sexta-feira, 15 de maio de 2026

Lamine Yamal - O futebolista/político.

Lamine Yamal, jogador do FC Barcelona, segura uma bandeira palestiniana enquanto festeja com a sua equipa em cima de um autocarro, depois de ganhar o título da La Liga espanhola em Barcelona, Espanha, segunda-feira, 11 de maio

Quem é este jovem futebolista/político, que considera agitar “a bandeira de um estado -Palestina” para incitar o ódio, contra outro estado e um povo (o judeu)?

O que vai fazer o seu clube FC Barcelona? A Real Federação Espanhola? E a UEFA permite isto, ou só permite a este jogador, por ser do Barcelona e de Espanha e/ou por ser negro?
- UEFA (2026) suspende Prestianni por 'conduta discriminatória ...
O jogador do Benfica, de Portugal, atacou o brasileiro Vini Jr., do Real Madrid, (segundo as palavras de Vini) com ofensas racistas em jogo pela Liga dos Campeões da ...
-Em Novembro de 2019, um tweet de Bernardo Silva valeu-lhe um castigo. A Federação Inglesa de Futebol (FA) por conduta imprópria e ofensiva. Para além de ter sido suspenso por um jogo, o português do Manchester City foi multado em 50 mil libras – aproximadamente 58 mil euros. Em causa estava um tweet publicado por Bernardo Silva, e apagado pouco tempo depois pelo próprio jogador, com a imagem em criança de Benjamin Mendy, colega de equipa e amigo desde os tempos em que ambos jogavam no Mónaco, acompanhado da ilustração do boneco característico dos chocolates Conguitos, com a pergunta “adivinhem quem é?”.
- Também em Novembro de 2020, o presidente do Brescia, Massimo Cellino, proferiu palavras controversas sobre o futebolista do clube italiano Mario Balotelli. “O que se passa com Balotelli? Passa-se que ele é negro, o que é que vos posso dizer? Ele trabalha para ficar mais branco, mas tem muitas dificuldades”, disse o presidente do Brescia, aparentemente em tom de brincadeira, à margem de uma reunião da Liga italiana.
- Em 2020 Roménia, Hungria e Eslováquia castigadas, pela UEFA.
As selecções de futebol da Roménia, da Hungria e da Eslováquia, disputaram, em Setembro de 2019, alguns jogos de qualificação para o Euro 2020 à porta fechada, devido a “comportamentos racistas dos adeptos”.
- Bulgária punida com jogo à porta fechada.
Em Outubro de 2019, a Bulgária foi punida com um jogo à porta fechada pelos cânticos racistas e saudações nazis na recepção à Inglaterra, a cumprir na qualificação para o Euro 2020 de futebol. O Comité Disciplinar da UEFA acrescentou ao castigo um jogo com pena suspensa e aplicou à federação búlgara uma multa de 85.000 euros.
- Na mesma semana da sanção à Bulgária, também a Sérvia foi condenada a disputar um jogo da fase de qualificação para o Euro 2020 à porta fechada, por manifestações racistas na partida com Portugal. Além deste castigo de um jogo à porta fechada, a federação sérvia teve de pagar uma multa de 33.250 euros.
- Em 2014, a justiça brasileira condenou o Grémio de Porto Alegre à exclusão da Taça do Brasil devido a insultos racistas proferidos por adeptos contra um jogador adversário durante um jogo da competição, um “caso único no futebol internacional”. O clube foi “eliminado” da Taça do Brasil devido a insultos racistas proferidos contra o guarda-redes do Santos, Mário Costa, conhecido por “Aranha”, durante um jogo realizado entre as duas equipas a 28 de Agosto de 2014.
- FC Porto multado por cânticos racistas
Também em 2012, Mario Balotelli queixou-se que ouviu os adeptos do FC Porto a entoar cânticos racistas, simulando guinchos de macacos, durante um jogo da Liga Europa. O clube português alegou, na altura, que não tinha historial de racismo e que se orgulhava de ter uma equipa multirracial. O caso resultou numa queixa e a UEFA anunciou, alguns dias depois, uma multa de 20 mil euros ao FC Porto, por “conduta racista dos adeptos”.

