sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

'Yo soy yo y mis circunstáncias.'


A famosa frase "Yo soy yo y mis circunstáncias", que por diversas vezes já a citei em meus escritos, foi escrita por José Ortega y Gasset em sua obra Meditaciones del Quijote (1914). No contexto da frase completa, ele diz: "Yo soy yo y mis circunstáncias, y si no la salvo a ellas, no me salvo yo."

Essa ideia expressa a visão existencialista e perspectivista de Ortega y Gasset, segundo a qual o ser humano não pode ser compreendido isoladamente, mas sim em relação ao meio em que vive. A "circunstância" inclui tudo aquilo que nos rodeia: a cultura, a sociedade, a história e as condições materiais da vida.

Ele desenvolve essa noção em suas obras posteriores, especialmente em La Rebelión de las Masas (1930), onde enfatiza que o homem deve assumir a responsabilidade de dar sentido à sua própria existência dentro das condições que lhe são dadas.

A afirmação que dá o título a este artigo – e que muito me apraz – não nega a identidade do indivíduo, mas sublinha que ele não existe no vácuo; sua existência está entrelaçada com a história, a cultura e as instituições herdadas. Creio ser essa visão um útil reforço à ideia de que o ser humano não é uma tabula rasa, que pode ser moldada arbitrariamente (lamento, behavioristas), mas sim um elo dentro de uma continuidade histórica.

A meu ver, a noção de "circunstância" destaca a relevância das instituições, da moralidade tradicional e dos costumes como elementos fundamentais para a formação completa do indivíduo. O homem não se define apenas por sua vontade, mas também pelo contexto civilizacional que lhe dá raízes e orientação – e por favor, não me lembrem o país onde nasci, pois estou indisposto a rebater minhas próprias contradições.

A segunda parte desta estimada frase — "y si no la salvo a ella, no me salvo yo" — implica um dever moral: o sujeito tem a responsabilidade de preservar e cultivar a sua circunstância. Ou seja, não basta apenas viver passivamente dentro de um tempo e espaço; é preciso reconhecer e defender os valores que sustentam a ordem social. Esse princípio é essencial para nossa combalida visão conservadora, ao rejeitar a ideia de uma ruptura revolucionária e enfatizar a necessidade de conservar e aperfeiçoar o legado da civilização.

Em oposição ao pensamento comuno-globalista, que muitas vezes propõe uma ruptura com o passado para construir um "novo homem" ou uma "nova sociedade" – frankfurtiano – um verdadeiro conservador entende que o homem é um produto da sua herança cultural, e que ignorar isso leva à desagregação e à destruição daquilo que mantém a coesão social.

Ortega y Gasset, embora não seja um pensador explicitamente conservador, fornece uma visão que pode ser lida como um chamado à responsabilidade pessoal diante do seu próprio tempo e cultura, e por isso tenho-lhe predileção e estima.

O conservador, ao interpretar essa máxima, vê nela a necessidade de manter viva a tradição, compreender o passado e agir no presente, para garantir a continuidade da civilização.

É isso ou aceitar aquilo a que nos reduzimos hoje.

 

WALTER BIANCARDINE

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Portugal é que ajudou a melhorar as finanças: realizador de "O Brutalista" diz que não ganhou dinheiro.

Brady Corbet diz que ganhou zero dólares com o filme na corrida a dez Óscares e vários nomeados não conseguem pagar a renda.

A caminho dos

 

Óscares 2025

Portugal é que ajudou a melhorar as finanças: realizador de

Brady Corbet garante que não ganhou um único dólar com "O Brutalista".

O realizador e um dos argumentistas do filme nomeado para dez Óscares desmistificou o 'glamour' do que é estar na corrida aos prémios de Hollywood quando se trabalha à margem dos grandes estúdios de Hollywood.

Numa entrevista ao podcast WTF, de Marc Maron (via Deadline), Brady Corbet diz que ele e a esposa e colaboradora Mona Fastvold 'ganharam zero dólares nos dois últimos filmes que fizemos'.

O outro filme parece ser uma referência a "Vox Lux" (2018), com Natalie Portman.

Perante a surpresa do seu anfitrião, reiterou: "Na verdade, zero. De certa forma, tivemos de viver de um pagamento de há três anos", referindo-se certamente aos três episódios que realizou de "No Meio da Multidão" (2023), uma minissérie da Apple TV+ com Tom Holland e Amanda Seyfried.

E acrescentou: "Falei com muitos cineastas que têm filmes nomeados este ano e que não conseguem pagar a renda. Iisso é uma realidade."

