Mostrar mensagens com a etiqueta Musica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Musica. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Descendem de portugueses estas 26 celebridades mundiais

Descendentes de corajosos emigrantes de sangue lusitano

Fique a conhecer algumas das celebridades mundiais de origem portuguesa, descendentes de corajosos emigrantes de sangue lusitano.

Apesar da excelente gastronomia, do clima, da história, das pessoas, Portugal viveu durante vários períodos da sua existência crises financeiras e vários portugueses viram-se forçados a procurar melhores condições de vida noutros pontos do globos.

Comecemos com uma rápida visita ao mundo musical:

  1. Glenn Alan Medeiros

    1. Nos anos 80, a música “Nothing’s Gonna Change My Love For You” fez sucesso mundial. O cantor deste êxito, Glenn Alan Medeiros, que nasceu no Havai, e que actualmente é professor de música nos Estados Unidos, é descendente de portugueses, mais especificamente de açorianos.

  2. Daniela Mercury

    1. Daniela Mercury é uma das mais populares cantoras brasileiras e seguramente uma das que mais vezes visita o nosso país. Diz sentir-se “em casa” quando se desloca e não é de estranhar: afinal tinha uma ligação forte com a sua avó paterna, que era portuguesa.

  3. Joe Perry

    1. O homem da guitarra dos AeroSmith, Joe Perry, também tem uma “costela” portuguesa. O seu avô madeirense, ao fixar-se nos Estados Unidos, decidiu mudar o seu apelido Pereira para Perry, de forma facilitar a sua integração na sociedade norte-americana.

  4. Kate Perry

    1. Kate Perry é seguramente um dos nomes mais surpreendentes neste artigo. A famosa cantora tem “sangue” português pela via materna. Sabe-se que desse lado tinha 3 trisavós naturais da Ilha do Faial (Açores).

  5. Nelly Furtado

    1. Os seus pais são oriundos da ilha açoriana de São Miguel. Cantora de sucessos como I’m Like a Bird” (pelo qual ganhou um Grammy) e “Turn Off The Light” ou “Promiscuous”, a artista visita com alguma regularidade o país e fala Português.

  6. Fáfá de Belém

    1. Fáfá de Belém, tal como Daniela Mercury, é uma presença regular no nosso país, é uma das mais bem-sucedidas cantoras brasileiras, e claro partilha origem portuguesa. Em 2013 solicitou a nacionalidade portuguesa.

  7. Phil Demmel

    1. Quem também toca guitarra e tem raízes portuguesas é Phil Demmel dos Machine Head. O artista revelou ser filho de uma portuguesa precisamente no Rock in Rio Lisboa 2008.

  8. Demi Lovato

    1. Demi Lovato aos 22 anos já tem um percurso interessante. Em 2012 revelou no seu Twitter a uma fã que Portugal é um dos vários países que descende.

  9. Sean Paul Ryan Francis Henriques

    1. Outro dos ilustres descendentes de portugueses é jamaicano. Sean Paul Ryan Francis Henriques, que é responsável por êxitos como “She doesn’t mind” ou “Temperature”, é neto paterno de um lusitano que decidiu fazer vida longe do seu país.

    2. Após uma rápida visita ao mundo musical, revelam-se agora alguns dos célebres artistas do meio audiovisual que têm sangue lusitano. Atores, apresentadores, realizadores fazem parte dessa lista. Muitos são ícones da actualidade, outros foram no passado. Uma verdadeira constelação de estrelas que elevam /elevaram o nome de Portugal bem alto.

  10. Daniela Ruah

    1. Daniela Ruah é uma cara bem conhecida dos portugueses, a actriz que nasceu em Boston, e que fala perfeitamente português, viveu vários anos em Portugal, tendo feito carreira no nosso país até 2010.

      Brilha desde então em terras de “Tio Sam”. Tem nacionalidade americana e portuguesa. O seu pai é português. Visita todos os anos o nosso país.

  11. Tom Hanks

    1. De todos os nomes aqui apresentado, o ator Tom Hanks é o mais mediático. Vencedor de 2 óscares, um dos mais prestigiados atores mundiais, já confessou publicamente as suas origens por várias vezes.

      Tem do lado materno, origens portuguesas. Os seus bisavós eram naturais dos Açores. Não é assim de estranhar que alguns dos seus antepassados maternos tivessem nomes como: Francisco Gonçalves Fraga, Barbara N. Silveria, Manuel Rosa, ou Josephine Borges.

  12. James Franco

    1. James Franco em entrevista a Mário Augusto para a Telecine 3 (a propósito da estreia do seu filme Feiticeiro de OZ”) confessou que Portugal: “É o único país das minhas origens que não visitei.

      Creio que a minha família vem da ilha da Madeira. Sou americano de 4.ª geração. O meu pai não falava português, o meu avô também não, mas adorava lá ir”._

  13. Sam Mendes

    1. Realizador de filmes com ‘SkyFall’, ou ‘Road do Perdiction’ (que lhe valeu um globo de ouro), o inglês Sam Mendes (ou melhor Samuel Mendes) é mais um ilustre descendente de Portugueses.

      O seu pai Jameson Peter Mendes, era natural de Trindad e Tobago, mas tinha antecedentes italianos e portugueses.

  14. Lucile Vasconcellos Langhanke

    1. Lucile Vasconcellos Langhanke, mais conhecida por Mary Astor, foi uma atriz que brilhou entre os anos 20 a 60. Em 1942 venceu um Óscar. Era descendente de portugueses pela via materna.

  15. Keanu Reaves

    1. Keanu Reaves que tem a sua carreira marcada por êxitos como “Matrix” ou “Speed”, nasceu no Líbano, e os seus ancestrais (paternos e maternos) tinham várias origens. Descende de ingleses, irlandeses, chineses, havaianos, e também de portugueses.

  16. Meredith Vieira

    1. Meredith Vieira é um rosto popular da NBC. Apresentou o mítico concurso “Quem Quer Ser Milionário”, mas também já apresentou o programa de informação “60 minutos”. Todos os seus avós eram açorianos, e emigraram para os Estados Unidos.

  17. Andrei Konchalovsky e Nikita Mikhalkov   

    1. Os irmãos russos Andrei Konchalovsky e Nikita Mikhalkov são realizadores de cinema, que alcançaram o respeito internacional. Descendem por via materna de António Vieira (que talvez fosse minhoto).

      Era “um judeu português cuja família fugiu à Inquisição, e encontrou com o czar Pedro I na Holanda ou na Inglaterra, que o levou para a Rússia onde fez uma excelente carreira (…) chegou a conde, título que usou até morrer”, revelou o jornalista José Milhazes ao site Notícias ao minuto.                                                                                                                              Agora é a vez de ficar a conhecer alguns prestigiantes escritores de sucesso que descendem de portugueses. Preparado para conhecer mais “portugueses”? Já ouviu falar de algum dos nomes mencionados? Fique a conhecê-los melhor.

  18. Louisa May Alcott

    1. Louisa May Alcott (1832, Filadélfia – 1888, Boston) destacou-se na literatura juvenil. A sua obra mais marcante foi “The Little Woman” (As Mulherzinhas). Teve antepassados paternos que foram judeus portugueses que imigraram para Inglaterra (possivelmente ainda antes de 1500)._


  19. Jorge Luis Borges

    1. Jorge Luis Borges (1899-1986), natural da Argentina, descendia pela sua via paterna de portugueses (o seu bisavô Francisco Borges habitou em Torre de Moncorvo).

      O escritor John Maxwell Cotzee em “Borges’s Dark Mirror”, considera que “Borges, mais do que ninguém, renovou a linguagem de ficção e, assim, abriu o caminho para uma geração notável de romancistas hispano-americanos”.

  20. Daniel Silva

    1. Daniel Silva é um escritor de sucesso. Entre as várias obras ligadas à temática da espionagem constam por exemplo A Death in Vienna, ou The Messenger. Nascido em 1960 nos Estados Unidos, é filho de açorianos.

  21. Ema Lazarus

    1. Ema Lazarus foi uma poetisa, descendente de judeus sefaraditas de origem portuguesa que nasceu em Nova Iorque em 1849.

      Ficou especialmente conhecida pelo seu soneto “Novo Colosso”, que foi redigido em 1883, 4 anos antes de falecer. Em 1912, o “Novo Colosso” foi exposto numa placa de bronze na Estátua da Liberdade.

  22. John Dos Passos

    1. “Apesar de John Dos Passos ser considerado um dos melhores escritores de sempre, e de haver uma prémio nacional com o seu nome, os seus livros causam pouco interesse e continua a não ser um autor prioritário para as editoras (…)”, revelou à RTP, o escritor Tiago Patrício que prepara uma peça sobre este autor. Com origens madeirenses, nasceu em Chicago em 1896 e faleceu em 1970 em Baltimore.

    2. São ou foram nomes influentes da política de vários países. Alguns marcaram mesmo a história mundial. Todos têm em comum a ligação a Portugal. Conheça algumas das figuras emblemáticas de sangue lusitano.

    3. De acordo com um estudo da New England Historic Genealogical Society, dos 43 presidentes que os Estados Unidos tiveram até hoje, 26 descendem de portugueses! Todos eles têm em comum Afonso Henriques. No caso concreto dos presidentes Bush, descendem de D. Urraca (a filha do primeiro rei português).

      Sabe-se que D. Urraca nasceu em Coimbra em 1150, 15 anos mais tarde casou com Fernando II, rei de Leão. A rainha Isabel de Inglaterra era sua trineta.

      Os familiares da rainha inglesa rumaram nos primeiros navios à América e deram origem a várias famílias presidenciais (garante o estudo que a família Bush certamente é resultado desta emigração). Entre os vários presidentes americanos com sangue português constam: George Washington, Thomas Jefferson, Gerard Ford, Bill Clinton, Ronald Reagan e  Richard Nixon.

  23. François Mitterrand

    1. François Mitterrand, que viveu entre 1916 e 1996, foi um dos mais emblemáticos presidentes franceses que também descende de Afonso Henriques._

  24. Luis Alberto Lacalle Herrera

    1. O antigo presidente do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Herrera, que nasceu em 1941 na capital daquele país (Montevídeo), vem de famílias das Ilhas do Pico e de S. Jorge.