- Russia. As principais sanções (Atualizado 2026):Comité Olímpico Internacional (COI): O Comité Olímpico Russo permanece suspenso desde outubro de 2023. Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026, atletas russos competem apenas como "Atletas Individuais Neutros", sem bandeira, hino ou símbolos nacionais. Futebol (FIFA/UEFA): A Rússia foi banida de competições internacionais, incluindo a Copa do Mundo do Qatar e as eliminatórias para torneios subsequentes, com clubes russos suspensos das competições europeias.Motivos: As sanções evoluíram de um longo histórico de doping patrocinado pelo Estado (2014-2021) para a invasão da Ucrânia em 2022, que intensificou o isolamento desportivo.Diferenciação: O COI tem mantido restrições estritas à Rússia, enquanto levantou limitações para atletas bielorrussos, que foram autorizados a usar as suas cores em certas circunstâncias, ao contrário dos russos.

- etc, etc.

Operação Babel

Pode ser uma imagem de texto que diz "OBSERVADOR Fim da linha no julgamento do processo Operação Babel. Antigo 'vice' da Câmara de Gaia condenado a oito anos e meio de prisão por corrupção SANP"

Portugal, esse pequeno jardim à beira-mar plantado onde, volta não volta, descobrimos que as flores mais viçosas são regadas a dinheiro vivo. 

Preparem-se porque a realidade supera a sátira. 
O caso que trazemos hoje é apenas a última pá de cal na imagem de um partido que, de forma notável, conquistou a liderança isolada no pódio da corrupção, do clientelismo e do nepotismo em território nacional. 
Abram alas para o incontestável campeão: o Partido Socialista.
Fim da linha em Gaia: o cliente que não ficou satisfeito
É, no mínimo, poético. 
Patrocínio Azevedo, o ex-vice-presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia e outrora "dono e senhor do aparelho socialista gaiense", acaba de ver o seu futuro traçado a preto e branco. 
O Ministério Público, que parece ter a mania de estragar festas, pediu para este ilustre membro do PS uma pena de prisão entre 8 a 12 anos, defendendo que o "mínimo aceitável" para a conduta do ex-autarca seria de 10 anos de reclusão. 
Tudo isto porque, alegadamente, o homem que geria o Planeamento Urbanístico de Gaia entendeu que a cidade era um monopólio e que a sua conta bancária era o destinatário final de "luvas" pagas por empresários do ramo imobiliário.
A justiça, essa entidade lenta mas que por vezes morde, deu o caso como findo. "Fim da linha", como bem noticiou a fotografia. 
Mas será mesmo o fim da linha? 
Ou apenas mais uma paragem técnica na longa via sacra judicial do PS?
O Clube dos 200 (e a hegemonia socialista)
Preparem-se para os números, porque eles são tão devastadores que até o INE coraria de vergonha. 
Um levantamento da CNN Portugal revelou que, só desde 2017, foram 191 os políticos e detentores de cargos públicos constituídos arguidos em processos judiciais. 

Mas esperem, os números não param de crescer.

Em 2025, o Expresso atualizou a contabilidade: são já mais de 200 políticos suspeitos de corrupção.
E quem lidera este pelotão? 
A maioria dos crimes investigados pelo Ministério Público, especialmente os que envolvem membros do governo, foram cometidos durante administrações do Partido Socialista
De acordo com a CNN Portugal, 16 ex-ministros e antigos secretários de Estado do PS foram investigados nos últimos anos, muitos deles oriundos do governo de José Sócrates.
A cereja no topo deste bolo de lama vem de uma análise mais fina: um portal regional, o "oRegiões", confirma que a maioria esmagadora dos autarcas investigados pertence ao PS. 
Para sermos ainda mais precisos, um estudo da ZAP mostrou que, num grupo de 15 autarcas constituídos arguidos em dois anos, uns impressionantes 11 eram do Partido Socialista. Onze em quinze! Uma taxa de sucesso que já faria inveja a qualquer máquina eleitoral... se o objetivo fosse a cadeia.
Clientelismo: a arte de governar para os amigos
O clientelismo é a alma gémea da corrupção, e o PS tornou esta prática numa forma de arte contemporânea. Já todos percebemos que "o aparelho" não funciona sem azeite. 
O Presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues (sim, o chefe de Patrocínio), também ele eleito pelo PS, foi a julgamento por usar um veículo elétrico do município "como se fosse" dele. Peculato chique e ecológico, diria.
Mas o clientelismo não se fica pelo roubo de baterias. 
"Os cargos políticos ao nível das concelhias, das câmaras e dos governos, são atribuídos em função da lealdade pessoal, e não da lealdade a um programa político", explicam especialistas à CNN Portugal, sublinhando que "os políticos rodeiam-se dos seus amigos nos cargos públicos". 
É a teia de favores que tudo encobre.

A lista de casos é um verdadeiro menu degustação de ilegalidades:

· Operação Tutti Frutti: Favorecimento partidário nas juntas de Lisboa, com o Ministério Público a pedir a devolução de 588 mil euros.

· Operação Éter: Autarcas de mais de 40 municípios do Norte, maioritariamente do PS, sob suspeita de viciação de contratos públicos.

· Operação Teia: Envolve autarquias como Santo Tirso e Barcelos, focando-se em corrupção e tráfico de influência de autarcas socialistas.


O Familygate: quando o Natal é todos os dias
E o que dizer do nepotismo? 
Ah, o nepotismo socialista merece um capítulo à parte. 
A promiscuidade entre laços de sangue e o poder é tão explícita que o jornal espanhol El País dedicou uma peça à "endogamia política em Portugal". Durante o governo de António Costa, o histórico é de fazer corar qualquer monarquia feudal.
″27 pessoas com relações familiares entre si passaram pelo governo socialista, num total de 12 famílias″, revelou o Arquivo do Parlamento. 
Um feito inédito na Europa, sem comparação possível. 
Neste novelo de compadrio, destaca-se Carlos César, o então presidente do PS, cuja árvore genealógica mais parece um organograma governativo: o filho era líder parlamentar do PS/Açores, a esposa presidia à Casa da Autonomia, e ainda havia o irmão histórico assessor e a nora chefe de gabinete. 
Para César, "é natural que em determinadas famílias as pessoas tenham empenhamento cívico similar". 
Naturalíssimo. 
Nós é que somos uns invejosos.
Mas o Familygate não se fica por aqui: Mariana Vieira da Silva foi nomeada para o governo onde o pai já era ministro. 
Duarte Cordeiro nomeou como assessor o filho de um deputado do PS, enquanto a sua mulher era nomeada para um fundo público. 
Esta promiscuidade familiar levou o PSD a cunhar a frase perfeita: ″Um Governo que caiu porque ruiu por dentro, fruto da incompetência, do nepotismo e da ausência de ética republicana″. E tinha razão.
O legado: uma democracia refém
Da operação Babel ao Face Oculta, da Operação Marquês ao caso EDP, o PS construiu um currículo forense imbatível. 
Só o Processo Marquês investiga suspeitas de 34 milhões de euros em subornos recebidos por José Sócrates. 
Armando Vara, histórico socialista, já foi condenado a cinco anos e um mês de prisão no âmbito do Face Oculta e do próprio Processo Marquês. 
E poderíamos continuar por parágrafos a fio.
Como dizia ironicamente o Partido Chega, "todos os dias são presas pessoas corruptas do PS". Apesar de a SIC ter classificado esta afirmação como um exagero, a comparação histórica é devastadora: o PS acumulou, num só mandato, mais ex-ministros investigados do que todos os outros partidos combinados na história da democracia portuguesa.
No meio de tanta ruína moral, resta o alívio cómico: a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, era casada com um senhor que foi nomeado pela ministra do Mar para um cargo público. Nada de estranho, portanto.
Conclusão: o pódio da vergonha
O Partido Socialista não é apenas mais um partido com casos de corrupção. 
O PS é o campeão. 
É o tricampeão. 
O dono disto tudo. 
Com uma base de dados de arguidos que faria o SIS corar, com um Exército de familiares colocados no Estado e com uma bússola moral que aponta invariavelmente para o próprio umbigo, o PS transformou a política portuguesa naquilo a que a Transparência Internacional chamou de "teia de relações que encobre ilicitude".
A fotografia de Patrocínio Azevedo a deixar o tribunal não é apenas o retrato de um homem condenado. É a fotografia de família de um regime que confundiu o Estado com a sua casa, a Justiça com um incómodo e o erário público com a conta da empresa. 

Fim da linha? Talvez não. 

Porque a linha, para o PS, parece ser circular.

"A maioria esmagadora dos autarcas investigados pertence ao PS" – Imprensa Regional, 2025


⚖️ NÍVEL 1: OS CONDENADOS (TRÂNSITO EM JULGADO OU CONDENAÇÕES EM 1.ª INSTÂNCIA)

A elite dos que já ouviram a palavra "culpado".
1. Patrocínio Azevedo (PS) – Ex-vice-presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia. Condenado a 8 anos e meio de prisão por corrupção passiva, prevaricação, abuso de poder e branqueamento (Operação Babel).
2. Eduardo Vítor Rodrigues (PS) – Ex-presidente da Câmara de Gaia. Condenado por peculato de uso (carro elétrico) e perda de mandato.
3. Paulo Malafaia – Empresário. Condenado a 7 anos de prisão por corrupção ativa (Operação Babel).
4. Elad Dror – Empresário (Grupo Fortera). Condenado a 6 anos de prisão por corrupção ativa (Operação Babel).
5. João Lopes – Advogado. Condenado a 7 anos e 9 meses de prisão (Operação Babel).
6. Carlos Lopes (PS) – Ex-deputado por Leiria. Condenado a 11 anos de prisão por corrupção passiva e peculato.
7. Luís Vitorino (PS) – Presidente da Câmara de Marvão. Condenado a 3 anos de prisão (pena suspensa) e perda de mandato por corrupção passiva.
8. José Morgado (PS) – Ex-autarca de Tondela. Condenado a pena de prisão suspensa por peculato.
9. Luís Vilar (PS) – Ex-vereador e líder concelhio do PS/Coimbra. Condenado a pena suspensa por corrupção.
10. António Correia Pinto (PS) – Vereador em Matosinhos. Condenado a 3 anos e meio de prisão (pena suspensa) e perda de mandato por peculato de uso.
11. José António Ramos (PS) – Vereador em Penamacor (ex-chefe do SEF). Condenado por corrupção passiva e abuso de poder (suspendeu o mandato).
12. Nuno Moita (PS) – Presidente da Câmara de Condeixa-a-Nova. Condenado a pena suspensa por favorecimento de empresas.
13. Domingos Pereira (PS) – Ex-presidente da Câmara de Barcelos. Condenado a 2 anos e 10 meses de prisão (pena suspensa) e perda de mandato por corrupção.
14. Margarida Belém (PS) – Presidente da Câmara de Arouca. Condenada a 1 ano e 3 meses de prisão (pena suspensa) por falsificação de documento.
15. Luís Tavares Moura (PS) – Ex-presidente da União de Freguesias de Coja e Barril do Alva. Condenado por peculato.
16. Carlos Correia (PS) – Ex-autarca da Junta de Lordosa. Condenado por peculato.
17. António Carvalho (PS) – Ex-autarca da Junta de Lordosa. Condenado por peculato.

18. José Almeida (PS) – Ex-autarca da Junta de Lordosa. Condenado por peculato.


🔴 NÍVEL 2: OS ACUSADOS EM MEGAPROCESSOS (O CLUBE DOS 200)
Não são meros "investigados". O Ministério Público já formalizou a acusação.
1. José Sócrates (PS) – Ex-primeiro-ministro. Acusado de 31 crimes: 3 de corrupção, 13 de branqueamento e 6 de fraude fiscal (Operação Marquês).
2. Armando Vara (PS) – Antigo ministro. Acusado de 1 crime de corrupção e 1 de branqueamento (Operação Marquês).
3. Joaquim Couto (PS) – Ex-presidente da Câmara de Santo Tirso. Acusado de corrupção ativa, prevaricação e peculato (Operação Teia).
4. Miguel Costa Gomes (PS) – Ex-presidente da Câmara de Barcelos. Acusado de corrupção passiva e participação económica em negócio (Operação Teia).
5. Manuela Sousa – Empresária (ex-mulher de Joaquim Couto). Acusada de corrupção e peculato (Operação Teia).
6. João Burrica (PS) – Ex-autarca em Campo Maior. Acusado de prevaricação e corrupção passiva.
7. Rui Pingo (PS) – Ex-autarca em Campo Maior. Acusado de prevaricação e corrupção passiva.

🕵️ NÍVEL 3: OS INVESTIGADOS E ARGUIDOS (O MAPA REGIONAL DO CLIENTELISMO)

O "viveiro" do partido, segundo a imprensa local do Minho, Algarve e Norte.
1. Miguel Reis (PS) – Ex-presidente da Câmara de Espinho. MP pediu pena de 5 a 9 anos de prisão por corrupção (Operação Vórtex).
2. Paulo Esteves Ferreira (PS) – Presidente da Câmara de Valongo. Arguido por corrupção no licenciamento de um McDonald's.
3. Victor Hugo Salgado (PS) – Presidente da Câmara de Vizela. Investigado por violência doméstica (retirado apoio pelo PS).
4. Domingos Carvas (PS) – Presidente da Câmara de Sabrosa. Arguido (Operação Éter).
5. Manuel Joaquim Trindade (PS) – Presidente da Câmara de Resende. Arguido (Operação Éter).
6. Sílvia da Fonseca Silva (PS) – Vice-presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião. Arguida (Operação Éter).
7. José Manuel Pereira Pinto (PS) – Antigo presidente da Câmara de Cinfães. Arguido (Operação Éter).
8. Serafim Rodrigues (PS) – Vice-presidente da Câmara de Cinfães. Arguido (Operação Éter).
9. Miguel Alves (PS) – Ex-presidente da Câmara de Caminha e ex-secretário de Estado. Arguido (Operação Éter).
10. Fernando Medina (PS) – Ex-presidente da Câmara de Lisboa e ex-ministro das Finanças. Investigado (Operação Tutti Frutti).
11. Ângelo Pereira (PS) – Vereador da Câmara de Lisboa. Arguido (Operação Tutti Frutti).
12. António Gameiro (PS) – Ex-deputado e líder distrital de Santarém. Arguido por corrupção (Operação Triângulo) — suspeito de receber 300 mil euros.
13. José Rui Cruz (PS) – Ex-deputado e líder do PS/Viseu. Arguido por fraude de 140 mil euros e branqueamento.
14. Nuno Mocinha (PS) – Vereador em Elvas. A ser julgado por prevaricação.
15. Mesquita Machado (PS) – Histórico presidente da Câmara de Braga. Arguido no "Caso das Convertidas".
16. Maria das Dores Meira (PS) – Ex-presidente da Câmara de Setúbal. Arguida por conluio entre autarcas.
17. Marco Costa (PS) – Deputado municipal em Setúbal. Arguido por assalto a menores.
18. António Rochette (PS) – Ex-vereador da Câmara de Coimbra. Arguido em negócio suspeito.
19. António Ganhão (PS) – Ex-presidente da Câmara de Benavente. Julgado e absolvido (referência de registo).

👪 NÍVEL 4: O NEPOTISMO DE ESTADO (O "FAMILYGATE")

Não são arguidos, mas são a prova viva do "modus operandi".

