esquema orquestrado com o apoio de uma potência estrangeira para fomentar a migração ilegal para o Reino Unido. Fontes próximas dos serviços de segurança indicaram que existia um “grande overlap” entre algumas destas redes criminosas e Estados hostis.
A segunda vulnerabilidade foi a ajuda externa britânica. Os números oficiais mostram que o orçamento para ajuda externa cresceu de 12,1 mil milhões de libras em 2015 para 15,2 mil milhões em 2019. O dossiê concluiu que a devida diligência sobre os beneficiários era insuficiente, permitindo que milhões de libras fossem para organizações ligadas ao crime organizado ou ao extremismo.
A terceira vulnerabilidade diz respeito aos próprios subsídios e benefícios sociais. O documento aponta que redes de crime organizado, incluindo traficantes de seres humanos, reclamaram fraudulentamente abonos de habitação e de incapacidade, usando o dinheiro para financiar operações ilegais em grande escala.
“Se há uma lacuna, qualquer um pode usá-la – criminosos, terroristas, qualquer pessoa que queira ganhar dinheiro rápido”, sintetizou Tom Keatinge, director do Centro para o Crime Financeiro e Estudos de Segurança do think tank RUSI, citado pelo Telegraph. Keatinge já em 2021 co‑assinara um relatório a alertar para o problema, classificando como “cada vez mais perversa” a falta de atenção dada à fraude no diálogo de segurança nacional, e pedindo um “maior papel para a arquitetura de inteligência do governo”.
O encobrimento: um dossiê enterrado para evitar o escândalo
O dossiê foi encomendado em 2023 por responsáveis de segurança que queriam uma fotografia exacta da dimensão da fraude nos fundos públicos. O documento era para ser partilhado com o Foreign Office e outros altos funcionários.
Mas quando ficaram prontos, os resultados eram tão politicamente explosivos que a administração conservadora da época decidiu não o divulgar. Fontes citadas pelo Telegraph disseram que o relatório nunca foi tornado público “para evitar o embaraço político de revelar a enorme escala dos fundos mal direccionados”.
A decisão de enterrar o documento lança uma sombra pesada sobre a transparência do Estado britânico. O próprio governo recuperou cerca de 7,5 mil milhões de libras em poupanças no combate à fraude – mas o valor perdido, de acordo com o dossiê, é muito superior. A oposição trabalhista, agora no poder, ainda não disse se irá investigar as alegações e tentar recuperar os fundos desviados.
As reacções dos especialistas: “É guerra económica, e temos sido ingénuos”
Rebecca Harding, do Centro para a Segurança Económica, foi citada pelo Telegraph a fazer um alerto grave: o dossiê deve servir como um “chamado à atenção” para a realidade da guerra económica.
“Um dos problemas é que assumimos que todos querem a mesma coisa que nós”, afirmou Harding. “O que não percebemos é que, quando se trata de outros países, alguns querem projectar o seu poder económico de uma forma que prejudica o nosso poder económico. É guerra económica, e temos sido ingénuos em relação a tudo isto.”
Nicholas Ryder, antigo conselheiro da Comissão de Assuntos Internos do Parlamento britânico, classificou a dimensão do desvio como “surpreendente”, acrescentando que “a ligação entre a fraude e o financiamento do terrorismo é muito clara”.
A conclusão dos serviços de segurança britânicos é inequívoca: o Estado falhou repetidamente na proteção dos cofres públicos, e esses erros foram deliberadamente explorados por atores maliciosos durante anos.
Portugal: o mesmo padrão de fragilidade, as mesmas consequências
O caso britânico não é um episódio isolado.
É o reflexo de um problema estrutural que atravessa a Europa.
Em Portugal, onde a discussão pública se tem concentrado na idade da reforma e nas contas da Segurança Social, a realidade da fraude com fundos públicos – em especial com dinheiro comunitário – continua a sangrar, muitas vezes longe dos holofotes.
