terça-feira, 10 de setembro de 2019

Descoberto um novo segredo sobre os Manuscritos do Mar Morto.

Há novos detalhes sobre o Pergaminho do Templo, o maior dos Manuscritos do Mar Morto, descobertos em meados do século XX.

Os investigadores encontraram uma variedade de sais usados exclusivamente neste texto que favoreceu a sua conservação durante mais de 2.000 anos.

O pergaminho, de oito metros de comprimento, atraiu a atenção dos arqueólogos pela sua excepcional magreza e cor de marfim brilhante. De acordo com o estudo, publicado este mês na revista especializada Applied Sciences And Engineering, o rolo possui uma estrutura em camadas que consiste num material à base de colágeno e outra camada inorgânica atípica de sulfatos e outros minerais descobertos após a recente análise química.

Os autores do estudo apontam para “uma tecnologia de fabricação antiga única”, na qual este pergaminho foi modificado adicionando uma camada inorgânica como superfície de escrita. Os resultados da investigação resolvem o mistério que, durante anos, ninguém conseguiu explicar: por que razão o documento é tão diferente dos outros e, apesar de encontrado no mesmo local, conseguiu sobreviver em melhores condições.

Além disso, o entendimento dos minerais utilizados é de grande importância no “desenvolvimento de métodos de conservação apropriados para a preservação desses valiosos documentos históricos”, acrescentam os especialistas.

Os textos, também conhecidos como Rolls o Qumran, são uma colecção de milhares de fragmentos de mais de 900 manuscritos com dois milénios de idade, incluindo cópias de textos da Bíblia Hebraica, encontrados em 1946 em doze cavernas.

A maioria dos manuscritos foi escrita num material baseado em pele de animal, descrito como um híbrido de pergaminho e couro. A produção de superfícies de escrita incluiu quatro etapas principais: depilação, desbaste, secagem e acabamento de tensão.

No início de Janeiro de 2018, uma das últimas partes dos Manuscritos que ainda permanecia por traduzir, foi decifrada por investigadores da Universidade de Haifa, em Israel. Em Março, o Museu de Israel expôs, pela primeira vez, um dos mais antigos e intrigantes manuscritos bíblicos que narra a partida de Noé após o dilúvio.

Nas duas últimas décadas, foram encontrados mais fragmentos dos Manuscritos, nomeadamente em mercados de antiguidades, o que lançou suspeitas sobre a origem e autenticidade. Alguns fragmentos foram adquiridos pelos fundadores do Museu da Bíblia.

Os arqueólogos continuam, contudo, à procura de sinais dos Manuscritos e há quem acredite que pode haver outras cavernas por descobrir com estes misteriosos pergaminhos escondidos.

Detalhe do primeiro dos Manuscritos do Mar Morto, encontrado em 1947

Em Março, PS chumbou proposta de Erasmus para o Interior do PSD.

Este fim-de-semana, PS e PSD bateram com a cabeça para reclamar a autoria de uma ideia de um programa que permita aos estudantes universitários fazerem intercâmbio para o interior do país.

No sábado, António Costa aproveitou um comício em Vila Real, Trás-os-Montes, para anunciar que queria criar um Erasmus Interior, que permitisse aos alunos conhecer “outros territórios, saberes e espaços”.

No domingo, Rui Rio respondeu que a proposta era do PSD e já tinha quase um ano, o Erasmus+Interior. O que Rio não disse foi que a proposta já tinha sido levada à Assembleia da República, em Março, e foi chumbada pelo PS, BE, PCP e PEV (com a abstenção do PAN), de acordo com o Público.

Na altura, o pacote legislativo do PSD para o ensino superior tinha como objectivo reforçar os incentivos à frequência do ensino superior no interior do país e propunha a atribuição de uma bolsa de mil euros para que os alunos frequentassem um semestre numa universidade no interior do país.