1. Carlos César (PS) – Ex-presidente do PS. Filho líder parlamentar, esposa presidente de instituto público.
2. Mariana Vieira da Silva (PS) – Ministra. Nomeada para o governo onde o pai já era ministro.
3. Duarte Cordeiro (PS) – Ministro. Nomeou filho de deputado do PS e a esposa para cargos públicos.
4. Francisca Van Dunem (PS) – Ministra da Justiça. Casada com um nomeado pela ministra do Mar para cargo público.
Total de visualizações do dossiê: 48 indivíduos. Um número que, como a imprensa local e regional comprova, cresce a cada semana. 
Fim da linha? 

A fotografia de Patrocínio Azevedo prova que não.


WHISTLEBLOWER

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Panini, esse diabo caçador de vícios

Certas armadilhas da vida apresentam-se com a delicadeza enganadora dos gestos afectuosos. Não chegam sob a forma brutal de uma notificação fiscal, de uma infiltração descoberta tarde demais ou de um telefonema iniciado por aquela expressão ominosa — “temos de conversar” —, mas entram pela casa dentro com aparência de inocência, revestidas de ternura familiar e, pior ainda, acompanhadas por essa perigosa névoa nostálgica que tende a enfraquecer a vigilância crítica de qualquer homem adulto.

Foi assim que me apareceu, neste fim-de-semana, a caderneta oficial de cromos da Panini do Mundial de 2026, oferecida pelo meu enteado, cuja generosidade não quero aqui colocar em causa, embora comece a suspeitar de que certos actos de afecto deveriam exigir prévio enquadramento jurídico ou, pelo menos, uma advertência sanitária comparável à dos maços de tabaco.

A minha relação com os cromos nunca pertenceu à esfera do coleccionismo contemplativo, essa forma de devoção infantil quase monástica em que certas crianças olhavam para as suas cadernetas com a solenidade com que um copista medieval examinaria um manuscrito iluminado. Prefiro, na verdade, “coleccionar” livros e, em muitas circunstâncias, um bibliófilo comporta-se como um miúdo — ou como um caçador.

Voltemos. O meu contacto com esse universo dos cromos foi sempre mais pragmático, mais rude, mais conforme à antropologia económica dos recreios portugueses, onde os cromos não eram objectos estéticos, mas activos transaccionáveis, moeda informal, instrumentos de especulação e, em certos casos, mecanismos de transferência patrimonial pouco compatíveis com as melhores práticas de regulação financeira.

Recordo, aliás, com nitidez, aquele jogo cujo nome variava conforme a geografia e a criatividade local, mas cuja essência permanecia invariável: empilhavam-se cromos no chão ou numa mesa, desferia-se sobre eles um golpe seco com a palma da mão, por vezes aquecida pelo bafo, e aqueles que a deslocação de ar lograsse virar passavam a integrar com legitimidade — ou, pelo menos, de forma consensual — o património do executor da agressão. Muitos economistas passaram décadas a estudar os mecanismos primitivos da acumulação, sem saber que lhes bastaria a observação de um recreio português nos anos setenta ou oitenta do século passado para compreender certas pulsões fundamentais do capitalismo.

Nada, portanto, fazia prever que me encontraria, décadas mais tarde, numa papelaria, a entregar dinheiro com uma velocidade que não condizia nem com a prudência adulta nem com a moderação orçamental que costumo, pelo menos em teoria, defender e praticar. Isto porque, uma vez aberta a brecha afectiva, o mecanismo psicológico revelou-se de uma eficiência perturbadora. O gesto inicial foi de aparente inocência: “vou apenas comprar algumas saquetas para acompanhar a brincadeira”. Porém, como sabemos, toda a tragédia humana começa com versões ligeiramente diferentes desta frase.

Quando dei por mim, tinha comprado duas caixas. Doze euros cada. Vinte e quatro no total. Sem hesitação digna de registo. Cada caixa continha oito saquetas; cada saqueta, sete cromos; e eu, homem adulto, contribuinte, director de um jornal independente e pessoa que, por hábito ou defeito, se considera minimamente imune a impulsos infantis, encontrava-me sentado a retirar das embalagens um total de 112 cromos. O primeiro, acreditem, foi o Trincão, do Sporting, que nem se sabe bem se será convocado.

