
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
O imigrante português não é igual ao imigrante do Senegal ou de Marrocos.
domingo, 2 de agosto de 2026
Ceuta: sistema de boias não trava migrantes, mas permite expulsão imediata.

A Marinha espanhola iniciou trabalhos técnicos para instalar uma barreira de boias na fronteira marítima de Ceuta, após o presidente do Governo, Sánchez, anunciar que o Executivo usará esta medida enquanto revê a lei.
A instituição espanhola já está a recolher informação técnica junto das unidades de mergulho com experiência na instalação e gestão de sistemas flutuantes, boias de sinalização, de seguimento ou de marcação de objetos, com o objetivo de garantir a segurança à superfície durante uma eventual instalação.
As consultas são dirigidas, em concreto, ao Centro de Mergulho da Armada, situado na Estação Naval de La Algameca, em Cartagena, e dependente do Almirante de Ação Marítima. Este centro é a unidade de referência em operações subaquáticas e trabalhos técnicos submersos, pelo que dispõe dos conhecimentos necessários para aconselhar sobre uma infraestrutura com estas características.
A este dispositivo soma-se o Comando das Unidades da Força de Ação Marítima em Cádis, do qual depende a Unidade de Mergulho de Cádis, responsável pelo apoio às operações marítimas nas áreas de Ceuta e Melilla.
Esta unidade poderá intervir tanto na instalação como na manutenção da barreira, se esta vier a concretizar-se. Do Ministério da Administração Interna sublinham, contudo, que poderá ser a Guardia Civil a acabar por assumir a missão, enquanto a atuação geral será coordenada pelo Salvamento Marítimo com o apoio da Armada e do próprio instituto armado.
Resposta que Sánchez classifica como conjuntural
Pedro Sánchez fez o anúncio esta sexta-feira, durante a visita a Ceuta, onde explicou que o desdobramento de boias responde a uma situação “conjuntural” perante a chegada massiva de migrantes vindos de Marrocos, que, nos últimos dias, ultrapassou, segundo dados do Ministério da Administração Interna, as 50.000 pessoas.
O objetivo, referiu, é criar uma barreira de contenção visível que facilite a aplicação do acórdão do Tribunal Supremo de 8 de julho, que determinou que a Lei dos Estrangeiros não permite as chamadas devoluções a quente quando os migrantes são intercetados a nado, por não existir no mar um elemento de contenção física equivalente ao da fronteira terrestre.
O chefe do Governo mostrou-se disponível para estudar uma reforma da Lei dos Estrangeiros, para que as repatriações na fronteira possam ser realizadas, nas suas palavras, da forma mais eficiente possível.
Evitou imputar a responsabilidade da crise a Marrocos e sustentou que as autoridades do país vizinho colaboram para agilizar o regresso dos seus cidadãos, aos quais atribuiu, juntamente com as máfias de tráfico de pessoas, a leitura interessada da sentença que teria potenciado o aumento das chegadas.
A ministra da Defesa, Margarita Robles, sublinhou que o Exército estará sempre presente para apoiar os cidadãos de Ceuta, também em tarefas humanitárias. Recordou que os acontecimentos de 2021 provocaram mortos e feridos e salientou que o mais importante é garantir a segurança das pessoas.
Destacou igualmente que todos os militares colocados na cidade estão ali para prestar ajuda à população e defender a sua integridade territorial perante o que descreveu como um ataque na sequência da chegada massiva de migrantes.
Robles avisou as máfias de que será aplicada a legislação espanhola e de que haverá devoluções para Marrocos, em linha com o garantido por Sánchez, e confirmou que serão instalados elementos de contenção no mar, como boias, para dar cumprimento à sentença do Supremo.
Tipos de boias que podem ser instaladas em Ceuta
Embora o Governo ainda não tenha especificado o modelo exato que será instalado no esporão do Tarajal, o setor marítimo dispõe de vários tipos de boias que se ajustam às funções de sinalização, marcação e contenção ponderadas pela Armada. Estas são as principais categorias:
Boias de sinalização marítima. São as mais comuns para delimitar zonas de navegação ou limites na água. Costumam ser de plástico ou de aço, com cores muito visíveis, como laranja ou amarelo, e podem estar equipadas com luzes ou refletores para garantir a sua visibilidade de dia e de noite. A sua função principal é estabelecer um limite claro, alinhado ao objetivo de criar uma fronteira visual no mar.
Boias de contenção ou de barreira. Usam-se normalmente para delimitar zonas de banhos, conter derrames ou restringir a passagem de embarcações. São ancoradas ao fundo do mar e ligadas entre si por cabos ou correntes, formando uma linha contínua. Este é o modelo que mais se aproxima da ideia de criar um elemento físico semelhante a um esporão, tal como exige a sentença do Tribunal Supremo para a aplicação das devoluções a quente.
Boias de seguimento ou de marcação (GPS). Incorporam tecnologia de geolocalização e transmitem a sua posição em tempo real. Utilizam-se habitualmente para monitorizar correntes, embarcações ou equipamentos submersos. Neste caso, a sua utilidade seria complementar, permitindo à Armada e ao Salvamento Marítimo controlar o estado e a posição exata da barreira após a sua instalação.
Boias oceanográficas ou de vigilância. Estão equipadas com sensores e, nalguns casos, com câmaras ou sistemas de deteção de movimento. Não são as mais comuns em dispositivos de contenção fronteiriça, mas podem servir de apoio à vigilância das tentativas de atravessamento nas zonas mais próximas da linha de boias.
Boias de amarração modificadas. São estruturas mais robustas, concebidas originalmente para fundear embarcações de maior porte. A sua resistência torna-as adequadas para condições de mar mais exigentes, embora o seu desdobramento e instalação seja mais complexo e mais caro do que o das boias de sinalização convencionais.
Enquanto se aguarda uma eventual reforma legal, a barreira de boias perfila-se como a principal medida imediata do Governo para reforçar o controlo da fronteira marítima de Ceuta e evitar situações de imigração irregular massiva como a vivida na última semana de julho e que teve consequências em toda a Europa.
sábado, 1 de agosto de 2026
Quem é esta personagem, Rita Rola, "inventada" por Luis Montenegro.
‘Protegida de Montenegro’ na ERC: Rita Rola recebe ‘avença’ mensal de 6.166 euros por uma deslocação semanal (de avião) a Lisboa. Durante séculos, sinecura passou a designar um cargo ou benefício que assegurava prestígio e remuneração sem exigir presença regular, responsabilidade efectiva ou trabalho proporcional à retribuição. O termo nasceu da expressão latina sine cura — “sem cuidado” — e acabou por se transformar no símbolo dos lugares distribuídos por conveniência política, nos quais o estatuto prevalece sobre a função. Esta é precisamente a imagem que, na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), se associa ao mandato de Rita Rola, advogada do Porto escolhida, no final de 2023, para integrar o Conselho Regulador como quinto elemento, eleito por cooptação. Sem experiência conhecida na área dos media, da regulação da comunicação social ou do jornalismo, Rita Rola, de 46 anos, ocupa um dos cargos mais bem remunerados da entidade, com um vencimento de 6.166 euros mensais, que inclui despesas de representação. A sua presença pública e institucional é, porém, praticamente invisível. E existe uma razão que poderá ajudar a explicá-lo: mantém a sua vida pessoal e uma parte substancial da actividade profissional na região do Porto, onde reside e permanece associada a duas instituições privadas de ensino superior. Nas anteriores composições da ERC, procurava-se que o quinto elemento do Conselho Regulador — cooptado pelos quatro membros eleitos pela Assembleia da República — fosse uma personalidade de reconhecido mérito, frequentemente oriunda do jornalismo, do direito da comunicação, da academia, da magistratura ou de um percurso ligado à liberdade de imprensa e à regulação dos media. A escolha de Rita Rola, em Novembro de 2023, constituiu, por isso, uma surpresa no sector. Era praticamente desconhecida entre jornalistas e especialistas em comunicação social. Na política, porém, tinha ligações relevantes. Licenciada em Direito e doutorada pela Faculdade de Ciências Jurídicas e do Trabalho da Universidade de Vigo, Rita Rola construiu a carreira sobretudo na advocacia, dedicando-se às áreas da violência doméstica e da violência contra a família. Exerceu ainda funções de juíza social no Tribunal de Família e Menores do Porto e de jurista na delegação da Cruz Vermelha da Póvoa de Varzim, no apoio a vítimas de violência doméstica. Em paralelo, desenvolveu actividade docente no Instituto Superior de Ciências Empresariais e do Turismo do Porto (ISCET) e na Universidade Fernando Pessoa. Até chegar à ERC, era uma figura pouco conhecida mesmo no meio jurídico. Segundo o seu site, exercia num escritório no n.º 63 da Praça do Império, no Porto, na mesma morada onde funciona a PGA Advogados e onde trabalha Benedita Aguiar-Branco, sobrinha do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco. Segundo apurou o PÁGINA UM, porém, esta ligação familiar não terá estado na origem da sua escolha para o regulador dos media. A principal ligação política conhecida de Rita Rola encontra-se num patamar superior. Embora não haja indicações de militância no PSD, esta advogada desempenhou durante vários anos as funções de secretária da Assembleia Municipal de Espinho — passagem que não consta do currículo público. Entre 2009 e 2013, assumiu em diversas ocasiões a presidência em exercício daquele órgão, substituindo Luís Montenegro, então presidente da Assembleia Municipal, que, desde 2011, acumulava o cargo com a liderança do grupo parlamentar social-democrata. A composição do actual Conselho Regulador resultou de um delicado equilíbrio político. Helena Sousa e Carla Martins terão sido indicadas pela esfera do Partido Socialista, enquanto Telmo Gonçalves e Pedro Gonçalves surgiram associados à área social-democrata. Nos bastidores parlamentares, numa fase em que o Governo de António Costa atravessava um período de crescente fragilidade, a informação recolhida pelo PÁGINA UM aponta para que Luís Montenegro tenha feito prevalecer o nome de Rita Rola para o lugar de quinto elemento cooptado. A sua entrada inclinou o equilíbrio interno para a esfera social-democrata — que, poucos meses depois, chegaria ao Governo — num regulador que se tem revelado permeável às influências do poder político. Desde a tomada de posse, a actividade pública de Rita Rola relacionada com a ERC tem sido praticamente inexistente. Ao longo de cerca de dois anos e meio de mandato, são raríssimas as intervenções, entrevistas ou tomadas de posição que lhe são conhecidas. No próprio mural de Facebook do regulador encontra-se apenas uma intervenção sua no programa do Provedor do Telespectador da RTP, emitido em 19 de Julho de 2025, na qual surge a ler uma norma jurídica sobre a sinalização etária da programação. Enquanto os restantes membros aparecem regularmente nas fotografias de encontros nacionais e internacionais — nos quais a presidente, Helena Sousa, participa habitualmente acompanhada por Carla Martins ou Pedro Gonçalves —, contam-se pelos dedos de uma mão as ocasiões em que Rita Rola surge em iniciativas públicas. E, nas poucas aparições identificadas pelo PÁGINA UM, repete-se uma particularidade: ocorreram à quinta-feira ou, com menor frequência, à quarta-feira. Ver Rita Rola em Lisboa às segundas, terças e sextas-feiras seria coisa de pasmar. Fim-de-semana nem pensar… Se for outro qualquer dia a semana, quase é garantido que Rita Rola não mete os pés no pequeno palacete de Santos, junto á Avenida 24 de Julho. Foi o caso da assinatura formal de um acordo de regulação com a RTP, SIC e TVI sobre os concursos telefónicos. Apesar do aparato — entre outros esteve Nicolau Santos, Ricardo Costa e Francisco Pedro Balsemão —, Rita Rola foi a única ausência do Conselho Regulador. a razão é simples. o dia 15 foi numa quarta-feira, incompatível com a sua agenda pessoal. Segundo apurou o PÁGINA UM, Rita Rola desloca-se normalmente apenas uma vez por semana à sede da ERC, em Lisboa. Nessas viagens, terá optado habitualmente pelo avião entre Porto e Lisboa, regressando no próprio dia à região norte onde reside. O jornal verificou também que diversas deliberações do Conselho Regulador contêm a sua assinatura digital. Este facto, por si só, não permite concluir que tenha participado remotamente nas respectivas reuniões, razão pela qual o PÁGINA UM lhe perguntou quantas vezes esteve fisicamente presente na sede da ERC e quantas participou à distância. À semelhança dos restantes membros do Conselho Regulador, Rita Rola terá ainda uma viatura atribuída pela ERC. O PÁGINA UM não conseguiu, contudo, confirmar qual a utilização efectiva do veículo, se este permanece à sua disposição quotidiana ou se está reservado a deslocações em serviço. A conselheira não prestou, ao fim de mais de uma semana, qualquer esclarecimento sobre esta e muitas outras questões. No passado dia 20, o PÁGINA UM dirigiu a Rita Rola um conjunto de 21 perguntas sobre as condições em que exerce, a tempo inteiro, o cargo de membro do Conselho Regulador da ERC. As questões incidiam, entre outros aspectos, sobre a sua residência habitual no Grande Porto, a frequência das deslocações às instalações da entidade, em Lisboa, o meio de transporte utilizado, a eventual atribuição de viatura, o número de reuniões em que participou presencialmente ou à distância e a compatibilidade entre uma alegada presença física limitada a um dia por semana e o regime de tempo inteiro inerente às funções. Recorde-se que o Tribunal Administrativo de Lisboa intimou, por sentença do início deste mês, a ERC a mostrar os documentos associados aos registos dos veículos do Estado usados pelos membros do Conselho Regulador, que podem ainda recorrer da decisão até á próxima sexta-feira. Um dos aspectos mais polémicos tem sido o uso aparentemente generalizado de vários dos membro do Conselho Regulador em usarem de forma discricionária os veículos do Estado na sua vida privada, incluindo quando vão dar aulas para complementar os seus ordenados no regulador. Foram ainda solicitados esclarecimentos sobre a manutenção de actividades docentes, formativas e profissionais, o processo que conduziu à sua cooptação, as relações institucionais ou políticas com Luís Montenegro e com partidos, a passagem pela Assembleia Municipal de Espinho, uma eventual militância partidária, a situação do seu escritório de advocacia e quaisquer circunstâncias susceptíveis de suscitar dúvidas sobre a sua independência ou imparcialidade. Rita Rola não respondeu a nenhuma das perguntas enviadas pelo PÁGINA UM. Saliente-se que o regulador tem sido muito crítico sobre a exigência do contraditório quando se escreve sobre alguém. No caso em apreço, um membro do Conselho Regulador opta pelo silêncio. Não se pode, contudo, dizer que não tenha reagido. de facto, depois de receber as perguntas do PÁGINA UM, a conselheira da ERC eliminou do seu site as referências ao escritório n.º 9 do n.º 63 da Praça do Império, no Porto, bem como os contactos telefónicos que partilhava com Benedita Aguiar Branco, sobrinha do presidente da Assembleia da República. Contudo, já prevendo que a informação pudesse ser alterada ou removida, o PÁGINA UM preservara previamente a versão original da página num arquivo digital, uma hora antes de enviar as questões a Rita Rola (não respondidas). Porque aquilo que se publica na Internet pode desaparecer de um site, mas nem sempre desaparece da Internet. Ficou, assim, registada a tentativa de apagar as ‘impressões digitais’ de quem procura manter-se discreta por detrás da cortina, enquanto recebe cerca de seis mil euros mensais e beneficia das regalias associadas a uma sinecura com cheiro a Espinho.
sexta-feira, 31 de julho de 2026
A invasão de Ceuta!!!


quinta-feira, 30 de julho de 2026
João Costa, ex-ministro da Educação, no governo de António Costa.
João Costa, ex-ministro da Educação, fez a Portugal uma pergunta que se pretende retórica, mas que é, na verdade, a porta de entrada para uma das discussões mais graves das democracias contemporâneas: "Não estará na hora de o discurso de ódio ser efetivamente penalizado e de as redes sociais serem reguladas?"
A pergunta é feita com o tom de quem já sabe a resposta, e é esse tom, a certeza tranquila de quem se acha do lado certo da história, que trai o verdadeiro projeto.
Merece ser desmontada com cuidado, não pela indignação fácil, mas pela evidência do que "penalizar discurso" e "regular redes sociais" já significaram, na prática, onde foram implementados.
Há uma ironia que Costa não vê, ou finge não ver: quem se apresenta como o rosto da tolerância é, amiúde, o mais incapaz de exercê-la.
Fala em nome do respeito, da democracia, do combate ao ódio e ao mesmo tempo trata milhões de portugueses que pensam diferente dele como uma ameaça a neutralizar, uma patologia social a "penalizar".
Não tolera dissenso; ofende quem não se deixa moldar por sua régua moral. É esse fanatismo com ar de bom senso, a certeza de que só ele e os seus sabem distinguir a opinião legítima da perigosa, que deveria alarmar mais do que qualquer insulto anônimo numa caixa de comentários.
Onde a Pergunta Já Foi Respondida;
O Reino Unido não é uma hipótese acadêmica. É o laboratório onde a resposta afirmativa à pergunta de Costa já foi dada e os resultados estão documentados.
Sob a Seção 127 da Lei de Comunicações de 2003 e a Seção 1 da Lei de Comunicações Maliciosas de 1988, 37 forças policiais britânicas registraram 12.183 prisões em 2023 por comunicações consideradas "grosseiramente ofensivas".
Mais de 30 pessoas por dia, um aumento de quase 58% face às 7.734 detenções de 2019.
Os números vêm de pedidos de acesso à informação feitos pelo jornal The Times e depois foram confirmados pela biblioteca da Câmara dos Lordes britânica, que ressalta uma segunda estatística desconfortável: as condenações efetivas sob essas leis têm caído, de 1.995 em 2015 para 1.119 em 2023.
Ou seja, o aparelho policial deteve cada vez mais gente por opiniões publicadas online, ainda que a esmagadora maioria não chegue a tribunal o que não torna a detenção, a algemagem e o interrogatório menos reais para quem os sofre.
Os nomes existem.
Rose Docherty, uma avó escocesa de 74 anos, foi presa em fevereiro de 2025 no Queen Elizabeth University Hospital, em Glasgow, por segurar silenciosamente uma placa que dizia "coerção é um crime, estou aqui para falar, só se você quiser" sob a lei escocesa que cria "zonas de acesso seguro" ao lado de clínicas de aborto. Ela foi presa uma segunda vez em setembro do mesmo ano pelo mesmo gesto.
O caso, confirmado pela BBC, não se enquadra na mesma lei que gera as 12 mil detenções anuais por discurso online. É um instrumento legal distinto, sobre proximidade física a clínicas mas ilustra o mesmo mecanismo: uma categoria de "discurso que perturba" definida pelo Estado, aplicada depois a um gesto que, para muitos, seria simples exercício de opinião.
Esse é o destino habitual de quem entrega ao Estado o poder de decidir, ele mesmo, o que constitui "discurso de ódio".