No final de 2025, a Procuradoria Europeia realizou buscas na área de Lisboa por suspeitas de fraude envolvendo fundos da União Europeia e branqueamento de capitais, no âmbito do programa Portugal 2020, num esquema relacionado com a produção de equipamentos de proteção contra a Covid-19. Em Maio de 2026, a Operação Saco Roto – desenvolvida pela Polícia Judiciária em articulação com a delegação do Porto da Procuradoria Europeia – culminou na detenção de três pessoas, na realização de 26 buscas domiciliárias e não domiciliárias, e na apreensão de cerca de 100 mil euros em numerário.
A investigação incide sobre 30 operações cofinanciadas maioritariamente por fundos comunitários, num valor global de apoio aprovado superior a 1,8 milhões de euros. As empresas envolvidas, algumas criadas “ficticiamente para o efeito”, surgem repetidamente associadas à elaboração de candidaturas, consultas ao mercado, contratação de recursos humanos e faturação, maioritariamente entre elas, para obter o financiamento.
Em Abril de 2026, três pessoas foram detidas por suspeita de fraude de 15 milhões de euros com fundos europeus. Em Fevereiro de 2026, a PJ fez buscas por suspeitas de fraude de 3,6 milhões na Madeira, em projectos de reflorestação financiados por fundos europeus, tendo a Procuradoria Europeia constituído arguidos três funcionários públicos.
E em Dezembro de 2025, a Operação Navis visou a Transtejo por suspeitas de fraude na obtenção de subsídios comunitários no valor de 17 milhões de euros para renovação da frota, envolvendo adjudicações por ajustes directos a empresas do Grupo ETE.
A Procuradoria Europeia (EPPO), criada precisamente para proteger o orçamento da UE, tem sido cada vez mais acionada em Portugal, mas os números continuam a ser preocupantes. Até 2026, tinham sido detetados cerca de 350 casos de fraude com fundos europeus na zona euro, sendo Portugal responsável por oito desses casos – um número reduzido, mas que contrasta fortemente com os milhares de milhões de euros em ajudas comunitárias que o país recebe e que, em boa parte, continuam a escapar aos mecanismos de controlo.
Conclusão: a cultura do encobrimento, do Tejo ao Tamisa
A investigação do Telegraph revelou uma verdade incómoda: o Estado britânico entregou milhões de libras a terroristas e criminosos, enterrou o relatório que documentava o escândalo e só agora, anos depois, a verdade vem ao de cima.
Em Portugal, o padrão é o mesmo. Os mecanismos de controlo existem, mas são frequentemente ignorados. As auditorias existem, mas são desprezadas. Os alertas existem, mas são abafados. E quando a verdade começa a emergir, o sistema reage com operações policiais isoladas, algumas detenções, e uma narrativa oficial de que “algo está a ser feito”.
Mas o dinheiro – o dinheiro dos contribuintes, o dinheiro que devia construir escolas, hospitais e estradas – continua a desaparecer, canalizado para empresas de fachada, para offshores e, em alguns casos, para financiar redes que trabalham activamente contra o interesse nacional.
A questão central, tanto em Londres como em Lisboa, não é técnica. É política. A questão é saber quem beneficia com a opacidade. E a resposta, por mais desconfortável que seja, é a mesma nos dois lados do Canal da Mancha: beneficiam os mesmos partidos que escrevem as regras, os mesmos interesses instalados, os mesmos intermediários que engordam à sombra do Estado.
Enquanto essa cultura permanecer, os números continuarão a piorar. E os contribuintes continuarão a pagar – não uma, mas duas vezes. Primeiro, quando descontam para o sistema. Depois, quando esse dinheiro é canalizado para quem o quer destruir. A pergunta que fica no ar, tanto para o eleitor britânico como para o português, é a mesma: até quando vão continuar a acreditar que “algo está a ser feito”?
Pode ser uma imagem de texto que diz "3 @ూ. WHISTLEBLOWER.PT - စ်ချု THE TELEGRAPH REVELA: 28 MIL MILHÕES DE LIBRAS DE DINHEIRO PÚBLICO BRITÂNICO FINANCIARAM TERRORISTAS, CRIMINOSOS E ESTADOS HOSTIS"
Nenhum patrocínio. Nenhuma narrativa institucional. Apenas os factos.
Fontes e links directos: