Matou que se fartou: quase 100 milhões e infectou 500 milhões!

https://www.youtube.com/watch?v=8l1FAQGsVlo&feature=youtu.be
bom jogo, para fazer sozinho ou em família. Um jogo para toda a família!
Vamos todos aprender mais sobre os vírus, o novo coronavírus e como nos protegermos.
José António Saraiva
https://sol.sapo.pt/artigo/689853/o-nosso-modo-de-vida-acabou
No último dia 10 de Março, o prefeito da capital russa, Serguêi Sobiânin, anunciou que Moscou começaria a construir às pressas um centro de doenças infecciosas para pacientes com coronavírus. Mas, diante do número de casos, a pergunta é por quê?
“Como parte do regime de alerta máximo, decidimos construir uma instalação móvel de um novo hospital de doenças infecciosas”, escreveu o prefeito de Moscou, Serguêi Sobiânin, em seu site em 10 de Março. Ainda segundo ele, o hospital seria construído em um curto período de tempo e equipado com os mais modernos equipamentos.
Duas semanas após o início das obras, as fundações de concreto já foram colocadas, e a construção de um centro de tratamento, composto por 12 edifícios, começou, anunciou o vice-prefeito Andrêi Botchkarev. Em breve, será construída uma unidade de terapia intensiva, com 10 edifícios e capacidade para 250 pacientes.
“Actualmente, cerca de 2.000 trabalhadores e 500 equipamentos estão envolvidos na construção do hospital. No pico de trabalho, mais de 5.000 pessoas estarão envolvidas na construção do centro”, disse Botchkarev.
O hospital terá uma área total de cerca de 70.000 metros quadrados e poderá acomodar 500 pacientes, incluindo a unidade de terapia intensiva. O hospital terá mais de 30 edifícios e diversos departamentos, incluindo:
- Unidade de Emergência
- Centro de Tratamento
- Unidade de Terapia Intensiva
- Laboratório
- Centro de Diagnóstico
- Unidade Infantil, Unidade Cirúrgica e Maternidade
O prefeito ressaltou que o hospital está localizado a 250 metros da área residencial mais próxima, a uma distância “150% maior que a zona sanitária necessária”, portanto, o complexo não apresenta qualquer perigo para os moradores locais.
O hospital ficará pronto em um mês, informou a agência de notícias Moskva.
Hospital por precaução
As notícias de que um novo centro de doenças infecciosas estaria sendo construído às pressas fez com que usuários de redes sociais levantassem suspeitas e indagações.
“Por que, se existem apenas 60 infectados a cada 100.000 habitantes [na Rússia]? E não é tarde demais?”, comentou um usuário no Twitter.
“Há uma semana, eles informaram que um hospital totalmente novo havia sido alocado para os doentes. Se eles estão construindo um novo, por quê?”, questionou outro usuário na rede.
“Eis aqui uma óptima ideia: por que não reabrir hospitais fechados? Mas tudo isso é para gastar dinheiro, não construir hospitais”, comentou uma usuária chamada Elena Valies sobre as notícias relacionadas ao novo hospital.
Ao explicar a decisão de construir o novo instituto, o prefeito disse que, “actualmente, Moscou acaba de isolar casos do novo coronavírus, e as instalações hospitalares existentes estão lidando com isso. No entanto, cada novo caso requer a hospitalização não apenas da pessoa doente, mas de várias outras pessoas”.
“Todos que entraram em contacto com um portador do vírus e estão mostrando sintomas de uma infecção viral respiratória aguda são levados ao hospital”, explicou.
“Existem muitos outros casos de hospitalização ‘preventiva’, quando um caso suspeito de coronavírus não é confirmado posteriormente. E, é claro, a cidade deve estar pronta para qualquer cenário”, concluiu o prefeito.
Isolamento por dentro
Além do novo complexo, uma unidade de um hospital recém-construído no vilarejo de Kommunarka, nos arredores de Moscou, foi especialmente destinada a receber os casos já confirmados e suspeitos de covid-19.
