sábado, 17 de janeiro de 2026

Dados que mostram por que Viktor Gyokeres está tendo tantas dificuldades na Premier League.

por 

Viktor Gyokeres

O Arsenal pode estar em ótima fase, mas as atuações apagadas do jogador contratado por 64 milhões de libras no verão passado têm sido decepcionantes e a preocupação entre os adeptos está aumentando.
O Arsenal lidera as tabelas da Premier League e da Liga dos Campeões, mas muitos de seus torcedores estão cada vez mais preocupados com o desempenho do atacante estrela Viktor Gyokeres, a contratação de 64 milhões de libras no verão que não está correspondendo às enormes expectativas que acompanharam sua chegada.

A atuação apagada de Gyokeres contra o Liverpool na quinta-feira à noite, na qual ele teve apenas oito toques na bola e não finalizou nenhuma vez, aumentou ainda mais a atenção sobre o jogador de 27 anos. Na Premier League, ele marcou apenas um golo de bola corrida nos seus últimos 15 jogos, desde meados de setembro.
Gyokeres já disputou 19 partidas na primeira divisão inglesa, uma amostra suficientemente grande para começarmos a tirar algumas conclusões iniciais sobre seu desempenho. Aqui, o Telegraph Sport analisa os dados subjacentes às suas atuações e os padrões preocupantes que surgiram desde a sua transferência do Sporting CP.
Pouco movimento
Talvez o aspecto mais frustrante das atuações do atacante nos últimos meses tenha sido sua incapacidade de encontrar espaço na área. Um tema recorrente nas partidas do Arsenal tem sido o cruzamento rasteiro na área sem que Gyokeres esteja perto o suficiente para alcançá-lo.

Em diversas ocasiões nesta temporada, Gyokeres ou estava em desvantagem quando o cruzamento foi feito ou simplesmente muito perto dos defesas adversários para conseguir qualquer impacto. O Arsenal tem um conjunto de pontas excepcionais – Bukayo Saka e Leandro Trossard, em particular, são excelentes cruzadores – mas Gyokeres tem tido dificuldades para aproveitar os cruzamentos deles pelas laterais.
O ex-atacante inglês Gary Lineker, conhecido por sua movimentação oportunista dentro da área quando era jogador, está entre os que criticaram a abordagem de Gyokeres nessas situações.
"Tenho-o observado atentamente nas últimas semanas e acho que ele é como a maioria dos atacantes – espera para ver para onde a bola vai, espera até que ela seja cruzada e então ataca o espaço", disse Lineker no programa The Rest Is Football . "É isso que os defesas fazem."

"Como atacante, você tem que arriscar e tentar prever para onde a bola vai, bem na hora em que o adversário está prestes a cruzar. Assim, você ganha vantagem sobre o defesa e, muitas vezes, a bola não vai para lá, mas eu não o vejo fazendo isso com muita frequência."
Contra o Brighton & Hove Albion algumas semanas depois, Gyokeres não fez qualquer tentativa de se deslocar para o segundo poste ou para o primeiro poste quando Saka avançou pela ala direita. Em vez disso, permaneceu praticamente imóvel, ao lado de um defensor do Brighton.
E contra o Liverpool, na noite de quinta-feira, Gyokeres voltou a demorar a reagir quando Rice avançou pela esquerda e cruzou de forma fantástica.

Será que o problema está no ataque do Arsenal como um todo, e não em Gyokeres individualmente? O sucesso de Mikel Merino, quando atuou como atacante durante a ausência de Gyokeres no início desta temporada, sugere que não.

Merino, jogando como avançado centro, mostrou movimentação inteligente dentro da área para marcar golos de cruzamentos em jogos contra Slavia Praga, Chelsea e Brentford. Tais lances parecem estar fora do alcance de Gyokeres no momento.

Em muitos aspectos, a falta de ameaça aérea de Gyokeres não deveria ser uma surpresa. Dos seus 39 gols pelo Sporting na última temporada, nenhum foi de cabeça. Este não é um jogador com um longo histórico de se impor acima dos defesas adversários ou de se livrar da marcação em áreas congestionadas.

O Arsenal certamente esperaria mais precisão no último terço do campo de um atacante que chegou ao clube com a reputação de ser um dos artilheiros mais letais da Europa.

Toque não confiável
Infelizmente para Gyokeres, suas dificuldades não se limitam aos movimentos sem a bola. Com a posse de bola, ele também tem tido problemas contra os defesas agressivos e fortes da Premier League.

É evidente que a qualidade dos defensores na Inglaterra é superior à de Portugal, onde Gyokeres marcou 97 gols em 102 partidas pelo Sporting. Na última temporada, ele completou 60 dos seus 132 dribles tentados (46%). Na Premier League, ele teve sucesso em apenas cinco dos seus 27 dribles tentados (19%).

Há algumas ressalvas a serem feitas. Primeiro, a natureza do jogo de posse de bola do Arsenal significa que Gyokeres frequentemente enfrenta defesas compactas e recuadas. Portanto, ele tem menos espaço do que a maioria de seus companheiros na liga. Segundo, o Arsenal geralmente prefere construir o jogo pelo meio-campo em vez de lançar bolas longas rapidamente para Gyokeres. Novamente, isso contribui para que ele esteja frequentemente cercado por adversários.

A combinação dos fatores acima significa que Gyokeres simplesmente não está tão envolvido nas partidas do Arsenal quanto ele ou o clube gostariam. Contra o Liverpool, na quinta-feira, ele teve apenas oito toques na bola. Foi a sétima partida da Premier League nesta temporada em que ele não conseguiu finalizar nenhuma vez.

Até o momento nesta temporada, 33 atacantes jogaram 500 minutos ou mais na Premier League. Desses 33, Gyokeres ocupa a 33ª posição em taxa de perda de posse de bola, o que significa que ele perde a bola mais vezes por toque do que qualquer outro atacante da liga. A sua taxa de perda de posse de bola é de 42,7%.

Essa falta de controle da bola quase custou caro ao Arsenal em casa contra o Aston Villa no mês passado. Gyokeres perdeu a bola no seu próprio campo, o que levou a um contra-ataque do Villa em que Ollie Watkins deveria ter marcado.

Gyokeres também apresenta uma taxa de sucesso em duelos preocupantemente baixa, de apenas 33,6% na Premier League nesta temporada. Somente três atacantes na liga têm uma taxa de sucesso em duelos pior.

Talvez o mais preocupante seja que Gyokeres está-se tornando menos participativo e menos eficaz com o passar do tempo. Nas  suas primeiras cinco partidas como titular na Premier League, ele marcou dois gols em jogadas trabalhadas e teve uma média de 20 toques na bola por jogo. Nas suas últimas cinco partidas como titular na Premier League, ele não marcou nenhum golo em jogadas trabalhadas e teve uma média de 15 toques na bola por jogo.

Adaptação
Apesar de todas as críticas que Gyokeres vem recebendo individualmente, pode-se argumentar que seus companheiros de equipe nem sempre o ajudam. Houve algumas ocasiões nesta temporada em que Gyokeres quis um passe ousado desde o meio-campo, mas seus companheiros optaram por uma jogada mais segura.

Contra o Liverpool, por exemplo, Martín Zubimendi recusou um passe de alto risco para Gyokeres e, em vez disso, fez um passe mais curto para Saka.
No Arsenal, tem sido muito comum Gyokeres procurar um passe enquanto seus companheiros de equipe fazem outro. Persiste a sensação – e na verdade está aumentando – de que ele ainda não está na mesma sintonia que os jogadores criativos da equipa.

O contra-argumento a tudo isso é que Gyokeres está ajudando o ataque do Arsenal ao ocupar os defesas adversários e pressioná-los para trás, criando assim mais espaço para os outros atacantes.

Não há dúvidas, porém, de que o Arsenal esperava mais quando optou por investir em Gyokeres no verão passado (ele foi escolhido em detrimento do mais caro Benjamin Sesko, agora no Manchester United). Com Gabriel Jesus e Merino disponíveis, e com Kai Havertz perto de retornar de uma lesão no joelho, Gyokeres agora luta para manter seu lugar na equipa. Nas arquibancadas, as vozes discordantes estão cada vez mais altas.

https://www.telegraph.co.uk/football/2026/01/11/data-viktor-gyokeres-one-of-worst-strikers-premier-league/?recomm_id=8e92d18c-67b2-4046-b578-de12779a8d07

Nenhum dos nossos filhos e netos nos vai perdoar por estes erros que estamos coletivamente a deixar que o governo cometa agora..