De facto, o antigo ator e realizador diz que "a primeira vez que ganhei algum dinheiro em anos" foi com vários trabalhos publicitários quando passou por Portugal, o que aconteceu em novembro no âmbito do festival Leffest.

Brady Corbet explica que ele e outros na mesma situação acabam por estar comprometidos com meses de campanha global para promover os seus filmes, sem dinheiro a entrar.

"Se se olhar para alguns filmes que estrearam em Cannes [Festival], isso foi há quase um ano… o nosso filme estreou em setembro [no Festival de Veneza]. Portanto, estou a fazer isto há seis meses e tenho zero rendimentos porque não tenho tempo para ir trabalhar. Nem sequer posso aceitar agora um trabalho como argumentista", contou.

A 97.ª edição dos Óscares está marcada para 2 de março, em Los Angeles, Califórnia, com apresentação de Conan O'Brien.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Do tic-tac ao TikTok

Um sistema de horas variáveis não é, à partida, compatível com dispositivos mecânicos como os relógios, que medem o tempo com base em ciclos regulares e constantes.

João Paulo André - 5 de Fevereiro 2025 – 'SOL'

Foi em 1542, com a chegada dos portugueses ao Japão, que os japoneses tiveram o primeiro contacto com a tecnologia ocidental, nomeadamente com armas de fogo, que depressa começaram a produzir. Foi também graças aos portugueses e espanhóis, que lhes apresentaram o relógio mecânico, que a relojoaria se desenvolveu na civilização nipónica, ainda que com alguma resistência inicial, perfeitamente compreensível.      
Quando, em 1569, o jesuíta português Luís Fróis, o primeiro cronista europeu do Japão, ofereceu um relógio a Oda Nobunaga – poderoso senhor feudal que dominava grande parte do território japonês –, este recusou, afirmando que, embora desejasse aceitar o presente, seria um desperdício possuí-lo. No Japão, de acordo com o sistema futei jiho, o tempo era medido de forma diferente da ocidental: as horas, em vez de fixas, eram variáveis. O dia era dividido em duas partes, dia e noite, que se subdividiam em seis intervalos, ou horas. No verão, as horas noturnas encurtavam e as diurnas alongavam, enquanto no inverno sucedia o oposto. Por mais peculiar que pareça, também na Europa medieval se usaram horas desiguais, tal como já faziam os antigos egípcios, gregos e romanos.   
Como é óbvio, um sistema de horas variáveis não é, à partida, compatível com dispositivos mecânicos como os relógios, que medem o tempo com base em ciclos regulares e constantes. Um relato japonês da época descreve os relógios de ponteiros como «sinos sonoros que, na regulação das horas, não distinguem entre a duração da noite e do dia». No entanto, por mais inúteis que fossem para indicar as horas japonesas, os relógios europeus eram muito apreciados por quem os recebia, pois simbolizavam estatuto social e poder. A lógica subjacente era que até os estrangeiros, vindos de terras distantes, lhes reconheciam autoridade e, por isso, os presenteavam com objetos de valor. Por sua vez, do lado dos jesuítas, tais ofertas a figuras como Oda Nobunaga não eram isentas de interesse, sobretudo porque a sua presença no Japão estava fragilizada. Embora tivessem sido recentemente autorizados a regressar a Quioto, em 1564 tinham sido expulsos da capital pelo Imperador Ogimachi, que temia que a sua crescente influência afetasse a ordem política e social tradicional.
A inutilidade prática dos relógios mecânicos, no entanto, não durou muito, pois os artesãos nipónicos, recorrendo a engenhosos métodos, adaptaram-nos à sua divisão do tempo. Numa das versões, por exemplo, ao sistema de escape – componente que produz o característico 'tic-tac e que regula a libertação gradual de energia da mola, a qual é transformada em movimento do mecanismo – foram adicionados pequenos pesos móveis, permitindo ajustar a frequência do movimento (a maioria dos modernos relógios de pulso tem uma frequência de 4 hertz, ou seja, quatro tic-tacs por segundo).
Durante o Período Edo (1603 – 868), os relógios japoneses ficaram conhecidos como wadokei. Com formato de lanterna, eram feitos de latão ou ferro. O mais impressionante de todos é o Relógio dos Mil Anos (imagem), concluído por Tanaka Hisashige em 1851, após três anos de trabalho. Este genial inventor, frequentemente referido como o 'Edison do Japão', também foi responsável pela primeira locomotiva a vapor e pelo primeiro telégrafo do país.   
Integrando a lista do Património da Engenharia Mecânica do Japão, o seu wadokei encontra-se exposto no Museu Nacional da Natureza e da Ciência, em Tóquio. Com 63 cm de altura, 38 kg de peso e mais de mil peças, possui corda para um ano. O seu modo de funcionamento só foi conhecido em 2004, ao ser desmontado para a construção de uma réplica para a Expo 2005. Os seus seis mostradores indicam a hora nos sistemas japonês e ocidental, os períodos do ano solar japonês, os dias da semana, a data no calendário chinês e as fases da lua. Sob uma redoma de vidro, no topo, duas esferas, representando o Sol e a Lua, movem-se sobre um mapa do Japão.     
Em 1873, apenas duas décadas após Tanaka ter apresentado a sua obra-prima, o sistema temporal japonês foi abolido e substituído pelo sistema de horas fixas. Contudo, o conceito de tempo encontra-se em constante mudança, apesar do imutável tic-tac (tik-tok, em inglês) dos relógios. Se, no século XIX, o comboio revolucionou a perceção humana do tempo, hoje são fenómenos como as redes sociais – uma delas chamada TikTok! – que lhe conferem uma nova dimensão. Cada vez mais, o tempo é um desfile de micro-momentos fragmentados. A sensação do tempo como algo que, por vezes, se dilata ou comprime, assim como a ideia de ser uma entidade misteriosa que obedece às suas próprias leis, parece estar a desaparecer.

