sexta-feira, 22 de maio de 2026

Há municípios afectados pelas tempestades que "ainda não avaliaram nenhuma casa", ministro da Economia apela a mais rapidez.

Importante para todos é saber-se quais as camaras, e de preferência saber-se a que partido pertence o presidente dessa camara! que ainda nada fizeram!

"O ministro da Economia alertou para a "disparidade" nos processos de avaliação de habitações afectadas pelas tempestades do inverno, apelando aos municípios “mais lentos se aproximem dos mais rápidos".

O ministro da Economia reconheceu que “há ainda muito a fazer na atribuição dos apoios até 10 mil euros” para a reconstrução de casas que ficaram destruídas depois do comboio de tempestades que assolou o país em janeiro e fevereiro. Esta sexta-feira no parlamento, Manuel Castro Almeida admitiu que há atrasos, “apesar de 13 municípios já terem concluído todos os processos e 10 municípios terem ultrapassado os 90%”. Nestes casos, os apoios foram pagos ou indeferidos.

Segundo Castro Almeida, os processos de indemnização estão a decorrer “de formas diferenciadas”. Há municípios que estão “muitíssimo mais lentos e alguns não avaliaram nenhuma casa”.

Observador

No Palácio de Belém, algo mudou profundamente na forma como Portugal se posiciona perante o mundo.

O que foi prometido como uma magistratura moderada e equilibrada deu lugar a um alinhamento direto com fações radicais. 
Fontes próximas do meio diplomático revelam um descontentamento crescente com a presidência, que decidiu romper com a tradição de neutralidade do país para ceder ao populismo fácil das redes sociais e das agendas ideológicas.
O primeiro grande sinal desta cedência aconteceu a 19 de maio, durante a entrega do Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa, um evento oficial que pode ser consultado no portal em http://www.coe.int
No seu discurso, o Presidente da República usou o palco para fazer um ataque unilateral a Israel. Chorou publicamente a morte de indivíduos descritos como jornalistas na Faixa de Gaza, mas omitiu deliberadamente o resto da história.
Para quem acompanha estes temas sem o filtro da propaganda, a realidade é muito mais crua do que o discurso oficial faz parecer. 
Muitos destes supostos repórteres são, na verdade, operacionais armados. 
Indivíduos que de dia faziam reportagens encomendadas e à noite guardavam armas, integrados nas fileiras do Hamas e da Jihad Islâmica. 
Quando a figura máxima do Estado português chora por estes agentes sem contextualizar quem eles eram, está a validar desinformação e a branquear o terrorismo. 
O Presidente preferiu ignorar os relatórios de segurança e conseguiu a proeza de não proferir uma única palavra sobre o Irão ou sobre o Hezbollah, que diariamente bombardeia o norte de Israel.
A confirmação desta deriva política veio logo no dia seguinte, a 20 de maio. 
As portas do Palácio de Belém abriram-se para receber oficialmente os familiares dos dois médicos portugueses detidos na chamada Global Sumud Flotilla. 
O registo deste encontro e a agenda oficial da Presidência estão acessíveis em http://www.presidencia.pt
À saída, montou-se o habitual circo mediático perante as câmaras, com queixas de que o cônsul de Portugal em Telavive ainda não tinha conseguido falar com os detidos, tentando passar a imagem de que os jovens médicos são heróis desamparados.
Desmontando a retórica política, a verdade sobre este caso é simples. 
Aquela flotilha nunca foi uma missão de caridade ou de ajuda humanitária. 
Foi uma provocação política orquestrada para desafiar a segurança e furar um bloqueio militar numa zona de guerra ativa. Os dois médicos sabiam perfeitamente ao que iam. Ninguém entra numa operação daquelas por ingenuidade. Eles conheciam os riscos e sabiam que seriam usados como peões de manobra ideológicos.
Ao recebê-los em Belém com honras e passadeira vermelha, o Presidente acabou por transformar ativistas radicais em mártires nacionais, validando quem viola bloqueios militares e apoia indiretamente estruturas terroristas. 
Um passaporte português serve para proteger os cidadãos cumpridores e trabalhadores, não para ser usado como salvo-conduto por ativistas que vão conscientemente criar incidentes internacionais e depois exigem que o Estado os vá salvar.
Esta postura de Belém representa uma rutura e uma traição ao eleitorado moderado que colocou o Presidente no poder. 
Ao ceder à pressão das franjas mais radicais para garantir aplausos fáceis dos comentadores de serviço, o Chefe de Estado escolheu a imagem pessoal em detrimento da justiça, promovendo a divisão interna e manchando a credibilidade externa da diplomacia portuguesa.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Da decadência moral de um homem em abstinência de cromos.

