segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Guterres manda recado a Putin: "Nada pode justificar o uso de armas nucleares"

António Guterres mandou hoje um recado à Rússia. “Nada pode justificar o uso de armas nucleares”, disse, acrescentando que esta pode ser “a pior crise humanitária e de refugiados em décadas”.

De acordo com a BBC, o secretário-geral indicou que a crise que originou a guerra entre a Ucrânia e a Rússia pode “multiplicar” o número de refugiados e de deslocados internos.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Vale mesmo a pena banir a Rússia do SWIFT? Que sistema é este?

Para já, apesar dos apelos da Ucrânia e mais recentemente de Londres, nem os EUA nem a UE quiseram incluir no novo pacote de sanções a expulsão da Rússia do sistema internacional interbancário. O que justifica este impasse?

Londres voltou a apelar esta sexta-feira para que a comunidade internacional se esforce por remover a Rússia do sistema SWIFT, já que tanto Washington como a União Europeia não incluíram esta "arma" na última artilharia de sanções atirada contra o Kremlin.
Do lado de lá do Atlântico, no entanto, esta quinta-feira, o presidente norte-americano, Joe Biden lembrou que os EUA ainda o podem fazer, enquanto do lado do bloco europeu, o ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire assegurou que "essa hipótese ainda permanece em aberto", ainda que tenha sublinhado que "que esta ferramenta só será utilizada em último recurso".

Mas porque discordam os governos, no que toca à banir o Kremlin do SWIFT? Afinal que nome é este, que todos já lemos nos contractos quando criamos contas em bancos, e o que significa?

SWIFT, a rede global de pagamentos
Quando recebe uma das primeiras cartas do seu banco, após criar uma conta, recebe por norma o código SWIFT, ou seja a forma como essa mesma instituição financeira pode ser localizada e chamada na Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication, ou seja uma sociedade mundial interbancária, que cria os canais para as transacções internacionais.
A SWIFT foi criada em 1973 em Bruxelas por 239 bancos de 15 países. Actualmente, a empresa conta com cerca de 11 mil bancos e empresas em 200 países, destes cerca de 150 são entidades russas.
Em 2014, depois da invasão da Crimeia, o banco centra russo respondeu aos apelos de muitas empresas e economistas nacionais, que desde 2006 pediam a criação de um sistema internacional de ADN russo, tendo sido então inaugurado o SPFS (sigla inglesa para sistema de transferência de mensagens financeiras).

Actualmente mais de 400 instituições, a maioria bancos, fazem parte deste sistema, dos quais 23 são de nacionalidade estrangeira, contando inclusive com instituições alemãs e suíças. Vladmir Putin chegou mesmo a tentar negociar a entrada da Turquia e do Irão, a quem foi vedada a presença na rede SWIFT em 2012, devido às sanções europeias, não havendo ainda nenhuma novidade sobre este plano.


Se a SWIFT é uma empresa privada europeia, como irá fazer se os EUA decidirem banir a Rússia deste sistema?
A resposta consta da página da própria plataforma, que explica que "embora as sanções sejam impostas independentemente em diferentes jurisdições ao redor do mundo, a SWIFT não pode escolher arbitrariamente qual regime de sanções da jurisdição seguir", estando por isso vinculada a uma última palavra de Bruxelas.


Corte da SWIFT: O novo muro "financeiro de Berlim"
O objectivo destas sanções, caso sejam aplicadas, é claro: levantar um muro entre a economia russa e o mercado internacional. Apesar da Rússia poder passar a utilizar o seu próprio sistema de pagamentos, ou outro mecanismo estrangeiro, este será mais caro, tornando por isso as exportações de parceiros comerciais para território russo e vice versa mais dispendiosas.
Bruno Le Maire justificou o adiamento desta sanção tendo por base o bem-estar do povo russo. "Estas prejudicam o povo russo e vão bloquear seriamente a economia russa". Na realidade, quando em 2014, o Ocidente levantou a hipótese de colocar a Rússia fora do SWIFT, o Ex-ministro das Finanças de Vladmir Putin, Alexei Kudrin, fez as contas e concluiu que o PIB russo chegaria ao final desse ano com uma perda de 5%.
No entanto o que o ministro explicou é que quando um muro, mesmo que virtual, é levantado tanto prejudica quem está do lado de lá, como do lado de cá, na Europa ocidental.
Como explica a Bloomberg Intelligence, "com esta sanção, os preços da energia russa ficariam mais caros, devido aos custos das transacções financeiras, aumentando assim a pressão inflacionaria na Europa".
Recorde-se que em Janeiro, a inflação subiu para 5,1% um valor recorde e que levou vários membros do Banco Central Europeu (BCE), como Luís de Guindos a admitir que "afinal a inflação não será assim tão transitória como pensámos", culpando sobretudo os preços da energia. Se o preço dos custos de pagamento subir, irá somar-se à conta, já alta, do preço de mercado dos produtos energéticos.
Esta quinta-feira, o gás natural TTF (Title Transfer Facility) para entrega em Março subiu 29% no mercado holandês -- referência para Europa -- para mais de 100 euros por megawatt hora (MWh), depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia, tendo esta sexta-feira "aliviado" para uma queda de 19% para 108,005 euros por megawatt hora (MWh).
Para além da energia, esta sanção iria afectar o preço de outros bens e serviços, já que segundo os dados mais recentes apurados pela Bloomberg Intelligence, o comércio da Rússia com a UE atingiu cerca de 186 mil milhões de dólares em 2020, dos quais 108 mil milhões foram exportações russas para o bloco.
Leonardo Cardoso, da Xtb, contactado pelo Negócios, vai mais além e chega mesmo a falar da possibilidade de corte, pelo menos parcial, do fornecimento de gás por parte da Rússia.
"Relativamente à retirada da Rússia do SWIFT, eu penso que o ocidente tem mais desvantagens na medida em que esta sanção iria provocar mais uma escalada de tensões, sendo que iria também haver retaliações por parte da Rússia, nomeadamente a possibilidade do corte parcial ou total do gás natural à Europa que iria provocar fortes constrangimentos nas economias europeias", defende o analista.

(Notícia actualizada ao 12:36 com as declarações de Leonardo Cardoso da Xtb)

Fábio Carvalho da Silva fabiosilva@negocios.pt 25 de Fevereiro de 2022

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Davos e a conspiração da carta roubada

Por F. William Engdahl
16 de fevereiro de 2022

O famoso conto de Edgar Allen Poe, The Purloined Letter, é adequado para descrever a agenda de Klaus Schwab, fundador há cerca de 50 anos do que é hoje o mundialmente influente Fórum Econômico Mundial de Davos (WEF) – escondido à vista de todos. Schwab publicou um livro em 2020 intitulado The Great Reset, que pede aos líderes mundiais que usem a “oportunidade” da pandemia de COVID-19 para reorganizar fundamentalmente a economia global em uma versão distópica de cima para baixo da tecnocrática Agenda 2030 da ONU. disposto a fazer pesquisa paciente, o WEF de Schwab revela um grau surpreendente da atual agenda globalista para um totalitarismo tecnocrático. Mais ainda, ele vem desenvolvendo quadros escolhidos a dedo para implementar essa agenda ao longo de três décadas, com uma “escola de quadros” global selecionada para “futuros líderes globais”.

Uma das características mais surpreendentes da histeria do medo da pandemia de COVID é o grau em que os políticos em todo o mundo seguiram em sincronia, juntamente com a mídia global e as principais figuras da saúde, para abraçar uma agenda sem precedentes de destruição econômica e humana em nome do combate a um vírus. . Acontece que quase todos os principais atores têm algo em comum. Eles são graduados escolhidos a dedo ou “ex-alunos”, como ele os chama, da escola de quadros de Davos de Klaus Schwab, seu programa anual chamado Young Global Leaders e pré-2004 chamado Global Leaders for Tomorrow.

Desde que o primeiro grupo de quadros de Davos foi selecionado em 1993, mais de 1.400 “futuros líderes globais” foram treinados em um processo altamente secreto que raramente é mencionado na biografia dos graduados de Davos. Com a paciência de uma aranha tecendo uma vasta teia, Klaus Schwab e seus ricos patrocinadores do Fórum Econômico Mundial criaram a rede de atores políticos mais influentes da história moderna, ou talvez nunca.

Em um vídeo de 2017 com David Gergen em Harvard, Schwab se orgulha de que “penetramos nos gabinetes” com o quadro Davos Young Global Leader. Schwab afirma: “Devo dizer que menciono nomes como a Sra. Merkel… e assim por diante, todos eles foram Jovens Líderes Globais do Fórum Econômico Mundial. Mas o que estamos realmente orgulhosos agora com a geração jovem como o primeiro-ministro Trudeau, presidente da Argentina e assim por diante, é que penetramos nos gabinetes… É verdade na Argentina e é verdade na França agora…”

Grande Reinicialização

A Grande Reinicialização, conforme explicado por Schwab em seu livro em coautoria de junho de 2020 com o mesmo título e elaborado na íntegra no site do Fórum Econômico Mundial, está aí para quem quiser descobrir. Ele estabelece um programa para reorganizar a economia global de cima para baixo, usando as interrupções do COVID para promover, entre outras coisas, uma agenda verde zero carbono, eliminação de proteína de carne e agricultura tradicional, eliminação de combustíveis fósseis, contração de viagens aéreas, eliminação de dinheiro para moedas digitais do banco central e um sistema médico totalitário de vacinações obrigatórias.