  25. Benjamin N. Cardozo

    1. Benjamin N. Cardozo foi Juíz do Supremo Tribunal Americano. Descendente de judeus portugueses, nasceu em 1870 e faleceu em 1938. Nascido em Londres em 1804, e falecido na mesma cidade em 1881,

  26. Benjamin Disraeli

    1. Benjamin Disraeli foi Primeiro-Ministro Conservador do Reino Unido no tempo da Rainha Vitória. Também foi escritor. Descendia de judeus portugueses.

https://ncultura.pt/

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Metallica Collabs with Vans on New Sneakers

Este ano marca 30 anos desde que os Metallica lançaram o seu álbum autointitulado clássico nunca melhorado de 1991, também conhecido como Álbum Negro. A banda está fazendo uma série de coisas para comemorar, incluindo relançar uma versão remasterizada do álbum, um álbum de 53 faixas intitulado The Metallica Blacklist e um uísque com Blackened American Whiskey.

A colaboração mais recente encontra roqueiros de meia-idade unindo-se à Vans para os novos pares de tênis icônicos da marca Sk8-Hi e Classic Slip On.

Metallica Team com Vans para Tênis Comemorativos do 'Álbum Negro'

Os dois sapatos apresentam obras de arte de Pushead, colaborador frequente do Metallica, o homem por trás de muitos dos designs de produtos da banda desde 1986. O famoso do Pushead Sad But True design - caveiras gêmeas frente a frente - pode ser encontrado nos painéis laterais dos hi tops frente do deslizamento. Outros detalhes incluem contornos azuis, marca prata do Metallica e um logotipo impresso do Metallica no calcanhar.

vans-metallica-shoes-2

vans-metallica-shoes-3

vans-metallica-shoes-4

vans-metallica-shoes-5

A edição limitada da coleção Vans x Metallica estará disponível exclusivamente para membros da Família Vans em 25 de julho e no Metallica.com em 26 de julho.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

POEMA: o Cerco


Cantor Pedro Barroso confessa que não consegue ser “gay”… mas que se sente bem assim




Venho aqui pedir desculpa

de não ser evoluído,

apesar destas campanhas

na rádio, na televisão,

em toda a parte, insistindo

na urgência do assunto…

Eu não consigo gostar;

- não consigo mesmo, pronto.

Sei que pertence ser gay,

toda a gente deve ser.

Mas eu, lamentavelmente

não sou como toda a gente;

Como aconteceu… não sei,

peço desculpa por isso,

mas confesso: sou… diferente.

Sei que vos pode ofender

esta minha enfermidade,

pois um gajo que assim pensa

hoje em dia, não tem nexo;

deveria ser banido,

expulso da comunidade.

É uma vergonha indecente

Gostar de mulher, ter filhos

Casar, afagar, perder-se

Com pessoa doutro sexo!

Uma nojeira repelente;

Dar-lhe, até, beijos na boca

em público! E declarar

Esta sua preferência

Que eu nem sei classificar!

Tenho uma vergonha louca

E desejo penitência

por tal desconformidade,

retardamento, machismo,

doença, fatalidade!

Já tentei tudo: - inscrevi-me

em saunas, aulas de dança

cursos de perfumaria

origami, greco romana,

ioga - para ter ousadia

boxe - p’ra ganhar confiança...

Mas quando chega o momento

De optar… sou… decadente,

Recorrente e insistente.

Opróbrio raro e demente,

Ver uma mulher seduz-me,

Faz-me vibrar, deslumbro.

Vê-la falar, elegante;

Vê-la deslizar, sensual

Como vestal, deslumbrante

Seu peito assim, saltitante

Sua graça embriagante

olho com gosto, caramba,

lamento ser tão ...normal.

Mas eu confesso que sinto

- neste corpo tão cansado

Que da vida já viu tanto...

Ainda sinto um desejo

Que m’ envergonha bastante

Por ser já tão deslocado

tão antigo, assim tão fora

do mais moderno critério.

Valia mais estar calado

Mas amigos, já agora

Assumo completamente:

- Tenho esse problema sério.

Nunca integrarei partidos

Onde não sou desejado.

No planeta das tais cores

não tenho dia aprazado,

nem bandeira, nem veado,

nem “orgulho” especial!

Sou mesmo do “outro lado”

dito “heterossexual”

e já me chateia um bocado

Ter que dizer, embaçado,

que me atrai o feminino

e sou apenas “normal”!

- e, portanto, avariado.

Mas… mesmo assim, - saudosista,

imensamente atrasado,

terrivelmente cercado,

conservador nesse ponto,

foleiro, desajustado...

perdoai-me tal pecado

- Não me sinto ...assim tão mal!

domingo, 29 de novembro de 2020

'Jerusalema'': a dança contra a Covid-19

"Jerusaléma" é uma canção do DJ e produtor musical sul-africano Master KG com o vocalista sul-africano Nomcebo Zikode. A animada canção house influenciada pelo gospel foi lançada inicialmente em 29 de Novembro de 2019, depois de ter obtido uma resposta positiva online, com um videoclipe seguinte em 21 de Dezembro.

‘Jerusalema’ não tem explicitamente um teor religioso. A sua letra fala que o destino de todos nós é a cidade celestial e traz uma mensagem de esperança a todos do planeta - talvez por isso esteja fazendo tanto sucesso, afinal estamos precisando, não é mesmo?. Jerusalema, a música que viralizou no mundo todo e agora vai virar filme.

Já viu o 'Jerusalema Challenge' ou 'Desafio Jerusalema', em que um grupo de pessoas dança uma coreografia animada ao som do tema 'Jerusalema' de Master KG e Nomcebo Zikode, sempre respeitando as normas de distânciamento aconselhadas pela OMS e pela DGS.

A linguagem da canção e Zulu.


Jerusalema (feat. Nomcebo)

Jerusalema ikhaya lami
Ngilondoloze
Uhambe nami
Zungangishiyi lana
Jerusalema ikhaya lami
Ngilondoloze
Uhambe nami
Zungangishiyi lana

Ndawo yami ayikho lana
Mbuso wami awukho lana
Ngilondoloze
Zuhambe nami
Ndawo yami ayikho lana
Mbuso wami awukho lana
Ngilondoloze
Zuhambe nami

Ngilondoloze
Ngilondoloze
Ngilondoloze
Zungangishiyi lana
Ngilondoloze
Ngilondoloze
Ngilondoloze
Zungangishiyi lana

Ndawo yami ayikho lana
Mbuso wami awukho lana
Ngilondoloze
Zuhambe nami
Ndawo yami ayikho lana
Mbuso wami awukho lana
Ngilondoloze
Zuhambe nami

Jerusalema ikhaya lami
Ngilondoloze
Uhambe nami
Zungangishiyi lana
Jerusalema ikhaya lami
Ngilondoloze
Uhambe nami
Zungangishiyi lana

Ndawo yami ayikho lana
Mbuso wami awukho lana
Ngilondoloze
Zuhambe nami

Ngilondoloze
Ngilondoloze
Ngilondoloze
Zungangishiyi lana
Ngilondoloze
Ngilondoloze
Ngilondoloze
Zungangishiyi lana

Jerusalém (part. Nomcebo)

Jerusalém é minha casa
Me salve
Caminhe comigo
Não me deixe aqui
Jerusalém é minha casa
Me salve
Caminhe comigo
Não me deixe aqui

Meu lugar não é aqui
Meu reino não está aqui
Me salve
Vai comigo
Meu lugar não é aqui
Meu reino não está aqui
Me salve
Vai comigo

Me salve
Me salve
Me salve
Não me deixe aqui
Me salve
Me salve
Me salve
Não me deixe aqui

Meu lugar não é aqui
Meu reino não está aqui
Me salve
Vai comigo
Meu lugar não é aqui
Meu reino não está aqui
Me salve
Vai comigo

Jerusalém é minha casa
Me salve
Caminhe comigo
Não me deixe aqui
Jerusalém é minha casa
Me salve
Caminhe comigo
Não me deixe aqui

Meu lugar não é aqui
Meu reino não está aqui
Me salve
Vai comigo

Me salve
Me salve
Me salve
Não me deixe aqui
Me salve
Me salve
Me salve
Não me deixe aqui

JERUSALEMA (TRADUÇÃO) - Master KG - LETRAS.MUS.BR

Videoclip: MASTER KG FEAT NOMCEBO - JERUSALEMA ( 1 HORA / 1 HOUR ) - YouTube

quarta-feira, 22 de julho de 2020

À Vista da Planície.

Por Annie Hylton

A busca por criminosos de guerra sírios na Europa

Anwar al-Bunni, que fugiu da Síria em 2014, era na época um dos principais advogados de direitos humanos do país. Nascido numa proeminente família de esquerdistas, al-Bunni passou seus dias bebendo café e fumando cigarros nos degraus do Palácio da Justiça, sede da alta corte em Damasco, onde as famílias de dissidentes e activistas presos sabiam que poderiam encontrá-lo. O próprio Al-Bunni foi preso duas vezes, por falar sobre tortura nas prisões da Síria e pedir reformas democráticas. Sua devoção ao seu trabalho deixou pouco espaço para os outros prazeres de sua família ou vida. Damasco fica a apenas 80 km da costa do Mediterrâneo, mas al-Bunni não via o mar há mais de uma década. Ele vivia com o conhecimento de que a qualquer momento um de seus clientes poderia morrer na detenção.

Al-Bunni tinha pensado em deixar a Síria muitas vezes, mas ele sempre foi dissuadido pela crença de que o governo do presidente Bashar al-Assad iria derrubar - que as coisas iriam melhorar. Mas no Verão de 2014, al-Bunni soube que dois mandados haviam sido expedidos para a sua prisão, e ele decidiu que tinha se tornado muito perigoso para ficar. Sua esposa, Raghida Issa, e duas crianças adultas saíram primeiro, levando carros separados para Beirute. Então, numa tarde daquele Agosto, al-Bunni disfarçou seus olhos russet com lentes de contacto azuis e clareou seu cabelo escuro. Ele não trouxe nada além das roupas que estava usando e a 8 de outro homem — se parasse num posto de controle, ele diria que estava saindo para evitar o recrutamento militar obrigatório. Um amigo o levou através de campos estéreis até a fronteira libanesa. Ele foi deixado numa passagem de montanha, e esperou até o anoitecer para descer no Vale de Bekaa, no Líbano. De lá, ele contratou um táxi para Beirute, e continuou com sua família para a Alemanha.

Al-Bunni, Issa e seus filhos foram colocados num centro de moradia temporário para refugiados e solicitantes de asilo no oeste de Berlim. Durante a Guerra Fria, a instalação recebeu mais de um milhão de pessoas que fugiam da Alemanha Oriental, tornando-se conhecida como "a porta de entrada para a liberdade". O complexo abrigava agora cerca de 600 pessoas da Síria, Iraque, Afeganistão e Europa Oriental. Entre os prédios de apartamentos, o pátio do complexo tinha a sensação de uma pequena vila: mulheres de lenços empurraram carrinhos de bebé, crianças jogavam jogos de bola, e grupos de adolescentes riam juntos enquanto se dirigiam para o supermercado turco próximo.