A mente humana é uma máquina admirável, sobretudo quando resolve deixar de pensar para começar a coleccionar. O homem, apesar de ser animal dotado – que inventou a metafísica, a álgebra, a sonata, os impostos e até o requeijão light –, desce com enorme facilidade à condição de roedor quando lhe põem diante dos olhos uma saqueta colorida com sete cromos lá dentro. Sete.

Vejam este número bíblico, número cabalístico, número de dias da Criação, número de pecados capitais, que se mostra tão diabólico que transforma um adulto já dentro da segunda idade, aparentemente funcional, num ser que frequenta até papelarias e quiosques com o ar inquieto de quem procura morfina em vielas esconsas.

Foi assim comigo nos últimos anos.

Comecei a colecção dos cromos Panini com aquela inocência perigosa dos homens que ainda acreditam controlar os seus actos. No primeiro dia, entrei no Auchan da Rua Damasceno Monteiro e comprei algumas saquetas. Poucas, pensei eu. Uma experiência. Uma brincadeira. Um regresso moderado à infância. Mas a palavra “moderado”, em matéria de cromos, deve ser lida com a mesma cautela com que se lê “provisório” num imposto português. 

Nos dias seguintes, o abastecimento correu bem. O sistema parecia civilizado: comprava umas saquetas, abria-as com uma dignidade relativa, separava os repetidos, alinhava os novos, registava na folha de cálculo do Excel e contemplava tudo como um cartógrafo do Império. Nessa fase inicial, nada se apresenta como vício. Surge vestido de passatempo. Cheira a nostalgia, não a compulsão. Fala-nos da infância. Sussurram-nos que somos apenas coleccionadores, jamais dependentes. Ora, o primeiro papel da dependência é fazer-nos mentirosos.

Depois, numa bela tarde, o Auchan secou.

Não foi uma ruptura comercial; foi uma catástrofe íntima. A prateleira vazia olhou para mim com a crueldade mineral das coisas que não se importam connosco. Onde antes brilhavam saquetas, restava o nada. E o nada, para um coleccionador, deixa de ser uma ausência para ser uma provocação.

Desci então à Papelaria Fonsecas, na Rua Maria Andrade, alcandorada embaixada da esperança onde ainda consegui comprar mais material, incluindo uma bela caixa, também ela objecto coleccionável, porque a Panini, como todo o génio maléfico, não se limita a vender o vício: empurra a moldura, o relicário, o altar portátil onde o vício se exibe com ar de decoração. Descobri que existiam quatro caixas diferentes. Quatro. O vício agradeceu a informação e registou-a para futura destruição orçamental.

Porém, também ali o manancial se extinguiu. O distribuidor, esse deus invisível dos cromos, recolheu-se aos seus mistérios. Ainda consegui, num último assalto de prudência desgovernada, comprar dez saquetas no Continente da Almirante Reis. Dez saquetas: setenta cromos. Setenta possibilidades de redenção, repetição, júbilo ou insulto estatístico.

A partir daí entrou-se na fase da abstinência, desde sábado passado.

