A Associação Ambiental “Seixal Mais Verde” tem vindo a acompanhar as recentes notícias sobre a falta de água em várias localidades do Município de Almada, que será um problema recorrente, mas que se tem agravado nas últimas semanas. Entre as várias causas desse problema, já foi referido pelos próprios serviços da Câmara Municipal de Almada a necessidade de abrir mais furos de captação de água. Muito preocupante tendo em conta que tivemos um Inverno muito chuvoso. De acordo com o Plano de Segurança de Água de Almada disponível na internet (2012), “… a água é extraída de 32 furos de captação subterrâneos, maioritariamente localizados no concelho do Seixal” A parte norte e central da Península de Setúbal está massivamente urbanizada. A única zona ainda com escala para recarga de aquífero, é a ZEC Fernão Ferro e Lagoa de Albufeira: • O Munícipio de Almada depende da extração de água do Munícipio do Seixal • A Câmara do Seixal (e a de Sesimbra) pretendem esventrar a ZEC Fernão Ferro e Lagoa de Albufeira, para aí se construírem mega-urbanizações. • Ao urbanizar, a capacidade de recarga do aquífero vai diminuir brutalmente. A “Seixal Mais Verde” vê com grande preocupação que as Câmaras do Seixal e de Sesimbra pretendam urbanizar o que funciona não só como o último reduto de vida natural do Norte e Centro da Península de Setúbal – já reconhecido em legislação da Rede Natura 2000 desde 2000 - mas também estrangulando ainda mais a capacidade de regeneração do aquífero na Península de Setúbal. A “Seixal Mais Verde” pede à Câmara Municipal de Almada que divulgue a verdadeira situação das captações de água (níveis hidrostáticos e níveis hidrodinâmicos) que permitem aferir sobre a produtividade real de cada um dos furos – com os dados históricos de pelo menos desde há 25 anos até à atualidade, e que tal seja publicado mensalmente, online. Pedimos também à Câmara do Seixal para divulgar os mesmos dados. Haja transparência, e um verdadeiro planeamento sustentável para o futuro das populações.
A cena é de um requinte absurdo: o povo de Almada, após 52 anos de fidelidade inabalável ao PCP e ao PS, resolveu, finalmente, manifestar-se contra o deserto que a sua própria mão eleitoral ajudou a construir.
É o cumulo do cinismo democrático: protestar contra o resultado, enquanto se garante a renovação do bilhete de época para o mesmo circo.
A imagem documenta esta ópera bufa com precisão cirúrgica.
Ali temos o cartaz que anuncia, com a pompa devida, a nomeação de Luís Palma para a presidência dos SMAS.
Não é uma nomeação técnica, claro. É um troféu de caça político, um tacho devidamente arrumado num pacto de governação PS-CDU que, desde dezembro de 2025, transformou o fornecimento de água num jogo de xadrez partidário.
Inês de Medeiros, como primeira vogal, assiste a tudo com o distanciamento de quem sabe que, no final, o eleitor voltará a votar no mesmo pacote.
E o orçamento de 7 milhões de euros para 2026?
É uma obra-prima de gestão criativa.
Enquanto a rede de adutoras pede socorro e as eletrobombas dão o último suspiro, a autarquia, num rasgo de genialidade, decide que a prioridade absoluta é gastar 503.000 euros na valorização do Museu da Água.
A mensagem é clara e deliciosamente irónica: se não há água na torneira para lavar a cara, o munícipe pode sempre ir ao museu contemplá-la em ambiente climatizado e educacional.
É, sem dúvida, um serviço público de excelência: ensinam-nos o que é a água enquanto nos deixam com sede.
A satisfação do cliente, essa rubrica que tanto aparece nos documentos oficiais, deve ser lida com o devido sentido de humor. A festa dos 75 anos dos SMAS e a promoção da marca, pagas com o mesmo dinheiro que deveria reparar os canos, provam que o marketing é, de facto, a única infraestrutura que funciona sem falhas em Almada.
Para quem, na sua inocência, ainda quiser conferir os detalhes desta gestão onde os tachos fervilham enquanto a torneira seca, os links estão à disposição, como um monumento à transparência burocrática:
É, no fim de contas, o teatro perfeito: o público aplaude o espetáculo do protesto, mas garante que os atores principais continuem em cena.
O cartaz do PCP, que diz estar com o eleitor todos os dias, é a única verdade desta história: estão lá todos os dias, a garantir que nada mude, enquanto o museu da sede cresce, orçamento após orçamento...