Al-Bunni achou difícil entender que ele não estava mais na Síria. Ao falar ao telefone com um colega ou Ex-cliente, ele se encontrava querendo perguntar: "Você virá nos visitar em Damasco?" Ele frequentemente pensava no Café Havana, no centro da cidade, um local popular entre artistas e intelectuais onde al-Bunni reunia seus amigos advogados para trabalhar durante os dias frios de Inverno. A Primavera trouxe à mente o perfume floral que infundiu ghouta oriental, uma faixa de campo perto da capital, enquanto as primeiras rosas rosa-pálida da estação floresceram em suas colinas.

Berlim, por outro lado, parecia estranha e fria. Al-Bunni era mais reservado. Ele conhecia apenas um punhado de sírios na cidade, todos conhecidos distantes de Damasco. Mas numa manhã de Inverno, quando Al-Bunni e Issa estavam andando no pátio, al-Bunni notou um homem cujo olhar estava fixo nele. O homem era magro, com cabelo fino, bigode, sobrancelhas grossas, e uma verruga sob o olho esquerdo. O homem passou por eles e entrou no prédio ao lado do deles. Al-Bunni virou-se para Issa. "Eu conheço esse cara", ele disse. Issa respondeu que nunca o tinha visto antes. Al-Bunni tinha certeza de que tinha encontrado o homem na Síria, mas levou alguns dias para ele se lembrar quando e onde. Embora o homem tivesse envelhecido - sua linha de cabelo tinha recuado, e seu cabelo era mais grisalho - al-Bunni estava certo de que ele era Anwar Raslan, um coronel do regime de Assad.

Raslan tinha sido um oficial da Direcção Geral de Inteligência de Assad, uma das quatro principais agências de inteligência da Síria, colectivamente conhecida como Mukhabarat, que supervisiona as instalações de detenção do país. A Direcção Geral de Inteligência, muitas vezes referida como segurança do Estado, é a mais antiga das quatro e é encarregada de suprimir a dissidência. Embora seja ostensivamente uma agência civil sob a jurisdição do Ministério do Interior, na prática responde apenas ao presidente. A segurança do Estado tem sido, ao longo dos anos, liderada pelos conselheiros mais confiáveis de Assad, incluindo Ali Mamlouk, um poderoso funcionário ba'ath que é alvo de sanções na Europa e nos Estados Unidos por supostos crimes de guerra.

Dentro do regime, Raslan tinha a reputação de ser um homem altamente inteligente que serviu Assad fielmente. Nascido em uma família sunita nos arredores de Homs, ele havia colocado perto do topo de sua classe na academia de polícia e rapidamente subiu as fileiras nos serviços de segurança, tornando-se coronel no início de 2011, pouco antes do início da guerra civil.

Al-Bunni testemunhou a influência de Raslan em primeira mão. Raslan foi um dos vários homens que, em 2006, sequestraram al-Bunni da rua fora de sua casa em Damasco. Naquele ano, al-Bunni, juntamente com centenas de outros, havia assinado uma petição que pedia uma revisão da relação da Síria com o Líbano. (Assad via o Líbano como um Estado dependente, e a petição buscava, em parte, que a Síria reconhecesse o Líbano como uma nação soberana.) Alguns dias depois, al-Bunni estava caminhando para seu carro quando um grupo de homens com roupas civis se aproximou dele. Ele gritou por Issa, que correu para a janela de seu apartamento no terceiro andar. Ela viu enquanto os homens vendavam al-Bunni e o empurravam de bruços no chão de um carro. Enquanto se afastavam, ele implorou aos seus captores para lhe dizer o que ele tinha feito. Raslan, que parecia ser o líder do grupo, respondeu: "Você não sabe o que fez?"

Al-Bunni foi levado para uma agência de segurança do estado em Damasco, onde foi interrogado. "Você é um criminoso espalhando informações falsas sobre a Síria", disse Raslan. Al-Bunni não era estranho a tais interrogatórios. Sua prisão mais angustiante tinha ocorrido em 1978, quando ele tinha apenas dezanove anos; ele foi mantido por uma semana em uma cela subterrânea na Filial 251, uma instalação infame administrada pela segurança do estado. Interrogadores da Filial 251 tocavam um sino cada vez que traziam um detento para ser interrogado. "Quando ouvimos o sino, isso significava que todos nós tínhamos que estar prontos", disse Al-Bunni. Os guardas o electrocutaram e chicotearam os pés dele com um cabo. Ainda hoje, al-Bunni treme quando ouve um sino.

Após sua prisão em 2006, al-Bunni foi colocado em uma cela lotada junto com dezenas de homens que haviam sido condenados à morte por assassinato. Ele não viu ou ouviu de Raslan novamente após seu interrogatório inicial sobre a petição. Al-Bunni foi mais tarde acusado de três crimes, entre eles "disseminar informações falsas susceptíveis de minar a moral da nação em tempos de guerra", mas sua data de julgamento continuou sendo adiada. Issa e Lilas, filha de Al-Bunni, compareceram a uma de suas audiências. "Ele foi retirado da cela, e ele atravessou, algemado, com o policial arrastando-o", disse Lilas. "Nunca esquecerei como ele foi arrastado, como minha mãe e eu o seguimos, implorando ao policial para nos deixar falar com ele." Quase um ano depois, em Abril de 2007, al-Bunni foi condenado a cinco anos de prisão.

Guardas ocasionalmente espancam al-Bunni na prisão, mas ele descreve a experiência como uma das torturas psicológicas. Toda semana, Issa entrava na prisão e caminhava por um longo corredor, ao longo do qual dezenas de famílias visitavam entes queridos, e tocavam os dedos de Al-Bunni através de uma barreira de arame. Lilas e seus irmãos visitaram quando se sentiram fortes o suficiente para ver seu pai em um uniforme de prisão, seu atrofia muscular. "Lembro-me de como ele ficaria fraco", lilas me disse. Al-Bunni foi negado tratamento médico para o reumatismo em suas pernas. Quando foi solto, em Maio de 2011, ele estava leve, seu rosto envelhecia, e seu reumatismo causava desconforto quase constante. Até então, a Síria havia mergulhado em uma guerra civil, e apesar das objecções de sua família, al-Bunni voltou ao trabalho.

Agora exilado na Europa, al-Bunni foi consumido pela desesperança. O que ele poderia fazer pelo povo sírio a mais de 3.000 km de distância? Ele não tinha licença para exercer a advocacia na Alemanha, e quando sua família deixou o centro de trânsito de refugiados e se mudou para um apartamento no sul de Berlim, na Primavera de 2015, ele tinha chegado a um acordo com o fato de que o regime de Assad não estava se aproximando do colapso iminente. O conflito tornou-se uma guerra multifronte. O Estado Islâmico controlava grandes partes do território, e grupos de oposição, milícias islâmicas e forças pró-regime lutaram pelo resto. Esperava-se que a Rússia interviesse e fornecesse apoio militar directo ao regime, o que provavelmente derrubaria o equilíbrio a favor de Assad. De acordo com a Rede Síria de Direitos Humanos, até o Verão daquele ano, as forças de Assad haviam detido ou desaparecido mais de 117.000 pessoas. Pelo menos 11.000 foram torturados até a morte, e cerca de 11 milhões foram deslocados internamente ou forçados a fugir do país.

Al-Bunni decidiu entrar em contacto com advogados do Centro Europeu de Direitos Constitucionais e Humanos (ECCHR), que estavam trabalhando para acumular provas contra altos funcionários do regime acusados de assassinato, tortura e violência sexual. Como a Síria não faz parte do Estatuto de Roma, o tratado fundador do Tribunal Penal Internacional, apenas o Conselho de Segurança das Nações Unidas tem o poder de encaminhar crimes de guerra sírios ao TPI. Até agora, a Rússia e a China usaram seus vetos para bloquear qualquer acção. Com o litígio internacional paralisado por enquanto, as autoridades em toda a Europa se voltaram para o princípio da jurisdição universal, que permite aos tribunais nacionais investigar e processar crimes graves — como genocídio, uso de armas químicas e tortura — que foram cometidos no exterior por cidadãos estrangeiros. Inicialmente, os advogados de Al-Bunni e da ECCHR pensaram que teriam que esperar por uma resolução para o conflito sírio para que todos os casos fossem a tribunal. Mas então, em 2015, quase meio milhão de sírios chegaram à Alemanha. Al-Bunni começou a ouvir sobre funcionários sírios que haviam escapado com o fluxo de refugiados e poderiam ser alvo de processos criminais na Europa.

Os governos europeus não sabem quantos supostos criminosos de guerra sírios procuraram refúgio dentro de suas fronteiras. No início da guerra, quando parecia que Assad seria rapidamente derrotado, muitos membros do regime sírio desertaram por medo. Mais tarde, alguns partiram porque vivenciaram uma crise de consciência enquanto presenciavam ou participavam de atrocidades. Outros simplesmente aproveitaram a oportunidade para construir um futuro com suas famílias na Europa. Organizações independentes de vigilância estimaram que centenas de Ex-funcionários de Assad - membros de médio e alto nível do aparato militar e de segurança do país - fugiram para lugares no Oriente Médio e em toda a Europa. Mohammad Al Abdallah, director executivo do Centro de Justiça e Responsabilidade da Síria, uma organização sem fins lucrativos com sede em Washington, acredita que várias centenas de oficiais militares e de inteligência sírios chegaram à Europa. "Acho que essa é uma das razões pelas quais muitos refugiados sírios são muito paranóicos uns com os outros", me disse Muhammad Fares, um jornalista sírio que agora vive na Europa.

Al-Bunni começou a receber ligações de amigos sírios e estranhos sobre criminosos que eles reconheceram na Alemanha. Ele não tinha esquecido de Anwar Raslan. Desde que se cruzaram no Inverno de 2014, al-Bunni aprendeu mais sobre o papel de Raslan no regime de Assad.

Por mais de um ano, no início da guerra, Raslan supervisionou o Ramo 251, a instalação onde al-Bunni havia sido mantida e torturada aos 19 anos. Embora o edifício fosse despretensioso, com um pequeno jardim na frente onde as crianças brincavam frequentemente, o Ramo 251 tinha uma reputação de longa data entre os sírios como uma fortaleza de brutalidade.