Na cúpula virtual de líderes globais de Davos em junho de 2020, apropriadamente intitulada The Great Reset, Schwab declarou: “Todo país, dos Estados Unidos à China, deve participar, e todos os setores, de petróleo e gás a tecnologia, devem ser transformados. Em suma, precisamos de uma 'Grande Reinicialização' do capitalismo... Há muitas razões para buscar uma Grande Reinicialização, mas a mais urgente é o COVID-19.” A Grande Reinicialização, continua ele, exige que “os governos implementem reformas há muito atrasadas que promovam resultados mais equitativos. Dependendo do país, isso pode incluir mudanças nos impostos sobre a riqueza, a retirada dos subsídios aos combustíveis fósseis… O segundo componente de uma agenda do Great Reset garantiria que os investimentos avançassem em objetivos compartilhados, como igualdade e sustentabilidade.”

O que Schwab não menciona é que tem sido sua rede de “líderes globais” de Davos que estiveram no centro do avanço da agenda draconiana do COVID, de bloqueios desnecessários a vacinas forçadas e máscaras obrigatórias. A pandemia foi a primeira fase necessária da Grande Reinicialização. Sem ela, ele não seria capaz de falar sobre mudanças globais fundamentais.

Aqui, a agenda de Schwab é a redistribuição de riqueza global para criar a infame economia “sustentável” da Agenda 2030 da ONU: “Os EUA, a China e o Japão também têm planos ambiciosos de estímulo econômico. Em vez de usar esses fundos… para preencher rachaduras no antigo sistema, devemos usá-los para criar um novo que seja mais resiliente, equitativo e sustentável a longo prazo. Isso significa, por exemplo, construir infraestrutura urbana “verde” e criar incentivos para que as indústrias melhorem seu histórico de métricas ambientais, sociais e de governança (ESG). Ele acrescenta: “A terceira e última prioridade de uma agenda Great Reset é aproveitar as inovações da Quarta Revolução Industrial para apoiar o bem público , especialmente abordando os desafios sociais e de saúde”.

Carta roubada

O conto de 1844 do autor americano Edgar Allen Poe, The Purloined Letter, fala de uma carta roubada da rainha francesa sendo usada para chantageá-la por um ministro sem escrúpulos. Quando a polícia de Paris vasculha meticulosamente a casa do suposto ladrão sem resultado, um amigo do inspetor-chefe consegue encontrar o documento roubado ao procurá-lo, “escondido à vista de todos”.

Assim é com o que é sem dúvida a conspiração mais descarada e criminosa dos tempos modernos, a Grande Reinicialização de Davos. Tudo está lá, aberto para qualquer pessoa com paciência percorrer as páginas dos comunicados de imprensa e páginas da web do WEF. Notável é que os atores globais, o “quadro” de Davos cuidadosamente escolhido nos últimos trinta anos para ser preparado para posições de poder para implementar a agenda do Grande Reset, são nomeados abertamente no site de Davos, encontrados com um pouco de pesquisa paciente. Listas parciais apareceram nomeando um pequeno punhado de Davos como “Jovens Líderes Globais”. Uma pesquisa mais exaustiva de cerca de 1.400 nomes nas classes anuais da escola de quadros desde 1992 revela uma conspiração surpreendente e detalhada. O site do WEF afirma que os líderes globais são “treinados para estarem alinhados com a missão do Fórum Econômico Mundial,

O seguinte é o resultado da revisão de todas as classes do FEM de futuros líderes globais desde 1993.

O mais impressionante é que os principais atores ligados à Schwab estão envolvidos nas medidas decisivas que tornaram a “pandemia” do COVID-19 o processo econômico e fisicamente destrutivo que é. Os ex-alunos do WEF estão no meio de tudo covid.

Vacinas Davos, Gates e mRNA

No centro da agenda do COVID-19 está claramente o lançamento de “velocidade de dobra” de misturas experimentais editadas por genes de mRNA não testadas, vacinas mal nomeadas, por duas empresas farmacêuticas – Pfizer (com BioNTech da Alemanha) e Moderna dos EUA.

Bill Gates (WEF 1993) e sua Fundação Gates estão no centro do lançamento do jab editado por genes de mRNA junto com Tony Fauci do NIAID dos EUA. Gates foi selecionado por Schwab antes mesmo de criar a Fundação Bill e Melinda Gates, em 1993, para o primeiro grupo de quadros do FEM junto com Angela Merkel, Tony Blair, Gordon Brown e outros. Schwab foi influente em conseguir que Gates criasse a fundação?

O dinheiro da Fundação Gates, centenas de milhões, de fato comprou o controle da corrupta Organização Mundial da Saúde da ONU, de acordo com a denunciante da OMS, epidemiologista suíça, Astrid Stuckelberger, que em uma entrevista recente declarou: “A OMS mudou desde que eu estava lá… uma mudança em 2016... Foi especial: Organizações não governamentais – como a GAVI – Global Alliance for Vaccine Immunization – liderada por Bill Gates – ingressaram na OMS em 2006 com um fundo. Desde então, a OMS se transformou em um novo tipo de organização internacional. A GAVI ganhou cada vez mais influência e imunidade total, mais do que os diplomatas da ONU”.

A fundação de Gates, juntamente com o WEF de Schwab, criou a GAVI-The Vaccine Alliance global em 2000. Outro infame ex-aluno da classe Gates WEF Global Leaders, José Manuel Barroso (WEF 1993), –Presidente da Comissão Europeia de 2004-2014, ex- chefe Goldman Sachs International, membro do Bilderberg Steering Committee - foi nomeado CEO da aliança de vacinas GAVI financiada por Gates em janeiro de 2021, quando os jabs de mRNA foram lançados. Barroso agora supervisiona os gastos globais nas vacinas de mRNA para Gates e OMS.

Albert Bourla, CEO da Pfizer, é um Colaborador da Agenda do WEF. Seu vice-presidente da Pfizer, Vasudha Vats (WEF 2021), é um recruta “líder global” do WEF.

A outra importante fabricante de jab de mRNA é a Moderna, cujo CEO, Stéphane Bancel (WEF 2009) é outro ex-aluno de Davos. No ano seguinte, 2010, Bancel foi escolhido para ser o CEO de uma nova empresa, Moderna, em Massachusetts. Em 2016, sem nenhum produto de mRNA bem-sucedido ainda aprovado, a Moderna do Bancel assinou um contrato-quadro de projeto de saúde global com a Fundação Bill & Melinda Gates para avançar projetos de desenvolvimento baseados em mRNA para várias doenças infecciosas. No mesmo ano, Bancel assinou um acordo-quadro de projeto de saúde global com Tony Fauci e o NIAID. Em um discurso de janeiro de 2018 na JP Morgan Healthcare Conference, mais de um ano antes de o mundo ouvir falar do COVID-19 em Wuhan China, Gates declarou: “Estamos apoiando empresas como CureVac e Moderna em abordagens de mRNA para desenvolvimento de vacinas e medicamentos… “ Presciência?

Políticos de Davos

O segundo componente-chave da agenda da pandemia de Davos tem sido uma coleção internacional de políticos-chave na UE e na América do Norte, especialmente, que apoiaram o bloqueio mais draconiano e as medidas de vacinação forçada da história. A maioria dos atores-chave são Líderes Globais do FEM de Davos.

Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel liderou um dos bloqueios mais severos do COVID até se aposentar em dezembro de 2021. Ela era da primeira turma do WEF de 1993. Seu ministro da Saúde, Jens Spahn (WEF 2012), também foi ex-aluno de Davos. Spahn coagiu jabs de mRNA em massa e empurrou bloqueios e mascaramentos desnecessários. Ele era um ex-lobista farmacêutico. Philipp Rösler, Ministro da Saúde de 2009 a 2011, foi nomeado Diretor Administrativo do FEM pela Schwab em 2014. Em dezembro, uma nova coalizão sob o chanceler Olaf Scholz, que foi convidado a fazer um discurso especial na Reunião de Davos de janeiro de 2022 pela Schwab. A nova ministra das Relações Exteriores da Alemanha, a líder verde Annalena Baerbock (WEF 2020), foi escolhida para ser uma líder global pouco antes de se tornar candidata a chanceler. A escolha controversa de Baerbock como Secretário de Estado para a diplomacia das mudanças climáticas, chefe do Greenpeace, Jennifer Morgan, cidadã dos EUA, é colaboradora da agenda do WEF e amiga íntima do membro do conselho do WEF, Al Gore. O ex-chefe do Partido Verde Alemão, Cem Özdemir (WEF 2002), é o novo Ministro da Agricultura e Nutrição.