Também a atribuição de uma bolsa de estudos é, aliás, um dos elementos que distingue as propostas daquilo que já existe no país: o programa Almeida Garrett.

“O Programa Almeida Garrett é um programa de mobilidade interna de estudantes do ensino superior público universitário, visando promover a qualidade e reforçar a dimensão nacional do Ensino Superior. Não existe a atribuição de bolsas de estudo para apoiar a mobilidade dos alunos seleccionados.”, pode ler-se na página da Universidade de Coimbra dedicada ao programa de intercâmbio que abrange 15 universidades portuguesas.

Ainda que não haja obrigação de realizar mobilidade para o interior do país, a hipótese já é dada aos estudantes portugueses que o desejem, por iniciativa das instituições públicas de ensino superior com assento no Conselho de Reitores das Universidades Públicas (CRUP).

Também em relação à coincidência de PSD e PS defenderem a mesma medida, declarou: “O doutor António Costa terá lido bem o programa do PSD e reproduzido bem uma ideia de que gostou”, numa alusão a uma leitura que o líder socialista terá feito erradamente de o PSD querer avançar para um TGV entre Lisboa e Porto.

Nelson Mandela

Quando Nelson Mandela estudava direito na universidade, um professor branco, cujo sobrenome era Peters, não gostava muito dele.

Um dia, o Sr. Peters estava almoçando na sala de jantar quando Mandela veio junto com a bandeja e sentou-se ao lado do professor.

O professor disse:

"Senhor Mandela, você não entende, um porco e um pássaro não se sentam juntos para comer"

Mandela olhou para ele como um pai seria uma criança rude e calmamente respondeu:

* "Você não se preocupa professor. Eu vou voar", * & ele foi e se sentou em outra mesa.

Mr. Peters, avermelhado de raiva, decidiu se vingar.

No dia seguinte, na aula, ele fez a seguinte pergunta:

"Sr. Mandela, se você estivesse andando na rua e encontrasse um pacote, e dentro houvesse um saco de sabedoria e outro saco com dinheiro, qual você levaria?"

Sem hesitar, Mandela respondeu: "Aquele com o dinheiro, é claro".

Sr. Peters, sorrindo sarcasticamente disse:

"Eu, no seu lugar, teria tomado a sabedoria."

Nelson Mandela deu de ombros e respondeu: "Cada um pega o que não tem".

O Sr. Peters, a essa altura, estava prestes a se recuperar, fervendo de fúria. Tão grande foi a sua raiva que ele escreveu na folha do exame de Nelson Mandela a palavra "IDIOTA" *

e deu para o futuro ícone de luta.

Mandela pegou a folha de exame e sentou-se em sua mesa, tentando manter a calma enquanto contemplava seu próximo passo.

Poucos minutos depois, Nelson Mandela levantou-se, caminhou até o professor e disse-lhe em um tom educado digno,

"Sr. Peters, * você assinou seu nome na folha *, mas esqueceu de me dar minha nota."

sábado, 7 de setembro de 2019

A ternura de António Costa para com Catarina Martins.

Vê-se bem nesta foto.

NUNO FOX/Lusa

O debate que se esperava e praticamente não houve. Uma pequena alfinetada para cada lado, só para justificar o debate e não defraudar as expectativas, mas o que se viu foi uma mão cheia de nada, ou seja… estão combinados e bem (para eles e não para o país), para o futuro!

Há doentes com cancro “a correr risco de vida” por recusa de medicamentos do Infarmed.

O Infarmed está a recusar medicamentos inovadores que permitem combater vários cancros, porque os peritos da autoridade nacional do medicamento consideram que na fase inicial da doença não há “risco imediato de vida”, mas apenas “risco de vida”. O tratamento só é autorizado quando já existem metástases, noticia a edição do Expresso deste sábado, que cita uma denúncia do Colégio de Oncologia à Ordem dos Médicos.

PS/Coimbra usou fotografia com Marcelo em folheto de campanha.

