quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Somos uns ‘nhonhas’ (excluo os israelitas)

O meu significado de NHONHA:

Sem saber porquê usamos palavras que simplesmente 'não existem' ou que têm um significado, nos dicionários, que não tem nada a ver com aquele que lhe damos (e que, verdadeiramente, não sabemos porquê).

No meu caso específico, identifico neste momento uma que uso muitas vezes (sempre que quero adjectivar alguém que não impressiona ninguém, não assume posições firmes e que pode ser comparado a um 'coitadito'…enfim, 'delicadamente', um 'Pusilânime').

Depois da eliminação do 'pai natal' (já em curso nalguns países) seguir-se-à a do 'menino Jesus' (por ofender as crianças muçulmanas que estejam a ser educadas - pelos estados muçulmanos e/ou suas famílias - para seguirem a nobre profissão de terroristas e assassinos de cristãos e de não-muçulmanos). 

 

A F P

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Até quando vamos admitir o inadmissível?

Jérémy Silvares Jerónimo

Observador – 24.12.2025


Antes de mais, desejo um Feliz e Santo Natal a todos os leitores e colaboradores do Observador.

Dito isto, pergunto-vos: até quando iremos nós, ocidentais, admitir o inadmissível? Tinha 17 anos quando me fiz essa pergunta pela primeira vez. Foi no contexto dos motins de 2005 em França, quando dezenas de milhares de jovens estrangeiros, ou filhos e netos de estrangeiros, amotinaram-se. Queimaram carros, caixotes do lixo e todo o tipo de mobiliário urbano; incendiaram escolas e bibliotecas; lançaram pedras e foguetes contra a polícia; queimaram bandeiras francesas, aos gritos de «nique la France». Nesse mesmo ano ocorreram os atentados de Londres; no ano anterior, os de Madrid; e, quatro anos antes, o 11 de Setembro.

A mesma pergunta voltou a assolar-me em 2015, quando, após dez anos de relativa acalmia, os islamistas voltaram a massacrar inocentes — primeiro no jornal Charlie Hebdo, depois no Bataclan (mais de 300 mortos ao todo). E mais uma vez em 2016, quando milhares de jovens alemãs foram abusadas e agredidas sexualmente por refugiados, alguns chegados havia apenas poucos dias. E novamente em 2016, quando um padre de 80 anos foi decapitado por dois muçulmanos, ao grito de «Allahu Akbar». E ainda mais uma vez, nesse mesmo ano, quando um muçulmano radicalizado atropelou mais de 80 pessoas em Nice, no Passeio dos Ingleses. Ou quando um terrorista islamista atropelou várias pessoas na Suécia, em 2017, utilizando um camião.

Mais uma vez, a mesma pergunta atingiu-me como um relâmpago quando, em 2020, um professor francês, Samuel Paty, foi decapitado por um islamista checheno — depois de uma aluna muçulmana ter denunciado ao pai que o professor mostrara caricaturas do profeta Maomé na sala de aula, quando ela nem sequer lá estava. Ou em 2023, quando outro professor, Dominique Bernard, foi esfaqueado até à morte por mais um islamista. São tantas as vezes que me pergunto «até quando?», que já lhes perdi a conta.

Desta vez, não foi nem na Europa nem nos Estados Unidos, mas na Austrália. Mais uma vez, terroristas muçulmanos decidiram que pessoas inocentes não mereciam viver simplesmente por não partilharem da mesma religião. Por serem infiéis. Por não se submeterem. Por não aceitarem o estatuto de dhimmi. Por simplesmente existirem e serem diferentes, foram massacrados. Desta vez, o crime — aos olhos dos terroristas — daquelas pessoas que festejavam na praia era múltiplo: eram ocidentais; eram infiéis; e, ainda por cima, judeus. Nas caixas de comentários online nos jornais ingleses, alemães, franceses ou portugueses, várias pessoas quase justificavam o atentado, afirmando que o verdadeiro culpado era o primeiro-ministro de Israel. Que o primeiro-ministro de Israel seja responsável, segundo certas investigações, por crimes de guerra, é uma coisa. Mas aquelas pessoas na praia nada tinham a ver com o governo israelita nem com as suas forças armadas.