Na França, o presidente Emmanuel Macron (WEF 2016) misteriosamente passou de um obscuro ministro do Gabinete para se tornar presidente da França em 2017 sem partido, apenas um ano depois de ser selecionado para participar do programa de líderes globais do WEF. Como presidente, Macron instituiu algumas das medidas de COVID mais draconianas do mundo, incluindo passaportes internos e vacinas obrigatórias.

Outros políticos da UE do clube de Davos incluem o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis (WEF 2003), o primeiro-ministro belga Alexander De Croo (WEF 2015). Ambos impuseram medidas severas contra o COVID. Sanna Marin (WEF 2020) O primeiro-ministro da Finlândia invocou um estado de emergência na Finlândia, com bloqueios severos e outras medidas drásticas. No Reino Unido, o ex-primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown (WEF 1993) foi nomeado pela OMS em abril de 2021 para promover um programa de US$ 60 bilhões para a vacinação contra a COVID em “países pobres”. Brown tornou-se embaixador da OMS para o financiamento global da saúde em setembro de 2021.

Na América do Norte, o governo canadense de Justin Trudeau, agora sujeito a uma grande revolta popular contra seus severos mandatos de vacinação e outras medidas, está repleto de agentes de Davos. O próprio Trudeau é um colaborador da agenda do Davos WEF e palestrante frequente em Davos. Schwab apresentou Trudeau em 2016 afirmando: “Eu não poderia imaginar alguém que pudesse representar mais o mundo que sairá da Quarta Revolução Industrial”. O principal ator COVID para Trudeau é a vice-primeira-ministra e ministra das Finanças Chrystia Freeland, que está no Conselho de Curadores do WEF e lidera a resposta COVID de Trudeau. Outros agentes do WEF em Ottawa são a ministra das Relações Exteriores, Mélanie Joly (WEF 2016), a ministra da Família Karina Gould (WEF 2020).

Nos EUA, os principais indicados da Administração Biden incluem Jeffrey Zients (WEF 2003), Coordenador de Coronavírus da Casa Branca. O secretário de Transportes Pete Buttigieg (WEF 2019) que de repente anunciou para presidente depois de ser escolhido por Davos é outro. A operativa de estado profundo dos EUA Samantha Power (WEF 2003) é a chefe de Biden da USAID, a principal agência de ajuda externa intimamente ligada às atividades da CIA no exterior. Rebecca Weintraub (WEF 2014), professora de Harvard que trabalha pela vacinação total de todos no mundo com vacinas obrigatórias mesmo para crianças, é conselheira do Comitê Consultivo Nacional de Vacinas do Departamento de Saúde e Serviços Humanos.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom (WEF 2005) impôs alguns dos bloqueios e máscaras mais severos do país, assim como Jared Polis (WEF 2013), governador do Colorado, com uma ordem de saúde pública que fez do Colorado um dos primeiros estados a exigir prova de vacinação completa para ser admitido nos grandes eventos indoor.

A Austrália e a Nova Zelândia têm sido dois dos regimes de tirania COVID mais graves do mundo. Na Austrália, o Ministro da Saúde Greg Hunt foi Diretor de Estratégia do FEM em 2001 e Líder Global do FEM em 2003. Ele controla as políticas governamentais extremas de COVID-19. Na Nova Zelândia, a primeira-ministra Jacinda Ardern (WEF 2014) se reuniu com Bill Gates em Nova York em setembro de 2019 como palestrante na conferência anual dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Fundação Gates, pouco antes dos eventos da China COVID e dias antes do Evento 201 de outubro “pandemia simulação” pelo Fórum Econômico Mundial e a Fundação Bill e Melinda Gates. Como primeiro-ministro, Ardern impôs ondas de bloqueios, removendo a maioria dos direitos civis e praticamente proibiu as viagens internacionais.

Principais Think Tanks e Acadêmicos

Isso está longe da extensão da rede global de Davos cuidadosamente cultivada e promovida por trás da orquestração de medidas globais de pandemia de COVID-19. Papéis instrumentais são desempenhados pela Fundação Rockefeller, cujo presidente, Rajiv Shah (WEF 2007) foi uma figura de liderança para a Revolução Verde da África na Fundação Gates, bem como programas de vacinas. Como chefe da influente Fundação Rockefeller, Shah desempenha um papel fundamental na promoção do Davos Great Reset, onde é colaborador da agenda do WEF. Outro think tank de política dos EUA altamente influente, o Conselho de Relações Exteriores de Nova York, tem um profundo envolvimento na agenda do COVID-19. Thomas Bollyky (WEF 2013) é Diretor do Programa de Saúde Global do CFR e é ex-Fundação Gates, bem como consultor da OMS. Ele dirigiu a Força-Tarefa CFR, Improving Pandemic Preparedness: Lessons from COVID-19 (2020).

Jeremy Howard (WEF 2013) é um australiano que no início do COVID-19 organizou uma campanha mundial de máscaras faciais obrigatórias. Mustapha Mokass (WEF 2015) desenvolveu um sistema de passaporte de vacina para a agenda da 4ª Revolução Industrial de Schwab.

Mídia tradicional de Goebbels

O papel da mídia gerenciada está no centro da ofensiva sem precedentes de propaganda da pandemia do COVID-19. Davos e o WEF de Schwab também estão no meio disso.

A CNN é um dos meios de propaganda mais notórios que promove o medo e defende os jabs de mRNA enquanto ataca qualquer tratamento remediador comprovado. CNN e Davos estão bem conectados.

Dr. Sanjay Gupta (WEF 2010), correspondente médico chefe da CNN, desempenhou um papel fundamental na promoção da narrativa oficial no evento profundo do COVID-19. Dra. Leana Sheryle Wen (WEF 2018) é colunista do The Washington Post e analista médica da CNN. Como 'colaborador médico' da CNN, Wen sugeriu que a vida precisa ser “difícil” para os americanos que não receberam a vacina COVID-19. Anderson Cooper (WEF 2008), um assustador ex-estagiário da CIA é um grande apresentador da CNN. Jeffrey Dean Zeleny (WEF 2013) é o Correspondente Chefe de Assuntos Nacionais da CNN.

Enquanto a CNN produz comentários unilaterais sobre os jabs de mRNA e o COVID, proprietários altamente influentes de corporações de mídia social se envolvem em banimento sem precedentes de qualquer opinião crítica ou contrária na censura que faria um Goebbels corar. Entre eles está Mark Zuckerberg (WEF 2009), o bilionário proprietário do Facebook apoiado pela CIA, e a membro do conselho do Twitter Martha Lane Fox (WEF 2012), membro do Comitê Conjunto do Reino Unido sobre Estratégia de Segurança Nacional e do Comitê COVID-19 da Câmara dos Lordes. . Larry Page (WEF 2005) é um bilionário cofundador do Google, possivelmente o mecanismo de busca mais censurado e mais usado do mundo.

Marc Benioff (Conselho de Curadores do WEF), proprietário bilionário da revista Time e da computação em nuvem da Salesforce, também está conectado ao The Giving Pledge de Bill Gates. Dawood Azami (WEF 2011) é editor multimídia do BBC World Service, a influente emissora estatal do Reino Unido. Jimmy Wales (WEF 2007) é fundador da Wikipedia, que altera notoriamente o conteúdo de entradas relacionadas ao COVID para promover a agenda da OMS e Davos. Lynn Forester de Rothschild (WEF 1995) com seu terceiro marido, Sir Evelyn Robert de Rothschild, é dona da revista The Economist, que promove a agenda COVID Davos junto com a próxima redefinição verde. Ela foi apresentada a Sir Evelyn por Henry Kissinger na Conferência Bilderberg de 1998 na Escócia.

Outras figuras entre os líderes globais futuros de Davos incluem Jamie Dimon (WEF 1996), CEO JP Morgan Chase, Nathaniel Rothschild (WEF 2005) filho e herdeiro do Barão Jacob Nathaniel “Nat” Rothschild. David Mayer de Rothschild (WEF 2007), um bilionário britânico defensor da agenda verde com uma fortuna estimada em 10 bilhões de dólares.

Os “parceiros” corporativos estratégicos do WEF que ajudam a orientar os líderes globais de Davos incluem Barclays Bank, Fundação Bill & Melinda Gates, Deutsche Bank AG, General Motors Company, The Goldman Sachs Group Inc., Google Inc., HSBC Holdings Plc, McKinsey & Company e UBS AG e tal.

Essa concentração de poder global é apenas coincidência ou parte de uma verdadeira conspiração? Uma leitura do atual Conselho de Curadores do Fórum Econômico Mundial pode ajudar a responder.

F. William Engdahl é consultor de risco estratégico e palestrante, é formado em política pela Universidade de Princeton e autor best-seller sobre petróleo e geopolítica, exclusivamente para a revista online “New Eastern Outlook”

http://williamengdahl.com/englishNEO16Feb2022.php

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Onde o sonho da semana de 4 dias de trabalho já é realidade

Bélgica aprova que funcionários possam escolher entre trabalhar quatro ou cinco dias por semana. País não é o primeiro a colocar a proposta em prática. Esquema é discutido, elogiado e também criticado em outras nações.

Quatro dias de trabalho, três dias de descanso, mais tempo com a família e, de preferência, com o mesmo salário. Parece uma jornada semanal ideal para muitos trabalhadores e trabalhadoras. Segundo os defensores do esquema, ele promete não só mais satisfação, como também produtividade mais alta.

Desde terça-feira (15/02), a Bélgica entrou para o grupo de países que dão ao trabalhador a opção de distribuir sua jornada semanal por quatro ou cinco dias – sempre mantendo-se a mesma carga horária total. De acordo com o primeiro-ministro belga, Alexander de Croo, a intenção do projeto é tornar a economia mais dinâmica e melhorar a compatibilidade entre família e trabalho.

O chefe de governo frisa que a flexibilidade vai mais longe: a jornada semanal clássica belga é de 38 horas, mas o empregado term a opção de  trabalhar 45 horas numa semana e deduzir as sete horas adicionais na seguinte. O regime de quatro ou cinco dias é uma decisão do próprio trabalhador, que poderá renovar ou alterar o pedido a cada seis meses.

Veja a seguir outros países que já adotaram ou pensam em adotar a semana de trabalho de quatro dias.

Na Islândia, jornada abreviada

Entre 2015 e 2019, a Islândia testou, com 2.500 trabalhadores e trabalhadoras, um projeto semelhante ao que a Bélgica vai implantar. As jornadas semanais, no entanto, foram reduzidas de 40 horas para 35 ou 36, mantendo-se a mesma remuneração.

O estudo foi promovido e avaliado pela Associação de Sustentabilidade e Democracia (Alda) e pelo think tank britânico Autonomy. Sua conclusão foi que o bem-estar dos funcionários melhorou significativamente, os processos de trabalho foram otimizados e estabeleceu-se uma cooperação mais estreita entre os colegas. Em grande parte, a produtividade permaneceu idêntica ou até aumentou.

Concluída essa fase de testes, sindicatos e associações começaram a negociar a diminuição permanente da jornada de trabalho. Atualmente, cerca de 86% dos trabalhadores islandeses têm direito a uma semana de quatro dias.

Escócia e País de Gales: experiência custosa

A Escócia está atualmente em fase de testes com a semana de quatro dias. Como apoio, empresas que participam do projeto recebem do governo um aporte em torno de 10 milhões de libras esterlinas.

No País de Gales, a pauta está em discussão. A Comissária das Gerações do Futuro, Sophie Howe, fez reivindicações nesse sentido, pelo menos para o setor público.

Após testes, Suécia se divide

Testes com uma semana laboral de quatro dias e pagamento integral se realizaram na Suécia já em 2015. As conclusões, neste caso, foram bastante ambivalentes.

Políticos suecos de esquerda acharam a implementação um tanto cara. Já as microempresas gostaram da ideia e adotaram até mesmo a redução da carga horária. A companhia automobilística Toyota, por exemplo, já abreviou os turnos dos mecânicos cerca de dez anos anos atrás, e mantém essa política desde então.

Na Finlândia, alarme falso

Também a Finlândia ocupou por um breve tempo as manchetes internacionais com uma redução dramática das jornadas de trabalho foi a Finlândia. Consta que a intenção era introduzir tanto a semana de quatro dias quanto o jornada diária de seis horas. Entretanto, segundo o noticiário alemão Tagesschau, tratava-se de uma notícia equivocada, que o governo finlandês rapidamente retificou.

Espanha a caminho dos testes

Na Espanha, a semana de quatro dias foi proposta a pedido do partido de esquerda Mais País. Cerca de 6 mil funcionários de 200 pequenas e médias empresas poderão prolongar o fim de semana em um dia, com pagamento integral. O experimento está programado para durar pelo menos um ano, mas ainda não tem data para começar.

Alemanha, Nova Zelândia e Japão

Na Alemanha, são principalmente as pequenas start-ups que têm experimentado com a semana mais curta.

No Japão, grandes companhias, como a Microsoft, estão dando aos funcionários um fim de semana longo por mês.

Na Nova Zelândia, a multinacional de alimentos e produtos farmacêuticos Unilever está testando a semana de quatro dias com a mesma remuneração por cerca de um ano. Se o modelo tiver sucesso, a empresa planeja expandi-lo para outros países.

gb/av (DW,ots)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Receitas com grão-de-bico

Saiba mais sobre esta leguminosa, um superalimento que só faz bem.

Foi em 2018 que a Organização das Nações Unidas decidiu que 10 de Fevereiro seria, oficialmente, o Dia Mundial das Leguminosas. A sua criação teve como objectivo dar a conhecer a importância deste grupo de alimentos. Afinal, as leguminosas têm um teor elevado de proteína e fibra, hidratos de carbono complexos e, de forma geral, um baixo teor de gordura, o que as torna nutricionalmente muito interessantes.

Mas não é só a nível nutricional que as leguminosas trazem grandes benefícios. Também ajudam a proteger o planeta, já que o seu cultivo potencia a fertilização dos solos levando, assim, à redução da utilização de fertilizantes químicos.

Neste artigo, e em jeito de celebração desta data, falamos de uma leguminosa muito especial: o grão-de-bico.

As origens do grão

O grão-de-bico foi uma das primeiras leguminosas a ser cultivada na Europa, Ásia e África. A sua história parece ter começado no Médio Oriente, mais concretamente no planalto da Anatólia (zona da Turquia). Daí, acredita-se que o grão-de-bico tenha chegado à Europa através dos povos migratórios e das suas trocas comerciais. Aqui à Península Ibérica não se sabe muito bem quando chegou, mas o nome em português e em espanhol (garbanzo) parecem indicar que a sua existência nesta área geográfica é anterior ao Império Romano, tendo sido trazido, muito provavelmente, pelos árabes. Esta é a segunda leguminosa mais consumida no nosso país, logo a seguir ao feijão, e a sua principal zona de cultivo é no Alentejo.

Um alimento rico em nutrientes

O grão-de-bico é considerado um superalimento porque contém uma grande variedade de nutrientes. Entre eles está a proteína, presente em elevadas quantidades, um nutriente que contribui para o crescimento e manutenção dos músculos e para a saúde dos ossos. As leguminosas de forma geral, e o mesmo se verifica para o grão-de-bico, são uma forma de incluir proteínas de origem vegetal na alimentação. Não só permitem reduzir um consumo de carne, que em Portugal é superior às recomendações, como são nutricionalmente ricas noutros nutrientes.

Para além da proteína, o grão-de-bico é também fonte de vários outros nutrientes e vitaminas importantes. Uma chávena de grão-de-bico cozido fornece cerca de 15 g de proteína, 12g de fibra e uma grande diversidade de minerais, como fósforo, magnésio, ferro, zinco, cálcio e cobre, em quantidades significativas relativamente às nossas necessidades diárias.

Grão-de-bico: os benefícios para a saúde

Os nutrientes presentes nas leguminosas trazem inúmeros benefícios para a nossa saúde:

  • A quantidade significativa de fibra promove o controlo da saciedade;
  • São particularmente ricas em substâncias bioativas, com acção antioxidante;
  • Pela composição em minerais, como o cálcio e o ferro, são importantes em fases de grande desenvolvimento como a infância e a adolescência;
  • O teor em ácido fólico dá-lhes destaque na gravidez.

Como incluir o grão-de-bico na alimentação

O grão-de-bico está bastante presente na alimentação dos portugueses, sendo consumido de norte a sul do país. Pode encontrá-lo seco (terá de o demolhar e cozer, como o feijão) ou enlatado, como o da Compal, que utiliza agora grão-de-bico de Alqueva. O grão pode ser utilizado como substituto da proteína, em saladas e sopas, para fazer húmus ou como um snack. A água da lata ou da cozedura do grão-de-bico, conhecida como aquafaba, pode ainda ser utilizada em doces, já que pode ser um substituto das claras em castelo, por exemplo, em receitas vegan.

Se está sem ideias para cozinhar, deixamos-lhe duas receitas saudáveis, que têm o grão-de-bico como protagonista.

