terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Testaram a autonomia real de 140 elétricos. Todas as marcas mentem (umas mais que outras)

O Governo australiano lançou uma iniciativa para proteger os
consumidores. Os primeiros resultados são tudo menos tranquilizadores.

Ensaios independentes de autonomia em carros elétricos demonstraram que
nenhum dos modelos testados consegue percorrer a distância anunciada
pelo fabricante, de acordo com testes recentes conduzidos pela
Australian Automobile Association.

A conclusão volta a colocar a autonomia real dos veículos elétricos no
centro das decisões de compra e do desenvolvimento do próprio sector,
cujo crescimento tem sido travado pela dificuldade em mitigar a chamada
"ansiedade da autonomia".

No âmbito do programa governamental australiano  Real-World Testing,
cada veículo é submetido a um percurso de 93 quilómetros que combina
troços urbanos, estradas rurais e autoestradas em redor de Geelong.

O objetivo é comparar o desempenho anunciado com o comportamento em
utilização quotidiana – um contraste fundamental para aferir a
eficiência real de cada modelo e a sua capacidade de corresponder às
expectativas dos condutores.

Entre o conjunto de veículos analisados, a Tesla registou para já o
menor desvio. O Model Y, homologado para 466 quilómetros, ficou 16
quilómetros aquém em condução real. Apesar de esta diferença ser
reduzida face a outros modelos, o resultado confirma que não foi
atingida a autonomia indicada na documentação oficial.

Bem pior foi o desempenho do MG4, que apresentou a maior variação
detetada: ficou 124 quilómetros abaixo dos 405 quilómetros anunciados,
um desvio de 31%.

Também se verificaram diferenças significativas no Kia EV3, que ficou 67
quilómetros aquém do valor homologado, e no Smart #1, que falhou o
objetivo em 53 quilómetros, o que representa uma quebra de 13%.

O diretor-geral da Australian Automobile Association, Michael Bradley,
sublinha a utilidade destes dados para quem pondera comprar um carro
elétrico.

"Estes resultados dão aos consumidores uma indicação independente da
autonomia real, o que significa que agora sabem que carros cumprem o que
é anunciado e quais não cumprem", afirmou Bradley, citado pelo El
Confidencial.

Segundo a associação, dispor deste tipo de medições ajuda a reduzir a
ansiedade relacionada com a carga e contribui para uma utilização mais
segura e confiável deste tipo de veículos.

A iniciativa, financiada com verbas federais e criada na sequência do
escândalo de manipulação de emissões revelado em 2015 na Volkswagen, já
avaliou 140 dos 200 veículos previstos.

O projeto detetou ainda que a maioria dos modelos híbridos e a combustão
consomem mais energia ou combustível do que o indicado nas fichas
oficiais, reforçando a importância de testes independentes para garantir
transparência e fiabilidade.

https://realworld.org.au/

Por que precisamos de testes no mundo real?
Todos os novos modelos de carros vendidos na Austrália foram testados em
condições controladas de laboratório  para avaliar seu consumo de
combustível e emissões.
Em 2017, a Associação Automobilística Australiana realizou um programa
piloto de testes em condições reais, que testou 30 veículos em vias
públicas.
Os australianos merecem saber como os veículos se comportam nas estradas.

Ao longo de quatro anos, de 2023 a 2027, o Programa de Testes em
Condições Reais avaliará até 200 marcas diferentes de carros,
utilitários e vans em condições representativas de estrada.
Esses testes fornecem informações precisas e relevantes para permitir
que consumidores, empresas e frotas tomem decisões mais bem informadas
na compra de veículos leves novos.

O programa começou com foco em veículos a gasolina, diesel e híbridos.
Em 2025, o programa expandiu-se para testar veículos elétricos a
bateria. Os procedimentos de teste para veículos elétricos híbridos
plug-in estão em desenvolvimento.

O Programa de Testes em Condições Reais é uma iniciativa do Governo
Australiano gerida pela Associação Automobilística Australiana.

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