É estranho constatar que, quando há atentados cometidos por muçulmanos, essas mesmas pessoas afirmam que é preciso ter cuidado com as amálgamas e que a maioria dos muçulmanos não é terrorista. Têm razão: a maioria dos muçulmanos não é terrorista. Tal como a grande maioria dos estrangeiros não é criminosa — são, de facto, amálgamas erradas. Contudo, os mesmos que se indignam com as supostas amálgamas da direita não têm qualquer problema em amalgamar as vítimas judaicas com as acções do exército israelita em Gaza. Ou seja, para algumas pessoas – que se afirmam de certas correntes da esquerda – é errado amalgamar terroristas com muçulmanos (e volto a dizê-lo: têm razão), mas exige-se, pelo contrário, que admitamos a amálgama contrária, a de que qualquer judeu seria culpado de possíveis exacções das forças armadas israelitas, mesmo quando alguns dos judeus assassinados nunca sequer puseram os pés em Israel. Dois pesos, duas medidas.

Volto à minha pergunta inicial: até quando nós, ocidentais, cujos antepassados criaram as nações em que vivemos, vamos admitir o inadmissível? Até quando, nós ocidentais, vamos admitir que os nossos filhos possam ser esfaqueados por não professarem a religião que certos fanáticos gostariam que professassem? Até quando vamos admitir que as nossas filhas possam ser violadas por não aceitarem andar de burca? Até quando vamos admitir que os professores dos nossos filhos sejam decapitados? Que as nossas igrejas sejam profanadas, quando não incendiadas? Que os nossos carros e o mobiliário urbano das nossas cidades sejam queimados por «jovens de bairros desfavorecidos» — segundo a novilíngua inventada por certos sociólogos, tecnocratas carreiristas e jornalistas de esquerda — descontentes com um qualquer controlo policial? Até quando vamos admitir que certos bairros se tenham transformado em mini-nações onde impera a lei islâmica? Até quando vamos admitir que não possamos ir descansados a concertos, a festas, a eventos ou a mercados de Natal, com receio de que um carro «louco» — usando a narrativa dos meios de comunicação social — nos atropele a nós e a toda a nossa família? E até quando vamos admitir, nós, ocidentais nativos, que a nossa História, os nossos costumes, a nossa religião cristã e as nossas tradições mais importantes, como o Natal, sejam insultados, desprezados e humilhados, quando não pura e simplesmente proibidos, para não ferir susceptibilidades de comunidades estrangeiras?

De sinos silenciados a presépios proibidos em França; de cânticos de Natal proibidos sem prévia autorização camarária no Reino Unido — até quando? Até quando vamos admitir que certos jornalistas da extrema-esquerda nos insultem? Na semana passada, a rádio France Inter retirou um programa, após grande polémica, intitulado «As origens nazis dos mercados de Natal». Mais uma vez, certas amálgamas são autorizadas, se não vierem da direita. Até quando vamos admitir este tipo de insultos? Insultos, humilhações e proibições levados a cabo pelas mesmas elites artísticas, culturais, políticas que, supostamente, nos deveriam representar e defender. Até quando vamos aceitar que os nossos governos sejam incapazes de lutar eficazmente contra o crime, o tráfico de droga, o tráfico de pessoas, o terrorismo islamista, a violência dos antifas em manifestações ou os motins em bairros islamizados, mas que, ao mesmo tempo, esmaguem qualquer revolta dos ocidentais nativos com grande violência, mesmo quando essas revoltas sejam, no início, pacíficas? Até quando…?