São criminosas estas adjudicações! Qual ou quais os objectivos destas "ofertas" de dinheiro que não é do governo?

Os nossos filhos e netos não nos vão perdoar
A construção de uma nova rede de alta velocidade ferroviária que não obedece aos padrões europeus, a construção de um novo grande aeroporto em Lisboa sem cuidar de aproveitar primeiro as infraestruturas que já existem, a instalação de mega centrais eólicas no mar e de gigantescas centrais solares por todo o país, são grandes erros que coletivamente estamos a deixar o Governo cometer e que iremos pagar bem caro. Mais grave ainda, os nossos filhos e netos que vão herdar o pagamento das pesadas responsabilidades destes projetos e que não puderam fazer nada para os evitar, nunca nos perdoarão.
Nada arrependido de já ter adjudicado o primeiro troço de uma rede de alta velocidade ferroviária anacrónica (só para passageiros, excluindo mercadorias) incapaz de comunicar com a rede espanhola e europeia porque é feita em bitola ibérica, sem os modernos sistemas de sinalização e sem as mesmas exigências de traçado, curvas e inclinações, o Governo insiste na mesma receita ruinosa.

O ministro das Infraestruturas acaba de anunciar o concurso para o segundo troço da alta velocidade ferroviária Oiã Soure, com alterações em relação ao primeiro anúncio, mas com os mesmos erros de conceção apontados atrás. Tal como o anterior, este troço que terá um preço base superior a 1.800 milhões de euros não será apoiado maioritariamente por dinheiro europeu a fundo perdido porque não segue os padrões exigidos por Bruxelas.

O primeiro troço já tinha sido objeto de uma declaração unilateral de alterações profundas por parte do consórcio vencedor, liderado pela Mota Engil, como se este consórcio fosse o dono da obra.

Desviar a estação de Gaia da posição central na cidade que o caderno de encargos definiu para um terreno afastado dos outros transportes públicos, diminuir a parte do trajeto em túnel, desviar o traçando atingindo dezenas de habitações e empresas, alterar e fazer, não uma, mas duas pontes sobre o rio Douro, não foram motivos suficientes para Miguel Pinto Luz erguer a voz em público e dizer ao consórcio privado que o que tinha sido posto a concurso era para ser respeitado. Teve de ser a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a vir dizer que chumba as alterações, senão o poderoso consórcio ia mesmo fazer o que queria.

A novela ainda vai no primeiro episódio, mas no segundo já se adivinha que o mesmo todo-poderoso consórcio ganhe o contrato de mais um troço da alta velocidade ferroviária. A Mota Engil já tinha anunciado aos quatros ventos a ambição de ganhar e refazer o novo troço à sua maneira, mas como deu muito nas vistas no primeiro troço, desta vez o próprio governo fez o favor de alterar o traçado antes da adjudicação.

Manda quem pode, obedece quem deve?
As perguntas que temos vindo a fazer em relação a esta obra faraónica e anacrónica impõem-se cada vez com mais premência:

Porque é que os contribuintes portugueses estão a ser obrigados a pagar em regime de Parceria Público Privada (PPP), sem comparticipação maioritária de fundos europeus, uma nova linha do norte paralela à atual, que vai custar entre 20 e 30 mil milhões de euros a preços correntes, com tecnologia e bitola igual à linha existente, para ganhar pouco mais de uma hora na ligação Lisboa Porto que já é assegurada pelo alfa pendular?
Nesse caso, porque é que não se investem apenas algumas centenas de milhões de euros na infraestrutura atual para reduzir o tempo de viagem do Alfa Pendular? Quantos comboios ligam ainda hoje cidades europeias que ficam à mesma distância Lisboa-Porto a menos de 200 km/h, e os respetivos cidadãos não se incomodam com isso?
Porque é que o país vai gastar entre 20 e 30 mil milhões de euros (incluindo uma nova ponte sobre o Tejo em Lisboa) para ficar com uma linha que exclui a passagem de mercadorias diretamente para Badajoz e para a Europa e que devia ser feita em condições iguais à alta velocidade espanhola francesa e italiana para que se pudesse escoar as exportações nacionais sem ter de se fazer o transbordo em portos secos na fronteira com Espanha?
Porque é que a prioridade não é dada a uma ligação em alta velocidade ferroviária Lisboa-Madrid, a partir do Pinhal Novo, em bitola europeia, sinalização e demais caraterísticas standard, estendendo-se depois esta rede à linha do Norte e a Sines (uma vez que, a linha Aveiro Vilar Formoso já foi erradamente recuperada em bitola e traçado do século XIX)?
Onde vai o ministro das Infraestruturas buscar mais dinheiro para uma nova linha de alta velocidade ferroviária entre o Porto e Bragança, que já mandou estudar, quando ainda não construiu um único metro da nova rede ferroviária que há quase dois anos anuncia aos quatro ventos? Novamente, aos bolsos dos contribuintes?
Só o primeiro troço da nova linha do norte, Porto Oiã, vai custar 230 milhões de euros ao Orçamento do Estado em 2026. Multiplicado por quatro troços, mais a nova ponte sobre o Tejo teremos mais de mil milhões de euros por ano à responsabilidade de contribuinte. Multiplicando por 30 anos de concessão… é fazer as contas!

Mas as opções altamente questionáveis do ministro das Infraestruturas - que o primeiro-ministro apoia sem reservas (por que será?) - não se ficam por aqui.

Na última segunda-feira antes do Natal, ficámos a saber que o Governo abriu negociações diretas com a ANA para alterar as especificações do novo aeroporto. Para acelerar o processo, decidiu prescindir da nomeação de uma comissão independente e promover um acordo direto com o concessionário dos aeroportos de Portugal.

A ANA já tinha feito saber que quer fazer a obra à sua maneira. O despacho conjunto das Finanças e das Infraestruturas estabelece que esta negociação é exclusivamente técnica e que "qualquer repercussão financeira deve ser discutida na fase de negociação dos contratos do NAL". Altera-se primeiro e paga-se depois…

Também aqui, manda quem pode, obedece quem deve?
O novo aeroporto de Lisboa a construir no limite sul do concelho de Benavente vai custar um valor nominal de 8.500 euros que, acrescido de correção financeira, ultrapassará, em muito, os 10 mil milhões de euros.

Quando o Governo garante que os contribuintes não vão pagar um único euro desta obra, escamoteia deliberadamente uma realidade económico-financeira que é muito simples: de uma forma ou de outra, todo um país chamado Portugal vai pagar o novo aeroporto de Lisboa bem caro.

Seja diretamente através de taxas aeroportuárias mais altas nesta, e nas restantes infraestruturas aeroportuárias, (penalizando os utentes portugueses e dissuadindo os estrangeiros de as usar em relação a outros aeroportos e destinos, isto é, retirando competitividade ao país), seja indiretamente através do custo de oportunidade que este investimento representa e que terá de ser pago com rendimentos gerados por toda a economia a nível interno, bem como na sua relação com o exterior no âmbito do turismo, viagens de negócios, no maior ou menor interesse das companhias low cost em voar para este destino, etc.

Pergunto-me insistentemente se Pinto Luz terá mesmo interiorizado o que é o conceito económico de custo de oportunidade…

Pensar de forma diferente, melhorando a infraestrutura que já existe na Portela com o prolongamento do taxiway, utilizando um aeroporto complementar de reforço como o do Montijo, valorizando Tires para jatos privados e Beja para mais companhias low cost, com boas ligações rodoviárias e ferroviárias, isso é pensamento de gente pobre! Nós queremos infraestruturas grandes e modernas, somos ricos e temos dinheiro para isso!

O mesmo Governo que não consegue fechar o IP3 Coimbra-Viseu em perfil de autoestrada, que não consegue ligar Sines a Grândola também por autoestrada, que não consegue ligar Vila Real de Santo António a Huelva em ferrovia, que arrasta a construção de um novo hospital Oriental de Lisboa (para citar os casos mais óbvios), é o mesmo Governo que tem 51,5 milhões de euros para distribuir pelos portugueses que queiram mudar o fogão e o esquentador a gás para equipamentos elétricos. Mas atenção, este subsídio não é para as famílias portuguesas mais pobres, é para as que chegarem primeiro! Que grande sentido de justiça social e que grande noção de prioridade económica!

Lembrar-se-á por acaso a ministra do Ambiente (e o primeiro-ministro) que a Comissão Europeia declarou, há poucos anos, o gás natural como energia verde, na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia e da crise energética que se seguiu?

Estarão os nossos governantes conscientes em relação às diretivas europeias que obrigam que as decisões de políticas públicas em matéria de energia sejam independentes em relação às tecnologias utilizadas, de forma a promover a verdadeira concorrência?

Porque é que o Governo está a usar dinheiro dos nossos impostos de contribuintes europeus (teremos de o pagar algures no futuro, de uma forma ou de outra) para empurrar deliberadamente clientes de empresas fornecedoras de gás natural e de botija e de fabricantes de fogões a gás e esquentadores, para empresas fornecedoras de eletricidade e fabricantes de equipamentos elétricos?

Em nome de que princípio político está o Governo a entrar descaradamente nas regras do jogo económico empresarial, com dinheiro que retira de impostos aos contribuintes e de taxas aplicadas às atividades económicas em geral?

E porque é que o Ministério do Ambiente esconde que a capacidade instalada de produção do sistema elétrico nacional já vai em mais de 24.000 MW, quando o pico histórico de procura registado em Portugal nunca chegou sequer a metade (9.200 MW), mas não para de promover e anunciar novos grandes projetos de eólicas, em terra e no mar, e gigantescas centrais solares que não só precisam de preços garantidos para serem rentáveis como destroem extensas áreas de coberto vegetal no nosso país?

Por que razão obscura é que o ministério do Ambiente está a sobrecarregar as gerações futuras com mais capacidade instalada de produção de eletricidade renovável intermitente, quando sabe que a capacidade atual já é largamente excedentária em relação á procura e que os mesmos clientes, famílias e empresas, terão de pagar através das faturas de consumo tanto as novas centrais como as que já estavam contratadas antes e fazem parte do sistema elétrico nacional?

Não conhecerá também a ministra do Ambiente o conceito económico e financeiro de custo de oportunidade, que implica que todo o país tenha de pagar as novas centrais mesmo que elas não sejam de todo necessárias, como é o caso do novo monstro da Cova da Beira chamado projeto Sophia?

Este gigantesco projeto de energia solar nasceu e continua (deliberadamente) envolto em mistério por parte dos seus promotores, para grande revolta das populações da região. Mas a rejeição não devia ficar a cargo só dos populares da Cova da Beira, todo o país deveria dizer não a esta pesada responsabilidade que vai ter de ser paga pelos atuais e futuros consumidores portugueses de eletricidade.

Para os leitores perceberem o que é a armadilha económico-financeira de projetos fotovoltaicos deste tipo, publicamos em anexo um estudo de análise técnica, enquadramento remuneratório e avaliação económica e ambiental elaborado pelo engenheiro João de Jesus Ferreira (Instituto Superior Técnico).

Um projeto que pode ter uma rentabilidade financeira elevada para o promotor, pode ao mesmo tempo "ter custos sociais enormes, que são socializados através das tarifas de acesso às redes (a pagar pelos consumidores) e outros custos do próprio sistema elétrico (que o promotor não aceita internalizar), e também custos ambientais graves (pela destruição de grandes áreas de coberto vegetal que albergam muita biodiversidade)".

Na verdade, os muitos milhões de euros de investimento nas grandes centrais solares e eólicas intermitentes não caem do céu. Os promotores têm grandes bancos, fundos e acionistas financiadores por detrás, que se fazem pagar com taxas de rendibilidade interna muito elevadas, muito acima das normais taxas de juro bancárias, tal como acontece com as PPP da rodovia, da ferrovia, dos aeroportos e de outras infraestruturas.

Toda a pesada herança em novos contratos financeiros de PPP ferroviária e aeroportuária, bem como em novas rendas de mega centrais de eletricidade renovável intermitente vão cair pesadamente sobre os nossos filhos e netos.

Todos eles se vão revoltar quando perceberem o brutal peso das responsabilidades que esta geração lhes atirou para cima. Nenhum dos nossos filhos e netos nos vai perdoar por estes erros que estamos coletivamente a deixar que o governo cometa agora.


https://sicnoticias.pt/opiniao/2025-12-24-os-nossos-filhos-e-netos-nao-nos-vao-perdoar-40f3c750


--   Com os meus cumprimentos  Rui Xisto    O conteúdo desta mensagem de correio eletrónico e seus anexos podem ser confidenciais e de uso reservado. Se não for o destinatário previsto desta mensagem, queira por favor elimina-la de imediato, não a reenvie a terceiros, nem faça qualquer uso da informação nela contida. Notifique igualmente o remetente que recebeu esta mensagem por engano. As mensagens de e-mail podem conter vírus ou outros defeitos, podem não ser reproduzidas fielmente em outros sistemas, ou podem ser intercetadas, excluídas ou interferidas sem o conhecimento do remetente ou do destinatário. O rui xisto não assume nenhuma responsabilidade em relação a qualquer uma destas ocorrências.     The contents of this email message and its attachments may be confidential and reserved use. If you are not the intended recipient of this message, please delete it immediately, do not resubmit to third parties or make any use of the information contained therein. Also notify the sender that you received this message by mistake.   E-mail messages may contain computer viruses or other defects, may not be accurately replicated on other systems, or may be intercepted, deleted or interfered without the knowledge of the sender or intended recipient. The rui xisto assumes no responsibility for any of these occurrences.     Se reencaminhar este mail  Apague o meu nome e o meu E-Mail  Encaminhe sempre como cópia  oculta (Cco ou Bcc) Assim diificulta a disseminação de Vírus, Spams e Banners.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Os melhores e piores pratos italianos para a sua saúde.

Escrito por Paul FryshRevisão médica por Poonam Sachdevem 30 de agosto de 2024


Pior: Pizza de Carne de Massa Grossa

Pior: Pizza de Carne de Massa Grossa
Essa pizza de massa grossa significa uma crosta mais espessa com mais carboidratos. Esses " carboidratos " são o tipo de caloria que entra na corrente sanguínea mais rapidamente do que outras fontes de energia, como proteínas ou gorduras. Adicione linguiça, carne e queijo, e você terá uma bomba calórica com gordura suficiente para contribuir para o entupimento das artérias ao longo do tempo, e carboidratos suficientes para elevar o nível de açúcar no sangue. Essa não é uma combinação ideal para uma boa saúde.

Melhor: Pizza de massa fina com legumes
Melhor: Pizza de massa fina com legumes
Uma massa mais fina tem menos calorias e carboidratos. E se for integral, demora mais para ser digerida, então é menos provável que seu nível de açúcar no sangue suba. Cubra com vegetais e molho de tomate sem adição de açúcar. Para reduzir a gordura, pegue leve no queijo. Se decidir adicionar carne, procure proteínas magras, como frango ou peru sem pele. 

Pior: Conchas recheadas
Pior: Conchas recheadas
A salada leva três tipos diferentes de queijo gorduroso e conchas gigantes de massa, o que garante bastante carboidrato. Não é um bom começo. Se quiser se dar um mimo, procure por ricota com baixo teor de gordura como recheio principal, e o mesmo para a mussarela e o parmesão. Depois disso, o importante é o tamanho das porções. Beba bastante água e acompanhe com uma porção generosa de salada verde para não exagerar.

Melhor: Pimentões Recheados
Melhor: Pimentões Recheados
Em vez de rechear conchas de massa ricas em carboidratos com queijos gordurosos de diversos tipos, que tal rechear um delicioso pimentão, com baixo teor de carboidratos e calorias, com arroz integral, tomates e proteína magra, como peru moído? Dessa forma, você satisfaz a mesma vontade com muito menos carboidratos, calorias e gordura.

Pior: Espaguete à Carbonara
Pior: Espaguete à Carbonara
Esta receita começa com uma porção generosa de massa rica em carboidratos. Em seguida, adicionam-se quatro gemas de ovo, uma xícara de queijo, azeite e, se isso não for suficiente em termos de calorias e gordura, meio quilo de bacon. Alguns cozinheiros até acrescentam um pouco de creme de leite para dar um toque especial! O resultado — sem surpresas — é delicioso. É uma boa opção para uma ocasião especial, mas a melhor maneira de preparar uma versão saudável deste prato é comer outra coisa.

Melhor: Espaguete à Marinara
Melhor: Espaguete à Marinara
Se você está com vontade de comer massa, esta é uma opção bem saudável. Comece com espaguete integral e adicione um fio de azeite ao molho marinara. Não tem problema, pois o azeite ajuda o corpo a absorver um nutriente importante do tomate ( licopeno ) que protege as células. Só não exagere na gordura e fique de olho no teor de açúcar do molho. Esses ingredientes podem adicionar calorias extras. Se quiser, um peito de frango grelhado e magro é uma ótima maneira de adicionar proteína.