Receita de Caril de grão-de-bico e legumes por Adriana Marques
(2 pessoas)

Ingredientes:
1 Cebola grande
1 Dente de alho
2 Colheres de sopa de azeite
1 Colher de café de gengibre
1 Colher de café de pimentão-doce
1 Colher de sopa de caril
Sal e pimenta a gosto
2 Courgettes pequenas
2 Cenouras de tamanho médio
1 Tomate grande
300g de
grão-de-bico cozido
300ml de bebida vegetal
200ml de água
1 Colher de sopa rasa de farinha Maizena

Preparação:

Comece por lavar as courgettes, as cenouras e o tomate;
De seguida descasque a cebola, o alho e as cenouras e lave também;
Corte todos os legumes aos cubos e reserve;
Num tacho coloque a cebola, o alho, o azeite e todos os temperos. Mexa bem e deixe alourar em lume brando durante uns minutos;
Adicione os restantes legumes, mexa novamente e deixe cozinhar por cerca de 15 minutos. Tape com um testo e vá mexendo de vez em quando;
Adicione a bebida de soja, a água e a farinha Maizena previamente dissolvida num pouco de bebida vegetal;
Envolva tudo, tape novamente e deixe apurar por alguns minutos;
Adicione o grão-de-bico e, caso necessário, adicione mais água;
Retifique os temperos e deixe cozinhar por mais 8 a 10 minutos. Está pronto a servir;
Acompanhe com arroz Basmati.

Receitas de Húmus de grão e beterraba por Inês Panão

Ingredientes:
1 lata de
Compal Grão do Alqueva
1 dente de alho
Coentros picados q.b.
2 colheres de sopa de azeite
Sumo de 1/2 limão
Orégãos q.b.
Pimenta q.b.
Curcuma q.b
Para o húmus de beterraba: acrescentar 1/2 beterraba pequena cozida

Preparação:
Escorrer o grão e aproveitar a água.
Picar o alho.
Triturar todos os ingredientes, incluindo a água do grão.
Dividir a massa e em metade acrescentar a beterraba e triturar.
Servir um fio de azeite e ervas aromáticas picadas.
Acompanhar com tostas, palitos de pepino, beterraba ou gressinos.

observador

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Denúncia de 1054 presos políticos em Cuba

Cuba tem nos últimos 12 meses 1054 “prisioneiros políticos verificados”, dos quais 932 continuam actualmente na prisão, denunciou ontem a organização não governamental Prisoners Defenders. Segundo a contagem da ONG sediada em Madrid, desde Fevereiro de 2021 até agora aumentou em 917 o número de pessoas privadas de liberdade no país pelo que a Prisoners Defenders considera motivações políticas.

O relatório indica que 794 prisioneiros foram processados por participação nos protestos antigovernamentais de 11 de Julho passado, mais quatro do que o número revelado pela Procuradoria-Geral cubana. Na lista da ONG, alerta-se também para a existência de um total de 32 menores na prisão (por diferentes actos), entre os quais um rapaz de 13 anos, três de 15 e nove de 16. Por esta razão, a Prisoners Defenders acusou Cuba de “rasgar em pedacinhos” a Convenção dos Direitos da Criança das Nações Unidas, que o país subscreveu, e lamentou “o silêncio absoluto” a esse respeito da alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet. Além dos 932 presos da lista, a Prisoners Defenders aponta “outros 11 mil civis não pertencentes a organizações opositoras, 8400 dos quais condenados em julgamento e 2538 a cumprir penas médias de dois anos e dez meses de prisão por acusações denominadas no Código Penal como “pré-criminais”, ou seja, sem crime.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Uns milhões a voar pela janela.

A análise dos dados torna perceptível o motivo pelo qual o nível de água nas barragens está abaixo do normal: foi preciso produzir mais electricidade hídrica por causa do fecho das centrais a carvão.

Nas últimas semanas o país ficou a perceber que as generalidade das barragens, de norte a sul, se encontravam com a capacidade de armazenamento a um nível anormalmente baixo.

A explicação mais imediata, mas eventualmente não a mais correcta, seria que tudo se ficaria a dever à falta de chuva. Naturalmente que após a uma consulta dos dados históricos da meteorologia facilmente se fica a perceber que, apesar de um nível de pluviosidade ser inferior ao normal, esta redução não é particularmente significativa e se revela como incapaz de explicar a falta de água nas barragens.

Uma análise dos dados fornecidos pela REN e relativos ao balanço energético do Sistema Eléctrico Nacional, permite encontrar a principal explicação para este fenómeno e que se relaciona com a relativamente elevada produção de energia hídrica, nos últimos quatro meses de 2021. Esta apresenta sempre uma contribuição mensal que oscila 10,8%, para o mês de Setembro, e 16,9%, no mês de Dezembro.

Uma análise, mais detalhada e alongada no tempo, permite igualmente compreender que com a ausência da produção de energia vinda das antigas centrais a carvão do Pêgo e de Sines, o sistema ficou claramente deficitário, sendo necessário recorrer à quase totalidade da potência disponível das centrais de ciclo combinado a gás natural, à importação de electricidade e finalmente à disponibilidade hídrica (água das barragens). Fica assim absolutamente perceptível o motivo pelo qual o nível de água nas barragens é bastante abaixo do normal. Há necessidade de produzir electricidade.

É de igual destaque o saldo importador de energia eléctrica, em que após longos anos de neutralidade se transformou deficitariamente com a importação de electricidade de espanhola, cuja incorporação variou, no período anteriormente referido, entre 8,3% e 21,9% da totalidade do consumo.

Trata-se de uma situação para a qual diversos especialistas já tinham alertado, pois o encerramento precipitado das centrais a carvão (aproximadamente 2 GW) poderia tornar Portugal num país deficitário em termos de energia eléctrica. O ano de 2024 foi sendo sempre apontado como o ano a partir do qual faria sentido abdicar da incorporação do carvão, uma vez que nessa data o conjunto das três barragens do Tâmega (cerca de 1GW), pertencentes à Iberdrola, entraria em produção máxima, e ao que ainda se iriam somar as muitas centrais solares, ainda em construção. Tudo isto permitiria colmatar a ausência do carvão e realmente permitiria concretizar uma transição energética justa e sustentada.

Talvez o aspecto mais irónico, nesta completa ausência de percepção estratégica, relaciona-se com o facto de Espanha, apesar de ter centrais a carvão de eficiência muito inferior às portuguesas, ainda não as ter encerrado, servindo agora o sistema eléctrico português, que assim se encontra altamente dependente do carvão espanhol. Aliás esta situação foi alvo de um artigo do jornal espanhol ABC em 9 de Janeiro de 2022.

Neste momento Portugal vive uma dependência energética, ao nível de electricidade, como já não ocorria há décadas, um dependência que com a ausência das comentadas interligações de electricidade com França e Marrocos deixa Portugal numa situação estratégica de vulnerabilidade.

Mas a gravidade da situação não se limita à dependência estratégica externa, revela-se de um modo ainda mais severo quando se transforma a importação de electricidade espanhola em unidades monetárias. Pelo que multiplicando a energia importada pelo valor médio mensal de transacção no mercado grossista, ficamos a perceber que só nos últimos quatro meses de 2021 o saldo importador implicou que Portugal importasse, de Espanha, mais de 500 milhões de euros em electricidade, situação que claramente poderia ter sido evitada.

Pode-se dizer que a economia portuguesa apenas está a atirar dinheiro pela janela. Mas este hábito nacional, de atirar coisas pela janela, não é recente. Já Fernão Lopes, na crónica de D. João I, expõe como, em 1383, o Conde Andeiro é morto e o Bispo de Lisboa é atirado da torre da Sé abaixo. Situação semelhante ocorreu em 1 de Dezembro de 1640, quando o primeiro-ministro de então, Miguel de Vasconcelos, que governava em nome de Filipe III, é morto e o corpo arremessado da janela do Paço Real de Lisboa para o Terreiro do Paço.

Felizmente já não se atiram traidores ao reino pela janela, mas esta moda, do século XXI, de atirar dinheiro pela janela, também não será a mais desejável.

Mário Guedes

Engenheiro, antigo director-geral de Energia e Geologia

Observador

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

As explicações estrambólicas da geringonça.

Vítor Rainho

Os partidos que sustentaram a geringonça estão tão desorientados que ainda andam à procura da porta que diz saída, pois continuam em negação. Bem podem falar nas sondagens, no discurso de Costa a pedir uma maioria absoluta, no Chega, nos gatos e nos cães. Estão em negação e não perceberam ainda que as justificações e a pesporrência que demonstram, com o seu ar de superioridade moral, é que foram fatais. Mostraram e mostram a sua radicalidade e não conseguem entender que os portugueses, felizmente, na sua maioria não querem radicalismos.