Há sinais inequívocos de que os povos ocidentais estão saturados. Da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos — apoiado pela ala mais conservadora do Partido Republicano, mas também por intelectuais e figuras da direita radical americana — à vitória de Giorgia Meloni em Itália, passando pelos resultados de vários partidos classificados como de direita radical, anti-imigração e anti-wokismo. As manifestações que eclodiram no Reino Unido (110 mil a 500 mil pessoas nas ruas no dia 13 de Setembro), na Irlanda ou em Espanha, contra aquilo que as populações percepcionam como uma «invasão migratória» ou uma "violência de certos imigrantes", são sinais de que algo está a germinar. Mesmo a cada vez maior abstenção nas eleições são um sinal de que a confiança entre as massas e as elites está a desaparecer. Todos os grandes terramotos são precedidos de pequenas vibrações. Nenhuma revolução surge do nada: todas foram antecedidas por manifestações, protestos e revoltas menores.

Saturadas e desesperadas, as massas anseiam por líderes fortes. Mas quantas vezes não acabam enganadas por meros políticos profissionais, cujo único talento consiste em explorar esse desespero em benefício próprio? Como pode a população britânica aceitar que o seu governo tenha sido incapaz de proteger jovens inglesas escravizadas sexualmente por estrangeiros — que, em muitos casos, nem sequer foram condenados — e que, simultaneamente, a justiça condene cidadãos a dois ou três anos de prisão por comentários no Facebook, penas por vezes superiores às aplicadas a certos violadores pertencentes aos grooming gangs? E como pode a população francesa aceitar que o governo seja incapaz de combater eficazmente narcotraficantes estrangeiros; que tenha ordenado à polícia que não recorresse à força contra jovens que, durante os motins de 2023, incendiavam carros e atacavam agentes com foguetes e cocktails Molotov; mas que esse mesmo Estado não hesite em mobilizar blindados e helicópteros para abafar a revolta de agricultores franceses? Se quiserem compreender o que é a anarco-tirania, estes são, para mim, dos exemplos mais claros.

Infelizmente, como tantas vezes ao longo da História, quando os povos são governados por fracos, o colapso acaba por chegar — e as calamidades acumulam-se. Não dizia Camões, Que um fraco Rei faz fraca a forte gente. Como analisou, e bem, o historiador belga David Engels — conhecido por ter escrito um livro em que compara o colapso do Império Romano com o estado actual da União Europeia —, muitos europeus continuam a esperar que os líderes dos nossos Estados resolvam os problemas que as nossas nações enfrentam: a baixa natalidade dos europeus autóctones; a crise do imobiliário; a crise da identidade; a crise económica; a desindustrialização; a lenta agonia da agricultura, causada, em parte, por políticas concebidas por tecnocratas cinzentos nos gabinetes do Parlamento Europeu, em Bruxelas; a crise migratória; o aumento da insegurança (resultante, em parte, da crise migratória); o terrorismo islamista (idem); a crise ecológica; e todo o tipo de pressões e lobbying levados a cabo pelos Irmãos Muçulmanos, que já terão infiltrado instâncias europeias através de ONG pró-islamismo, como foi demonstrado pela investigadora Florence Bergeaud-Blackler.

Contudo, a cada dia que passa, a maioria dos cidadãos — sobretudo os mais jovens —, em várias nações ocidentais, começa a aperceber-se de que os nossos governos são incapazes de solucionar as múltiplas problemáticas com que somos confrontados, e muitos começam a duvidar de que este estado de coisas se possa prolongar por muito mais tempo. Os modelos estatais jacobinos estão esgotados: velhos, cansados e sem forças. Será tempo de pensarmos noutros modelos políticos que voltem a dar voz ao povo e, igualmente, de ponderarmos uma renovação das elites. Pois, quer queiramos quer não, a "super-estrutura", utilizando um termo marxista — isto é, o conjunto de pessoas que integra as instituições político-jurídicas (políticos profissionais, governantes, magistrados, juízes) e as instituições ideológicas (universitários, professores, membros dos meios de comunicação social, filósofos, escritores) — não só não demonstra capacidade para proteger o povo, como, em muitos casos, parece estar-se pouco a borrifar para o destino das massas populares.