Convém falar desta palavra com respeito: a abstinência dos cromos não provoca tremores visíveis, nem febres, nem delírios com morcegos no tecto. É pior: provoca telefonemas. O viciado começa a activar a rede: amigos, conhecidos, familiares, vizinhos, pessoas que há anos não recebiam uma mensagem que não fosse “bom Natal” passam a ser abordadas com uma pergunta de inquietante simplicidade: “Viste cromos Panini à venda por aí?”

A pergunta parece inocente, mas contém a degradação inteira. Quem a faz já atravessou uma fronteira moral: já não compra cromos; procura fornecedores. Já não frequenta lojas; inspecciona pontos de distribuição. Já não visita papelarias; ausculta mercados paralelos. A geografia da cidade transforma-se num mapa de abastecimento: Graça, Arroios, Almirante Reis, até Vila Franca de Xira, Continente, Auchan, Pingo Doce, papelarias antigas, quiosques melancólicos, balcões de tabaco, tudo passa a ser lido com olhos de um contrabandista.

E foi assim, neste degradante percurso, que descobri a nova aristocracia do vício: as listas. No Largo da Graça, a distinta tabacaria, papelaria e livraria Havaneza Bandeira, “a servir clientes desde 1937”, já existe lista para próximas remessas. Naturalmente, inscrevi-me. Na Papelaria Fonsecas, também já deixei o nome para me ligarem quando chegarem as “minhas” 24 saquetas. Vinte e quatro. Um número que, em qualquer outra circunstância, seria administrativo, passa aqui a promessa de salvação.

A lista de espera é, assim, a nova forma burguesa da dependência. O viciado, impedido de rastejar, inscreve-se. A civilização consiste nisto: transformar o desespero em formulário.

Nos supermercados, onde a moral é menos personalizada, reparei entretanto que não há listas. Reina o estado de natureza. Um caixa contou-me que, no dia anterior, um senhor comprara 500 saquetas. Quinhentas. Repito, para que a enormidade se imponha: 500 saquetas. Como cada uma traz sete cromos, o cavalheiro saiu dali com 3.500 cromos. Três mil e quinhentos pequenos rectângulos de esperança auto-colante.

Ao preço corrente, terá deixado no altar da Panini um total de 750 euros. Um dízimo respeitável, correspondente a uma viagem, um bom electrodoméstico de linha branca, uma semana de hotel. Ou, no caso vertente, uma montanha de papel brilhante destinada a provar que a infância, quando regressa, deve trazer consigo um terminal multibanco.

A Matemática, porém, impõe-se aqui. O álbum tem 980 cromos. O ingénuo cavalheiro pensou, às tantas, que 3.500 cromos chegariam para completar a colecção e ainda construir uma pequena muralha defensiva com os repetidos. Mas a teoria das probabilidades informa-nos que não: comprando 3.500 cromos ao acaso, a expectativa científica será obter cerca de 952 cromos diferentes. Ou seja, depois de abrir 500 saquetas, gastar 750 euros, respirar cola imaginária e atravessar uma experiência próxima da iluminação mística, aquele açambarcador – que evitou a tomada da minha dose – ainda ficará com 27 ou 28 buracos no álbum. Em contrapartida, possuirá perto de 2.548 repetidos de vários quadrantes, quantidade suficiente para empapelar uma casa-de-banho, iniciar uma microeconomia escolar ou fundar uma seita.

Este é o génio perverso do sistema. A colecção aproxima-se da plenitude como Aquiles da tartaruga: chega cada vez mais perto, mas os últimos cromos transformam-se em criaturas mitológicas. No início, tudo é abundância. Cada saqueta traz novidades. Depois começam os repetidos. Primeiro, toleráveis. Depois, irritantes. Mais tarde, ofensivos. Por fim, metafísicos. Um cromo repetido pela décima vez deixa de ser um pedaço de papel e passa a ser uma pergunta sobre Deus.