Segundo o médico-chefe, Denis Protsenko, a instalação atende a todos os requisitos de um hospital de doenças infecciosas, com antessalas em todas as entradas da área de pacientes com covid-19. “Cada vez que um membro da equipe entra, eles usam roupas de protecção e material descartável de desinfecção. Até agora, nenhum membro da equipe foi infectado [pelo novo coronavírus]”, disse Protsenko.
“Todos os pacientes em quarentena têm acesso a internet gratuita e cinco refeições por dia”, relata Katerina Nazarova, uma das pacientes do hospital. Todos os alimentos são entregues em recipientes descartáveis individuais.
Os pacientes são testados para coronavírus no primeiro, terceiro e décimo dia da estadia no hospital. Os pisos são lavados com uma solução de água sanitária uma ou duas vezes ao dia. Não é permitida a entrada de visitantes no hospital.
“Estou sozinha em um quarto com dois leitos. Os corredores são amplos e desertos, como na Umbrella Corporation de Resident Evil”, conta Katerina.
O médico-chefe admite que alguns pacientes tentam fugir do hospital, não por causa de más condições, mas porque têm medo de permanecer em uma ala de isolamento por 14 dias – um requisito padrão para todos os pacientes com suspeita de covid-19.
“Alguns pacientes recebem ajuda psicológica. É preciso entender que o auto-isolamento e a quarentena são alguns dos meios mais eficazes. Sou a favor de fechar totalmente a cidade. Acho que isso nos tornaria mais seguros ”, diz Protsenko.
A maioria dos pacientes no hospital também concorda com a posição do médico. Alguns até gravaram um apelo em vídeo para que as pessoas de fora se auto-isolem para se protegerem contra o coronavírus.
“Estou em um hospital de doenças infecciosas com suspeita de coronavírus. Sempre me perguntam: ‘Como vai está, como vai?’ Gente, eu estou bem, está tudo bem. Estou isolado em um momento em que há uma pandemia por aí. E você, não”, diz um dos pacientes em vídeo. “Você está andando pelas ruas, se comunicando com pessoas potencialmente infectadas, tocando os mesmos corrimãos, respirando o mesmo ar. Esteja atento e assuma a responsabilidade por você e por seus entes queridos, faça-o agora. Nas condições actuais, a única maneira de superar esse desastre é se isolando.”
24 de Março de 2020
Victória Riabikova
Ver também em: https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2020-03-21-SEF-recusou-entrada-de-14-brasileiros-em-Portugal-mas-MAI-revogou-a-decisao
https://diariodegoias.com.br/biologo-orienta-cuidados-contra-o-coronavirus-com-informacoes-tecnicas/
Redacção de:
Luiz Augusto Vassoler
– Biólogo –
O meu destaque vai – acima de tudo - para a frase (pelo ‘ridículo’ de que de facto se tem revestido a actuação de ‘sua excelência’):
A piedade impede comentários à prestação do presidente da República em título
O ‘resto’ são só a incompetência e a mediocridade generalizadas (leiam devagar – e façam intervalos para não apanharem uma indigestão com a ‘estupidez’ revelada).
E é tão grande (a ‘estupidez’ revelada) que decidi não pôr em evidência nenhuma. Escondidas no texto, há verdadeiras ‘pérolas’.
Mas, leiam. E guardem! Para memória futura.
Texto de Alberto Gonçalves)
5 de Fevereiro
A ministra da Agricultura diz que o coronavírus “pode ter consequências bastante positivas” para as exportações portuguesas do sector agro-alimentar para os mercados asiáticos.
6 de Fevereiro
A ministra da Agricultura diz que o seu sentimento perante o coronavírus é de “preocupação e solidariedade”.
24 de Fevereiro
O prof. Marcelo declara que “tudo está a ser feito para lidar com o coronavírus”.
25 de Fevereiro
A ministra da Saúde sugere o isolamento das pessoas vindas de zonas onde há transmissão do coronavírus.
26 de Fevereiro
A Direcção Geral da Saúde não sugere o isolamento das pessoas vindas de zonas onde há transmissão do coronavírus.
A ministra da Saúde sugere que a sua sugestão acerca do isolamento das pessoas constituiu um lapso.
A ministra da Saúde garante que Portugal está preparado para responder ao surto de coronavírus.