A promiscuidade entre ambos já leva a que um órgão institucional, como seja a presidência da republica ajude de uma forma nunca antes imaginada, um governo do PS.

A Federação Distrital do PS de Coimbra utilizou uma fotografia com Marcelo Rebelo de Sousa num folheto de campanha eleitoral. A imagem foi difundida nas redes sociais pelo deputado do Partido Social Democrata (PSD) Cristóvão Norte. Ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa surge Pedro Coimbra, presidente da Federação Distrital do Partido Socialista de Coimbra. O Presidente pediu já a retirada da fotografia e o PS assim fez, tendo mandado destruir o folheto e pedindo desculpa através da sua direcção de campanha e de António Costa, secretário-geral do partido e primeiro-ministro, noticia a Agência Lusa.

Ver imagem no Twitter

Na vida, existem 2 tipos de ladrões

1-O ladrão comum: é aquele que rouba o seu dinheiro, sua carteira, os seus bens, etc.2-O ladrão político: é aquele que rouba o seu futuro, seus sonhos, seu conhecimento,

seu salário, sua educação, sua saúde, sua força, seu sorriso, etc.”

A grande diferença entre estes dois tipos de ladrões, é que o ladrão comum

escolhe-o a si para roubar os seus bens, enquanto o ladrão político é você

que o escolhe, para ele o roubar.

A outra grande diferença, não menos importante, é que o ladrão comum é

procurado pela polícia, enquanto o ladrão político é geralmente protegido

pela polícia.Agora que estamos perto de eleições, pense bem antes de escolher o“seu“ ladrão…

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Avalie as respostas de Rui Rio na entrevista à TVI: #RioBEM ou #RioMAL

As soluções para os problemas do país vão convencê-lo? Comente nas redes sociais com as hashtags #RioBEM e #RioMAL a entrevista de Rui Rio, que se candidata a primeiro-ministro pelo PSD.

https://tvi24.iol.pt/politica/psd/avalie-as-respostas-de-rui-rio-na-entrevista-a-tvi-riobem-ou-riomal

A concentração de poder em 5 capítulos

Metade da sociedade, a que paga a conta, é confrontada com a desigualdade de oportunidades, a degradação dos serviços públicos, a estagnação económica e um peso cada vez mais esmagador dos impostos.

1. Como todos sabemos, Portugal é uma das nações mais antigas da Europa e um dos traços distintivos ao longo da sua história tem sido a recorrente concentração de poder. Temos uma tradição de contar com instituições económicas e políticas de natureza extrativa, que concentram o poder nas mãos de alguns, que focados no curto prazo, extraem o máximo de dividendos económicos, para por sua vez consolidarem e perenizarem o seu poder político. A chegada da democracia, 45 anos atrás, deveria ter permitido resolver este flagelo, mas infelizmente apenas o mitigou.

2. Comecemos pela História. A Época dos Descobrimentos foi essencialmente marcada por um Monopólio da Coroa, que recebia em primeira mão as colossais rendas resultantes do comércio colonial. Para manter o controlo destas rendas, a Coroa e a Igreja procuraram manter um domínio político absoluto, centralizando, na medida do possível, todas as decisões fundamentais.

Depois, quando em várias partes da Europa, os filósofos começavam a pensar em sistemas económicos e políticos mais inclusivos e sustentáveis, como o que viria a ficar conhecido como Democracia Liberal, Portugal continuava a insistir na velha lógica extrativa, já convertida em cultura nacional, degradando progressivamente o Império, que por altura das Invasões Francesas já era incapaz de se defender sozinho. Seguiu-se uma guerra civil, e uma sucessão de bancarrotas igualmente relacionadas à construção de infra-estruturas modernas (estradas e linhas de caminhos-de-ferro) sem sustentabilidade financeira. A decadência continuou e a monarquia foi finalmente substituída por uma República incapaz de dar resposta aos anseios da população e gerar o tão aguardado progresso. A desastrosa participação na Primeira Guerra Mundial e o decorrente caos político levaram a que o poder acabasse entregue ao Estado Novo com o seu referencial fascista. E o Dr. Salazar, juntamente com o Cardeal Cerejeira, reforçaram com zelo uma estrutura política e económica baseada em monopólios, ferozmente defensora de um status-quo económico e social que fechou o País sobre si mesmo, numa economia sem concorrência, num ambiente político asfixiante, com uma população pouco letrada e qualificada, onde muitos passavam fome, não encontrando melhor remédio que a emigração em massa.

