segunda-feira, 25 de março de 2024

Hoje

Em 1957, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo, Holanda e Alemanha Ocidental assinavam o Tratado de Roma, que instituía a Comunidade Económica Europeia. Entraria em vigor a 1 de janeiro do ano seguinte e é, ainda hoje, juntamente com o de Maastricht, o mais importante Tratado e base legal da União Europeia.

sexta-feira, 22 de março de 2024

Vai haver um TGV no ‘PORTUGALZINHO’?

Um TGV neste nosso 'PORTUGALZINHO'?!?

A sério???????!!!!!!!!!!!??????????

Já alguém pensou nos custos da sua manutenção para não haver nenhum 'desastre'?

E a que preços terão de ser os 'bilhetes' para não termos mais uma TAP?

Nota (egoísta): Não é que me preocupe…não tenciono ir ao Porto…ah ah ah

A F P

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Vai haver um TGV no 'PORTUGALZINHO'?

Neste mesmo 'Portugalzinho', onde sucedem desastres mortais por falta de peças, equipamentos e cumprimento de regulamentos, acham que cabe e tem sustentabilidade/viabilidade/segurança uma linha TGV?

 

JOSÉ LUCENA GAIA - 18/03/2024 

Engenheiro Civil (IST), de que uma das Especializações é Transportes (IST)

Neste mesmo Portugalzinho, onde sucedem desastres mortais por falta de peças, equipamentos e cumprimento de regulamentos, acham que cabe e tem sustentabilidade/viabilidade/segurança uma linha TGV?

Em oito anos , o actual Partido Socialista , na sua política de regresso ao marxismo e repúdio da social democracia pelo nepotista e incompetente Carlos César , com sobejas provas deixadas nos Açores , onde um Mário Soares já velho e desgastado por derrotas na União Europeia , e dessas derrotas raivosamente vingativo contra a ala social-democrata do P.S. , onde, dizia, foi buscar para o Continente um Carlos César que com António Costa, ambos com provas suficientemente dadas das suas incompetências , nesses oito anos, este Partido Socialista à semelhança de outras áreas como o Serviço Nacional de Saúde , desmantelou a já frágil pasta do ensino e cultura . A máxima desta incompetência, é a mesma que subsiste há milénios desde que as sociedades se organizaram em grupos, em tribos , em nações e que tiveram a aplicação máxima com José Estaline , com Hitler e com Mao tsé Tung para além de muitos outros , Máxima essa que é ser sempre mais fácil conduzir e enganar um grupo de ignorantes que aqueles com mais cultura que os que detêm o poder . Vejam-se os ministros da Educação e da Cultura escolhidos nos regimes de António Costa, e em particular o jornalista que ultimamente não desempenha esse lugar da Cultura, mas que o ocupa.

Para os mais ignorantes destas realidades à António Costa num beijinho ao Bloco de Esquerda em geringonça , e logo em 2017, lembro a anulação de exames intercalares a Matemática, vergonhosamente anunciada por António Costa em plena Assembleia da República sem qualquer reacção contrária de qualquer deputado , e um silêncio alarmante por parte da comunicação social como fomos sempre habituados desde que esse licenciado em Direito, sem qualquer formação para gestão do que quer que seja ou fosse ocupou o cargo de 1º Ministro.

Ao longo dos seus oito anos, a Europa aponta a Portugal um decréscimo desastroso na cultura dos alunos, desastre esse alarmante nas áreas das Línguas, Matemática e Ciências. Resultados desastrosos no âmbito das nossas Escolas , dos nossos Liceus , do nosso futuro próximo: Os nossos jovens mais e melhor qualificados, esses jovens são captados pelas empresas estrangeiras ou constituem o tronco mais denso do êxodo da nossa juventude para o estrangeiro. Para equilibrar essa falta alarmante de profissionais qualificados, o Partido Socialista e Bloco de Esquerda, abrem escancaradas sem qualquer triagem as portas do país a uma inundação por estrangeiros sem a menor qualificação escolar primária nem qualquer formação profissional, e muitos sem saberem sequer o Português mais rudimentar.

Em paralelo, recordo o repto que na Ordem dos Engenheiros lancei há poucos anos ao ministro então aí presente de António Costa, para apresentarem os custos de Manutenção de uma linha TGV Lisboa-Porto, o que continua sem resposta.

Nenhum Partido nos desfiles eleitorais tipo Carnaval Brasileiro, nem entrevistas pela chamada comunicação social parece interessado em parar a ilusão paranóica do nacional parolismo em sermos grandes, gigantescos, em termos também um TGV como a Alemanha, como a França ou o Japão.

Mas deixem-me dar uma ajuda, recuando a 1964. Isso mesmo, a 1964!

Quando à linha do Norte de Portugal faltavam mais de 10 anos para a sua eletrificação, o Japão, como infraestrutura para as suas primeiras Olimpíadas, revolucionou os transportes com o 1º TGV : O Comboio Bala, afirmando-se desde então como os World Railway Masters, a que a própria "Deutch Bahn" tem recorrido precisamente para assuntos da ferrovia de Alta Velocidade.

 E são estes Mestres da Ferrovia que regulamentam como fundamentos primários para o funcionamento eficaz e em segurança de um TGV que o mesmo funcione :

1º- Nunca abaixo dos 450 kms entre partida-paragem

2º- Que cada 2.500 horas de funcionamento as composições TGV sejam integralmente desmontadas e remontadas, para a radiografia integral de chassis, bogies e rodas, em detecção da mais pequena fissura de material que obrigará à sua substituição do componente por nova peça. Esqueçam qualquer reaproveitamento para TGV!

É esta operação que cíclica e eficientemente a "Japan Rail" executa nas suas gigantescas oficinas em Nagoya.

Conseguem imaginar os custos desta operação?

Dou uma ajuda: 2.500 horas a 230 kms/hora (nem falo já em 300kms/h) equivalem a 575.000 kms percorridos. Isto será cerca de 1440 viagens Lisboa-Porto, o que resulta se cada composição TGV só fizer 3 trajectos diários, resulta uma cadência de desmontagem integral-inspecção-radiografia-substituição e remontagem para cada composição de 16 em 16 meses!

Neste nosso Portugalzinho, onde a bitola estreita das ferrovias seculares do nosso isolamento ferroviário, é a mesma bitola estreita das cabecinhas de tantos ditos governantes, quando do último desastre ferroviário, em Soure há menos de 4 anos, o sr. Pedro Nuno Santos, incompetentíssimo ministro de infraestruturas, em 24 horas apressou-se a correr aos microfones para atirar as culpas aos maquinistas das composições, quando nos dias seguintes ficaram provadas falha de equipamento, falta de manutenção, falta de equipamento de corte-segurança à ferrovia, num parêntesis: Culpa da Refer + seu ministro das infraestruturas.

Neste mesmo Portugalzinho, onde sucedem desastres mortais por falta de peças, equipamentos e cumprimento de regulamentos, acham que cabe e tem sustentabilidade/viabilidade/segurança uma linha TGV?

O 'Portugalzinho'

Autor:   Miguel Sousa Tavares 

  
 
Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!
  

A ameaça crescente da França.

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