A Panini sabe isto, tenho a certeza. Ou, pelo menos, comporta-se como se soubesse. A escassez não mata o vício; apenas o tempera. A interrupção do fornecimento jamais cura o dependente; apenas lhe educa a ansiedade.

Durante dias, o coleccionador fica privado da dose, observa o álbum incompleto, conta as cadernetas vazias, passa os dedos pelas páginas como uma viúva por retratos antigos, promete a si próprio que, quando voltarem as saquetas, comprará apenas algumas. Mas a mente, depois da abstinência, já não calculará em unidades, mas em salvação. A dose seguinte tem de compensar, em triplo, a ausência anterior. Assim nasce a overdose cromática.

O mecanismo é conhecido em qualquer mercado de tentação. A privação cria tensão; a tensão cria desejo; o desejo, quando reencontra o produto, perde a compostura. Um fornecimento regular permitiria uma dependência calma, quase doméstica. A escassez intermitente transformará o consumidor num náufrago diante da tábua. Quando finalmente chegam caixas novas, ninguém compra “umas saquetas”. Comprar-se-á como quem repele a morte.

Talvez exista aqui apenas logística deficiente. Talvez os distribuidores tenham subestimado a procura. Talvez Portugal esteja cheio de adultos discretos a reviver infâncias mal resolvidas, escondidos atrás de pastas de trabalho e desculpas familiares. Mas a minha suspeita, que vale o que valem as suspeitas nascidas entre repetidos, é outra: a escassez favorece o transe. A falta torna o regresso mais intenso, a prateleira vazia constitui uma publicidade sem cartaz e o produto ausente torna-se mais poderoso do que o produto disponível.

Por isso, o homem das 500 saquetas não será já um excêntrico isolado, mas uma profecia. Representa ele aquilo que todos os coleccionadores temem ser e secretamente admiram: alguém que decidiu saltar a fase da moderação e avançar directamente para o colapso. O seu gesto tem, convenhamos, a grandeza napoleónica: invadiu a Rússia dos cromos com 750 euros e regressou, muito provavelmente, sem apanhar Moscovo – ou o médio-central da Bielorrússia.

Resta-me, pois, aguardar a chamada da Havaneza da Graça, a remessa da Papelaria Fonsecas, a sorte eventual de um Continente distraído. Resta-me fingir que controlo a situação, dizer-me, com voz serena, que são apenas 24 saquetas. E resta-me depois abrir cada uma com o respeito de um sacerdote e a vergonha de um reincidente.

Na verdade, a máquina diabólica da mente humana não precisa de grandes tragédias para revelar a sua natureza: basta-lhe uma caderneta, uma marca italiana, sete cromos por saqueta e a promessa cruel de que, algures no mundo, existirá ainda aquele último cromo que falta quando desesperadamente precisarmos dele antes da loucura.

Pedro Almeida Vieira

https://paginaum.pt/2026/05/20/da-decadencia-moral-de-um-homem-em-abstinencia-de-cromos



‘No Terramoto de 1975’