A categoria começa por parecer consensual.
Quem defenderia publicamente o ódio?
Mas na aplicação real revela-se elástica o suficiente para incluir cartazes silenciosos, comentários indignados, opiniões impopulares.
João Costa escreveu palavras de burocrata, calculadamente mornas, que soam a moderação e bom senso e escondem, atrás da vaguidão, a ambição de decidir por todos o que pode e não pode ser dito.
É o velho truque de quem quer o poder de punir sem ter coragem de dizê-lo sem rodeios: fala-se em "penalizar o ódio" para preparar terreno a medidas que, ditas com todas as letras, encontrariam a resistência que merecem.
Perguntar "não é hora de penalizar o discurso de ódio?" é uma pergunta diferente de perguntar "você concorda que o Estado deve ser capaz de decidir, caso a caso, quais opiniões merecem sanção penal?". Mas é exatamente essa segunda pergunta que a primeira, levada à prática, acaba fazendo.
Nenhuma destas leis britânicas nasceu a dizer "vamos prender avós por cartazes" ou "vamos algemar quem escreve um comentário indignado".
Nasceram todas com o vocabulário de Costa: penalizar o ódio, proteger espaços sensíveis, regular a comunicação. O alargamento veio depois, degrau a degrau, com a lógica implacável da burocracia a cumprir o seu mandato.
É este o cerne da questão: quem define o que conta como discurso inaceitável, e onde termina essa definição?
Hoje, a categoria abrange incitação à violência e desumanização de minorias, consensos que ninguém sério disputa. As duas leis britânicas citadas mostram, cada uma à sua maneira, o que acontece quando essa categoria se expande na prática: uma passou de perseguir ameaças reais a deter 33 pessoas por dia por mensagens "grosseiramente ofensivas"; a outra, pensada para proteger utentes de clínicas de assédio directo, acabou por deter uma mulher de 74 anos por segurar, em silêncio, um cartaz a 200 metros de distância.
Não é preciso imaginar um cenário distópico. Basta ler as estatísticas de um país que, até há poucas décadas, se orgulhava de ser o berço do parlamentarismo e da liberdade de imprensa.
Conclusão: A Vigilância com Sotaque de Bom-Senso.
A liberdade de expressão não precisa de proteção para ideias agradáveis.
Precisa dela, justamente, para as ideias que incomodam, que ofendem, que um ex-ministro da Educação prefere não ler nas caixas de comentários. É essa proteção e não o conforto do consenso, nem a vaidade de quem se acha superior moralmente que distingue uma democracia de um regime de tutela.
Quando um ex-governante pergunta, com ar de evidência, se "não estará na altura" de penalizar e regular, não está a propor um debate.
Está testando a receptividade da opinião pública a uma medida cujo resultado prático já conhecemos, porque outros já o aplicaram primeiro.
E, enquanto isso, continua a se apresentar como o defensor da tolerância, enquanto trata como delinquentes em potencial os milhões de portugueses que não comungam de sua visão de mundo.
Não há contradição maior: pregar o respeito ao outro ao mesmo tempo em que se nega a ele o direito de pensar diferente sem represália.
A retórica de hoje é a detenção administrativa de amanhã e o Reino Unido de Keir Starmer é a prova documentada, não a especulação alarmista, de que esse caminho tem um destino conhecido.
DENUNCIANTE.Pt
Lista de fontes
- https://expresso.pt/.../2026-07-27-nas-caixas-de...
Dados de detenções no Reino Unido
- https://lordslibrary.parliament.uk/select-communications.../ — briefing da Câmara dos Lordes, resume e confirma os dados do The Times
- https://freespeechunion.org/.../police-make-30-arrests-a... — reproduz os números originais da investigação do The Times
Caso Rose Docherty
- https://feeds.bbci.co.uk/news/articles/c36507lw234o — primeira detenção, Fevereiro 2025
- https://feeds.bbci.co.uk/news/articles/cq65q455gn0o — segunda detenção, Setembro 2025
quarta-feira, 29 de julho de 2026
E ninguém sabe ‘Chinês’?!?