Pior: Risoto de Parmesão
Pior: Risoto de Parmesão
A maneira tradicional de preparar este prato italiano de arroz é com bastante azeite, manteiga e queijo parmesão. Isso resulta em muita gordura e calorias, mesmo sem o ingrediente principal. O próprio arroz não só tem muitos carboidratos, como também possui um alto índice glicêmico . Isso significa que a energia entra na corrente sanguínea ainda mais rapidamente do que a massa. 

Melhor: Minestrone
Melhor: Minestrone
Se você está com vontade de comer arroz no jantar, por que não adicionar um pouco a esta sopa mista de legumes e feijão, saudável e versátil? Assim, você se satisfaz com um caldo e legumes com baixo teor de calorias, carboidratos e gorduras, e ainda tem um pouco de arroz para matar a sua vontade. Para o macarrão, certifique-se de usar macarrão integral ou macarrão curto integral, como rotini ou cotovelo.

Pior: Cannoli
Pior: Cannoli
Você pega farinha branca, que já tem muitos carboidratos e um alto índice glicêmico, e adiciona açúcar, que tem ainda mais dos dois. Depois, mistura com uma boa quantidade de gordura vegetal hidrogenada, abre a massa e frita em mais gordura. E ainda não acabou. O recheio é cheio de mais gordura e calorias, na forma de queijo ricota e açúcar. Para finalizar, polvilhe com açúcar de confeiteiro. Pense nisso como uma sobremesa para ocasiões especiais.

Melhor: Granita de Limão
Melhor: Granita de Limão
Você prepara essa bebida apenas com açúcar, água e limões, embora qualquer suco sirva. Ela é originária da Sicília, uma ilha no extremo sul da Itália. Algumas receitas também levam clara de ovo, que é rica em proteínas. A bebida é baixa em gordura, relativamente baixa em calorias e refrescante o suficiente para te despertar daquela moleza de meio dia de verão.

Pior: Berinjela à Parmegiana
Pior: Berinjela à Parmegiana
É um vegetal, então, qual o problema? Na verdade, é bem grave. O problema não é a berinjela em si, mas sim o fato de você cobri-la com bastante farinha e farinha de rosca e fritá-la em óleo. Algumas receitas mais saudáveis ​​pulam essa etapa, mas há mais com o que se preocupar. Você adiciona camadas de mussarela e parmesão, o que aumenta a gordura e as calorias, e depois derrete tudo no forno. 

Melhor opção: Legumes grelhados
Melhor opção: Legumes grelhados
Não poderia ser mais simples. Misture vegetais como berinjela, abobrinha, pimentão e até cogumelos com um pouco de azeite e coloque-os na grelha. O excesso de gordura deve pingar no fogo, o que resultará em vegetais perfeitamente grelhados, ricos em nutrientes e fibras e com poucas calorias. Uma pitada de sal marinho finaliza o prato. E você pode assar tudo no forno se não quiser cozinhar ao ar livre.

Pior: Lula frita
Pior: Lula frita
Comece com uma porção aparentemente inocente de frutos do mar frescos, ricos em proteína e com pouca gordura — neste caso, lula. Até aí, tudo bem. Mas é aí que as coisas começam a dar errado. Você a empanará em farinha ou farinha de rosca ricas em carboidratos e a fritará em uma panela de óleo. Gordura, calorias, carboidratos — você entendeu a ideia — não é uma boa escolha se você está controlando o peso ou se alimentando para ter saúde.

Melhor: Mexilhões à Napolitana
Melhor: Mexilhões à Napolitana

Prepare um caldo simples com cebola , alho , vinho branco, tomate e um fio de azeite. Em seguida, use o vapor para abrir delicadamente essas pequenas delícias do mar. Depois de saboreá-las diretamente da concha, aproveite o néctar restante com um pedaço de pão integral.

https://www.webmd.com/food-recipes/ss/slideshow-best-worst-italian-dishes

O que são alimentos processados?

Escrito por Alexandra Benisek
Revisto clinicamente por Kathleen M. Zelman, RD, LD, MPHem 20 de outubro de 2024


Quais são os tipos de alimentos processados?

Como os alimentos processados ​​afetam a sua saúde?

Como escolher as melhores opções?

Alimentos processados ​​são quaisquer alimentos que sofreram alterações em relação ao seu estado natural. Isso pode incluir alimentos que foram simplesmente cortados, lavados, aquecidos, pasteurizados, enlatados, cozidos, congelados, secos, desidratados, misturados ou embalados. Também pode incluir alimentos aos quais foram adicionados conservantes , nutrientes , aromatizantes, sais, açúcares ou gorduras.

Geralmente, as pessoas pensam que os alimentos processados ​​são "maus". Embora existam muitas opções processadas menos nutritivas, alguns alimentos processados ​​são saudáveis.

Quais são os tipos de alimentos processados?
As Nações Unidas possuem uma escala de classificação de alimentos chamada Classificação Alimentar NOVA. Ela divide os alimentos em quatro grupos:

Grupo um: Alimentos não processados ​​ou minimamente processados. Este grupo inclui alimentos como mirtilos frescos , nozes torradas, vegetais picados ou outros alimentos que sofreram pequenas alterações. Esses alimentos são preparados dessa forma para facilitar o consumo.
Este grupo também pode incluir alimentos que foram secos, congelados, refrigerados, filtrados, fermentados ou embalados a vácuo. O objetivo é preservar os alimentos naturais e permitir que você os consuma com segurança posteriormente.

Grupo dois: Ingredientes culinários processados. Este grupo inclui opções como manteiga, óleos, açúcar ou sal. São ingredientes que vêm da natureza, mas que sofreram pequenas alterações. Podem ter sido prensados, refinados, moídos ou secos. Passaram por esse processo para facilitar o seu uso na cozinha. Essas opções não devem ser consumidas sozinhas. Elas devem ser adicionadas aos alimentos durante o preparo das refeições.

Grupo três: Alimentos processados. Isso inclui peixe enlatado, frutas em calda, vegetais em conserva, queijo, pão fresco ou outras opções que foram feitas com adição de sal, óleo, açúcar ou outros ingredientes dos grupos um ou dois.

A maioria desses alimentos tem dois ou três ingredientes. São comestíveis por si só, mas também podem ser adicionados a outros pratos. Os alimentos deste grupo foram processados ​​para torná-los mais estáveis ​​ou para aprimorar as suas qualidades.

Grupo quatro: Alimentos e bebidas ultraprocessados. Este grupo contém alimentos que são tipicamente o resultado de processos de fabricação intensivos. Eles são criados a partir de alimentos e aditivos e não se relacionam muito com os alimentos do grupo um. Assim como outras opções, esses alimentos incluem açúcares, óleos, gorduras e sal. Mas eles também contêm ingredientes derivados de outros alimentos, como caseína , lactose, glúten , soro de leite, óleos hidrogenados, proteína isolada, maltodextrina , açúcar invertido e xarope de milho rico em frutose .

Relacionado:
Estévia: O que é isso?
As opções ultraprocessadas geralmente contêm muitos conservantes, corantes, aromatizantes adicionados, adoçantes não açucarados ou outros ingredientes que alteram a textura ou a aparência do alimento.

A maioria desses alimentos é feita para consumo imediato. Geralmente, não exigem muito preparo. Isso pode incluir itens como refrigerantes, salgados industrializados (doces ou salgados) ou refeições congeladas prontas.

A classificação NOVA pode ajudar a compreender os diferentes tipos de preparo de alimentos e é usada globalmente, mas não é reconhecida pelo FDA nem pelo USDA. Ela não inclui listas extensas de quais alimentos pertencem a qual categoria, o que pode causar confusão.

Como os alimentos processados ​​afetam a sua saúde?
Alguns alimentos levemente processados ​​podem fazer parte de uma dieta saudável. Mas outras opções, altamente processadas, podem acarretar riscos à saúde.

Você pode estar consumindo mais do que imagina. Alguns alimentos processados ​​contêm muito sal, gordura e açúcar. Isso pode fazer com que os alimentos pareçam mais atraentes, tenham um sabor melhor ou prolonguem sua vida útil. Mas você pode não saber a quantidade exata de gordura, sal ou açúcar nos alimentos que consome. Isso pode fazer com que você coma mais do que o esperado, já que pode ser difícil identificar esses aditivos.

Devido à grande quantidade de ingredientes, alguns desses alimentos também têm muito mais calorias do que você imagina. Por exemplo, um pequeno biscoito pode ter 50 calorias. Isso é aproximadamente o mesmo número de calorias que uma xícara inteira de vagem. Você tende a consumir mais calorias com alimentos altamente processados.