Mas em 2012, Raslan fugiu de seu posto. Ele se escondeu na Síria, depois fugiu para a Jordânia com sua esposa e filhos. Enquanto vivia na Jordânia, Raslan entrou em contacto com Riad Seif, um proeminente membro do movimento de oposição sírio que tinha laços com o governo alemão. Raslan alegou que ele e sua família estavam em perigo na Jordânia por causa de sua deserção. Seif compartilhou o nome de Raslan com o Ministério das Relações Exteriores alemão, que em 2014 forneceu a Raslan e sua família um visto.

Naquele ano, Raslan participou de negociações apoiadas pela ONU, realizadas em Genebra, como conselheiro de Ahmad al-Jarba, então presidente da Coalizão Nacional Síria, na época o principal grupo de oposição no exílio. Logo depois, Raslan entrou em uma delegacia de polícia em Berlim, onde disse aos policiais que temia ser seguido por agentes da inteligência síria. "Conheço esses métodos do meu próprio trabalho", disse ele. "Eu sei como os serviços de inteligência sírios operam. Minha vida está em perigo." Embora as autoridades alemãs erram conhecimento do passado de Raslan no regime, seu relatório policial os levou a iniciar uma investigação sobre os detalhes de sua carreira e deserção. Em Julho de 2018, o Ministério Público Federal abriu sua própria investigação. Através de seus contactos na ECCHR, al-Bunni ouviu que os promotores estavam procurando por testemunhas que haviam sido mantidas na Filial 251 entre Abril de 2011 e Setembro de 2012, enquanto Raslan estava no comando da prisão.

Al-Bunni pensou através dos dissidentes que ele havia representado na Síria. Ele defendeu alguém preso na Filial 251 durante esse tempo? Havia um, ele percebeu, um blogueiro franco chamado Hussein Ghrer que escreveu sobre os direitos humanos na Síria. Ghrer havia sido preso e levado para a Filial 251 em Outubro de 2011. Al-Bunni descobriu que o Gührer havia fugido da Síria em 2015 e agora vivia com sua esposa e filhos em uma cidade sonolenta nos arredores de Hannover.

No ano passado, fui visitar o Ghrer. Sua esposa, que agora é fluente em alemão e estudando para se tornar uma assistente social, estava na cozinha preparando freekeh torrado e uma propagação de meses. Na parede de sua sala de estar estava uma bandeira revolucionária síria e uma tapeçaria de Damasco. Ghrer bebeu yerba maté e fumou um cachimbo enquanto me contava a história de sua detenção. Na Filial 251, ele disse que foi levado para uma cela pequena e superlotada com outros vinte homens. Eles tinham que dormir em turnos. A comida era escassa, se viesse. A cada dois dias, Ghrer era vendado e levado para uma sala de interrogatório, onde era perguntado sobre suas actividades políticas. Não parecia importar o que ele disse. Suas costas foram chicoteadas com cabos eléctricos, e as solas de seus pés foram golpeadas com um tubo de plástico, uma técnica de tortura conhecida como falaqa. Um dia, ele foi levado para uma sala onde instrumentos de tortura eram exibidos em uma mesa, incluindo um dispositivo de choque eléctrico e uma ferramenta para remover unhas. "Eles podem matar qualquer um sem serem responsabilizados", disse Ghrer. Às vezes, ele dizia: "O guarda perde a cabeça." O caso do Ghrer foi eventualmente transferido para um tribunal civil, onde ele conheceu al-Bunni pela primeira vez. "Ele veio até mim na corte, e me consolou", lembrou Ghrer. Al-Bunni ajudou a libertá-lo depois de mais duas semanas na prisão.

Al-Bunni ligou Ghrer com promotores alemães e identificou mais oito pessoas que haviam sido detidas na Filial 251, todas as quais se tornaram testemunhas no crescente caso contra Raslan. Disseram às autoridades alemãs que guardas tinham abusado sexualmente de mulheres e crianças durante o tempo de Raslan comandando a prisão. As detidas foram despidas e desfilaram por aí. Algumas doenças de pele contraídas. Outros lembraram de chegar ao Ramo 251 ao som de gritos. Falei com um homem, Taha Alzoubi, um cineasta de 59 anos que agora vive em Berlim, que foi pego em Damasco em Agosto de 2012 por dar comida aos manifestantes. Uma das primeiras coisas que viu quando entrou no Ramo 251 foi um homem, pendurado nu contra uma parede, que claramente tinha sofrido severa tortura. Guardas estavam tocando música e pedindo ao homem para dançar; quando o corpo do homem falhou com ele, um guarda arrancou os olhos com uma faca.

Usando tal testemunho, o promotor federal da Alemanha apresentou acusações contra Raslan por crimes contra a humanidade, assassinato, estupro e agressão sexual grave. O promotor alega que mais de quatro mil pessoas foram torturadas na direcção de Raslan, e que 58 pessoas morreram como resultado. (Através de seu advogado, Raslan se recusou a comentar esta história.) "Várias pessoas com quem falei foram torturadas até perderem a consciência", me disse Patrick Kroker, um dos advogados da ECCHR sobre o caso.

O julgamento de Raslan, que começou em Abril, é a primeira acusação em qualquer lugar do mundo por tortura patrocinada pelo Estado na Síria. É também o primeiro caso a julgar se o uso de tortura pelo governo sírio contra sua população civil equivale a crimes contra a humanidade, uma constatação que poderia servir de precedente em casos futuros. Se Raslan for considerado culpado, ele enfrentará prisão perpétua.

Enquanto os promotores alemães se preparavam para julgamento, al-Bunni voltou sua atenção para a construção de outros casos contra supostos funcionários do regime de Assad que chegaram à Europa como refugiados. Ele agora passa a maior parte do seu dia de campo dicas de sírios em todo o continente. Enquanto eu estava com ele no ano passado, al-Bunni ouviu falar de um médico na Alemanha que supostamente torturou pacientes em um hospital militar em Homs e um Ex-auxiliar na Europa Ocidental que supostamente contrabandeou armas para a Síria e entregou activistas ao regime. Ele se encontrou com uma testemunha cujo crânio havia sido perfurado durante um interrogatório aos dezasseis anos, para atualizá-lo sobre o paradeiro de seu torturador, e ouviu outro homem testemunhar que um de seus parentes, que agora vivia na Alemanha, tinha sido um membro da shabiha, uma milícia patrocinada pelo Estado responsável pela morte de milhares de manifestantes inocentes. "Os investigadores não podem ir à Síria para obter provas, então, em essência, a cena do crime deve vir aqui", disse al-Bunni. "Eu posso preparar todas as evidências; Posso contactar todas as vítimas sírias; e eu entregá-lo ao promotor.

Al-Bunni trabalha com uma rede voluntária de advogados sírios em toda a Europa para reunir evidências de testemunhas para se preparar para o dia em que eles serão capazes de apresentar processos contra criminosos de alto nível na Síria. O objectivo de Al-Bunni não é ir atrás de peixes pequenos — é chegar a Assad. Enquanto isso, porém, esforços fragmentados terão que fazer. Nerma Jelacic, chefe de comunicações da Comissão internacional de Justiça e Responsabilidade (CIJA), uma organização sem fins lucrativos que investiga crimes graves cometidos durante conflitos, disse que seu grupo está actualmente trabalhando em doze casos envolvendo funcionários sírios de nível médio como Raslan. "Quando a guerra começou, [desertores] emitiram declarações no YouTube em todas as Mídias sociais", disse Jelacic. "A questão é localizá-los, entender seu papel e reunir evidências suficientes em um tribunal de justiça." A CIJA recebe pedidos de apoio investigativo de agências de aplicação da lei que estão investigando Ex-funcionários do regime e membros do Estado Islâmico. No ano passado, a organização forneceu informações de cerca de quinhentos pessoas. "É uma indicação de quanta verificação está acontecendo", disse Jelacic.

Mazen Darwish, um advogado e jornalista que dirige o Centro Sírio de Mídia e Liberdade de Expressão, uma organização sem fins lucrativos que rastreia suspeitos de crimes de guerra, frequentemente colabora com advogados da Al-Bunni e da ECCHR. Desde 2011, seis de seus funcionários desapareceram ou morreram na Síria. Em 2018, após a colecta de informações da equipe levar promotores franceses a emitir mandados de prisão internacionais para três funcionários de alto nível na Síria, a TV estatal síria transmitiu um segmento sobre Darwish, acusando-o de atacar o país e trabalhar com o Mossad e a CIA. Na Primavera passada, visitei os escritórios sem identificação do grupo dele em um prédio no centro de Paris. As persianas estavam fechadas, e dentro, a fumaça do cigarro encheu o ar enquanto a equipe jovem, a maioria dos quais são refugiados sírios, trabalhava em computadores.

Uma vez que a equipe localiza um possível suspeito ou recebe uma dica de uma vítima, eles escavam através do Twitter, Facebook, YouTube e outros sites públicos para corroborar a conta. Eles também contam com informações de desertores, documentos vazados e informantes que ainda estão trabalhando em posições oficiais na Síria. Naquela tarde, sua busca os levou a um suposto membro do regime de Assad que havia sido fotografado recentemente posando em frente a um popular marco europeu. "Eles estão aqui agora", disse um, puxando a foto. A equipe planejava arquivar a foto e conduzir uma investigação.

O grupo de Darwish está actualmente processando processos criminais em toda a Europa contra membros do regime de Assad, grupos de oposição, várias milícias e o Estado Islâmico. Eles são cautelosos com o que vêem como a abordagem de paz a todo custo da UE, que poderia absolver os responsáveis por atrocidades em massa na Síria. "O objectivo da comunidade internacional é fazer as pazes entre todos os jogadores… mesmo que sejam criminosos", me disse Almoutassim al-Kilani, advogado do grupo. "Estamos tentando lutar contra isso. Essas pessoas não podem fazer parte do nosso futuro."

Se Raslan merece fazer parte do futuro da Síria é uma questão que criou discórdia na diáspora síria. Raslan afirma que deixou a Síria com intenções nobres — que, em troca de uma passagem segura, deu à oposição síria informações sobre os crimes do regime. De acordo com a Foreign Policy, Raslan concordou em fornecer aos líderes da oposição mais de vinte mil arquivos descrevendo o tratamento dos detidos. Wael al-Khalid, um activista da oposição que diz ter ajudado Raslan a desertar, disse à revista que Raslan "não nos entregou os documentos prometidos" depois de chegar em segurança à Alemanha. "Toda vez que eu insistia, ele dizia que entregaria os arquivos às Nações Unidas, ou à CIA. Eu sabia que ele estava blefando.

Mas os defensores de Raslan dizem que ele era uma engrenagem em um sistema do qual ele eventualmente se libertou. Um desertor do regime me disse que Raslan era um "homem infeliz" que foi enviado para um ramo "com um monte de monstros dentro", um com "uma reputação muito ruim mesmo antes da revolução". Alguns dos que o conheciam na época descreveram Raslan como respeitado, piedoso e culto. Durante as reuniões familiares, seu humor curioso muitas vezes levou seus parentes a irromper em risos.