Apenas os últimos europeus ainda se agarram ao ideal de um Estado‑Providência paternalista e o defendem a todo o custo contra os seus inimigos, tentando superar-se uns aos outros na apresentação de projectos de reforma. Porém, é um engano: o Estado já nos abandonou há muito tempo ao nosso destino, pois a maioria dos políticos que o dirige — graças aos nossos votos — não faz mais do que instrumentalizá‑lo para os seus próprios fins, sugando, dia após dia, cada vez mais a sua medula, a fim de adiar os grandes problemas sociais de hoje para amanhã.       
David Engels, Que faire ? Vivre avec le déclin de l'Europe, Blue Tiger Media, 2019@font-face {font-family:"Cambria Math"; panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:roman; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:-536869121 1107305727 33554432 0 415 0;}@font-face {font-family:Aptos; mso-font-alt:Aptos; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:536871559 3 0 0 415 0;}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-unhide:no; mso-style-qformat:yes; mso-style-parent:""; margin-top:0cm; margin-right:0cm; margin-bottom:8.0pt; margin-left:0cm; line-height:115%; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Aptos",sans-serif; mso-ascii-font-family:Aptos; mso-ascii-theme-font:minor-latin; mso-fareast-font-family:Aptos; mso-fareast-theme-font:minor-latin; mso-hansi-font-family:Aptos; mso-hansi-theme-font:minor-latin; mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; mso-bidi-theme-font:minor-bidi; mso-font-kerning:1.0pt; mso-ligatures:standardcontextual; mso-fareast-language:EN-US;}a:link, span.MsoHyperlink {mso-style-priority:99; color:#467886; mso-themecolor:hyperlink; text-decoration:underline; text-underline:single;}a:visited, span.MsoHyperlinkFollowed {mso-style-noshow:yes; mso-style-priority:99; color:#96607D; mso-themecolor:followedhyperlink; text-decoration:underline; text-underline:single;}.MsoChpDefault {mso-style-type:export-only; mso-default-props:yes; font-size:12.0pt; mso-ansi-font-size:12.0pt; mso-bidi-font-size:12.0pt; font-family:"Aptos",sans-serif; mso-ascii-font-family:Aptos; mso-ascii-theme-font:minor-latin; mso-fareast-font-family:Aptos; mso-fareast-theme-font:minor-latin; mso-hansi-font-family:Aptos; mso-hansi-theme-font:minor-latin; mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; mso-bidi-theme-font:minor-bidi; mso-font-kerning:1.0pt; mso-ligatures:standardcontextual; mso-fareast-language:EN-US;}.MsoPapDefault {mso-style-type:export-only; margin-bottom:8.0pt; line-height:115%;}div.WordSection1 {page:WordSection1;}