A Amazon devolveu às suas prateleiras um livro que critica o movimento transgênero moderno após proibi-lo há quatro anos.

When Harry Became Sally - Responding to the Transgender Moment - 1

Quando Harry se tornou Sally: respondendo ao momento transgênero   foi removido da loja da Amazon em 2021 depois que a plataforma alegou que o livro violava sua diretriz que proíbe livros que promovem discurso de ódio.

Revelando sua reviravolta em uma declaração , a Amazon disse que "equilibrar a liberdade de expressão e o conteúdo que pode ser interpretado como discurso de ódio é uma das decisões de adjudicação mais difíceis que tomamos como empresa".

"Alguns anos atrás, removemos 'When Harry Became Sally' de nossa loja após concluir que ele violava nossa diretriz que proíbe livros que promovem discurso de ódio. Esta não foi uma decisão fácil e foi calorosamente debatida. Desde então, muitos outros varejistas (por exemplo, Barnes & Noble, Walmart, Powell's, etc.) continuaram a vender este livro, e continuamos a receber feedback de clientes de que as ideias apresentadas neste livro, embora controversas, deveriam estar disponíveis para aqueles que desejam ler e entender a perspectiva de seu autor. 

"A combinação de nossos varejistas pares continuando a vender o livro e o feedback contínuo nos fez reexaminar nossa decisão. Como foi o caso quando revisamos o livro alguns anos atrás, não foi uma decisão fácil, mas concluímos que erramos por sermos muito restritivos da última vez e decidimos devolver o livro à nossa loja", disse a declaração.

O autor do livro, Ryan T. Anderson, postou nas redes sociais para dizer "adoraria ver isso" em resposta à devolução do seu livro.

Ele seguiu com uma captura de tela de um resumo das avaliações de clientes de seu livro, geradas pela própria IA da Amazon, que concluiu que o livro tinha um "motivo de caridade".

"O resumo gerado por IA das avaliações de clientes pode ser minha parte favorita de tudo isso. Pelo quão gritantemente eles contradizem o que a Amazon alegou sobre o livro quando o baniu", disse Anderson.

A presidente, CEO e consultora jurídica geral da Alliance Defending Freedom (ADF), Kristen Waggoner, saudou o desenvolvimento como uma "notícia maravilhosa", acrescentando que, embora esteja grata pela "mudança de atitude" da Amazon, "adoraria saber o que a empresa está fazendo para garantir que não será influenciada pelas demandas de censura de ideólogos de gênero novamente".

A autora e jornalista Abigail Shrier, cujo livro Irreversible Damage: The Transgender Craze Seducing Our Daughters foi igualmente retirado da lista do varejista americano Target, disse que "a exclusão do livro de Ryan da Amazon foi um dos momentos mais sombrios na guerra de repressão da esquerda em apoio à 'justiça social'". 

"Seria bom ter o Amazon Files liberado para que possamos ver o processo pelo qual a Maior Livraria da Terra cometeu esse erro indefensável", acrescentou Shrier.

https://gript.ie/amazon-reverses-ban-on-famous-transgender-critical-book/

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