O ministro dos Negócios Estrangeiros garante que Portugal está preparado para responder ao surto de coronavírus.
A Federação Nacional dos Médicos garante que Portugal não está preparado para responder ao surto de coronavírus.
28 de Fevereiro
A directora-geral da Saúde alerta que “não nos devemos beijar todos os dias e a toda a hora”.
29 de Fevereiro
A directora-geral da Saúde admite que Portugal poderá ter um milhão de infectados.
O dr. Costa recomenda que não se levem as mãos à “boca, nariz ou olhos”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros assegura que “estamos a aprender [a lidar com o coronavírus] e julgo que estamos a aprender depressa.”
BE: “O coronavírus deve dar-nos esperança de que somos capazes de enfrentar a crise climática”
Numa escola secundária do Porto, os alunos não podem lavar as mãos porque não há sabão. E não há sabão porque, explica uma directora, não há dinheiro.
2 de Março
Surgem os primeiros casos de infectados com coronavírus em Portugal. São dois.
3 de Março
O dr. Costa corre ao Porto para visitar os pacientes. O prof. Marcelo diz que, por sua vontade, “já lá estava”.
Após gesticular para os doentes, o dr. Costa garante que Portugal está preparado para responder ao surto de coronavírus.
A ministra da Saúde implora que não se use a Linha SNS 24 para pedir informações sobre o coronavírus.
O responsável pela Linha SNS 24 alerta que a Linha SNS 24 está nas últimas.
4 de Março
A Linha SNS 24 não atende boa parte das chamadas.
5 de Março
Após acabar demitido, o responsável pela Linha SNS 24 reagiu através de um poema. Fica um excerto: “Como velas de pavio forte/Queimamos ao luar/Das madrugadas passadas/A Trabalhar/A escrever, a digitar/A Criar o digital na saúde em Portugal/9 anos acessos, pela força e paixão/Como velas que ardem dentro do coração.” Eu seja ceguinho se isto não é verdade.
O ministro da Economia jura que o impacto do coronavírus no sector que “tutela” é “bastante reduzido”, salvo em minudências como os “transportes, das viagens e da hotelaria”.
6 de Março
A directora-geral da Saúde, que começou por achar que o vírus nunca chegaria a Portugal e depois passou a prever um milhão de infectados, encontrou um ponto intermédio e agora aconselha as visitas a lares de idosos, por não haver “esse grau de risco”.
7 de Março
O dr. Costa garante que Portugal está preparado para responder ao surto de coronavírus.
8 de Março
O prof. Marcelo, sem sintomas de gripe mas não de outras maleitas, anuncia o próprio exílio em casa.
9 de Março
Não tendo sido testado a mais nada, os testes do prof. Marcelo ao coronavírus são negativos. O dr. Costa envia-lhe felicitações pelo Twitter.
O prof. Marcelo, que sem vírus decretou a quarentena de si mesmo, assoma à varanda e informa o povo de que lava a louça e a roupa, além de cozinhar.
O dr. Costa admite fechar as escolas e etc. antes de qualquer parecer técnico.
10 de Março
Apenas dois secretários de Estado e um autarca vão ao aeroporto receber o português que estava infectado e deixou de estar.
Em Setúbal, um homem ficou fechado numa casa de banho durante 4 horas à espera do INEM.
Para o Bloco de Esquerda, “As forças de extrema-direita tentam lucrar com o medo para impulsionar imundas respostas malthusianas e racistas. (…) O Covid-19 é apenas um aviso, mais um aviso: é preciso acabar com o capitalismo que conduz a humanidade à barbárie”.
11 de Março
Em Gaia, um homem ficou fechado no carro durante 4 horas à espera do INEM.
75% dos portugueses não acreditam que o SNS esteja preparado para uma pandemia, o que significa que 25% acreditam ou pelo menos não rejeitam a hipótese.
Na Trofa, uma turma ficou fechada na sala durante 11 horas à espera de orientações da Linha SNS 24.
Em Lousada, uma médica ficou fechada no consultório com uma doente durante 6
horas à espera de auxílio.