É certo que alguns votam no BE, no PCP ou no Chega, mas a maioria disse claramente que quer tranquilidade. Só que as declarações das principais figuras do BE demonstram que o mundo está contra elas, e não elas contra o mundo. O olhar quase de ódio em relação aos seus oponentes faz lembrar, e muito, o guru do partido, Francisco Louçã. A coisa está tão engraçada que até Boaventura Sousa Santos já vem atacar a liderança do partido. Já o PCP mantém-se igual a si próprio, fazendo lembrar o célebre filme de Woody Allen, Os Dias da Rádio, onde um jogador de beisebol perde uma perna mas continua a jogar. Depois, após um acidente, fica sem um braço mas mantém-se firme e hirto no seu posto. Mesmo perdendo a visão, o homem continua em campo. Assim é o Partido Comunista Português e, por isso, Jerónimo de Sousa deverá manter-se no cargo. Se a luta antifascista do PCP fez todo o sentido, quase tudo o que fizeram a seguir demonstra que o seu modelo se aproxima de uma ditadura, onde a liberdade individual tem de ser sacrificada pela colectiva. Isto é: a democracia, pare eles, é uma aberração. Não quero dizer com isto que o PCP não faça falta ao país – é óbvio que muitos trabalhadores lhes devem muitas conquistas. Mas se algum dia conquistarem o poder, é melhor os democratas fugirem. E o BE é a mesma coisa. E, para que não fiquem dúvidas, o Chega, no campo oposto, também quer o mesmo. Submeter os outros à sua vontade. A verdade, por muito que doa aos radicais, é que o povo votou e escolheu o líder. E cada pessoa representou um voto, independentemente das sondagens, dos gatos, dos periquitos e da estratégia de António Costa. Que foi brilhante, atendendo aos resultados. Só isso.

Inevitável

Que Eduardo Cabrita para o novo governo?

Os governos precisam de um membro que fique responsável por, de tempos a tempos, praticar uma idiotice que faça os eleitores pensarem:

Olha, afinal aquela ministra não é uma abécula assim tão grande.


Depois das legislativas, fico sempre impaciente à espera que o primeiro-ministro anuncie a composição do novo governo. É uma espécie de pré-época do futebol, quando chegam as novas contratações. Virá um novo avançado para apuparmos sempre que falhar um golo à boca da baliza? E um guarda-redes que se vai revelar especialmente frangueiro nos jogos contra os rivais? E o médio defensivo que só dá pau, fica na equipa e é promovido a capitão? E quantas mais analogias entre elenco governativo e plantel de futebol se conseguem fazer antes de maçar? Nenhuma? Certo.

Dentro de duas semanas vamos saber quem é que António Costa escolheu para o acompanhar no XXIIIº Governo Constitucional. Até lá, é natural que jornalistas e comentadores avancem com palpites. Analistas mais focados na questão política tentam perceber que papel está reservado para os quatro herdeiros de António Costa. Mariana Vieira da Silva sai reforçada com um super-ministério? Pedro Nuno Santos mantém-se a tratar da TAP? Fernando Medina e Ana Catarina Mendes recebem pastas fáceis ou vão ser mesmo obrigados a trabalhar?

Outros, mais interessados na gestão do PRR, procuram adivinhar quem será o Ministro da Economia. Siza Vieira fica ou é substituído por um esbanjador ligado ao partido? Para distribuir dinheiro não convém ter lá um independente. E há quem tente adivinhar que militantes com relações familiares entre si é que se sentarão no próximo Conselho de Ministros.

A mim, nada disto interessa. Borrifo-me nas guerras internas do PS, no nepotismo e na economia. Tudo é secundário face à minha única preocupação: quem é que vai ser o Eduardo Cabrita deste Governo? Quem é que vai ser o ministro com a pasta da inimputabilidade? Todos os governos precisam de um membro que fique responsável por, de tempos a tempos, praticar uma idiotice que faça os eleitores pensarem: “Olha, afinal aquela ministra não é uma abécula assim tão grande. Repara no Cabrita”. No fundo, alguém que desvie as atenções dos colegas e concentre em si toda a infâmia da estupidez governativa. Um pária-raios. Não é fácil, atenção. É preciso um talento especial para acertar o timing das intervenções ofensivas, assim como é preciso ter uma vigorosa resistência ao ridículo e uma desfaçatez olímpica para encarar câmaras e microfones com à-vontade e sem vergonha. Ao longo de seis anos, Eduardo Cabrita soube ser um estupendo Eduardo Cabrita de dois governos. Quer embirrando com os GNR que o protegiam, mas que lhe incomodavam o cão; quer atrapalhando-se com as golas anti-fumo; quer garantindo que Marcelo só era Presidente porque ele tinha impedido incêndios trágicos; quer espalhando-se ao comprido no homicídio do cidadão ucraniano; quer na invasão do Zmar; quer na forma como geriu o caso do atropelamento na auto-estrada, procurando culpar o morto, tudo para se eximir a responsabilidades. Mesmo agora, depois de ter saído do Governo, Eduardo Cabrita continua a eduardocabritar com mestria: descobriu-se que mentiu no Parlamento.

Por coincidência, o mesmo Parlamento onde o primeiro-ministro garantiu que ele era um “excelente ministro”.

António Costa precisa de um Eduardo Cabrita que proteja o seu governo. Mas quem poderá desempenhar esse papel? Quem reúne em si os atributos para ocupar um cargo tão importante? Ainda é cedo para dizer, mas nos últimos dias foram lançadas algumas candidaturas oficiosas. Até agora, a mais sólida é a de João Pedro Matos Fernandes, que, parece-me, tem todas as condições para se tornar num bem sucedido Eduardo Cabrita. No momento em que enfrentamos uma seca e temos das electricidades mais caras da Europa, a decisão de Portugal adiantar o encerramento das centrais a carvão está a revelar-se desastrosa. O fecho prematuro deveu-se a querer mostrar à Europa que somos bons meninos a combater o aquecimento global, numa espécie de “ir além da troika” ambiental. Não interessa que, dada a nossa escala, até podíamos todos parar de respirar, deixando de emitir qualquer CO2, que o efeito na concentração de gases de efeito de estufa seria sempre residual, principalmente enquanto os países que mais emitem, como a China e a Índia, continuam a construir centrais de carvão novas. Entretanto, como não temos capacidade produtiva, somos obrigados a recorrer à produção hidroeléctrica das barragens (por isso é que estão perigosamente baixas) e à importação de electricidade de Espanha. Que, curiosamente, é produzida a partir de carvão. Logo, emite o mesmo CO2 que nós orgulhosamente execramos. Matos Fernandes responde a isto com típica prosápia eduardocabrítica. Como Cabrita, alia a arrogância, a inépcia, o ar de quem apanhou calduços na escola e agora se vai vingar dos antigos colegas, e a tendência para andar em excesso de velocidade e responsabilizar o motorista. É o meu candidato. Espero que António Costa o tenha em conta na hora de nomear o governo. E espero que os portugueses não tenham seguido o conselho que o ministro do Ambiente deu há uns anos, quando sugeriu aos mais pobres que, se quisessem electricidade mais barata, deviam contratar a potência mais baixa. Se o tiverem feito, não conseguem manter o frigorífico e a televisão ligados ao mesmo tempo, o que significa que vão perder as performances do novo Eduardo Cabrita nos telejornais.

08 fev 2022, José Diogo Quintela, ‘Observador’

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

BICAMPEÕES DA EUROPA DE FUTSAL

“É um grupo fantástico, que faz, com união, garra, dedicação, talento e uma capacidade psíquica fora do normal, que tenhamos a felicidade de assistir a vitórias fantásticas.”

Fernando Gomes - Presidente da FPF


“Estou muito orgulhoso pelo sentimento desta família que é a selecção, por servir de inspiração, de ser um bom exemplo de lutar pelas coisas, de valorizar o que é português.”

Jorge Braz - Seleccionador de Portugal

COMO COSTA ME PEDIU PARA SER VIGIADOR-GERAL DA MAIORIA, E COMO COMBINÁMOS AS COISAS.

ESTA MAIORIA VAI DESMENTIR TUDO O QUE AS OUTRAS MAIORIAS ABSOLUTAS FORAM. NÃO HAVERÁ JOBS NEM BOYS. EU ESTOU CÁ PARA VASCULHAR TUDO.


Logo após ter ganho as eleições com maioria absoluta, António Costa telefonou-me. Eh pá, disse ele, ‘vamoláver’, eu preciso de ter aqui uma maioria que seja um brinquinho. Não há lugar para amigos, nem nomeações de favor, nem vantagens para quem for do PS, nem nada disso. Portanto, quero que aceites o lugar de vigiador-geral da maioria absoluta (VIGAM), de modo que todos os processos corram ordenadamente e sem favoritismos, nepotismos, caciquismos e essas coisas que minam a democracia.

Eu, como é evidente, sempre fui um grande apoiante de Costa, como, aliás, o país todo, desde os mais recônditos lugares, aos mais selectos bairros das grandes cidades. Por isso, não tinha como recusar aquele convite tão honroso. Após reflectir cerca de cinco segundos e meio disse-lhe que sim.

Ultrapassada esta parte do convite e da sua aceitação, sempre a mais difícil, veio o aspecto mais fácil para dois homens desprendidos que não ligam ao dinheiro e às honrarias, pois apenas querem servir o bem público.