3. Finalmente, a 25 de Abril de 1974, veio a Revolução que poria termo a 48 anos de Ditadura. Contudo a cultura extractiva adaptou-se, simplesmente mudando de protagonistas. A direita ultra-conservadora do Estado Novo foi substituída pela esquerda, que começou por ocupar a indústria e os campos alentejanos e acabou a nacionalizar praticamente todas as grandes empresas que existiam na altura, reforçando os monopólios, impondo decisões de cima para baixo, e instrumentalizando a sociedade civil para reforçar e manter o seu poder, tal como tinham feito praticamente todos os regimes políticos anteriores.

Ainda assim, a democracia que resultou do 25 de Abril de 1974 conseguiu melhorar substancialmente o nível de vida das pessoas e recentrar Portugal no espaço europeu. Mas, infelizmente o regime Democrático, que tem na sua essência o princípio da separação de poderes, não trouxe o fim a esta história.

A cultura extrativa foi-se adaptando às novas realidades e manteve-se viva nas instituições políticas, no tecido económico e social, estando à vista de todos.

4. Resultando em que do lado político temos o Estado, que continua a ser a principal fonte de financiamento no país, como se o dinheiro fosse seu, e que gere essa vantagem para ganhar eleições, focado no curto prazo, muitas vezes sem preocupação pelo crescimento e sustentabilidade da economia. Do outro lado temos uma parte da sociedade que quer extrair o máximo de recursos do Estado, sem contrapartida de mérito ou aumento da produtividade e que vota em quem der o que eles querem. Para que o extrativismo funcione é preciso alguém para pagar a conta, a fonte de dinheiro. Que primeiro foi encontrada na União Europeia e na dívida e que agora inclui também os contribuintes. O extrativismo inclui o desprezo por quem paga a conta, seja esquecendo que o dinheiro do Estado vem dos contribuintes portugueses e europeus, seja no desrespeito das boas práticas de administração dos recursos do estado, nomeadamente na extrema opacidade relativa aos processos de tomada de decisão, na produção de demasiadas leis que chegam imprecisas, incompletas ou impossíveis de aplicar, cheias de convenientes buracos que permitem a perpetuação de esquemas e a impunidade dos infractores, ou no investimento em comunicação do estado para premiar os órgãos de comunicação mais amigáveis e menos curiosos.

E enquanto esta lógica extrativa se autoalimenta, a outra metade da sociedade, a que paga a conta, é confrontada com crescente desigualdade de oportunidades, o enfraquecimento da sociedade civil, a degradação dos serviços públicos, a estagnação económica e um peso cada vez mais esmagador dos impostos.

5. Por tudo isto é fundamental continuar a reforçar a sociedade civil e limitar a concentração de poder à volta do Estado. Um dos alicerces de uma Democracia Liberal é a separação de poderes, mas para além disso, o Liberalismo defende que numa sociedade evoluída e dinâmica, o poder deve estar realmente partilhado com a sociedade civil. Esse poder deve primeiramente fluir dos cidadãos para o Estado e não exclusivamente do Estado para os cidadãos. O Estado deve servir todos os cidadãos de forma equitativa e não apenas as suas clientelas políticas, desprezando todos os outros. O Estado tem que se preocupar com os mais desfavorecidos e ajudá-los a ultrapassar momentos difíceis, e não perpetuar situações de dependência. Deve promover a meritocracia e não o carreirismo por simples antiguidade. Deve promover o dinamismo empresarial e a sã concorrência e não esmagar as empresas e os seus funcionários com impostos e leis mal feitas que aumentam os riscos e os custos. Deve ser absolutamente transparente na forma como gasta o dinheiro dos contribuintes.
Está na hora de dar mais um passo no desenvolvimento da nossa Democracia. Eu decidi lutar por um Estado mais pequeno, simples, eficiente, meritocrático, transparente e ao serviço de todos. Por isso decidi envolver-me no novo partido Iniciativa Liberal.