Alimentos ultraprocessados ​​podem aumentar o risco de cancro . Um estudo constatou que o risco de cancro aumenta com a quantidade de alimentos ultraprocessados ​​consumidos. Alguns especialistas questionam se isso se deve à grande quantidade de aditivos alimentares presentes nesses produtos.

Algumas opções processadas não fornecem ao seu corpo o que ele precisa. Alimentos altamente processados ​​são desprovidos de seus nutrientes básicos. É por isso que muitos alimentos processados ​​contêm fibras, vitaminas e minerais adicionados. Mas, uma vez que os nutrientes naturais de um alimento são removidos, é difícil repor todo o seu valor nutricional.

Alimentos altamente processados ​​são digeridos mais rapidamente. Alimentos processados ​​são mais fáceis para o corpo digerir do que alimentos no seu estado natural. Isso significa que seu corpo queima menos calorias ao digerir alimentos processados. Especialistas acreditam que você queima cerca de metade das calorias com opções processadas em comparação com alimentos naturais. Se você consumir alimentos processados ​​ricos em calorias que exigem menos calorias para serem digeridos, pode ser mais difícil manter um peso saudável.

Relacionado:
Vídeo: Como adicionar fibras às suas refeições
Como escolher as melhores opções?
Para aproveitar ao máximo suas refeições, o ideal é optar por alimentos que não tenham sofrido muitas alterações em relação ao seu estado natural. De modo geral, quanto menos processado, melhor.

Alguns exemplos de alimentos processados ​​que podem agregar benefícios às suas refeições incluem:

Pão integral ou de trigo integral
Vegetais pré-cortados
Leite com baixo teor de gordura
Leites ou sumos com adição de vitamina D e cálcio.
Frutas em conserva armazenadas em água ou sumo de fruta natural
Cereais matinais com adição de fibras
Embora seja impossível evitar completamente alimentos não saudáveis ​​em algumas ocasiões, é inteligente optar por alimentos minimamente processados. Existem algumas maneiras de garantir que você consuma opções alimentares nutritivas:

Leia os rótulos. Quanto menos ingredientes, melhor. Se você não consegue pronunciar a maioria dos ingredientes de um alimento, é muito provável que ele seja altamente processado e não muito saudável. Procure opções de alimentos integrais, como frutas e vegetais crus, ou opções com menos ingredientes.

Escolha alimentos da seção de produtos frescos. Uma maneira de evitar alimentos processados ​​é procurar na seção de produtos frescos do supermercado. Lá você encontrará opções mais saudáveis.

Procure carnes menos processadas. Carnes menos processadas, como frutos do mar ou peito de frango, são melhores para a saúde do que carnes muito processadas. Evite opções altamente processadas, como linguiça ou bacon.

Cozinhe mais em casa. Quando você come fora, é difícil saber exatamente o que tem na sua comida. Se você cozinha em casa, você controla os ingredientes que usa nas suas refeições.

https://www.webmd.com/diet/what-are-processed-foods

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Matava-se por ideias que não se compreendiam...

O juiz fitou o homem que acabara de disparar contra o presidente egípcio Anwar Sadat e perguntou, sem elevar a voz:
— Por que você o matou?
— Porque ele era seglar.
O silêncio que se seguiu pesava mais que a sentença.
— O que significa "seglar"? — insistiu o juiz.
O assassino engoliu em seco.
— Não sei.
Em outra sala, outro julgamento. O réu tentara matar o escritor Naguib Mahfouz.
— Por que o esfaqueou?
— Porque escreveu um romance contra a religião.
— Você leu o livro?
— Não.
Em um terceiro tribunal, mais um homem, acusado de assassinar o intelectual Farag Fouda.
— Por que você o matou?
— Porque ele não tinha fé.
— Como sabe?
— Está nos livros dele.
— Em qual livro?
Silêncio.
— Eu não sei. Nunca os li.
— Por quê?
O homem baixou a cabeça, como quem confessa o que o mundo inteiro já sabe.
— Eu não sei ler nem escrever.
Três julgamentos. Três mortes. Um único padrão.
Matava-se por ideias que não se compreendiam.
Condenava-se por palavras que jamais foram lidas.
Odiava-se conceitos que nem sequer se sabiam definir.
Não era convicção.
Era repetição.
Não era fé.
Era eco.
Não era certeza.
Era obediência cega.
A violência não nasceu do pensamento.
Nasceu da sua ausência.
O ódio não se propaga pelo conhecimento.
Espalha-se onde o conhecimento não chega.
E toda vez que uma sociedade abdica de educar, não produz apenas ignorantes.
Produz armas humanas: pessoas que não sabem por que atiram, mas estão dispostas a fazê-lo.
Este é o preço invisível da ignorância.

E, invariavelmente, quem o paga é alguém que nada fez para merecer.

Nenhuma descrição de foto disponível.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Top10 jogadores mais valiosos do mundo em 2025

Jogador - Equipa - Valor (em milhões de euros)

1. Lamine Yamal Barcelona 200 milhões

Erling Haaland Manchester City 200 milhões

Kylian Mbappé Real Madrid 200 milhões

4. Jude Bellingham Real Madrid 160 milhões

5. Vinícius Júnior Real Madrid 150 milhões

6. Pedri Barcelona 140 milhões

7. Jamal Musiala Bayern de Munique 130 milhões

Michael Olise Bayern de Munique 130 milhões
Bukaya Saka Arsenal 130 milhões

10. Cole Palmer Chelsea 120 milhões

Federico Valverde Real Madrid 120 milhões
Declan Rice Arsenal 120 milhões
Alexander Isak Liverpool 120 milhões

As reservas de petróleo, no mundo

domingo, 4 de janeiro de 2026

12 resoluções de Ano Novo.

Onze firmes propósitos antes de suspender temporária e intencionalmente toda a actividade cerebral para acreditar no décimo segundo.

03 jan. 2026, Alberto Gonçalves

1. Votar à distância nas eleições presidenciais. Manter a distância ao assunto após as eleições, incluindo a distância ao candidato que só escolherei no momento de fazer o "X" e, sobretudo, ao candidato que infelizmente ameaça ganhar. Confirmar a impressão de que, numa singela década, o prof. Marcelo foi capaz de duas proezas: a) reduziu a dignidade do cargo a escombros; b) devido a a) tornou indiferente a competência do sucessor, que com vantagem poderia ser um psiché ou pior (será pior).

2. Deixar de falar ou de sequer reconhecer a existência de criaturas que usam a palavra "resiliência" fora da conotação latina original ("ricochetear") ou da mecânica dos materiais. A borracha é resiliente, as pessoas não. Quando muito, as pessoas poderiam ser "resistentes", mas não resistem a torturar a língua.

3. Enfiar nesta cabeça dura que não se pode confundir "anti-sionismo" com "anti-semitismo". "Anti-sionismo" consiste apenas em abominar a criação de Israel, criticar as políticas de qualquer governo de Israel, reprovar a pretensão dos judeus em viver em Israel, condenar reacções violentas de Israel a ataques de terroristas genocidas, apelar a boicotes de tudo o que é israelita ou judeu, insultar e perseguir e agredir israelitas ou judeus, tolerar israelitas ou judeus desde que se criem condições para nos vermos livres deles, etc. Anti-semitismo é uma coisa diferente.

4. Desenvolver uma consciência ambiental e dedicar-me ao escrutínio das alterações climáticas. Quero ver se as temperaturas estão de facto a aumentar. Sobretudo, quero "torcer", como os adeptos da bola, para que aumentem, já que a cada ano se me encolhe a tolerância e a paciência para com o frio. Também gostava de torcer, não metaforicamente, o pescoço ao primeiro sujeito que garantiu vivermos num clima temperado.

5. Ouvir com a maior atenção as sucessivas declarações dos "líderes" europeus sobre a inabalável coesão da UE. Inventariar a quantidade de anúncios de "projectos", "iniciativas", "planos", "programas", "missões", "roadmaps" (estrangeiro), "estratégias" e "agendas" destinados a afirmar o continente enquanto potentado económico, militar, cultural e eclesiástico. De seguida, pretendo abrir a boca de pasmo e repetir quatrocentas e trinta e sete vezes a frase: "Felizmente a Europa acordou!" Depois da tampinha agarrada à garrafa, não tarda espantaremos a Terra com a invenção de uma garrafa agarrada à tampinha. O futuro é nosso.