Aliás, Costa insistiu muito no ponto de que o cargo de VIGAM seria totalmente a bem do Estado e do espírito de serviço e de desenvoltura que o caracterizam. Ambos concordámos que só dessa forma se podia encarar um VIGAM que assentasse nos alicerces de uma sólida democracia consolidada. Naturalmente, e embora fosse algo que não me preocupasse nem me interessasse muito, tive de falar dos meus honorários e condições de trabalho. Costa propôs:

— Acho que deve ser o que ganha um regulador! E eu perguntei quanto ganha um regulador, mas Costa não sabia ao certo. Combinámos uma coisa assim entre os 12 e os 20 mil euros mensais. Ainda alvitrei que o intervalo me parecia muito grande, que seria melhor ser entre os 18 e os 20 mil euros, mas Costa lembrou-me das contas certas com que se tinha comprometido, e deu-me a estocada final com esta frase:

— Havia sondagens que tinham intervalos maiores!

Assim sendo, concordei com os termos salariais — mais de 12 mil, menos de 20 mil — mas ainda havia muito a discutir. Por exemplo: o gabinete, os assessores, o chefe de gabinete, os adjuntos, o motorista, etc..

Costa achou justo. Afinal, o VIGAM tem de ter os seus vigários, os seus ajudantes, substitutos e ainda pessoal menor. Não faz sentido o VIGAM deslocar-se sem ter um carro jeitoso e um motorista experiente. E esta era a parte mais difícil de concretizar.

Para chefe de gabinete, disse eu, preciso de alguém da minha inteira confiança! Alguém que não me contradiga, nem me traia. Assim como os teus chefes de gabinete, estás a ver? Costa concordou e perguntou-me em quem estava a pensar. Falei-lhe em várias pessoas, como o Fernando Medina, mas este já tinha destino; o filho de António Costa, mas faz falta na Junta onde é presidente; até que optei por um sobrinho meu, coisa que Costa elogiou, dizendo que não devíamos ter medo de nomear os mais competentes, e que os nossos familiares não podiam sofrer pelo facto de serem nossos familiares. Concordei imediatamente. E assim ainda pus uma prima e um amigo como assessores, além de uma cunhada do meu genro como secretária.

O gabinete do VIGAM, bem como o respectivo organograma estava a tomar forma e nós, à medida que a coisa progredia, ficámos ambos contentes. Porém, em boa hora me lembrei:

— Falta um motorista, ou melhor dois, por causa das horas extraordinárias!

— Sim — assentou António Costa — e um motorista é dos cargos mais importantes num gabinete; são pessoas que sabem os nossos segredos e transportam os nossos corpos. Digamos que têm de ser responsáveis pelo nosso corpo e pela nossa alma. Concordei com aquela brilhante reflexão do primeiro-ministro e pus-me a pensar em pessoas a quem podia confiar corpo e alma… Não é fácil, até porque no geral não se confiam as duas coisas numa só pessoa. Já o capitão da “Nau Catrineta” dizia — e bem — ao ver-se tentado pelo diabo: “A alma dou-a a Deus e o corpo dou-o ao mar.”

Veio-me à ideia João Perna, mas desisti dele por estar envolvido no caso daquele que Costa não gosta que pronunciemos o nome. De resto, não me ocorria mais ninguém. Até que Costa alvitrou: “E o motorista do Cabrita?”

Boa!, respondi-lhe, um tipo rápido e seguro. Está feito. Este gabinete de 24 pessoas do VIGAM não deixará passar nada em claro!


COMENDADOR MARQUES DE CORREIA

Como saber se meu prédio não está preparado para um incêndio? Exemplo americano.

Conversamos com um especialista sobre como os moradores podem ficar de olho em seus prédios e garantir que suas casas estejam seguras e de acordo com o código.

P: O recente trágico incêndio no Bronx deixou muitos nova-iorquinos perguntando-se sobre a segurança contra incêndio nos seus próprios edifícios. Quais medidas de segurança devem estar em vigor num prédio de apartamentos e como os moradores se certificam de que os seus possuem?

R: Os nova-iorquinos ficaram com o coração partido no mês passado quando souberam do incêndio num prédio de apartamentos no Bronx que deixou 17 mortos, incluindo oito crianças. Muitos também ficaram com medo. A tragédia, causada por um aquecedor defeituoso e agravada pelo mau funcionamento das portas corta-fogo, expôs os riscos de uma manutenção precária do prédio.

Conversamos com Jim Bullock, vice-chefe aposentado do Corpo de Bombeiros da cidade de Nova York e presidente da New York Fire Consultants , sobre como os moradores podem ficar de olho nos seus próprios edifícios e garantir que as suas casas estejam seguras e de acordo com o código.


SINALIZAÇÃO: O conselho de proprietário, co-op ou condomínio deve fornecer a você um guia de preparação para emergências , com detalhes descrevendo a construção do edifício, sistemas de protecção contra incêndio e outros detalhes de segurança. Proprietários de prédios com pelo menos três unidades são obrigados a distribuir as guias para todos os moradores e a afixar planos de saída de incêndio no lado interno de cada porta de entrada de apartamento e nas áreas comuns.

Esta informação irá dizer-lhe se o seu edifício é ou não à prova de fogo . "Isso determina exactamente o que fazer num incêndio", disse Bullock.

Em um prédio à prova de fogo, o conteúdo de um apartamento queima, mas, por várias horas, a estrutura não. Se um edifício é combustível, o fogo pode passar rapidamente de um apartamento para outro. Moradores de prédios à prova de fogo devem se abrigar no local, desde que o fogo não seja dentro de seu apartamento. Aqueles que vivem em apartamentos combustíveis devem evacuar imediatamente.

Todos os apartamentos devem ter duas saídas - a porta da frente e uma alternativa, como uma escada de incêndio ou uma escada interna. Esteja familiarizado com essas rotas.


PORTAS DE INCÊNDIO: Todos os edifícios da cidade de Nova York com três ou mais apartamentos devem ter portas dianteiras de fechamento automático . Teste o seu periodicamente. Abra a porta cerca de um terço do caminho e solte. Se a porta não fechar e travar completamente, ela precisa ser limpa, reparada ou substituída. Diga ao seu superintendente e ao proprietário para resolver o problema imediatamente. Se eles não responderem, ligue para 311 e informe as condições.

As portas do corredor e de saída também devem ser de fechamento automático e ter placas lembrando os moradores de mantê-las fechadas.


DETECTORES DE FUMO: Os proprietários de edifícios devem fornecer aos inquilinos detectores de fumo e monóxido de carbono em funcionamento . Mas os inquilinos devem mantê-los, verificando-os mensalmente e substituindo as baterias duas vezes por ano. Nunca pinte sobre um detector.


SAÍDAS DE INCÊNDIO: As saídas de incêndio devem estar livres de obstruções. Verifique o estado do seu periodicamente. "Não deve estar enferrujado", disse Bullock. “Se estiver enferrujado, deve ser pintado com duas demãos de tinta.” Relate quaisquer condições preocupantes à gerência, que deve mantê-las em boas condições de funcionamento.

CORREDORES: Ninguém pode guardar bicicletas ou carrinhos de bebé nos corredores. Mobiliário incidental , como uma pequena mesa de console ou um balde para guarda-chuva, é permitido.

RISCOS COMUNS: O seu senhorio deve fornecer-lhe aquecimento durante a estação do calor , de Outubro a Maio. Se o seu apartamento estiver muito frio, informe a condição ao 311. Se você usar um aquecedor de ambiente, mantenha-o a um metro de qualquer material inflamável, certifique-se de que ele tenha um recurso de desligamento automático e verifique se há sinais de danos no cabo. Nunca deixe velas ou incensos sem vigilância. E nunca use um forno ou fogão para aquecer.

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Detectores de fumo e monóxido de carbono

A lei da cidade de Nova York exige a instalação e manutenção de detectores de fumo e detectores de monóxido de carbono. Tanto os proprietários quanto os inquilinos têm a responsabilidade de garantir que todos os nova-iorquinos permaneçam seguros em suas casas contra os perigos de incêndio e envenenamento por monóxido de carbono (o monóxido de carbono é um gás inodoro e altamente tóxico).


Responsabilidades do Locatário

Os inquilinos são responsáveis ​​pela manutenção de ambos os dispositivos:

•Teste todos os detectores de monóxido de carbono e fumo pelo menos uma vez por mês.

•Substitua as baterias (somente do tipo recomendado) nos detectores de monóxido de carbono e fumo pelo menos duas vezes por ano.

•Ouça o som do alarme quando a bateria estiver fraca e substitua a bateria imediatamente.

•Nunca pinte sobre detectores.

Os inquilinos são responsáveis ​​por substituir um detector que tenha sido roubado, removido, perdido ou inoperável durante a ocupação:

•Os inquilinos que vivem em um edifício Classe A (ocupação permanente) devem reembolsar o proprietário do edifício $ 25 para cada detector de fumo e cada detector de monóxido de carbono, ou $ 50 para cada detector conjunto de fumaça/monóxido de carbono que é recém-instalado ou instalado como resultado da ocupação do ocupante. falha na manutenção do detector, ou onde o detector foi perdido ou danificado pelo ocupante. O ocupante tem um ano a partir da data de instalação para efectuar o pagamento.