Que o próximo capítulo seja o último e afirme a separação de poderes e tenhamos uma sociedade, um país, onde a Liberdade e a Responsabilidade sejam uma realidade.

Paulo Chaves Alves

Membro da Iniciativa Liberal

terça-feira, 3 de setembro de 2019

As noivas do Babush

Há muito se antecipava a aproximação entre PS e PAN. Depois do PS do "animal feroz", ainda agora Costa assegurou que “a causa de sucesso desta solução governativa é que ninguém teve de engolir sapos".

É a grande novidade saída das Eleições Europeias. Depois do romance com o Bloco de Esquerda e o PCP, o PS do babush António Costa tem nova companhia para futuros flirts coligativos, o PAN. O facto dos votos no Pessoas-Animais-Natureza terem procriado como coelhos deixa o partido à espreita, qual suricata, de uma oportunidade para integrar uma coligação vindoura. Até porque em relação aos actuais parceiros de geringonça o primeiro- ministro afirmou que “Aquilo em que conseguimos convergir tem sido suficiente para uma muito boa amizade, mas insuficiente para podermos ter um casamento.” Ou seja, para já não há casório, mas BE, PCP e agora PAN são uma espécie de noivas de Santo António Costa, vá.

No entanto, a julgar pela votação alcançada domingo passado, para o PCP isto de ser uma noiva do Babush revelou-se mais parecido com ser uma noiva do Daesh. De início deve ter sido muito emocionante, sim senhor, havia aquela excitação da transgressão e do perigo e tal, mas para os comunistas, em menos de nada, tudo se transformou num resultado eleitoral verdadeiramente aterrador.

Agora, já se antecipava há muito esta aproximação entre PS e PAN. Desde logo porque inevitavelmente o PAN tem um fraquinho pelo partido outrora dirigido pelo “animal feroz”. Depois porque ainda anteontem António Costa assegurou que “a causa de sucesso desta solução governativa é que ninguém teve de engolir sapos. Acho que isto é uma qualidade importante.” Não há dúvida que o primeiro-ministro escolheu o momento exacto para destacar a importância que dá ao facto de nenhum batráquio ter sido deglutido durante a vigência da actual coligação, tocando assim fundo o coração dos militantes da defesa dos animais.

Bom, mas se é verdade que PAN, PS e BE estiveram bem neste acto eleitoral, quem esteve assombrosa foi a abstenção. O que me leva a crer que é altura de ratificar a proposta do PAN de alargar a idade de voto para os 16 anos. Aliás, para mim alargava-se a idade para os 13 anos. É sabido que a única coisa que agrada mais aos jovens destas idades do que borrifarem- se para o que os pais dizem é borrifarem-se para o que os pais dizem enquanto contrariam de propósito os seus progenitores. Ora, podendo votar, esta canalhada iria às urnas aos magotes só para provocar os pais abstencionistas. E na volta, para azucrinarem ainda mais um bocadinho, votavam em partidos que realmente apresentassem projectos para o país. Se o encontrassem no boletim.

Mas atenção, esta não é a única iniciativa inovadora do PAN. O eurodeputado eleito pelo partido, Francisco Guerreiro, é apaixonado por plogging, actividade que, dizem, consiste em recolher lixo ao mesmo tempo que se faz exercício. Lá está, isto não é mera reciclagem de detritos. É aqui que o PAN é disruptivo. Não há dúvida que o plogging também é reciclar lixo, mas é fundamentalmente reciclar terminologia laboral gasta. No meu tempo recolher lixo enquanto se fazia exercício era ser almeida. Mas não, agora vai-se a ver e é plogging.