6. Emoldurar o artigo da "The Economist", que elegeu Portugal como "a economia do ano". Pendurá-lo ao lado do comunicado de imprensa do Movimento Raeliano Português, em que se avisa para a chegada iminente de extraterrestres e se exige com urgência "enquadramento internacional pacífico e responsável, independente de qualquer especulação sensacionalista".

7. Arranjar uma "causa" ou uma teoria da conspiração. Aborrece-me ver tanta gente empenhada em coisas que me escapam. Não gostaria que continuassem a escapar-me. Preciso de abraçar um propósito, a lutar em prol dos "direitos trans" ou contra os hebreus que manipulam o mundo, a apoiar o feminismo que defende a burca ou a desmascarar a "ida" à Lua. O importante é que possa fingir-me virtuoso ou imaginar-me inteligente. Quero encontrar um desígnio e abrir conta naquelas redes sociais tão alternativas que ninguém as conhece. Quero sentir-me acima dos demais. Quero integrar-me, em suma.

8. Passar mais tempo a ver espécimes que vêem vídeos verticais sem parança, com o dedinho matreiro pronto a deslizar no vidro do telemóvel. Analisar-lhes as reacções ou a falta delas. Medir-lhes a frequência de piscadelas. Submetê-las a TAC e ressonância magnética, se possível. Deixar-me fascinar.

9. Viajar, como costumo, até aos Estados Unidos. Tentar não ser detido no aeroporto de chegada, onde, segundo relatos de quem à cautela nunca saiu de Carcavelos, as autoridades locais desataram a deter cidadãos inocentes aos milhares, quiçá milhões, para interrogatório, devassa da privacidade digital e desaparecimento sumário. Tentar não escutar os gritos lancinantes das vítimas. Esforçar-me cobardemente por não criticar Trump em público, ao contrário de 96,4% dos meus colegas de comentário, os quais não receiam exprimir a sua opinião individual – por acaso igualzinha à de todos os outros. Ponderar substituir a América por um passeio a um país realmente livre e civilizado, como o Reino Unido ou a Venezuela.

10. Estudar com minúcia as listas de livros, discos, filmes e receitas de bacalhau à Zé do Pipo que peritos elaboraram no final de 2025, de modo a evitá-los criteriosamente em 2026 e nos quarenta anos subsequentes.

11. Elogiar os imigrantes, sejam quem forem e quantos forem. Quanto ao "quem", são sempre maravilhosos, excepto se vierem do Ocidente e trouxerem dinheiro. Quanto ao "quantos", quantos mais melhor, visto que (quase) todos chegam emprenhados de duas ideias fixas: salvar a nossa segurança social e estimular a nossa economia. Chega a ser comovente – e incompreensível – que um desgraçado se dê ao trabalho de sair do Paquistão, percorrer sete mil quilómetros e se estabelecer numa cave esconsa da Amadora com o único objectivo de nos ajudar. Mas acontece.

12. Suspender a actividade cerebral de forma a acreditar piamente que a descida voluntária das sociedades ocidentais rumo um lugar mais irracional, mais opressivo, mais perigoso, mais ignorante, mais escuro, mais vigiado, mais primitivo, mais feio, mais triste e menos ocidental é para o nosso bem.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Somos uns ‘nhonhas’ (excluo os israelitas)

O meu significado de NHONHA:

Sem saber porquê usamos palavras que simplesmente 'não existem' ou que têm um significado, nos dicionários, que não tem nada a ver com aquele que lhe damos (e que, verdadeiramente, não sabemos porquê).

No meu caso específico, identifico neste momento uma que uso muitas vezes (sempre que quero adjectivar alguém que não impressiona ninguém, não assume posições firmes e que pode ser comparado a um 'coitadito'…enfim, 'delicadamente', um 'Pusilânime').

Depois da eliminação do 'pai natal' (já em curso nalguns países) seguir-se-à a do 'menino Jesus' (por ofender as crianças muçulmanas que estejam a ser educadas - pelos estados muçulmanos e/ou suas famílias - para seguirem a nobre profissão de terroristas e assassinos de cristãos e de não-muçulmanos). 

 

A F P

--------------------------------------------------------

Até quando vamos admitir o inadmissível?

Jérémy Silvares Jerónimo

Observador – 24.12.2025


Antes de mais, desejo um Feliz e Santo Natal a todos os leitores e colaboradores do Observador.

Dito isto, pergunto-vos: até quando iremos nós, ocidentais, admitir o inadmissível? Tinha 17 anos quando me fiz essa pergunta pela primeira vez. Foi no contexto dos motins de 2005 em França, quando dezenas de milhares de jovens estrangeiros, ou filhos e netos de estrangeiros, amotinaram-se. Queimaram carros, caixotes do lixo e todo o tipo de mobiliário urbano; incendiaram escolas e bibliotecas; lançaram pedras e foguetes contra a polícia; queimaram bandeiras francesas, aos gritos de «nique la France». Nesse mesmo ano ocorreram os atentados de Londres; no ano anterior, os de Madrid; e, quatro anos antes, o 11 de Setembro.

A mesma pergunta voltou a assolar-me em 2015, quando, após dez anos de relativa acalmia, os islamistas voltaram a massacrar inocentes — primeiro no jornal Charlie Hebdo, depois no Bataclan (mais de 300 mortos ao todo). E mais uma vez em 2016, quando milhares de jovens alemãs foram abusadas e agredidas sexualmente por refugiados, alguns chegados havia apenas poucos dias. E novamente em 2016, quando um padre de 80 anos foi decapitado por dois muçulmanos, ao grito de «Allahu Akbar». E ainda mais uma vez, nesse mesmo ano, quando um muçulmano radicalizado atropelou mais de 80 pessoas em Nice, no Passeio dos Ingleses. Ou quando um terrorista islamista atropelou várias pessoas na Suécia, em 2017, utilizando um camião.

Mais uma vez, a mesma pergunta atingiu-me como um relâmpago quando, em 2020, um professor francês, Samuel Paty, foi decapitado por um islamista checheno — depois de uma aluna muçulmana ter denunciado ao pai que o professor mostrara caricaturas do profeta Maomé na sala de aula, quando ela nem sequer lá estava. Ou em 2023, quando outro professor, Dominique Bernard, foi esfaqueado até à morte por mais um islamista. São tantas as vezes que me pergunto «até quando?», que já lhes perdi a conta.

Desta vez, não foi nem na Europa nem nos Estados Unidos, mas na Austrália. Mais uma vez, terroristas muçulmanos decidiram que pessoas inocentes não mereciam viver simplesmente por não partilharem da mesma religião. Por serem infiéis. Por não se submeterem. Por não aceitarem o estatuto de dhimmi. Por simplesmente existirem e serem diferentes, foram massacrados. Desta vez, o crime — aos olhos dos terroristas — daquelas pessoas que festejavam na praia era múltiplo: eram ocidentais; eram infiéis; e, ainda por cima, judeus. Nas caixas de comentários online nos jornais ingleses, alemães, franceses ou portugueses, várias pessoas quase justificavam o atentado, afirmando que o verdadeiro culpado era o primeiro-ministro de Israel. Que o primeiro-ministro de Israel seja responsável, segundo certas investigações, por crimes de guerra, é uma coisa. Mas aquelas pessoas na praia nada tinham a ver com o governo israelita nem com as suas forças armadas.

É estranho constatar que, quando há atentados cometidos por muçulmanos, essas mesmas pessoas afirmam que é preciso ter cuidado com as amálgamas e que a maioria dos muçulmanos não é terrorista. Têm razão: a maioria dos muçulmanos não é terrorista. Tal como a grande maioria dos estrangeiros não é criminosa — são, de facto, amálgamas erradas. Contudo, os mesmos que se indignam com as supostas amálgamas da direita não têm qualquer problema em amalgamar as vítimas judaicas com as acções do exército israelita em Gaza. Ou seja, para algumas pessoas – que se afirmam de certas correntes da esquerda – é errado amalgamar terroristas com muçulmanos (e volto a dizê-lo: têm razão), mas exige-se, pelo contrário, que admitamos a amálgama contrária, a de que qualquer judeu seria culpado de possíveis exacções das forças armadas israelitas, mesmo quando alguns dos judeus assassinados nunca sequer puseram os pés em Israel. Dois pesos, duas medidas.