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

opinião: Um País, Dois Destinos

o Diabo, 12 de Dezembro de 2025 •

HEnrIquE nETO

Aproxima-se o dia 18 do próximo mês em que todos seremos chamados a escolher o novo Presidente da República para os próximos cinco anos.
Trata-se de uma grande responsabilidade, na medida em que Portugal não vai bem, com elevados números de pobreza, com os serviços públicos em crise e a não servir
com um mínimo de dignidade os cidadãos, quando sucessivos governos navegam à vista sem estratégia e sem planeamento, além da escolha de governantes sem a qualidade, a seriedade e a competência que seriam necessárias. Há naturalmente excepções, mas que não fazem a primavera.
Acresce que o crescimento de uma direita de protesto permite que um Presidente eleito sem as necessárias credenciais democráticas possa embarcar numa revisão constitucional que nos faça regressar ao passado.
Há muitos anos que escrevo nos jornais com propostas de mudanças nos principais sectores da sociedade e da economia portuguesas, com a perfeita consciência da validade dessas propostas que são o resultado de alguma experiência, mas sem sucesso.
A estrutura política criada depois do 25 de Abril, falsamente democrática, tem permitido um poder excessivo dos partidos, em particular dos partidos da área do poder - Partido Socialista e PSD - que usam esse poder para exercer um domínio indevido sobre a sociedade através do Estado, o que inclui também grande parte da comunicação social.
Infelizmente, por alguma razão, todos os partidos têm recusado as reformas necessárias, nomeadamente a reforma das leis eleitorais, de forma a permitir que os cidadãos eleitores possam escolher os seus representantes no Parlamento e nas autarquias, como acontece na maioria dos países da União Europeia.
Assim, a perda de qualidade dos escolhidos pelos directórios partidários transformou-se num modelo em que os dirigentes cada vez menos qualificados escolhem outros ainda com menos qualificações, mas mais fiéis a quem os escolhe, com menos valores éticos e democráticos,  mas mais abertos a processos de defesa de interesses ilegítimos e de ideologias crescentemente desligadas da realidade.
Em que a luta política deixou há muito deter como objetivo o bem comum, para ser simplesmente a defesa de grupos com os mais variados interesses.
O assalto a cargos na administração pública, nas empresas públicas e mesmo em algumas empresas privadas favorecidas pelo Estado, eliminou a existência de dirigentes profissionais que garantiam no passado a qualidade e a continuidade da gestão e destruiu a memória das instituições.
Os problemas hoje existentes na saúde, na educação, na justiça e na economia são o resultado directo desse processo de destruição muito pouco criativa, mas bastante rendosa para os partidos e para os protegidos do poder. Não surpreende, portanto, a enorme luta entre os partidos a que assistimos, a qual não conhece limites, luta sem tréguas travada no Parlamento, nas autarquias e nos meios de comunicação. Presentemente, já deixou de ser possível a tomada de decisões baseadas no conhecimento, no estudo e no interesse público, para ser uma lotaria baseada em interesses contraditórios.
Esta estranha capacidade da política portuguesa na obtenção de empregos rendosos transformou os políticos portugueses em especialistas na obtenção de empregos
internacionais. O último caso foi o de António Costa, que ao longo dos anos criou o domínio do que tenho chamado a grande família socialista, para no final fazer uma rábula a fim de abandonar um governo de maioria absoluta para ascender a um emprego europeu. Mas não só: deixou no partido os seus protegidos da grande família que tudo farão para prejudicar a presente candidatura à Presidência da República de António José Seguro, um candidato demasiado sério para permitir a continuidade do domínio dos partidos sobre a sociedade.
Claro que no PSD a política é em tudo semelhante ao PS, com a diferença de terem perdido algum treino por terem estado afastados do poder durante muitos anos, nomeadamente durante os oito anos de António Costa, em que a criação da geringonça permitiu ao PS, sob a capa de políticas moderadamente sociais, esconder as desgraças de José Sócrates através da denominação do PSD de Pedro Passos.
Certo é que este PSD também não morre de amores por Pedro Passos Coelho e tenta recuperar o tempo perdido com aquilo que aprenderam com António Costa, não surpreendendo, portanto, que os objectivos e as políticas sejam semelhantes. Por exemplo: a empresa pública IP continua a fazer a defesa dos mesmos interesses, seja no novo aeroporto, seja nos planos ferroviários de alta velocidade, seja através da absurda escolha da bitola ibérica, ou da estúpida política de fuga à concorrência internacional. Este PSD chegou ao ponto de, para manter a escolha da bitola ibérica na ferrovia, perder os elevados apoios da União Europeia, que poderiam chegar a 80% dos custos, como acontece em Espanha e nos países Bálticos, para voltarem a endividar o País de acordo com o modelo de José Sócrates de dívida de muitos milhares de milhões de euros, através das célebres parcerias público/privadas de má memória.
Aliás, o PSD não deixou de escolher um ministro das Infraestruturas na linha dos ministros do PS, todos eles especialistas em esconder dos portugueses as políticas que desenham em segredo. O concurso para a primeira fase da construção da linha do Porto a Lisboa é uma obra-prima de simulação, onde o PS e o PSD divergem nos pormenores para se entenderem no essencial. Que toda a classe política portuguesa aceite silenciosamente que Portugal se torne uma ilha ferroviária, com comboios que não poderão sair do País e com  omboios europeus que não podem entrar em Portugal, é uma verdadeira tragédia no futuro das exportações portuguesas e uma verdadeira traição aos interesses de Portugal e dos portugueses.
Finalmente, é importante verificar que uma grande parte da classe política portuguesa, como uma grande parte da comunicação social, criaram o embuste das linhas vermelhas em relação ao Chega, mas sem perderem a oportunidade de promover André Ventura e de dar razões para o protesto dos portugueses, que é ainda a única forma existente de participação na vida política. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