Na Primavera passada, conheci Abdulnasser al-Ayed, um romancista sírio e auto-descrito esquerdista que serviu como capitão na Força Aérea Síria até ser dispensado em 2009. Foi uma tarde fria e alegre em Paris, e nos sentamos no terraço de um café. Al-Ayed me disse que Raslan o havia tratado com bondade quando foi detido por participar de um protesto em 2011. Durante um intenso interrogatório, ele disse, uma nova voz se apresentou como coronel Anwar Raslan. Raslan removeu a venda e algemas de Al-Ayed, e devolveu seus sapatos e meias. Al-Ayed lembrou-se de Raslan usando um terno civil e gravata. Eles compartilharam um cigarro Kent. Desde que deixaram a Síria, os dois homens tornaram-se amigos íntimos. Quando perguntei a Al-Ayed o que ele achava do fato de Raslan ter sido acusado de alguns dos crimes mais graves sob o direito internacional, ele disse: "Sou escritor, então sei que as pessoas são capazes de quase tudo — mas sou um escritor, não um juiz."

Mesmo alguns activistas de direitos humanos que apoiam a acusação de Raslan alertam que os governos europeus provavelmente exagerarão o impacto desses julgamentos. "Os governos estão sob pressão por não fazer o suficiente pela Síria, não fazer o suficiente por justiça", disse Al Abdallah, do Centro de Justiça e Responsabilidade da Síria. Ele explicou que é fácil para as autoridades ocidentais dizer: "Há cinco casos aqui e ali — verificação, a justiça está feita", mas que não é suficiente. Raslan e outros como ele são "pessoas pequenas", disse-me um desertor. Os agressores de alto nível da tortura patrocinada pelo Estado, a maioria dos quais permanecem na Síria, continuam a desfrutar da impunidade. Kroker, advogado do Ghrer, tem o cuidado de reconhecer que Raslan foi apenas um dos muitos envolvidos no aparato de tortura da Síria: "Esta é uma prisão, e um serviço de inteligência, e o cara é acusado de controlá-lo por um ano e meio", disse Kroker. Se fizermos um cálculo simples para aplicar a tortura e o assassinato que ocorreram nesta instalação em todo o país, a todos os serviços de inteligência, começa-se a imaginar a quantidade de injustiça e crueldade."

Outros temem que o caso possa enviar a mensagem errada aos desertores. Khaled Khoja, uma figura da oposição síria de origem turca, disse que o caso é uma ameaça para aqueles que desertaram do regime e tentaram "mudar o equilíbrio". "Se é um caso de tais indivíduos cometendo tortura e outros crimes graves, eles têm que ser responsáveis, com certeza." Mas, continuou ele: "Devemos ser muito justos com essas pessoas. Se acusarmos cada pessoa, seja da oposição ou do lado do regime, não podemos alcançar qualquer reconciliação." Há centenas de milhares de pessoas que cometeram atrocidades para o regime, explicou Khoja. "Não podemos punir todos." Ele temia que o destino de Raslan desencorajasse outros desertores que têm informações valiosas de se apresentarem.

Para al-Bunni, no entanto, o potencial efeito arrepiante é imaterial. "É minha responsabilidade seguir todo mundo — na oposição ou não", ele me disse. "Uma mudança na posição ou atitude de uma pessoa não o isenta de processo por crimes que cometeu — especialmente crimes contra a humanidade."

Na manhã de 23 de Abril, jornalistas, activistas e membros do público fizeram fila do lado de fora do Tribunal Regional Superior em Koblenz, uma hora ao sul de Bonn, para garantir um lugar no tribunal para o julgamento de Raslan. Por causa da nova pandemia coronavírus, a capacidade foi reduzida para 29 pontos. As pessoas eram orientadas a sentar-se em cada terceiro ou quarto assento. Os queixosos, os acusados e seus advogados foram colocados atrás de plexiglass. Ghrer, sentado entre os queixosos, estava sobrecarregado de emoção. Ele abraçou seu casaco de trincheira bronzeado firmemente em torno de sua cintura.

Pouco antes das dez horas, Raslan entrou no tribunal escoltado por policiais. Ele usava óculos rectangulares e um suéter de malha marrom, com uma camisa branca de pescoço de tripulação espiando o colarinho. Eyad al-Gharib, que supostamente relatou a Raslan na Filial 251 e estava sendo julgado ao seu lado, usava uma máscara e uma jaqueta com um capuz que ele havia puxado para baixo para esconder seu rosto. Quando entraram, vários sírios na plateia viraram as costas para o acusado. Jasper Klinge, o promotor, então leu a acusação e descreveu as experiências de 24 pessoas que haviam sido presas na Filial 251: um homem agredido sexualmente com um cabo de vassoura. Um homem espancado enquanto estava pendurado no tecto pelos pulsos. Klinge alegou que Raslan sabia a extensão da tortura acontecendo em seu turno.

Através de uma declaração de 45 páginas lida em voz alta no tribunal por seus advogados, Raslan negou torturar alguém, negou ter ordenado tortura, e negou que a tortura tenha sido usada no Ramo 251 quando ele estava no comando. Ele disse que nunca "agiu de forma desumana" e que sentiu "arrependimento e compaixão" pelas vítimas. Raslan alegou que ajudou a libertar tantas pessoas da prisão que ele foi destituído de muitas responsabilidades em Junho de 2011, e, portanto, não estava em posição de supervisionar o que havia acontecido no ano seguinte. Mas os promotores forneceram ao tribunal documentos, alguns dos quais carregam a assinatura de Raslan, que confirmam que ele estava executando o Ramo 251 até Setembro de 2012. Eles também planejam prestar depoimento de testemunhas que viram Raslan dando ordens aos guardas durante esses meses, incluindo ordens de tortura. "Não acreditamos que ele tenha desempenhado um papel menor", disse Wolfgang Kaleck, secretário-geral da ECCHR.

Al-Bunni ficou do lado de fora do tribunal. Ele não foi autorizado a entrar porque mais tarde seria chamado como testemunha, mas ele estava satisfeito sabendo que seus antigos clientes estavam lá, enfrentando as pessoas que foram responsáveis por sua tortura. "Estou tão orgulhoso", ele me disse. Um veredicto pode não chegar até 2021, e enquanto ele espera, al-Bunni está tendo problemas para acompanhar o número de dicas que chegam. Ele e seus colegas estão construindo um banco de dados de suspeitos na Europa; actualmente tem centenas de nomes.

Por parte de Al-Bunni, esses casos são mais do que as pessoas em julgamento. Trata-se de expor as atrocidades de Assad — tortura, assassinato, violência de género — em um tribunal, para o registro histórico. Al-Bunni acredita que o caso de Raslan "dará esperança às vítimas, que, depois de nove anos, acham que ninguém se importa com o que aconteceu na Síria". Ele quer mandar uma mensagem ao regime de Assad: "A justiça está chegando".


In Plain Sight thumbnail

A busca por criminosos de guerra sírios na Europa

Por Annie Hylton

é uma escritora com sede em Paris.

https://harpers.org/archive/2020/08/in-plain-sight-syrian-war-criminals-in-europe/

quarta-feira, 11 de março de 2020

Sinfonia nº 8 em si menor, D. 759, “Inacabada”

Um administrador de Empresa adepto da doutrina neoliberal recebeu um convite para assistir a um concerto e ouvir a "Sinfonia Incompleta" de Franz Schubert.

Estando impossibilitado de comparecer, deu o convite ao seu Consultor para a Organização, Sistemas e Métodos.


Na manhã seguinte o administrador perguntou-lhe se tinha gostado do concerto. Ao invés de comentários sobre o que ouvira e vira, recebeu o seguinte Relatório:

R. nº 13/04

De: Organização, Sistemas Métodos

Para: Administração

Refª: Schubert - Sinfonia Incompleta

1- Por um período considerável de tempo, os músicos com oboé não tinham nada para fazer. O seu número deveria ser reduzido e o seu trabalho redistribuído pelos restantes membros da orquestra, evitando-se assim estes picos de inactividade;

2- Todos os violinos da primeira secção, doze ao todo, tocavam notas idênticas. Isso parece ser uma duplicação desnecessária de esforços e o número de violinos nessa secção deveria ser drasticamente reduzido. Se for necessário um volume de som alto, isso poderia ser obtido através do uso de um amplificador;

3- Muito esforço foi despendido ao tocarem semitons. Isto parece ser um preciosismo desnecessário e seria recomendável que as notas fossem executadas no tom mais próximo. Se isso fosse feito, poder-se-iam utilizar estagiários em vez de profissionais;

4- Não há utilidade prática em repetir com os metais a mesma passagem já tocada pelas cordas. Se toda esta redundância fosse eliminada, o concerto poderia ser reduzido de duas horas para apenas vinte minutos;

5- Enfim, resumindo as observações dos pontos anteriores, podemos concluir que se o Sr. Schubert tivesse dado um pouco de atenção a estes pontos, talvez tivesse tido tempo para terminar a sua sinfonia.

Desconheço a autoria, mas está fantástico.

terça-feira, 10 de março de 2020

QUEM DÁ MAIS?

As pessoas podem ter à frente alguém de bem ou um burlão.


JOANA AMARAL DIAS

Os portugueses já suspeitavam, agora confirmaram: os tribunais são centrais de negócios, praças onde se mercadeja um dos bens fundacionais de qualquer democracia: a Justiça.

A reboque da Operação Lex ficou claro que os sorteios dos processos podem ser dirigidos com a precisão de um bisturi para favorecimentos (vão corrigir isto?!) ou que ética e incompatibilidades são vocábulos vazios mesmo em instâncias superiores.

Se os cidadãos já acumulavam queixas sobre a Justiça agora interiorizam que sentar-se diante de um Juiz é como jogar à Roleta Russa.

Para deliberar algo decisivo para as suas vidas, tanto pode estar à sua frente alguém de bem, um magistrado honesto, como pode estar um burlão ou devasso, a agir numa rede pútrida, alguém que sentencia em função de quanto lhe pagam. E levar um tiro no meio dos olhos.

Isto bastaria para pôr em causa o Estado de Direito porque as imprescindíveis confiança e credibilidade no sistema judicial não sobrevivem a esta dinamitagem.

Mas fica em risco o regime quando a classe política dominante e um determinado status quo classifica mais este caso como excepção ou o governo prefere contratar mais estudos sobre a corrupção em vez de investir na fiscalização e controlo.