Foi num momento entre um avançado do Paraguai e um médio defensivo do Iraque, cuja existência até então me era inteiramente desconhecida, que decidi recorrer ao mais fiel oráculo do nosso tempo: a inteligência artificial. Noutras eras, um homem perturbado consultaria um padre, um contabilista ou um amigo prudente; a nossa civilização, mais sofisticada e talvez mais decadente, prefere interpelar algoritmos.

Perguntei-lhe, com a serenidade de quem julga formular uma questão meramente técnica, quanto me custaria completar a colecção.

A resposta foi exemplarmente cruel.

Num universo ideal — isto é, num universo fictício governado por princípios de justiça distributiva, boa vontade estatística e talvez por uma Panini dirigida por beneditinos — seriam necessárias cerca de 140 saquetas para completar os 980 cromos. O custo estimado rondaria os 210 euros. A soma, sendo já ofensiva para quem está a adquirir pequenos rectângulos de papel autocolante com fotografias de atletas, ainda conservava alguma aparência de razoabilidade.

Mas a máquina, que desconhece sentimentalismos e administra o desespero com a impassibilidade de um oficial de justiça, acrescentou o detalhe relevante: isso seria apenas o cenário teórico. No mundo real, onde existem repetidos, assimetrias distributivas e uma arquitectura comercial desenhada com a precisão psicológica de um laboratório especializado em dependências, o custo real de uma colecção desta dimensão poderia facilmente ascender aos 400, 500, 600 ou mesmo 700 euros.

Setecentos euros.

A quantia produziu em mim aquele breve silêncio interior que acompanha certas revelações existenciais. Por setecentos euros, um cidadão sensato considera uma pequena viagem, a aquisição de livros raros, um electrodoméstico respeitável ou a resolução de algum problema doméstico antigo.

Fiquei então consciente de que poderia acabar a canalizar setecentos euros para a paciente acumulação de laterais-esquerdos canadianos, suplentes iranianos e outros artefactos cromísticos cuja raridade artificial haveria de desencadear surtos especulativos entre cavalheiros da minha idade que deveriam, em tese, estar a discutir pensões, geopolítica, transparência da Administração Pública ou lombalgias.

Em vez de ganhar juízo, compreendi que isto não poderia ser tratado com amadorismo: exigia estratégia. Ou seja, se a Humanidade produziu inteligência artificial para responder a emails corporativos, fabricar retratos absurdos e auxiliar estudantes preguiçosos, não vejo razão para não a mobilizar para um objectivo verdadeiramente digno: derrotar, tanto quanto possível, o modelo económico da Panini.

A campanha será, pois, conduzida com método. A máquina fará contas, projectará probabilidades, calculará redundâncias, indicará o ponto exacto a partir do qual a compra de novas saquetas deixa de ser racional e passa a configurar uma forma ligeira de automutilação financeira. Eu fornecerei os dados empíricos: quantos cromos tenho, quantos faltam, quantos repetidos surgem, que oportunidades de troca aparecem e quando a aquisição avulsa se torna economicamente mais sensata do que persistir na esperança irracional.

Luto contra um monstro. A Panini deverá conhecer em profundidade a alma humana. O seu modelo assenta, presumo, na transformação gradual do coleccionador num ser emocionalmente fragilizado que, já com mais de oitenta por cento da colecção concluída, continua a comprar saquetas movido pela convicção delirante de que a próxima conterá aquilo que lhe falta. E sem falhar.

Mas, desta vez, talvez haja um pequeno problema para a multinacional italiana. Não enfrentarei esta guerra sozinho. Trago comigo um algoritmo.

E, se ele falhar, restará sempre a mais antiga e respeitável das tradições nacionais: a troca desigual argumentada, a negociação emocional e aquela capacidade portuguesa de atribuir valor objectivo a equivalências absolutamente delirantes.

No fundo, com a idade, a infância não desaparece — apenas aprende a usar ferramentas estatísticas.

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https://paginaum.pt/2026/05/14/panini-esse-diabo-cacador-de-vicios

Pedro Almeida Vieira