/Cinquenta anos depois, quando tudo parece esquecido neste país anestesiado pelos supostos brandos costumes, é importante que haja pessoas como o Tomás para tratar da amnésia./ Rui Moreira <https://sol.iol.pt/perfil/rui-moreira/695a2f7a0cf2c7eb2446713d> O epicentro de - No terramoto de 1975 - a notável obra do meu irmão Tomás que Rui Ramos considerou «o mais importante e interessante livro escrito sobre a revolução por ocasião dos seus 50 anos» - é um episódio que, apesar de noticiado à época, não mereceu atenção. Em resumo - porque tudo está relatado e bem documentado no livro -, em 1975 os trabalhadores metalúrgicos da Molaflex, assistindo à degradação da empresa desde que o seu patrão - o meu Pai, Ruy Höfle de Araújo Moreira - fora preso há mais de cem dias por Eurico Corvacho - o gauleiter do Conselho de Revolução para o Norte -, pronunciaram-se pacificamente contra a detenção à porta do Quartel de Santo Ovídio, no Porto. Convocada pela comissão de trabalhadores da empresa, a manifestação foi violentamente reprimida pelos militares. O meu Pai, que estava em isolamento e não poderia conhecer ou tampouco incentivar o protesto, foi transferido para Lisboa pela calada da noite. Durante dias, a família não soube do seu paradeiro. Os partidos democráticos, que se opunham ao jugo gonçalvista, ficaram em silêncio. O livro faz justiça aos que desmentiram a ‘luta de classes’, contextualizando as circunstâncias históricas em que se deu a detenção arbitrária do meu Pai e descrevendo as tentativas vãs de o envolverem numa conjura em que nunca participou. Sim, o meu Pai fez parte dos que bem cedo denunciaram que a revolução havia sido capturada por quem tinha como missão oferecer Angola aos soviéticos, coletivizar a economia e controlar os movimentos sociais. Mas essa denúncia não constituía crime. E, quando ficou claro que era inocente, mantiveram-no preso com o objetivo de atingir a sua empresa. À libertação tardia seguir-se-ia um incêndio na Molaflex por fogo posto, que interrompeu a produção por largos meses e coincidiu com um atentado bombista à casa de família. Cinquenta anos depois, a história oficial só nos fala da rede bombista de direita, só nos narra histórias em que os trabalhadores se revoltaram contra os patrões capitalistas e só nos faz crer que, por seremos livres, temos uma dívida para com militares que traíram e envergonharam a farda. Mas, na verdade, somos livres apesar deles e graças aos que combateram os seus desmandos. Os piores ‘orientaram-se’: Corvacho e Rosa Coutinho montaram um chorudo negócio de import/export com Angola, cobrando ao MPLA pelos serviços prestados. Já o esbirro que ainda hoje se vangloria de ter detido o meu Pai, de seu nome Boaventura Ferreira, acabaria condecorado por Marcelo com a Ordem da Liberdade. Esse ‘herói’ entrou no gabinete do meu Pai para o prender sem mandado de captura e com capangas armados até aos dentes. Encontrou-o a trabalhar, pois recusara-se a fugir mesmo sabendo que a canalha o ia prender. Os empresários do antigo regime que fugiram, e viram as suas grandes empresas nacionalizadas, refizeram os negócios à custa de indemnizações compensatórias e de novos privilégios corporativos, enquanto o meu Pai e tantos outros tiveram de resgatar as suas empresas intervencionadas ou sabotadas por comunistas e pela soldadesca a soldo. Não beneficiaram de apoios e foram esmagados pela falta de crédito, dada a má vontade e incompetência dos bancários da banca nacionalizada, que depois se converteram ao capitalismo e se transformaram em banqueiros de sucesso. Ao nosso Pai nem sequer lhe pediram desculpa pelo cativeiro, pelo dano físico e moral, pelo insulto, pelo impacto na família, pela destruição patrimonial. Os trabalhadores, que o acolheram com foguetes no dia em que regressou, mantiveram o seu emprego, mas a empresa nunca recuperou a pujança do passado. E o meu Pai nunca mais voltou a ser o mesmo: perdeu a saúde e o otimismo mas uniu-nos a todos, de dentes cerrados, até ao fim. Agora, o Tomás faz-lhe justiça, com sobriedade e sem comiseração. Na apresentação do livro revi muitos dos antigos trabalhadores, que encontro quando vou a São João da Madeira ou à nossa quinta em Milheirós, ali ao lado. Para eles, serei sempre, e com orgulho, ‘o filho do senhor Ruy’. Os netos e bisnetos do meu Pai, que não o conheceram, e os que lerem o livro perceberão por que razão será sempre o nosso querido herói. Cinquenta anos depois, quando tudo parece esquecido neste país anestesiado pelos supostos brandos costumes, é importante que haja pessoas como o Tomás para tratar da amnésia.