DEBATOCRACIA


·         Blog 'irritado' - 

Debatemo-nos com debates. Os debatentes, já lhes perdi a conta, debatem e debatem-se. Um fartote de debates, de debatedores ou debatistas. São tantos que não cabem todos, e até a loira do costume, viajante em todos os mares, charcos e poças de todas as cores, coitada, ficou de fora. Uma injustiça, no parecer do IRRITADO.

Nenhum sabe o que há-de fazer ou dizer. Entretêm-se a imaginar. A Constituição, vaca sagrada, dá para tudo e para nada. Nenhum sabe, ao certo ou ao errado, o que faria ou poderia fazer se lá chegasse. Vão falando de coisas. Que coisas? Coisas. Coisas que jamais lhes competirão: saúde, educação, habitação, corrupção, blabla, etc. Ah, pois, aí está! Resta-lhes velar pelo regular funcionamento da democracia. Mas ninguém sabe ao certo o que isso é. À falta de melhor, inventa-se ao sabor do momento.  Vale tudo. Dizem e contradizem o que lhes der na gana.

Depois do debate, o debate continua. Chusmas de comentadores, comentadeiros e comentadistas,  debatem-se, cheios de calores, amores e raivinhas, a promover a "imagem" de cada um.  Ali, na hora, em cima do acontecimento. O mercado de opiniões a funcionar. Um modo de vida, se calhar bem pago.

Falando a sério, que o assunto é (deveria) ser sério. E se a Constituição não fosse uma confusão, não seria bom para todos? Se o Presidente desta República fosse eleito no parlamento, de preferência via consenso? Um tipo honesto, boa figura, de uma certa idade, sem rabos de palha nem esqueletos no armário, para ficar bem em paradas, cerimónias, visitas de Estado, ratificações, promulgações e nomeações  formais, e pronto, como na Alemanha ou em Itália. Representante do Estado, ou da República, como queiram. Sem manias de representar as pessoas, "todos os portugueses", ou palermices do género.

Porquê eleições gerais para um cargo sem poder político, com umas funções que ninguém sabe ao certo quais são e que acabam por ser exercidas das formas mais canhestras ou mirabolantes?

Eu sei que ninguém quer rever a Constituição. Percebe-se. Mas, se fosse para acabar com os debates, se calhar valia a pena.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Testaram a autonomia real de 140 elétricos. Todas as marcas mentem (umas mais que outras)

O Governo australiano lançou uma iniciativa para proteger os
consumidores. Os primeiros resultados são tudo menos tranquilizadores.

Ensaios independentes de autonomia em carros elétricos demonstraram que
nenhum dos modelos testados consegue percorrer a distância anunciada
pelo fabricante, de acordo com testes recentes conduzidos pela
Australian Automobile Association.

A conclusão volta a colocar a autonomia real dos veículos elétricos no
centro das decisões de compra e do desenvolvimento do próprio sector,
cujo crescimento tem sido travado pela dificuldade em mitigar a chamada
"ansiedade da autonomia".