Pois é. O espectáculo vai continuar.

terça-feira, 3 de março de 2020

Está de quarentena, e agora? Sete perguntas e respostas sobre o seu salário.

Os trabalhadores de quarentena devido ao coronavírus vão receber normalmente o salário, uma despesa que será assumida pelo Estado. Em sete perguntas e respostas, entenda como tudo vai funcionar.

Estado vai pagar os salários aos trabalhadores — do público ou do privado — que necessitem de ficar de quarentena em casa devido ao coronavírus. Este pagamento vai cobrir a totalidade dos salários e será assumido integralmente pela Segurança Social. Com dúvidas? O ECO preparou um conjunto de questões para ajudar a esclarecer algumas das interrogações à volta deste tema.

O salário é pago na totalidade ou terá cortes?

A primeira dúvida tem a ver com a parcela de salário que os trabalhadores vão receber. O salário será pago na totalidade. “Durante o período de isolamento, a remuneração será assegurada a 100%”, garantiu a ministra do Trabalho, em declarações à Rádio Observador.

Uma baixa “normal” prevê o pagamento de apenas 55% do salário (até aos 30 dias) mas, neste caso, o Governo decidiu aplicar o regime previsto para a situação de doença em que exista risco de contágio, como por exemplo nos casos de tuberculose, explicou Ana Mendes Godinho.

De acordo com o artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 28/2004, o subsídio de doença pago nestas situações pode ser de 80% ou 100%. Neste caso do coronavírus, o montante definido corresponde a 100% do salário, à excepção do subsídio de alimentação (ver próxima pergunta).

Esse montante inclui o subsídio de alimentação?

Apesar de o salário ser assegurado pela Segurança Social na sua totalidade, esse valor não incluirá o subsídio de alimentação, dado que, legalmente, este não é considerado uma retribuição. Esta regra funciona para o sector público e deverá ser replicada no sector privado. Mas até agora o Ministério do Trabalho ainda não esclareceu este ponto. Está previsto para esta terça-feira a publicação de um despacho com informações também para o sector privado.

A baixa começa a contar logo a partir do primeiro dia de quarentena?

Contrariamente a uma baixa “normal”, em que os primeiros três dias não estão cobertos por subsídio de doença, nesta situação de quarentena por coronavírus, o Estado vai assegurar o salário logo a partir do primeiro dia.

“Aplicamos a situação equivalente a situações de internamento, que permite que o pagamento seja feito a partir do primeiro dia dessa situação de isolamento, e não a partir do terceiro dia”, esclareceu a ministra do Trabalho.

E para quem ficar em casa a cuidar de filhos ou netos?

No caso de pessoas que necessitem de ficar em casa para cuidar dos filhos ou netos, ainda não se sabe como acontecerá o pagamento dos salários.

Mas, de acordo com o despacho publicado esta segunda-feira, nestes casos aplicam-se as regras da “assistência a filho, neto ou membro do agregado familiar, nos termos gerais”.

No caso dos funcionários públicos, diz o Público, os pais ou avós recebem 100% do salário, mas, no caso dos privados, está apenas prevista uma remuneração de 65% para os pais que fiquem em casa a cuidar de filhos com menos de 12 anos. Acima dos 12 anos não se paga nada. O despacho a publicar esta terça-feira pelo Governo deverá esclarecer se aqui também haverá equivalência entre as regras do público e privado.

Há um limite de dias para receber o salário na totalidade?

Sim, há um limite para o período de quarentena e, neste caso, é de 14 dias. Durante estes dias, o trabalhador recebe normalmente o salário, assegurado pela Segurança Social. Findo este período, o montante a ser pago corresponderá a uma baixa “normal”, ou seja, paga a 55% no privado e no público.

“Num momento posterior [aos 14 dias], será aplicado o regime legal previsto para a situação de doença dos trabalhadores do sector privado”, disse a ministra do Trabalho, à Rádio Observador.

Qual a diferença entre estar em teletrabalho e quarentena?

O Estado assumirá os salários dos trabalhadores que fiquem de quarentena em casa, porém, faz uma distinção entre quem trabalha a partir de casa — teletrabalho. Ou seja, neste último caso, continuará a ser a empresa a pagar o salário ao trabalho.

“Em teletrabalho não há nenhuma alteração da retribuição, porque a pessoa está a trabalhar normalmente”, salientou a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, em declarações à Lusa.

Preciso de apresentar algum tipo de comprovativo para que o Estado assuma o meu salário?

De acordo com o despacho conjunto, será necessário uma autoridade da Saúde preencher um formulário de “certificação de isolamento profiláctico”, disponível nos sites da Direcção Geral da Administração e Emprego Público e da Direcção-Geral da Saúde. Uma vez preenchido, será enviado a uma secretaria-geral no prazo máximo de cinco dias e caberá a esta enviar a informação aos serviços e organismos a que pertencem os trabalhadores num prazo máximo de dois dias úteis.

“Vai ser precisa uma declaração da autoridade de saúde a atestar a necessidade de isolamento”, alertou Ana Mendes Godinho em declarações à Rádio Observador, acrescentando que haverá a verificação destas situações para que se evitem fraudes.

https://eco.sapo.pt

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Ministério Público em guerra com directiva de Lucília Gago que limita autonomia de magistrados.

Parecer do Conselho Consultivo da PGR legitima intervenção da hierarquia em processos concretos. Líder sindical dos procuradores fala em "regresso à opacidade do tempo do dr. Pinto Monteiro."

Lucília Gago, procuradora-geral da República.

Uma directiva da procuradora-geral Lucília Gago determinando a aplicação de um parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) está a incendiar o Ministério Público. O parecer aborda a questão sempre sensível da relação entre a hierarquia e os procuradores titulares dos inquéritos e não deixa margem para dúvidas: os superiores hierárquicos têm o direito de emitir “directivas, ordens e instruções” concretas sobre determinadas diligências processuais, sendo que os subordinados (os procuradores titulares dos inquéritos) apenas têm o direito de desobedecer no caso de uma “ordem ilegal” ou de “grave violação da consciência jurídica” — que terá de ser devidamente fundamentada pelo magistrado em causa, sob pena de sanção disciplinar.

António Ventinhas, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, critica duramente o parecer emitido mas, acima de tudo, a ordem dada pela procuradora-geral Lucília Gago. “Esta é uma teoria parecida com aquela que ouvimos no processo Face Oculta sobre os expedientes secretos que acabaram arquivados na Procuradoria-Geral da República e que nunca foram conhecidos. Esta directiva [da procuradora-geral] abre portas para que seja muito pior do que o tempo do dr. Pinto Monteiro. É um regresso à opacidade dessa altura”, afirmou ao Observador.

Ventinhas convocou para esta quinta-feira uma reunião da direcção do sindicato para analisar e anunciar medidas de combate ao que consideram ser um ataque à autonomia dos procuradores. Pode-se dizer que é o fim da lua de mel entre o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público com Lucília Gago.

Outros magistrados, contudo, não concordam com esta visão. O procurador-geral adjunto jubilado Euclides Dâmaso afirma ao Observador que não vê “razões para inquietudes nem para dramatizações, porque nada se alterou na relação de equilíbrio” a hierarquia e os subordinados. “A autonomia” do MP em Portugal “é quase ímpar ao nível mundial”, afirma o Ex-procurador-geral distrital de Coimbra.

Apesar do parecer do Conselho Consultivo da PGR ser abstracto, e ter por base oito perguntas concretas que lhe foram colocadas por Lucília Gago, as conclusões do mesmo assentam ‘como uma luva’ na intervenção do procurador-geral adjunto Albano Morais Pinto, director do Departamento Central de Acção e Investigação Penal, nos autos do caso de Tancos. Na prática, o parecer legitima a decisão tomada por Morais Pinto de proibir os três procuradores titulares daquele processo de inquirirem como testemunhas, e por escrito, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro António Costa.

Recorde-se que Morais Pinto invocou a “dignidade” e a “alta função” dos cargos de Marcelo e Costa para impedir a sua inquirição. Na fase de instrução criminal do caso de Tancos, o juiz Carlos Alexandre não teve qualquer problema em enviar 100 perguntas por escrito a António Costa — cujas respostas foram conhecidas esta quarta-feira.

As ordens dos superiores hierárquicos ficam fora dos processos

O parecer foi solicitado pela procuradora-geral da República numa data que não consta do documento emitido pelo Conselho Consultivo — aliás, o parecer que foi publicado no site da Procuradoria-Geral da República não está assinado, como é costume, nem refere se foi aprovado por unanimidade ou se teve votos contra e declarações de voto. Pelo documento publicado, percebe-se que o parecer foi solicitado após a polémica com o caso de Tancos e foi distribuído a um relator que o documento não identifica no dia 28 de Novembro de 2019.

De acordo com informações enviadas ao Observador por diversas fontes do MP após a publicação desta peça, o autor do parecer será o procurador João Conde Correia — que no documento publicado está identificado pelas iniciais “JCC” — e o parecer terá recebido a unanimidade entre os membros do Conselho Consultivo presentes na reunião que aprovou o parecer.

Lucília Gago colocou oito perguntas, todas elas relacionadas com o princípio da autonomia dos magistrados e a sua subordinação hierárquica prevista na lei, nomeadamente no novo Estatuto do Ministério Público que entrou em vigor no início do ano. A questão mais importante era esta:

Admissível que seja a prerrogativa de o superior hierárquico emitir uma ordem ou instrução concreta, em determinado processo de natureza criminal, deve a mesma dele ser feita constar ou pode ter um registo externo (…)?

O relator não só respondeu positivamente à primeira da pergunta, como confirmou que a “emissão de uma ordem ou de uma instrução por um superior hierárquico, ainda que dirigida para um certo caso concreto, não prossegue” a finalidade de, como manda a lei, de “recolher e descobrir provas” que sustentem uma decisão final de acusação ou arquivamento. Logo, não tem de “constar do processo”, mesmo que existam divergências entre o procurador titular dos autos e o seu superior hierárquico. Porquê? Porque “não é um acto de inquérito saber ser essa relação [hierárquica] funcionou ou não”, lê-se no parecer.

Ou seja, o parecer do Conselho Consultivo legitima que os superiores hierárquicos passem a dar ordens concretas aos procuradores fora dos respectivos autos, não existindo uma obrigação legal de tais ordens serem escrutinadas ou pelas partes dos processo (arguidos e os seus advogados) ou até pela Opinião Pública através dos jornalistas.

A autonomia interna dos procuradores não está na Constituição

Do ponto de vista da autonomia do MP, o parecer do Conselho Consultivo começa por fazer uma distinção entre o que é a autonomia externa (a autonomia face, por exemplo, ao poder político) e a autonomia interna (a autonomia de cada magistrado para tomar as decisões processuais que entender).