O hospital de Coimbra compra fatos de pintor para proteger os médicos.
A Direcção Geral da Saúde desatou a engasgar-se na actualização do número de infectados.
Nos aeroportos, os passageiros continuam a chegar sem qualquer inspecção.
Oportunamente, o Bloco de Esquerda lembra-se de que a Linha SNS 24 “não deve ser explorada por entidades privadas”, não se fosse estragar.
A directora-geral da Saúde diz para os cidadãos evitarem a “corrida aos supermercados” e, em vez disso, recorrerem à “horta de um amigo”.
Há 3.000 pessoas “sob vigilância” enquanto se aguardam os resultados de 80 testes. Faz sentido, embora não se perceba qual.
Em organismos públicos, distribui-se gel desinfectante com a validade expirada em 2013.
Uma adolescente internada com gravidade foi três vezes às urgências e, como na Bíblia, três vezes negada.
À revelia de toda a civilização, em Portugal continua tudo aberto – incluindo as praias, aliás repletas.
Um obscuro Conselho de Saúde avisa a população da sua existência e de uma reunião marcada para o dia seguinte, de tarde que não há pressa.
A ministra da Saúde proclama o reforço da Linha SNS 24, que não dá uma para a caixa.
Enquanto 39 países já impuseram o fecho de escolas e etc. (e alguns o “lockdown”), o dr. Costa vai a Berlim desenvolver a tese de que o coronavírus é uma oportunidade para a Europa “mostrar a sua força”.
O dr. Costa não admite fechar as escolas e etc. sem ouvir os pareceres dos técnicos.
O dr. Costa promete proteger todos os portugueses, “estejam em que parte do mundo estiverem”.
12 de Março
O tal Conselho de Saúde, representado por um sujeito que acha o coronavírus inofensivo, irrompe da reunião e comunica não aprovar o fecho das escolas e etc.
A ministra da Saúde e a directora-geral fazem uma conferência em dueto onde harmonizam no vazio absoluto, ou na necessidade de lavar as mãos, actividade em que esta gente é tão exímia quanto Pilatos. Ambas rejeitam o fecho das escolas.
Comentadores isentos aplaudem a decisão de não fechar as escolas.
O Sindicato Independente dos Médicos nota que o SNS não tem camas para internamento, não tem camas de cuidados intensivos, não tem profissionais suficientes, não tem máscaras, não tem desinfectantes, não tem nada excepto a distinção de “melhor do mundo”.
Descobre-se um piloto da TAP infectado. As “autoridades” de saúde não quiseram descobrir a lista dos passageiros conduzidos pelo piloto.
O dr. Francisco George, ilustre antecessor da sua ilustre sucessora, anda pelas televisões a falar com a lucidez de um dependente de metanfetaminas. O objectivo, palpita-me, é fazer as “autoridades” actuais parecerem sensatas por comparação. Não foi inteiramente alcançado.
23 crianças (e seis adultos) estão retidas num jardim de infância da Maia, por suspeitas de infecção em uma delas.
O dr. Costa, que com escassas semanas de atraso ouviu os partidos à tardinha, ignorou o parecer dos técnicos e, invocando uma instituição europeia avulsa, anunciou o fecho das escolas – mas só a partir de segunda-feira, que na sexta o vírus
faz jejum.
Em 24 horas, ou menos, as medidas que eram “excesso desnecessário” transformaram-se em critérios indispensáveis à “sobrevivência”. Num ápice, o país saltou do “Toy Story” para o “Mad Max”.
Comentadores isentos aplaudem a decisão de fechar as escolas.
13 de Março
Na Maia, oito ou nove horas depois, as crianças e os adultos saíram do jardim de infância.
Misteriosamente, o melhor SNS do mundo é o pior da Europa: somos o país com menos camas em cuidados intensivos em toda a EU (4,2 por 100.000 habitantes; a média é de 11,5).
O Bloco de Esquerda apela à requisição sumária dos “meios, material e instalações” dos hospitais privados, aqueles que o BE quer erradicar a pretexto do lucro ou lá o que é.