•Os inquilinos que vivem em edifícios de classe B (uso transitório) não são obrigados a reembolsar os proprietários de qualquer dos dispositivos.

•Os inquilinos de residências particulares (1-2 residências familiares) devem reembolsar o proprietário do edifício $ 25 por cada detector de monóxido de carbono recém-instalado ou instalado como resultado da falha do ocupante em manter o detector, ou onde o detector foi perdido ou danificado por o ocupante. O ocupante tem um ano a partir da data de instalação para efectuar o pagamento.


Requisitos do proprietário

Os proprietários residenciais são obrigados a garantir que os inquilinos recebam detectores de monóxido de carbono e de fumo.

Os proprietários de todas as habitações múltiplas (Habitações Múltiplas Classe A e Classe B) e residências unifamiliares e bifamiliares (não ocupadas pelo proprietário) são obrigados a:

•Fornecer e instalar pelo menos um detector de monóxido de carbono e fumaça aprovado e operacional dentro de cada unidade habitacional.◦Nas Residências Múltiplas Classe A, instale pelo menos um detector a menos de 4,5 metros da entrada principal de cada quarto usado legalmente para dormir.

◦Em Residências Classe B, instale pelo menos um detector dentro de cada unidade residencial ou um sistema de detecção de monóxido de carbono e fumaça por zona operado por linha em toda a residência múltipla, de acordo com as regras e regulamentos promulgados pelo Departamento de Edifícios da Cidade de Nova York.

◦Em residências unifamiliares e bifamiliares (unidades não ocupadas pelo proprietário), pelo menos um detector aprovado e operacional dentro de cada unidade habitacional, incluindo pelo menos um detector de monóxido de carbono a menos de quatro metros e meio da entrada principal de cada quarto legalmente usado para dormir .

•Substitua qualquer detector de monóxido de carbono e de fumaça periodicamente após o término de sua vida útil ou quando tiver sido roubado, removido, estiver ausente ou inoperante antes que um novo inquilino se mude se o inquilino anterior não o tiver substituído.◦Em Residências Múltiplas Classe A, substitua qualquer detector dentro de 30 dias se ele se tornar inoperante dentro de um ano após a instalação devido a um defeito e não por culpa do ocupante.

•Certifique-se de que o alarme de monóxido de carbono instalado esteja equipado com um alarme de fim de vida útil.

•Quando um detector de monóxido de carbono for instalado, notifique pelo menos um ocupante adulto de cada unidade residencial sobre o teste e a manutenção do detector, incluindo informações gerais sobre envenenamento por monóxido de carbono e o que fazer se um alarme disparar, que o monóxido de carbono os detectores têm uma limitação de vida útil, e que o proprietário tem o dever de substituir tais alarmes ao término de tal vida útil.

•Publique avisos sobre monóxido de carbono (somente residências múltiplas classe A e residências unifamiliares e bifamiliares) e detectores de fumaça (somente residências múltiplas classe A). Um Aviso Combinado para detectores de fumaça/detectores de monóxido de carbono e aviso de vazamento de gás pode ser usado. A Seção 12-12.1 do Capítulo 12 das Regras da Cidade de Nova York descreve as condições sob as quais um aviso combinado pode ser usado.

•Manter e fornecer, mediante solicitação, registros relativos à instalação e manutenção de:◦Detectores de fumaça (fornecer ao HPD): Os requisitos de manutenção de registros estão contidos nas Seções 12-01 e 12-03 do Título 28 das Regras da Cidade de Nova York (excluindo residências unifamiliares e bifamiliares).

◦Detectores de monóxido de carbono (fornecidos para HPD, DOB, DOHMH ou FDNY). Os requisitos de manutenção de registros estão contidos nas Seções 12-06 e 12-09 do Capítulo 12 do Título 28 das Regras da Cidade de Nova York.

◦Nunca pinte sobre detectores

sábado, 5 de fevereiro de 2022

O PS é um desastre que os portugueses aplaudem.

Não é voto útil: é voto convicto. Aos poucos, o PS tornou-se na entidade paternal – observem o espantoso trocadilho – dos pobres, de bolso e de espírito, que não se cansa de criar.

Um carro despista-se na estrada, capota cinco vezes e termina reduzido às dimensões de uma bolsa da Hermès. Inesperadamente, o ocupante sai da bolsa, pelo próprio pé e intacto. A brigada de trânsito, que chegara entretanto, desatou a aplaudir. Depois, passou a inquirir o homem acerca dos méritos da sua condução: “Fantástico! O senhor automobilista estraçalhou o veículo com elevada precisão e saiu ileso. Que proeza admirável! Relate-nos, por favor e em detalhe, qual o método que utilizou no desenvolvimento de tão magnífico desastre”.

Lembrei-me desta história, que inventei agora, ao contemplar as análises babadas ao êxito da campanha do PS e à sua influência nos resultados do último Domingo. A campanha consistiu em: 1) o dr. Costa ser arrasado em debates, incluindo pelo infeliz dr. Rio; 2) o dr. Costa variar de opinião sobre objectivos e alianças três ocasiões por dia, ao sabor de sondagens esquizofrénicas; 3) o dr. Costa atribuir aos adversários propostas e propósitos falsos para depois criticá-los sem grande convicção. Em suma, a campanha foi um desastre, do qual o dr. Costa escapou com maioria absoluta. O dr. Costa não ganhou as “legislativas” graças à campanha, mas apesar dela. E o mesmo se aplica à governação.

Do nepotismo à inépcia, da corrupção à prepotência, nenhuma das conhecidas virtudes do PS parece incomodar o bom povo, ou uma parte suficiente do povo capaz de decidir eleições. Eis o ponto: entre aposentados, funcionários públicos e, reza a estatística, sujeitos com défice de literacia, o PS arregimentou a quantidade de gente suficiente para lhe garantir sucessivas vitórias nas urnas. Uns, habituados à penúria, agradecem os 10 euros que lhes adicionam directamente à reforma, e as lágrimas de felicidade não os deixam ver os 30 removidos por vias indirectas. Outros existem em rigorosa dependência da máquina socialista que tomou conta do Estado, pelo que não estão para arriscar perturbações. E os terceiros não carecem de justificação para engolir a demagogia que se tornou língua franca. A todos há que somar os respectivos familiares, que partilham a abundância.

Pobretes, mas alegretes: se o prof. Salazar se tivesse exposto ao voto popular, sairia provavelmente vencedor à conta desta exacta mistura de resistência à mudança e culto do atraso de vida. Toda a gente sabe que um quarto de século de governos PS nos empurrou para os fundilhos da Europa. Ninguém, ou quase ninguém, quer saber. Ninguém, ou quase ninguém, ambiciona os altos salários da Irlanda ou os baixos impostos da Estónia. Ninguém, ou quase ninguém, inveja a dinâmica empresarial dos EUA ou o escrutínio político da Dinamarca. Isso é muito bonito, mas não compensa o sossego em que repousa o nosso querido país – um digno esforço de legitimação de quem julga que a riqueza e a autonomia dos cidadãos implicam insurreições diárias, cadáveres a apodrecer nas ruas e, pior, cafezinho, vinhinho e bacalhauzinho bastante inferiores aos daqui. Mais a TAP, o SNS e a RTP, de longe os melhores do mundo.

É extraordinário impor e manter estes padrões de alienação e clausura mentais numa época saturada de informação. O PS e, em particular, o PS do dr. Costa conseguiram-no, e a subjugação bolivariana dos noticiários não esgota as explicações. Uma maioria – eleitoral e “absoluta” – de portugueses está de facto convencida da sorte que tem em ser guiada por uma personalidade sem paralelo nem vergonha. Lá fora, as trevas. Cá dentro, a luz, merecidamente das mais caras da Europa. Na luz, na água, na gasolina e no que calha pagamos imenso para desfrutar de uma maravilha que não tem preço (ai tem, tem): um Estado ilimitado, inviável e inútil. O Estado não nos serve de nada, nós servimos-lhe tudo. E agradecemos de seguida.

Perante isto, não admira que o eleitorado dos partidos comunistas tenha corrido para abraçar o PS. O PS, que em tempos imemoriais combateu o comunismo, hoje assumiu os seus princípios, apenas mitigados pela “Europa” e pelos dinheiros da “Europa”. Para quê desperdiçar uma cruzinha no PCP ou no BE se, de chofre, se pode entregar o poder a um partido estatista, que estrangula a economia, fuzila as liberdades e de brinde garante que, fora da nomenklatura, as pessoas ficam condenadas a uma subsistência medíocre e dócil? Não é voto útil: é voto convicto. Aos poucos, o PS tornou-se na entidade paternal – observem o espantoso trocadilho – dos pobres, de bolso e de espírito, que não se cansa de criar.

No acidente que referi acima, faltou dizer que o carro transportava passageiros. E que, antes de morrerem nos destroços, todos gritaram “vivas!” ao habilidoso condutor.

Alberto Gonçalves

https://observador.pt/opiniao/o-ps-e-um-desastre-que-os-portugueses-aplaudem/