A propósito de porcaria, o resultado eleitoral do PSD e do CDS foi aquilo a que em ciência política se convencionou designar por “bosta”. Realmente os partidos de extrema-esquerda fartaram-se de avisar para a chegada da extrema-direita. Parecia descabido, mas afinal a previsão não falhou por muito. É facto que nestas eleições não assistimos à afirmação da extrema-direita, mas pode-se afirmar que assistimos à extrema-unção da direita.

Solidariedade com a feira do fumeiro

A greve dos motoristas de matérias perigosas já causou transtorno, designadamente sob a forma de notícias sobre o facto de a greve dos motoristas de matérias perigosas ainda não ter causado transtorno

Ilustração: João Fazenda

No momento em que escrevo, a greve dos motoristas de matérias perigosas já causou transtorno, designadamente sob a forma de notícias sobre o facto de a greve dos motoristas de matérias perigosas ainda não ter causado transtorno.

É possível que, quando este número da VISÃO for publicado, o País já esteja em pleno apocalipse energético. É possível, aliás, que este número da VISÃO não chegue a ser publicado, por falta de combustível necessário para escrever, imprimir e distribuir a revista – e, nesse caso, o leitor não conseguirá ler este texto. Aí, sim, não tenho dúvidas de que o governo enfrentará protestos sangrentos. Mas até chegarmos a essa situação de rotura, a esse ponto extremo de barbárie em que o público se vê privado das minhas baboseiras semanais, por enquanto não se passa nada. Ou melhor, já há gente que sofre, e muito. Os organizadores de festivais do caracol, feiras do fumeiro e festas do marisco, que nesta altura do ano costumam receber a visita de diligentes jornalistas estagiários, perdem a oportunidade de preencher horas de emissão dedicada aos seus certames. Quem diz certames diz iniciativas. Ou mostras. Esta costuma ser a época dos certames, das iniciativas e das mostras. E dos eventos.

Por falta de assunto, a comunicação social dedica-lhes bastante tempo de antena. Este ano, no entanto, a greve dos motoristas obscurece tudo o resto. Primeiro, porque é mais importante do que o festival do caracol; segundo, porque em princípio ninguém vai ter gasolina para ir ao festival do caracol. O problema é que, como já disse, ainda não aconteceu nada de especial. O que significa que as peças jornalísticas que estão a substituir as reportagens sobre o festival do caracol não valem um caracol. Em vez de observações concretas sobre o caracol (também ele concreto), especulações sobre o que poderá acontecer se os abastecimentos se fizerem a passo de caracol. Muito menos interessante. Mesmo que a greve dos motoristas paralise todo o País, esta cobertura intensiva dos postos de abastecimento desertos não parece uma estratégia acertada: impedidas de sair à rua por falta de gasolina, as pessoas ficam em casa a ver que as ruas estão vazias por falta de gasolina. Dá vontade de ir para longe. Infelizmente, não há gasolina.

(Crónica publicada na VISÃO 1380 de 15 de Agosto)

Museu de Salazar: uma excelente ideia

Há muito que sou favorável à criação de um Museu de Salazar. Mais precisamente, desde 1928. Creio que já nessa altura Salazar merecia um museu, onde ele pudesse figurar, devidamente empalhado, para alegria de todos

Ilustração: João Fazenda

A autarquia socialista de Santa Comba Dão deseja criar um Museu de Salazar. A iniciativa revela grandeza, porque Salazar não desejaria criar uma autarquia socialista em Santa Comba Dão.