Volto à minha pergunta inicial: até quando nós, ocidentais, cujos antepassados criaram as nações em que vivemos, vamos admitir o inadmissível? Até quando, nós ocidentais, vamos admitir que os nossos filhos possam ser esfaqueados por não professarem a religião que certos fanáticos gostariam que professassem? Até quando vamos admitir que as nossas filhas possam ser violadas por não aceitarem andar de burca? Até quando vamos admitir que os professores dos nossos filhos sejam decapitados? Que as nossas igrejas sejam profanadas, quando não incendiadas? Que os nossos carros e o mobiliário urbano das nossas cidades sejam queimados por «jovens de bairros desfavorecidos» — segundo a novilíngua inventada por certos sociólogos, tecnocratas carreiristas e jornalistas de esquerda — descontentes com um qualquer controlo policial? Até quando vamos admitir que certos bairros se tenham transformado em mini-nações onde impera a lei islâmica? Até quando vamos admitir que não possamos ir descansados a concertos, a festas, a eventos ou a mercados de Natal, com receio de que um carro «louco» — usando a narrativa dos meios de comunicação social — nos atropele a nós e a toda a nossa família? E até quando vamos admitir, nós, ocidentais nativos, que a nossa História, os nossos costumes, a nossa religião cristã e as nossas tradições mais importantes, como o Natal, sejam insultados, desprezados e humilhados, quando não pura e simplesmente proibidos, para não ferir susceptibilidades de comunidades estrangeiras?

De sinos silenciados a presépios proibidos em França; de cânticos de Natal proibidos sem prévia autorização camarária no Reino Unido — até quando? Até quando vamos admitir que certos jornalistas da extrema-esquerda nos insultem? Na semana passada, a rádio France Inter retirou um programa, após grande polémica, intitulado «As origens nazis dos mercados de Natal». Mais uma vez, certas amálgamas são autorizadas, se não vierem da direita. Até quando vamos admitir este tipo de insultos? Insultos, humilhações e proibições levados a cabo pelas mesmas elites artísticas, culturais, políticas que, supostamente, nos deveriam representar e defender. Até quando vamos aceitar que os nossos governos sejam incapazes de lutar eficazmente contra o crime, o tráfico de droga, o tráfico de pessoas, o terrorismo islamista, a violência dos antifas em manifestações ou os motins em bairros islamizados, mas que, ao mesmo tempo, esmaguem qualquer revolta dos ocidentais nativos com grande violência, mesmo quando essas revoltas sejam, no início, pacíficas? Até quando…?

Há sinais inequívocos de que os povos ocidentais estão saturados. Da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos — apoiado pela ala mais conservadora do Partido Republicano, mas também por intelectuais e figuras da direita radical americana — à vitória de Giorgia Meloni em Itália, passando pelos resultados de vários partidos classificados como de direita radical, anti-imigração e anti-wokismo. As manifestações que eclodiram no Reino Unido (110 mil a 500 mil pessoas nas ruas no dia 13 de Setembro), na Irlanda ou em Espanha, contra aquilo que as populações percepcionam como uma «invasão migratória» ou uma "violência de certos imigrantes", são sinais de que algo está a germinar. Mesmo a cada vez maior abstenção nas eleições são um sinal de que a confiança entre as massas e as elites está a desaparecer. Todos os grandes terramotos são precedidos de pequenas vibrações. Nenhuma revolução surge do nada: todas foram antecedidas por manifestações, protestos e revoltas menores.

Saturadas e desesperadas, as massas anseiam por líderes fortes. Mas quantas vezes não acabam enganadas por meros políticos profissionais, cujo único talento consiste em explorar esse desespero em benefício próprio? Como pode a população britânica aceitar que o seu governo tenha sido incapaz de proteger jovens inglesas escravizadas sexualmente por estrangeiros — que, em muitos casos, nem sequer foram condenados — e que, simultaneamente, a justiça condene cidadãos a dois ou três anos de prisão por comentários no Facebook, penas por vezes superiores às aplicadas a certos violadores pertencentes aos grooming gangs? E como pode a população francesa aceitar que o governo seja incapaz de combater eficazmente narcotraficantes estrangeiros; que tenha ordenado à polícia que não recorresse à força contra jovens que, durante os motins de 2023, incendiavam carros e atacavam agentes com foguetes e cocktails Molotov; mas que esse mesmo Estado não hesite em mobilizar blindados e helicópteros para abafar a revolta de agricultores franceses? Se quiserem compreender o que é a anarco-tirania, estes são, para mim, dos exemplos mais claros.

Infelizmente, como tantas vezes ao longo da História, quando os povos são governados por fracos, o colapso acaba por chegar — e as calamidades acumulam-se. Não dizia Camões, Que um fraco Rei faz fraca a forte gente. Como analisou, e bem, o historiador belga David Engels — conhecido por ter escrito um livro em que compara o colapso do Império Romano com o estado actual da União Europeia —, muitos europeus continuam a esperar que os líderes dos nossos Estados resolvam os problemas que as nossas nações enfrentam: a baixa natalidade dos europeus autóctones; a crise do imobiliário; a crise da identidade; a crise económica; a desindustrialização; a lenta agonia da agricultura, causada, em parte, por políticas concebidas por tecnocratas cinzentos nos gabinetes do Parlamento Europeu, em Bruxelas; a crise migratória; o aumento da insegurança (resultante, em parte, da crise migratória); o terrorismo islamista (idem); a crise ecológica; e todo o tipo de pressões e lobbying levados a cabo pelos Irmãos Muçulmanos, que já terão infiltrado instâncias europeias através de ONG pró-islamismo, como foi demonstrado pela investigadora Florence Bergeaud-Blackler.

Contudo, a cada dia que passa, a maioria dos cidadãos — sobretudo os mais jovens —, em várias nações ocidentais, começa a aperceber-se de que os nossos governos são incapazes de solucionar as múltiplas problemáticas com que somos confrontados, e muitos começam a duvidar de que este estado de coisas se possa prolongar por muito mais tempo. Os modelos estatais jacobinos estão esgotados: velhos, cansados e sem forças. Será tempo de pensarmos noutros modelos políticos que voltem a dar voz ao povo e, igualmente, de ponderarmos uma renovação das elites. Pois, quer queiramos quer não, a "super-estrutura", utilizando um termo marxista — isto é, o conjunto de pessoas que integra as instituições político-jurídicas (políticos profissionais, governantes, magistrados, juízes) e as instituições ideológicas (universitários, professores, membros dos meios de comunicação social, filósofos, escritores) — não só não demonstra capacidade para proteger o povo, como, em muitos casos, parece estar-se pouco a borrifar para o destino das massas populares.

Apenas os últimos europeus ainda se agarram ao ideal de um Estado‑Providência paternalista e o defendem a todo o custo contra os seus inimigos, tentando superar-se uns aos outros na apresentação de projectos de reforma. Porém, é um engano: o Estado já nos abandonou há muito tempo ao nosso destino, pois a maioria dos políticos que o dirige — graças aos nossos votos — não faz mais do que instrumentalizá‑lo para os seus próprios fins, sugando, dia após dia, cada vez mais a sua medula, a fim de adiar os grandes problemas sociais de hoje para amanhã.       
David Engels, Que faire ? Vivre avec le déclin de l'Europe, Blue Tiger Media, 2019@font-face {font-family:"Cambria Math"; panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:roman; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:-536869121 1107305727 33554432 0 415 0;}@font-face {font-family:Aptos; mso-font-alt:Aptos; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:536871559 3 0 0 415 0;}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-unhide:no; mso-style-qformat:yes; mso-style-parent:""; margin-top:0cm; margin-right:0cm; margin-bottom:8.0pt; margin-left:0cm; line-height:115%; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Aptos",sans-serif; mso-ascii-font-family:Aptos; mso-ascii-theme-font:minor-latin; mso-fareast-font-family:Aptos; mso-fareast-theme-font:minor-latin; mso-hansi-font-family:Aptos; mso-hansi-theme-font:minor-latin; mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; mso-bidi-theme-font:minor-bidi; mso-font-kerning:1.0pt; mso-ligatures:standardcontextual; mso-fareast-language:EN-US;}a:link, span.MsoHyperlink {mso-style-priority:99; color:#467886; mso-themecolor:hyperlink; text-decoration:underline; text-underline:single;}a:visited, span.MsoHyperlinkFollowed {mso-style-noshow:yes; mso-style-priority:99; color:#96607D; mso-themecolor:followedhyperlink; text-decoration:underline; text-underline:single;}.MsoChpDefault {mso-style-type:export-only; mso-default-props:yes; font-size:12.0pt; mso-ansi-font-size:12.0pt; mso-bidi-font-size:12.0pt; font-family:"Aptos",sans-serif; mso-ascii-font-family:Aptos; mso-ascii-theme-font:minor-latin; mso-fareast-font-family:Aptos; mso-fareast-theme-font:minor-latin; mso-hansi-font-family:Aptos; mso-hansi-theme-font:minor-latin; mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; mso-bidi-theme-font:minor-bidi; mso-font-kerning:1.0pt; mso-ligatures:standardcontextual; mso-fareast-language:EN-US;}.MsoPapDefault {mso-style-type:export-only; margin-bottom:8.0pt; line-height:115%;}div.WordSection1 {page:WordSection1;}

