
As nascentes secas das propriedades rurais brasileiras são frequentemente tratadas como perda definitiva — mas, na maioria dos casos, são nascentes que secaram por causas reversíveis, principalmente o pisoteio do gado, que compacta o solo ao redor, a remoção da mata ciliar que regulava o lençol freático e o escoamento acelerado da água das chuvas antes de ter tempo para infiltrar.
O processo de recuperação começa com uma intervenção que parece mínima, mas que é a mais importante: vedar a nascente ao gado.
O pisoteio do gado na área da nascente cria compactação que impede a infiltração de água e destrói a vegetação ripária que mantém as condições de humidade e sombra necessárias para conservar o lençol freático elevado.
Uma cerca de dois metros ao redor da nascente é o primeiro passo insubstituível.
O segundo passo é o plantio de espécies ripárias ao redor da área vedada: salgueiros, figueiras-bravas, embaúbas e outras espécies de mata ciliar crescem rapidamente com a humidade disponível na área e criam progressivamente o microclima que aumenta a infiltração e eleva o lençol freático.
As raízes destas espécies formam canais profundos que facilitam a infiltração da água em solos anteriormente compactados.
Os resultados documentados em programas de recuperação de nascentes no Brasil são consistentes: muitas nascentes vedadas e com mata ciliar replantada começam a produzir água novamente em dois a quatro anos.
Ao fim de quinze anos, nos casos mais bem documentados, nascentes que tinham secado completamente voltam a correr de forma permanente durante todo o ano, incluindo nos meses de maior seca.
A fauna que regressa é o indicador mais fiável de sucesso: rãs, lontras e garças-brancas indicam água permanente e boa qualidade ambiental.
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