O capital chinês possui uma forte presença estratégica na economia de Portugal, tendo adquirido posições de grande relevância (frequentemente como o maior acionista ou com controle total) em setores como energia, finanças, saúde e infraestrutura.
Abaixo estão listadas as 20 empresas mais importantes que operam em Portugal e possuem controle ou participações dominantes e estratégicas de grupos chineses:
- Sector Financeiro e Seguros
Fidelidade – É a maior seguradora de Portugal. O grupo privado chinês Fosun detém cerca de 85% do capital.
Millennium BCP – Maior banco privado português. A Fosun é a maior acionista individual, detendo cerca de 20% das ações.
Bison Bank – Antigo Banif – Banco de Investimento, foi 100% adquirido pelo grupo Bison Capital, baseado em Hong Kong.
Multicare – Relevante seguradora de saúde portuguesa que faz parte do grupo Fidelidade, controlada indiretamente pela Fosun.
Via Directa (Ok! Seguros) – Outra subsidiária do ecossistema da Fidelidade voltada a seguros digitais e diretos.
- Energia e Utilidades Públicas
EDP (Energias de Portugal) – Uma das maiores empresas do país. A estatal China Three Gorges (CTG) é a maior acionista individual com mais de 20% do capital.
REN (Redes Energéticas Nacionais) – Empresa que gere as redes de transporte de eletricidade e gás. A State Grid Corporation of China detém 25% da empresa, e a Fosun possui pouco mais de 5%.
EDP Renováveis – Gigante do setor de energias limpas controlada pela EDP, sofrendo forte influência estratégica da China Three Gorges.
Petrogal Brasil (Subsidiária da Galp) – Embora a Galp seja portuguesa, a estatal chinesa Sinopec detém 30% da sua lucrativa operação de extração petrolífera no Brasil.
-Saúde e Hospitais
Luz Saúde – Um dos maiores grupos de medicina privada em Portugal (dono do Hospital da Luz). É controlado pela Fidelidade (Fosun).
Hospital da Luz – Rede hospitalar de referência integrada no ecossistema da Luz Saúde e dominada pela gestão do capital chinês.
-Engenharia, Construção e Indústria
Mota-Engil – A maior construtora de Portugal. O grupo estatal chinês CCCC (China Communications Construction Company) comprou uma posição estratégica de mais de 30% da empresa.
CALB Portugal (China Aviation Lithium Battery) – Responsável pelo maior investimento industrial recente em Portugal (cerca de 2 mil milhões de euros) para criar uma megafábrica de baterias elétricas em Sines.
Martifer – Empresa de construções metálicas e energias renováveis que conta com investimentos diretos de capital chinês em seu portfólio.
-Tecnologia, Telecomunicações e Mídia
Huawei Portugal – Gigante tecnológica chinesa com forte domínio na infraestrutura de redes de telecomunicações e venda de eletrónicos em solo português.
ZTE Portugal – Outra multinacional estatal chinesa focada em telecomunicações que opera de perto com os operadores de rede portugueses.
Tencent Portugal – Multinacional que não só gerencia propriedade intelectual e investimentos locais, como monitora startups no ecossistema ibérico.
Reditus – Empresa portuguesa de tecnologias de informação que possui participações minoritárias mas estratégicas de fundos associados ao capital chinês.
-Outros Setores (Imobiliário e Logística)
Fosun Portugal (Imobiliário) – Braço que gere dezenas de propriedades de luxo, terrenos urbanos e ativos imobiliários de grande porte comprados pelo grupo em Lisboa e Porto.
Inapa – Empresa do setor de distribuição de papel e soluções de embalagem que listou capital aberto com investimentos diretos e indiretos de grupos orientais.