No âmbito do programa governamental australiano  Real-World Testing,
cada veículo é submetido a um percurso de 93 quilómetros que combina
troços urbanos, estradas rurais e autoestradas em redor de Geelong.

O objetivo é comparar o desempenho anunciado com o comportamento em
utilização quotidiana – um contraste fundamental para aferir a
eficiência real de cada modelo e a sua capacidade de corresponder às
expectativas dos condutores.

Entre o conjunto de veículos analisados, a Tesla registou para já o
menor desvio. O Model Y, homologado para 466 quilómetros, ficou 16
quilómetros aquém em condução real. Apesar de esta diferença ser
reduzida face a outros modelos, o resultado confirma que não foi
atingida a autonomia indicada na documentação oficial.

Bem pior foi o desempenho do MG4, que apresentou a maior variação
detetada: ficou 124 quilómetros abaixo dos 405 quilómetros anunciados,
um desvio de 31%.

Também se verificaram diferenças significativas no Kia EV3, que ficou 67
quilómetros aquém do valor homologado, e no Smart #1, que falhou o
objetivo em 53 quilómetros, o que representa uma quebra de 13%.

O diretor-geral da Australian Automobile Association, Michael Bradley,
sublinha a utilidade destes dados para quem pondera comprar um carro
elétrico.

"Estes resultados dão aos consumidores uma indicação independente da
autonomia real, o que significa que agora sabem que carros cumprem o que
é anunciado e quais não cumprem", afirmou Bradley, citado pelo El
Confidencial.

Segundo a associação, dispor deste tipo de medições ajuda a reduzir a
ansiedade relacionada com a carga e contribui para uma utilização mais
segura e confiável deste tipo de veículos.

A iniciativa, financiada com verbas federais e criada na sequência do
escândalo de manipulação de emissões revelado em 2015 na Volkswagen, já
avaliou 140 dos 200 veículos previstos.

O projeto detetou ainda que a maioria dos modelos híbridos e a combustão
consomem mais energia ou combustível do que o indicado nas fichas
oficiais, reforçando a importância de testes independentes para garantir
transparência e fiabilidade.

https://realworld.org.au/

Por que precisamos de testes no mundo real?
Todos os novos modelos de carros vendidos na Austrália foram testados em
condições controladas de laboratório  para avaliar seu consumo de
combustível e emissões.
Em 2017, a Associação Automobilística Australiana realizou um programa
piloto de testes em condições reais, que testou 30 veículos em vias
públicas.
Os australianos merecem saber como os veículos se comportam nas estradas.

Ao longo de quatro anos, de 2023 a 2027, o Programa de Testes em
Condições Reais avaliará até 200 marcas diferentes de carros,
utilitários e vans em condições representativas de estrada.
Esses testes fornecem informações precisas e relevantes para permitir
que consumidores, empresas e frotas tomem decisões mais bem informadas
na compra de veículos leves novos.

O programa começou com foco em veículos a gasolina, diesel e híbridos.
Em 2025, o programa expandiu-se para testar veículos elétricos a
bateria. Os procedimentos de teste para veículos elétricos híbridos
plug-in estão em desenvolvimento.

O Programa de Testes em Condições Reais é uma iniciativa do Governo
Australiano gerida pela Associação Automobilística Australiana.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

O mapa dos dialectos e falares de Portugal Continental (1958)

 de Maria Helena Santos Silva, feito sob a orientação e com a colaboração de Manuel de Paiva Boléo, publicado na obra Estudos de Linguística Portuguesa e Românica (1974).