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

opinião: Um País, Dois Destinos

o Diabo, 12 de Dezembro de 2025 •

HEnrIquE nETO

Aproxima-se o dia 18 do próximo mês em que todos seremos chamados a escolher o novo Presidente da República para os próximos cinco anos.
Trata-se de uma grande responsabilidade, na medida em que Portugal não vai bem, com elevados números de pobreza, com os serviços públicos em crise e a não servir
com um mínimo de dignidade os cidadãos, quando sucessivos governos navegam à vista sem estratégia e sem planeamento, além da escolha de governantes sem a qualidade, a seriedade e a competência que seriam necessárias. Há naturalmente excepções, mas que não fazem a primavera.
Acresce que o crescimento de uma direita de protesto permite que um Presidente eleito sem as necessárias credenciais democráticas possa embarcar numa revisão constitucional que nos faça regressar ao passado.
Há muitos anos que escrevo nos jornais com propostas de mudanças nos principais sectores da sociedade e da economia portuguesas, com a perfeita consciência da validade dessas propostas que são o resultado de alguma experiência, mas sem sucesso.
A estrutura política criada depois do 25 de Abril, falsamente democrática, tem permitido um poder excessivo dos partidos, em particular dos partidos da área do poder - Partido Socialista e PSD - que usam esse poder para exercer um domínio indevido sobre a sociedade através do Estado, o que inclui também grande parte da comunicação social.
Infelizmente, por alguma razão, todos os partidos têm recusado as reformas necessárias, nomeadamente a reforma das leis eleitorais, de forma a permitir que os cidadãos eleitores possam escolher os seus representantes no Parlamento e nas autarquias, como acontece na maioria dos países da União Europeia.
Assim, a perda de qualidade dos escolhidos pelos directórios partidários transformou-se num modelo em que os dirigentes cada vez menos qualificados escolhem outros ainda com menos qualificações, mas mais fiéis a quem os escolhe, com menos valores éticos e democráticos,  mas mais abertos a processos de defesa de interesses ilegítimos e de ideologias crescentemente desligadas da realidade.
Em que a luta política deixou há muito deter como objetivo o bem comum, para ser simplesmente a defesa de grupos com os mais variados interesses.
O assalto a cargos na administração pública, nas empresas públicas e mesmo em algumas empresas privadas favorecidas pelo Estado, eliminou a existência de dirigentes profissionais que garantiam no passado a qualidade e a continuidade da gestão e destruiu a memória das instituições.
Os problemas hoje existentes na saúde, na educação, na justiça e na economia são o resultado directo desse processo de destruição muito pouco criativa, mas bastante rendosa para os partidos e para os protegidos do poder. Não surpreende, portanto, a enorme luta entre os partidos a que assistimos, a qual não conhece limites, luta sem tréguas travada no Parlamento, nas autarquias e nos meios de comunicação. Presentemente, já deixou de ser possível a tomada de decisões baseadas no conhecimento, no estudo e no interesse público, para ser uma lotaria baseada em interesses contraditórios.
Esta estranha capacidade da política portuguesa na obtenção de empregos rendosos transformou os políticos portugueses em especialistas na obtenção de empregos
internacionais. O último caso foi o de António Costa, que ao longo dos anos criou o domínio do que tenho chamado a grande família socialista, para no final fazer uma rábula a fim de abandonar um governo de maioria absoluta para ascender a um emprego europeu. Mas não só: deixou no partido os seus protegidos da grande família que tudo farão para prejudicar a presente candidatura à Presidência da República de António José Seguro, um candidato demasiado sério para permitir a continuidade do domínio dos partidos sobre a sociedade.
Claro que no PSD a política é em tudo semelhante ao PS, com a diferença de terem perdido algum treino por terem estado afastados do poder durante muitos anos, nomeadamente durante os oito anos de António Costa, em que a criação da geringonça permitiu ao PS, sob a capa de políticas moderadamente sociais, esconder as desgraças de José Sócrates através da denominação do PSD de Pedro Passos.
Certo é que este PSD também não morre de amores por Pedro Passos Coelho e tenta recuperar o tempo perdido com aquilo que aprenderam com António Costa, não surpreendendo, portanto, que os objectivos e as políticas sejam semelhantes. Por exemplo: a empresa pública IP continua a fazer a defesa dos mesmos interesses, seja no novo aeroporto, seja nos planos ferroviários de alta velocidade, seja através da absurda escolha da bitola ibérica, ou da estúpida política de fuga à concorrência internacional. Este PSD chegou ao ponto de, para manter a escolha da bitola ibérica na ferrovia, perder os elevados apoios da União Europeia, que poderiam chegar a 80% dos custos, como acontece em Espanha e nos países Bálticos, para voltarem a endividar o País de acordo com o modelo de José Sócrates de dívida de muitos milhares de milhões de euros, através das célebres parcerias público/privadas de má memória.
Aliás, o PSD não deixou de escolher um ministro das Infraestruturas na linha dos ministros do PS, todos eles especialistas em esconder dos portugueses as políticas que desenham em segredo. O concurso para a primeira fase da construção da linha do Porto a Lisboa é uma obra-prima de simulação, onde o PS e o PSD divergem nos pormenores para se entenderem no essencial. Que toda a classe política portuguesa aceite silenciosamente que Portugal se torne uma ilha ferroviária, com comboios que não poderão sair do País e com  omboios europeus que não podem entrar em Portugal, é uma verdadeira tragédia no futuro das exportações portuguesas e uma verdadeira traição aos interesses de Portugal e dos portugueses.
Finalmente, é importante verificar que uma grande parte da classe política portuguesa, como uma grande parte da comunicação social, criaram o embuste das linhas vermelhas em relação ao Chega, mas sem perderem a oportunidade de promover André Ventura e de dar razões para o protesto dos portugueses, que é ainda a única forma existente de participação na vida política. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

DEBATOCRACIA


·         Blog 'irritado' - 

Debatemo-nos com debates. Os debatentes, já lhes perdi a conta, debatem e debatem-se. Um fartote de debates, de debatedores ou debatistas. São tantos que não cabem todos, e até a loira do costume, viajante em todos os mares, charcos e poças de todas as cores, coitada, ficou de fora. Uma injustiça, no parecer do IRRITADO.

Nenhum sabe o que há-de fazer ou dizer. Entretêm-se a imaginar. A Constituição, vaca sagrada, dá para tudo e para nada. Nenhum sabe, ao certo ou ao errado, o que faria ou poderia fazer se lá chegasse. Vão falando de coisas. Que coisas? Coisas. Coisas que jamais lhes competirão: saúde, educação, habitação, corrupção, blabla, etc. Ah, pois, aí está! Resta-lhes velar pelo regular funcionamento da democracia. Mas ninguém sabe ao certo o que isso é. À falta de melhor, inventa-se ao sabor do momento.  Vale tudo. Dizem e contradizem o que lhes der na gana.

Depois do debate, o debate continua. Chusmas de comentadores, comentadeiros e comentadistas,  debatem-se, cheios de calores, amores e raivinhas, a promover a "imagem" de cada um.  Ali, na hora, em cima do acontecimento. O mercado de opiniões a funcionar. Um modo de vida, se calhar bem pago.

Falando a sério, que o assunto é (deveria) ser sério. E se a Constituição não fosse uma confusão, não seria bom para todos? Se o Presidente desta República fosse eleito no parlamento, de preferência via consenso? Um tipo honesto, boa figura, de uma certa idade, sem rabos de palha nem esqueletos no armário, para ficar bem em paradas, cerimónias, visitas de Estado, ratificações, promulgações e nomeações  formais, e pronto, como na Alemanha ou em Itália. Representante do Estado, ou da República, como queiram. Sem manias de representar as pessoas, "todos os portugueses", ou palermices do género.

Porquê eleições gerais para um cargo sem poder político, com umas funções que ninguém sabe ao certo quais são e que acabam por ser exercidas das formas mais canhestras ou mirabolantes?

Eu sei que ninguém quer rever a Constituição. Percebe-se. Mas, se fosse para acabar com os debates, se calhar valia a pena.