Os amores não correspondidos são sempre comoventes. No entanto, é possível que este raciocínio não esteja correcto: se soubesse que a autarquia socialista quereria criar o Museu de Salazar, talvez Salazar não tivesse nada contra autarquias socialistas. É como se costuma dizer: o ódio nasce da ignorância, e provavelmente Salazar não gostava de socialistas apenas por não os conhecer bem.

Pessoalmente, há muito que sou favorável à criação de um Museu de Salazar. Mais precisamente, desde 1928. Creio que já nessa altura Salazar merecia um museu, onde ele pudesse figurar, devidamente empalhado, para alegria de todos. E julgo, aliás, que a ideia do Museu de Salazar peca por defeito. Devia ser criada uma grande Disneylândia do fascismo, em que os visitantes pudessem encontrar diversões tais como viver duas horas nos calabouços da PIDE, frente a um inspector munido de um martelo, ou passar uma tarde na frigideira no campo de concentração do Tarrafal; onde fosse possível denunciar amigos e conhecidos (aproveitando a experiência obtida junto do botão “denunciar”, das redes sociais), vestir a farda da bufa e fazer piqueniques em que uma sardinha dá para três. Além disso, iniciativas deste tipo resolvem um problema antigo: como taxar a estupidez? Muitas vezes se lamenta: “Ah, se a estupidez pagasse imposto…” Pois bem, cobrar bilhetes para o Museu de Salazar pode ser finalmente um modo eficaz de sacar dinheiro a idiotas.

Por outro lado, a criação do Museu de Salazar gera confusão, e eu sou um velho apreciador de confusões. Por exemplo, todos os saudosistas do Estado Novo, até aqui estridentemente receosos de que o poder socialista criasse em Portugal uma Venezuela, afinal tinham razão: por causa de um socialista, Portugal passa a ser um país em que, tal como na Venezuela, se idolatram ditadores. Não deve ser fácil, para um salazarista, ver-se na posição de ter de agradecer a um socialista uma linda homenagem ao doutor Salazar.

Do lado socialista também haverá confusão, de certeza. O PS assinalou – e bem – que a escolha de André Ventura para a autarquia de Loures era significativa do posicionamento ideológico de Passos Coelho, pelo que agora irá – até aposto – assinalar que a manutenção da confiança política no autarca de Santa Comba é significativa do posicionamento ideológico de António Costa. Também deste ponto de vista, a criação de um Museu de Salazar é extremamente pedagógica.

(Crónica publicada na VISÃO 1381 de 22 de Agosto)

António Costa, o da memória má

A questão não é os portugueses terem má memória da maioria absoluta do PS, antes é os portugueses não se lembrarem bem do que aconteceu nesse tempo. Se se lembrassem, não votariam nos mesmos marotos.

Depois de António Costa ter dito que “os portugueses têm má memória das maiorias absolutas, quer as do PSD, quer a do PS”, José Sócrates reagiu, em artigo no Expresso, confirmando que quem não se sente, não é filho de boa gente – e não há razão para achar que a gente de Sócrates não é boa, mesmo que não seja rica como na altura ele dizia para enganar os colegas, jornalistas, namoradas e papalvos em geral, que se embasbacavam com o dinheiro que um político esbanjava por Lisboa.

Sócrates entendeu as palavras de Costa como uma crítica pessoal. Mas, convenhamos, aquilo que o PM disse não é bem uma crítica a Sócrates. Criticar José Sócrates por causa da maioria absoluta é como criticar Jack, o Estripador, por ter mau hálito. Não é bem uma crítica, é um mero reparo a juntar ao rol de patifarias. Se Costa quisesse realmente criticar Sócrates, teria dito qualquer coisa como “os portugueses têm má memória do Eng. Sócrates – que, aproveito para referir, não é engenheiro – porque gamou e gamou bem”. Isso, sim, seria uma crítica digna de resposta. Mas, para isso, Costa teria de acrescentar “e eu sei bem do que falo, estava lá e vi”….

https://observador.pt/opiniao/antonio-costa-o-da-memoria-ma/

José Diogo Quintela