Pode ser um gráfico de mapa e a texto que diz "& Minhe DIALECTOS 民 E FALARES DE PORTUGAL CONTINENTAL adaptado partr do mapa elaborado em 1958 Helene Helena Helona ariertacão Santos Slva ariertaçăo Manuel dePaiva Boléo で司〇 DIALECTOS Guadramilés 森者 포과조 Rionores Mirandes Barranquenho FALARES AhoMinto MINHOTO た.、 ስምምትው お: a Pora TRANSMON- TANO TAPρ BEIRÃO Barrarcas BAO MONDEGO Aoaledrjora MERIDIONAL Algardo ESCALA mK04_a02_9e นงงลัล"

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

"O INIGMA PASSOS COELHO


Ao contrário de quem governa, não precisa de uma maioria ou de meios. Pode manifestar a insatisfação com um simples gesto ou uma frase. Há muita gente em Portugal que gostaria que regressasse e há muita gente, os insiders do costume cheios de informação privilegiada, que conspiraria para que regressasse. São boutades de salão que só Passos Coelho poderá concretizar ou confirmar.
A força, e poderia dizer-se força moral, de Passos Coelho tem outra fonte que não o campo de intriga do PSD ou o ninho de vespas da política. Ninguém no partido dele levantará a mão contra ele, por temor e fraqueza.

A força de ter-se mantido, desde que foi afastado do poder pela coligação de esquerda de António Costa, invisível e incorruptível. Não deslizou para os quadros de uma grande empresa, não faz parte de assembleias gerais ou conselhos de administração, não fugiu para um cargo internacional, não enriqueceu sem causa. Não aceitou ser comentador num canal de televisão, e tenho a certeza de que muitos o contratariam por quantias superiores às de um primeiro-ministro. Mantém uma casa nos subúrbios, teve perdas pessoais que encaixou sem lamento, não controla a figura pública com a obsessão das figuras públicas, não escreveu livros confessionais ou outros. E decerto o convidaram a escrever as memórias da troika. Não está nas redes, a aparafusar indignações. Não vai às televisões explicar-se. Não dá entrevistas. Não se lhe conhecem crimes ou comportamentos desviantes, muito menos onde o dinheiro estaria envolvido. Escreve uns prefácios, faz umas apresentações de livros, diz umas coisas, não muitas. É breve e conciso e, pasme-se, coerente. É um enigma.

Com o tempo, e o silêncio, aquilo que parecia falta de ambição, como continuar a viver nos subúrbios sem vontade de sair, tornou-se convicção de pedra. O homem não pode ser comprado. Não pode ser convencido. Ideologicamente, é o que era no tempo da troika, um liberal de direita, com horror aos pactos com socialistas e às políticas socialistas. Teria razões não ideológicas para isso, os socialistas organizaram-se contra ele depois de ter ganho as eleições e demonstraram a incapacidade para governar com o luxo da maioria absoluta. É um político que acredita que o Estado é um fator de subdesenvolvimento se não for removido à força do processo económico e burocrático. E responde pelas decisões da troika e do seu governo, mesmo quando essas decisões não lhe podem ser imputadas e sim a incompletos ministros e secretários de Estado. Teve oportunistas a rodeá-lo? Claro. Os oportunistas construíram carreiras férteis e lucrativas sobre a oportunidade, ele não. Não é cosmopolita. A austeridade é uma vocação.

O que no passado era debilidade do instinto político, tornou-se com o tempo e a incompetência dos outros atores uma força que em Portugal ninguém tem. Se Montenegro falhasse, ou os imponderáveis do costume surgissem, e Montenegro não deve ser subestimado como sobrevivente, Passos Coelho teria o país na mão.

A estagnação tornar-se-á insuportável. Na estagnação vivemos agora, negociando minúcias que impedem a mudança. É preciso que tudo mude para que tudo fique como dantes. Não seria o mesmo Passos Coelho dos anos passados. O tempo e o silêncio endureceram-no, nota-se na fisionomia. Se não se deixasse tomar pelo ressentimento, seria o único e formidável adversário de André Ventura no futuro. E o único que impediria Ventura de ser primeiro-ministro.

E não, não é um populista, é o contrário de um populista."

Clara Ferreira Alves