O ministro da Educação explicou o que iria acontecer nas escolas encerradas ao longo da quarentena. Evidentemente, ninguém percebeu. Nem ele, um matarruano que supõe dirigir-se a semelhantes seus: “Ninguém está de férias”. O matarruano trabalha em quê?
A Linha SNS 24 continua a não funcionar em condições.
Portugal tem 112 doentes confirmados, 1308 suspeitos, 5674 vigiados e 172 testados.
A Coreia do Norte e a Venezuela continuam sem infectados.
A ministra da Saúde teme que Portugal não esteja preparado para responder ao surto de corona vírus.
Ponto da situação
Vocês comprariam um carro usado ao dr. Costa? Não brinquem comigo: vocês aceitam que esse vulto coordene a reacção a uma pandemia. Há líderes valentes e até certo ponto confiáveis. Não é o caso. Ninguém aprendeu coisa nenhuma com o Siresp, Pedrógão, Tancos e o que calha. O dr. Costa também não, e permanece incompetente como sempre e dissimulado como nunca. Desde o início desta história que o homem não deu um espirro, salvo seja, sem medir previamente o impacto directo e indirecto do dito na sua popularidade. Para cúmulo, o dr. Costa rodeia-se de figuras compatíveis, uma corte de laparotos que competem pela atenção do chefe e pelo prémio do mais desnorteado. A piedade impede comentários à prestação do presidente da República em título. Quanto à oposição, cabe destacar o BE e dispensar a piedade: aquilo, para quem tinha dúvidas, é da ordem do sub-humano.
Portugal beneficiou do atraso do vírus, compreensivelmente hesitante a aparecer por cá. Porém, não tivemos sorte nem jeito na escolha de quem manda nisto: de rábula em rábula, frente ao cenário de um país arruinado, ignoraram-se os bons e difíceis exemplos do “estrangeiro” e seguiram-se os exemplos péssimos e fáceis de Espanha e Itália. Pelo caminho, salpicado de cobardia, perdeu-se tempo vital (para muitos literalmente). A culpa morrerá solteira. Os culpados ainda se vão rir disto, se é que não riem já.
Marcelo adora entrar em farmácias para descobrir as últimas novidades em medicamentos. Tanto que, na campanha das presidenciais, fez questão de entrar numa para comprar comprimidos para o estômago, antevendo a azia que Belém lhe pode provocar. Amigo há quase 40 anos de Marcelo, o médico Germano de Sousa conhece bem este lado do seu antigo vizinho. Quando moravam porta com porta, Germano não resistia a provocar o amigo quando o via de manhã, dizendo-lhe que estava com muito má cara. “Era o suficiente para ficar aflito”, conta o antigo bastonário da Ordem dos Médicos, a quem Marcelo pediu conselhos antes de se atirar ao Tejo na campanha para a Câmara de Lisboa, em 1989. “Devia ter tomado uma vacina, mas como só me perguntou na véspera, já não dava tempo de tomar nada.” Rebelo de Sousa ficou aflito com a resposta, mas arriscou. E não consta que tenham ficado sequelas do mergulho.
© Fornecido por Jornal i
https://ionline.sapo.pt/artigo/494376/as-20-loucuras-de-marcelo-rebelo-de-sousa?seccao=Portugal - Margarida Davim 27/01/2016
O Estado… isto é todos nós!
O valor final do caso BPN ainda pode chegar aos 10 mil milhões de euros, mas ainda assim Oliveira Costa, que morreu esta terça-feira, pôde viver na sua casa de luxo em Lisboa sem cumprir um dia de prisão a que foi condenado.
Eram 18h45 de um fim-de-semana quando José de Oliveira Costa saiu da sua casa em Lisboa, entre o Largo do Rato e a Estrela. Era Novembro de 2018 e assinalavam-se exactamente 10 anos desde as primeiras notícias de irregularidades no Banco Português de Negócios (BPN) e o homem que geriu o banco entre 1998 e 2008 passava agora ao lado da marisqueira Sem Vergonha, situada ao lado de sua casa.
Oliveira Costa mora no 5º andar de um prédio de luxo. Cá em baixo, à sua espera estava alguém que se identificou apenas como "um amigo de longa data". O Ex-banqueiro não quis falar com a SÁBADO e o amigo disse apenas que Oliveira Costa ia "fazer fisioterapia".