Depois de fazer uma resenha histórica da autonomia externa, o relator não tem dúvidas: a própria Constituição estipula a mesma e a independência face ao poder político é garantida pela lei.

As dúvidas do relator João Conde Correia colocam-se sobre a autonomia interna que, segundo um acórdão citado pelo Tribunal Constitucional no parecer do Conselho Consultivo, não está prevista na Lei Fundamental.

Contudo, enfatiza o relator, o Estatuto do Ministério Público estipula a mesma. A questão reside em saber: qual o grau da autonomia interna que é admissível aos magistrados do MP e em que casos podem desobedecer a ordens dos seus superiores?

O relator João Conde Correia do Conselho Consultivo entende que os procuradores só podem desobedecer a uma ordem do seu superior hierárquico, mesmo sobre diligências processuais concretas — constituir alguém como arguido, realizar buscas, promover a detenção de um suspeito junto do juiz de instrução ou acusar um arguido, por exemplo —, quando o cumprimento da mesma ordem “implique a prática de um crime”. Ou seja, se a ordem do superior hierárquico configurar um ílicito criminal, os magistrados têm um “amplo poder/dever de resistência contra manifestações abusivas da hierarquia”. Até porque o Ministério Público rege toda a sua actividade sob o princípio da legalidade democrática.

O segundo caso de desobediência prende-se com “a grave violação da sua consciência jurídica”. Isto é, os magistrados “não podem ser constrangidos a mudar aquilo que é a sua objetiva e legal convicção jurídica”, lê-se no parecer. Mas, atenção, esta recusa por violação da sua consciência jurídica tem de ser devidamente fundamentada por escrito, sob pena de incorrer em falta disciplinar, avisa o relator.

“Embora não esteja em causa a relação hierárquica típica da administração pública, mesmo assim os magistrados do Ministério Público estão hierarquicamente subordinados e, logo, sujeitos a ordens e instruções dos seus superiores”. Tudo porque sem esse poder hierárquico, “não há verdadeira subordinação, tal como foi estabelecido pela Constituição. Uma hierarquia sem poderes diretivos e deveres de obediência não é uma verdadeira hierarquia, mas uma outra qualquer forma de organização”, lê-se no parecer.

Por outro lado, conclui o relator, “reduzir os poderes hierárquicos à possibilidade mínima de determinar que seja formulada acusação ou que as investigações prossigam, sem qualquer outra possibilidade de impugnação e de controlo, será, assim, reconhecer aos magistrados do Ministério Público uma autonomia interna superior à independência dos próprios juízes.” O que é incompatível com a Constituição, enfatiza o Conselho Consultivo.

Toda esta doutrina foi aceite por Lucília Gago que emitiu a sua primeira diretiva de 2020, ordenando que a mesma seja “seguida e sustentada pelo Ministério Público” no contexto das “relações hierárquicas” da magistratura.

António Ventinhas: “É um regresso à opacidade do tempo de Pinto Monteiro”

O presidente do Sindicanto dos Magistrados do Ministério Público entende que a diretiva de Lucíclia Gago “é gravíssima. Coloca em causa o Estatuto do Ministério Público ao admitir que os titulares dos processos não tenham autonomia e que sejam meras marionetas da hierarquia. E que passe a existir uma espécie de sombra sobre as decisões do Ministério Público no processo”, afirma ao Observador.

O sindicato não contesta a existência da hierarquia, até porque o Ministério Público é uma magistratura hierarquizada. O que “contestamos é o grau máximo de intervenção hierárquica. Entendemos que o superior hierárquico não tem poder para dizer quem dever ser investigado, quem deve ser arguido ou quem deve ser alvo buscas, por exemplo. Outra é o poder de avocar”, diz António Ventinhas, referindo-se ao poder do superior hierárquico retirar o processo ao titular dos autos e distribuir a outro procurador.

Ainda por mais, continua Ventinhas, quando vai passar a existir “um escrutínio secreto da hierarquia que não faz parte do processo.”

“Todas as partes do processo têm o direito de escrutinar as decisões que o Ministério Público toma no processo e vão deixar de o poder fazer”, critica António Ventinhas, numa alusão ao entendimento do Conselho Consultivo de que as ordens hierárquicas têm ficar fora dos autos dos processos criminais.

“Esta é uma teoria parecida com aquela que ouvimos no processo Face Oculta sobre os expedientes secretos que foram arquivados na Procuradoria-Geral da República pelo dr. Pinto Monteiro e que nunca foram conhecidos”, afirma Ventinhas, referindo-se aos processos administrativos que o ex-procurador-geral abriu com as certidões extraídas contra José Sócrates e que nunca foram investigadas nem conhecidas publicamente.

“Esta decisão abre portas para que seja um tempo muito pior do que o tempo do dr. Pinto Monteiro”, conclui Ventinhas.

Rui Cardoso, antigo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, escreveu na rede social Facebook  que este é “o dia mais negro da história democrática do Ministério Público português: morreu como magistratura”. “Nasceu uma verdadeira autocracia, com um nível de hierarquia quem nem na administração pública existe”, acrescentou.

Euclides Dâmaso: “Não voltámos ao 24 de Abril e não menos certo é que não chegámos ao 11 de Março”

O ex-procurador-geral distrital de Coimbra vê este tema de forma muito diferente. “Não vejo razões para inquietudes nem para dramatizações, porque nada se alterou na relação de equilíbrio, apurada ao longo de décadas, entre o exercício dos poderes hierárquicos e a confortável margem de autonomia pessoal de cada magistrado no processo”, afirma ao Observador, numa reação ao parecer do Conselho Consultivo da PGR.

O procurador-geral adjunto jubilado faz questão de enfatizar, aliás, que a autonomia dos magistrados do MP português “é quase ímpar ao nível mundial .”

Classificando as alterações do novo Estatuto do Ministério Público como “pequenas inovações”, Euclides Dâmaso afirma que a “leitura das normas estatutárias que se faz no parecer do Conselho Consultivo é a única congruente com o texto constitucional” e “põe claramente a tónica na natureza hierárquica da magistraturado Ministério Público.”

Não é por isso caso para tocar a finados nem para qualquer alarme: é seguro que não voltámos ao 24 de Abril e não menos certo é que não chegámos ao 11 de Março”, afirma Euclides Dâmaso, referindo-se ao tempo da Ditadura deposta pelo 25 de Abril de 1974 e à tentativa de golpe do 11 de Março de 1975 por parte de tropas afetas ao general Spínola.

“Esta conformação do MP é a que melhor serve os interesses da sociedade, da Justiça e da democracia. E é altura de dizer que não há, nos últimos 45 anos, motivos para se por em causa a probidade e a isenção dos membros da hierarquia do MP, que são magistrados de mérito com provas dadas ao longo de muitos anos de serviço . O monopólio desses valores não pertence às bases”, conclui o ex-procurador-geral distrital de Coimbra.

Texto atualizado às 21h50 com informação sobre o relator do parecer do Conselho Consultivo e a aprovação por unanimidade – duas informações que não constam da documento publicitada pela Procuradoria-Geral da República.

Luis Rosa

https://observador.pt/2020/02/05/ministerio-publico-em-guerra-com-diretiva-de-lucilia-gago-que-limita-autonomia-de-magistrados/?fbclid=IwAR0wO58eXwRhNbDUqdZO2csq2vkiAk48vNDj3N0xMjWRKIP6IsjCsecOFd8

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Portugal é um País estranho onde nem tudo o que parece é. €18.000.000.000 - eis quanto já nos custaram os bancos falidos (só nos últimos dez anos)


Opinião de Henrique Neto


€18.000.000.000

Dos cofres do Estado, durante uma década, saíram para a banca falida 4 milhões e meio de euros por dia. Por junto, o suficiente para construir vinte Pontes Vasco da Gama ou pagar todas as pensões de velhice, invalidez ou sobrevivência durante um ano.

Os números são coisas abstractas. É por isso que se torna difícil ter uma consciência exacta de um valor tão extraordinário: dezoito mil milhões de euros. Mas digamos de outra maneira: desde 2008 e até agora, cada português já pagou do seu bolso 1.800 euros para cobrir as falências do bPN, do bES e do baNiF. Dos cofres do Estado, durante uma década, saíram para a banca falida 4 milhões e meio de euros por dia. Por junto, o suficiente para construir vinte Pontes Vasco da Gama ou pagar todas as pensões de velhice, invalidez ou sobrevivência durante um ano.

As analogias ajudam a entender materialmente a grandeza do número. O ‘buraco’ nas contas da banca portuguesa falida entre 2008 e 2018, ‘buraco’ que o Estado cobriu com o dinheiro dos contribuintes, dava para construir 20 pontes com a grandeza e a extensão quilométrica da Vasco da Gama.

Ou para construir 666 pontes como aquela que Rui Moreira vai construir sobre o Douro, entre Campanhã e Gaia (incluindo engenharia, suportes, tabuleiro e acessos).

Dava para construir 45 hospitais gigantes como o de Lisboa Oriental, que estará pronto dentro de três anos e terá 900 camas.

Ou para construir 120 grandes hospitais como o novo Hospital Central do Alentejo, em Évora, que servirá 200 mil pessoas.

Dava para construir 50 Centros Culturais monumentais, como o de Belém.

Ou para fazer 160 Casas da Música como a do Porto.

Dava para financiar 25 vezes a projectada expansão do porto de Lisboa (incluindo outros tantos Terminais do Barreiro).

Dava para pagar 18 vezes a brutal divida do Parque Escolar.

Dava para cobrir durante um ano inteiro os gastos da Segurança Social com todas as pensões de velhice, invalidez ou sobrevivência que são pagas em Portugal.

Dava para cobrir três vezes o total das compras feitas pelos portugueses através da internet em 2018.

Dava, até, para financiar a vida de nababo que José Sócrates levou entre 2005 e 2014, à razão de um milhão e meio de euros por ano saídos da conta do Sr. Santos Silva – durante doze mil anos! 1.538 milhões  só em 2018 E agora, que o calote do sector financeiro português coberto pelo dinheiro do contribuinte português pôde ser devidamente avaliado com exemplos da vida real, mergulhemos no parecer sobre a mais recente Conta Geral do Estado divulgada há dias pelo Tribunal de Contas. O parecer deu entrada, na sexta-feira passada, na Assembleia da República.

O Tribunal de Contas estima que o encargo, para o Estado, do apoio ao sistema financeiro entre 2008 e 2018 ascendeu a 18.292 milhões de euros. As despesas, ao longo daqueles dez anos, foram de 25.485 milhões de euros e as receitas de 7.193 milhões de euros (estas, decorrentes dos juros que os bancos pagaram ao Estado).