Os dois homens viraram costas e seguiram lentamente, de braço dado, a conversar. Sobre os ombros de Oliveira Costa pesavam talvez dois números: 15 e 12 anos de prisão. O primeiro é a pena a que foi condenado por abuso de confiança, burla qualificada, falsificação de documentos, branqueamento e fraude fiscal qualificada no âmbito do processo principal do caso BPN.
Na decisão de Maio de 2017 (rectificada há poucos dias, a 16 de Novembro), o Juízo Central Criminal de Lisboa não poupou nos termos: "culpa elevada (…) excepcionalmente grave ilicitude (…) estratégia pensada delineada e estruturada ao pormenor, que permitiu durante oito anos a omissão de registos contabilísticos (…) comportamento delituoso em vários negócios concretos (…) um montante de €9.253.246,09 de que se apropriou".
Também em Novembro, Oliveira Costa foi condenado a 12 anos de prisão por dois crimes de burla relacionados com negócios não financeiros, tendo a sentença termos como "gravíssimo dolo" e atitudes "oportunistas, gananciosas e sem escrúpulos".
Os processos estão em sede de recurso e não há horizontes para saber se o Ex-banqueiro alguma vez será preso. Em seu crédito tem oito meses de prisão preventiva (entre Novembro de 2008 e Julho de 2009) e 16 meses de prisão domiciliária (de Julho de 2009 a Novembro de 2010).
Usufruto em vida
Oliveira Costa reformou-se em Fevereiro de 2008, meses antes de rebentar o escândalo BPN. Em Março separou-se judicialmente de pessoas e bens, mas continuou a viver com a mulher, com quem tem dois filhos. Isolou-se socialmente e como trabalhou três décadas no Banco de Portugal tem uma reforma de €2.600 (metade retida para fazer face às dívidas).
Desde 2010, o Estado injectou 4,725 mil milhões de euros no BPN. Ou seja, há oito anos que cada português dá €59,06 todos os meses para pagar a gestão de Oliveira Costa. Para 2019, o Orçamento do Estado pede mais 548 milhões, e o enredo está a meio. Segundo o Jornal de Negócios, as sociedades-veículo criadas pelo Estado para ficarem com os activos do BPN (Parvalorem, Parups e Parparticipadas) tinham em 2017 capitais próprios negativos de 4,9 mil milhões de euros.
O saldo final do BPN pode então custar mais de 10 mil milhões de euros - verba que daria para pagar toda a despesa com saúde pública prevista para 2019.
Apesar destes números desastrosos para as contas públicas, o Ex-banqueiro conseguiu compaixão do Estado. Oliveira Costa mora no apartamento da Avenida Álvares Cabral em regime de usufruto em vida. O Estado - neste caso a Parvalorem - só vai alienar o imóvel quando Oliveira Costa morrer.
O património foi um dos episódios do processo. Parecendo adivinhar o que aí vinha, Oliveira Costa fez uma partilha de bens com a mulher a 10 de Março de 2008. No documento, a que a SÁBADO teve acesso, o casal dividiu entre si 6,5 milhões de euros. Cada um ficou com metade, mas à mulher calhou o que era seguro (ver caixa).
O Ministério Público (MP) não acreditou na bondade da separação e foi deitando a mão ao que pôde. Em 2013, Maria Yolanda acordou passar para a Parvalorem os imóveis, com um valor patrimonial tributário de 887 mil euros. Foi neste acordo que o Estado cedeu o usufruto em vida da casa de Lisboa. Um dos imóveis que passaram para o Estado, apurou a SÁBADO, foi vendido este ano (ver caixa).
Oliveira Costa, nascido em 1935 em contexto rural e humilde, caminhou em frente até ao Jardim da Estrela, que atravessou vagarosamente e depois para casa, uma hora após a partida. Estava feita a "fisioterapia". O Ex-banqueiro do BPN subiu depois no elevador até ao seu quinto andar, de onde, com vista para Lisboa e o rio, espera sentado.
Desconheço a autoria, mas está fantástico.