Este valor, que corresponde a uma média de 1.663 milhões de euros por ano (ou 4 milhões e meio de euros por dia!), deve-se à aquisição, pelo Estado, de participações em bancos, concessão de empréstimos, prestação de garantias, entre outras formas de apoio, relacionando-se com a intervenção pública em casos perdidos como BPN, BES/Novo Banco e Banif.

Se considerarmos apenas o último ano da década, 2018, conclui-se que o esforço financeiro do Estado foi de 1.538 milhões de euros, em termos líquidos (o que inclui a injecção de capital no Novo Banco pelo Fundo de Resolução e o processo de nacionalização e reprivatização do BPN), compensados por reembolsos de uns míseros 174 milhões de euros. Balanço: 1.364 milhões de euros que ‘voaram’ dos cofres do Estado sem qualquer proveito. Factura do BPN pode ultrapassar  6 mil milhões Um dos casos mais gritantes de injecção de capital público na banca privada (oficialmente, para a “salvar”) é o do Banco Português de Negócios (BPN). O processo de nacionalização e reprivatização do BPN custou ao Estado cerca de 5 mil milhões de euros (mais precisamente, 4.924.000.000,00€) entre 2011 e 2018, segundo parecer do Tribunal de Contas á conta Geral do Estado em 2018.

No documento, o TdC refere que só no ano passado o saldo das receitas e despesas orçamentais decorrentes da nacionalização e reprivatização do BPN e da constituição das sociedades-veículo públicas Parups, Parvalorem e Parparticipadas (que ficaram com activos do Ex-BPN) foi negativo em 829 milhões de euros – mais 75% do que em 2017.

Mas a factura pode não ficar por aqui, avisa o TdC. É que as três sociedades-veículo apresentaram no final de 2018 capitais próprios negativos de 1.028 milhões de euros, encargos que, segundo o Tribunal, “poderão vir a ser suportados pelo Estado no futuro”. Segundo a análise do semanário ‘Expresso’, “a soma dos custos que o Tesouro já registou e daqueles que se antecipa no futuro ascende a 5,95 mil milhões de euros. E ainda há a possibilidade de acrescerem os resultados negativos dos próximos anos das sociedades, que ainda não estão contabilizados nesses capitais próprios”.

Em suma: é muito provável que a factura do BPN totalize, ao longo do ano que vai começar, mais de 6 mil milhões de euros. À cautela, o Governo prevê na sua proposta de Orçamento do Estado para 2020 que terá de colocar

mais 55 milhões de euros numa das empresas herdeiras do BPN, a Parvalorem. 1.377 milhões/ ano em garantias Recorde-se que estas sociedades-veículo foram criadas para “gerir e maximizar” as vendas dos activos problemáticos do banco: a Parvalorem na gestão dos créditos, a Parups no sector imobiliário, obras de arte e outros activos, e a Parparticipadas nas participações do BPN noutras empresas e fundos.

No final de 2018, as garantias prestadas pelo Estado às três empresas que ficaram com activos do Ex-BPN atingiram 1.377 milhões de euros, ainda assim menos 898 milhões de euros “por efeito dos reembolsos de empréstimo da Caixa Geral de Depósitos garantidos pelo Estado”. Fraca consolação.

O processo do BPN teve origem na decisão do Governo de José Sócrates, tomada em Novembro de 2008, de avançar para a nacionalização do BPN, na altura presidido por Miguel Cadilhe, através da sua incorporação na Caixa Geral de Depósitos (CGD). O Executivo tentou vender o banco em 2010, com as avaliações a apontarem para um encaixe de 180 milhões de euros. Porém, sem interessados na altura, a “parte boa” do BPN acabaria por vendida só em 2011, por apenas 40 milhões, ao Banco BIC Português, hoje EuroBic, de capitais luso-angolanos. A culpa é do ‘subprime’ Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças do Governo de Sócrates que então dirigiu as operações de nacionalização (e que dentro de dias, no início do novo ano, se reforma com uma pensão mensal de 6.247,06 euros), atribui a culpa à “crise do subprime”. Para o ‘Expresso’, o Ex-ministro comentou: “O BPN não era propriamente um daqueles bancos ‘too big to fail’. Mas no ambiente que se vivia após a falência do Lehman Brothers, podia ser uma fagulha que, num ambiente carregado de combustível, podia provocar um incêndio de proporções maiores”. Daí a nacionalização do banco, concluiu.

Marcelo Rebelo de Sousa também tem uma opinião sobre o assunto. O Presidente da República afirmou há dias que o apoio estatal à banca “não foi boa solução”, mas evitou “o colapso da economia”. “As consequências teriam sido ainda mais dramáticas” sem injecção de dinheiros públicos, disse.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Queixa da ministra dá processo disciplinar a Garcia Pereira.

Como democrata, a incompetente ministra da saúde instaura um processo a Garcia Pereira.

O  advogado Garcia Pereira, que defendeu os enfermeiros no conflito com o Governo, revelou ontem, numa nota à Lusa, que o Conselho Superior da Ordem dos Advogados deu seguimento à  participação disciplinar contra si apresentada em Março pela ministra da Saúde, Marta Temido. De acordo com Garcia Pereira, em causa está alegadamente a violação do dever deontológico de como advogado não se pronunciar sobre processos pendentes.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Colecção completa dos Beatles, em vídeos organizados com todas as músicas e respectivas letras. Espero que gostem.

Colecção completa dos Beatles, em vídeos organizados com todas as músicas e respectivas letras. Espero que gostem.

songs-tube.net/

A Day in the Life

A Hard Day's

A Taste of Honey

Across The Universe

Act Naturally

Tudo que eu tenho que fazer

All My Loving

All Together Now

All You Need Is Love

And I Love Her

And Your Bird Can Sing

Anna (Go To Him)

Another Girl

Any Time At All

Ask Me Why

Baby It's You

Baby You're a Rich Man

Baby's in Black

Back In The USSR

Bad Boy

Porque

Being For The Benefit of Mr. Kite!

Aniversário

Blackbird

Blue Jay Way

Boys

Can't Buy Me Love

Carry That Weight

Chains

Come Together

Cry Baby Cry

Day Tripper

Dear Prudence

Devil In Her Heart

Dig A Pony

Dig It

Dizzy Miss Lizzie

Do You Want to Know a Secret

Doctor Robert

Don't Bother Me

Don't Let Me Down

Don't Pass Me By

Drive My Car

Eight Days a Week

Eleanor Rigby

Every Little Thing

Everybody's Got Something to Hide Except For Me and My Monkey

Everybody's Trying to Be My Baby

Fixing a Hole

Flying (instrumental)

For No One

For You Blue

Free As A Bird

From Me To You

Get Back

Getting Better

Menina

Glass Onion

Golden Slumbers

Good Day Sunshine

Good Morning, Good Morning

Good Night

Got To Get You Into My Life

A felicidade é um Warm Gun

Olá, Goodbye

Ajuda

Helter Skelter

Her Majesty

Here Comes The Sun

Here, There and Everywhere

Hey Bulldog

Hey Jude

Hold Me Tight

Honey Don't

Honey Pie

I Am the Walrus

I Call Your Name

I Don't Want to Spoil the Party

I Feel Fine

I Me Mine

I Need You

I Saw Her Standing There

I Should Have Known Better

I Wanna Be Your Man

I Want To Hold Your Hand

I Want To Tell You

I Want You (She's So Heavy)

I Will

I'll Be Back

I'll Cry Instead

I'll Follow the Sun

I'll Get You

Eu sou um perdedor

I'm Down

I'm Just Happy to Dance with You

I'm Looking Through You

I'm Only Sleeping

I'm so tired

I've Got A Feeling

I've Just Seen a Face

If I Fell

If I Needed Someone

In My Life

It Won't Be Long

It's All Too Much

It's Only Love

Julia

Kansas City / Hey, Hey, Hey, Hey

Komm Gib Mir Deine Hand

Lady Madonna

Let it Be

Little Child

Long Tall Sally

Long, Long, Long

Love Me Do

Love You To

Lovely Rita

Lucy in the Sky with Diamonds

Maggie Mae

Magical Mystery Tour

Martha My Dear

Matchbox

Maxwell's Silver Hammer

Mean Mr. Mustard

Michelle

Misery

Money (That's What I Want)

Mother Nature's Son

Mr. Moonlight

No Reply

Norwegian Wood

Not a Second Time

Nowhere Man

Ob-La-Di, Ob-La-Da

Octopus's Garden

Oh! Querida

Old Brown Shoe

One After 909

Only A Northern Song

P.S. Eu te amo

Paperback Writer

Penny Lane

Piggies

Please Mister Postman

Please Please Me

Polietileno Pam

Chuva

Real Love

Revolution 1

Revolution 9

Rock and Roll Music

Rocky Raccoon

Roll Over Beethoven

Run For Your Life

Savoy Truffle

Sexy Sadie

Sgto. Pepper's Lonely Hearts Club Band

Sgto.. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)

She Came In Through The Bathroom Window

She Loves You

She Said, She Said

She's A Woman

She's Leaving Home

Sie liebt dich

Slow Down

Alguma coisa

Strawberry Fields Forever

Sun King

Taxman

Tell Me What You See

Tell Me Why

Thank You Girl

A Balada de John e Yoko

The Continuing Story of Bungalow Bill

The End

The Fool On The Hill

The Inner Light

The Long And Winding Road

The Night Before

A Palavra

There's A Place

Things We Said Today

Think For Yourself

This Boy

Ticket to Ride

Till There Was You

Tomorrow Never Knows

Twist and Shout

Two of Us

Aguardar

We Can Work It Out

What Goes On

What You're Doing

When I Get Home

When I'm Sixty-Four

While My Guitar Gently Weeps

Porque não fazemos na estrada

Wild Honey Pie

With a Little Help From My Friends

Within You Without You

Words of Love

Yellow Submarine

Yer Blues

Yes It Is

Ontem

You Can't Do That

You Know My Name

You Like Me Too Much

You Never Give Me Your Money

You Really Got a Hold on Me

You Won't See Me

You're Going to Lose That Girl

You've Got to Hide Your Love Away

Your Mother Should Know


O vídeo de Beatles Albums:

Please Please Me

With The Beatles

A Hard Day's

Beatles For Sale

Ajuda!

Rubber Soul

Revolver

Sgt. .. Pepper's Lonely Hearts Club Band

Magical Mystery Tour

The Beatles - White Album

Yellow Submarine

Abbey Road

Let It Be

Past Masters Volume 1

Past Masters Volume 2