sábado, 20 de junho de 2026

SOS Racismo.

Pode ser arte pop de ‎uma ou mais pessoas, barba, pessoas a estudar e ‎texto que diz "‎HMMM... ISTO É SURPREENDENTEMENTE APLICÁVEL... DIVERSIDADE INCLUSÃO TOLERÂNCIA E COMPLIANCE ACIMA DE TUDO! SOS RACISMO APAV Apoio à Vítima MANUAL MANUALDOKGB MANUAL DO KGB DETECÇÃO PERSEGUIÇÃO DE DISSIDENTES GUIA PRÁTICO PARA PROTEGER REGIME DISCURSO ÓDIO É CRIME!* *(o NÓS DIZEMOS QUE έ) Projecto co-financiado pela Uniao Europeia SOS RACISMO APAV poioàVitima ιο ZERO VERDADE RELATIVA SINAIS CRITICA ÁS DE ALERTA: MIVORIAS 5 SARCASSTO 台 QUESTIONA NARRATIVA ه LÓGICA INDEPENDENTE HUMOR FACTOS PERMANENTE GUIA PRATICO SOCIALMENTE CORRECTO COMO DENUNCIAR TEU MICROAGRESSÕES VIZINHO PARA NEU MANUAL PARALEIGOS LEIGOS LINGUAGEM OBRIGATÓRIA OBRI RE-EDUCAR RE- CANCELA EDUCAR DENUNCIAR LEMBRETE: RALMENTE‎"‎‎A propósito do “manual” do discurso de ódio da coligação APAV/SOS Racismo, importa dizer uma coisa: não descobriram a pólvora. Isto de escrever manuais para detectar, classificar, vigiar, condicionar e perseguir dissidentes tem já uma longa e belíssima tradição nos regimes que se diziam sempre do lado certo da História.
Duvidam?
Fica aqui uma pequena lista de exemplos históricos, só para percebermos como a criatividade burocrática aplicada à repressão política é uma arte intemporal.
Na União Soviética, o KGB infiltrava informadores entre estudantes para reportar não apenas planos de fuga, literatura proibida ou contactos suspeitos, mas também canções e piadas ouvidas à noite nos dormitórios. Sim, piadas! Criminalizar piadas não saiu da cabeça dos nossos wokes. É uma tradição histórica!
Na Lituânia soviética, os agentes reportavam estudantes que cantavam canções anti-soviéticas, gozavam com a propaganda oficial ou brindavam à independência da Lituânia. Também havia preocupação com jovens que se aproximavam de estrangeiros para comprar cigarros, roupa, discos ou pastilhas elásticas, porque isso era um indicio de "ocidentalização".
Na Alemanha de Leste, a Stasi tinha a famosa Directiva 1/76, onde se falava de “forças hostis-negativas”. O objectivo era fazer o levantamento de pessoas, grupos, contactos, influências e ambientes onde pudesse nascer actividade contrária ao regime. Em linguagem normal: descobrir quem pensava mal, quem falava com quem, quem podia influenciar quem e onde estavam os focos de pensamento dissidente.
A Stasi foi ainda mais longe com a chamada Zersetzung, uma espécie de sabotagem psicológica silenciosa. Entre as técnicas estavam rumores, cartas anónimas, telefonemas, fotografias comprometedoras, destruição da reputação, sabotagem profissional, criação de suspeitas dentro de grupos, rivalidades internas e isolamento social. Não era preciso prender imediatamente o dissidente. Bastava destruir-lhe a vida aos bocadinhos. Se quiserem saber onde nasceu a cultura do cancelamento, têm a vossa resposta na Stasi!
Na Alemanha de Leste, os alvos podiam ser grupos cristãos, movimentos de paz, ambientalistas, artistas críticos, pessoas que queriam sair do país ou simplesmente pessoas demasiado independentes para o gosto do partido. Num dos exemplos mais absurdos, a Stasi planeava usar acusações morais e intrigas conjugais para criar desconfiança dentro de um círculo de paz em Pankow. A ideia era simples: se não consegues vencer argumentos, destrói as relações. Se não os consegues prender todos, faz com que deixem de confiar uns nos outros.
Na Roménia comunista, a Securitate também tinha manuais e materiais de formação para ensinar os seus operacionais a descrever “inimigos do Estado”. O mais delicioso é que a linguagem psicológica e criminológica era usada para dar um ar científico à perseguição ideológica. Um manual da Securitate sobre psicologia criminal definia desvio como afastamento das “normas dominantes”. E quais eram as normas dominantes? As normas ideológicas do partido-Estado. Traduzindo: quem não cabia na visão oficial podia ser tratado como suspeito. A ciência, essa senhora respeitável, transformada em bengala de polícia política. Também aqui, os nossos wokes e a nossa UE não inovam. Copiam.
Na mesma Roménia, havia pessoas descritas como “elementos”, “inimigos”, “desviantes” ou “hostis à nossa ordem socialista”. A pessoa deixava de ser pessoa. Passava a categoria. Passava a etiqueta. Passava a caso. E quando um regime começa a transformar cidadãos em categorias suspeitas, já estamos no terreno onde tudo é possível e quase tudo acaba por ser justificado em nome de uma suposta higiene moral colectiva. Incluindo matar ou, na melhor das hipóteses, enviar para centros de "reeducação". Estejam atentos porque já há gente presa por opiniões políticas por cá, e em Inglaterra já há mais detidos por tweets do que por roubos. Não, não estou a exagerar. Antes estivesse.
Portanto, quando hoje vemos organizações supostamente dedicadas ao apoio à vítima a entrar em projectos políticos com manuais para detectar “discurso de ódio”, convém ter memória histórica e perceber que a metodologia é bem conhecida por quem tem um bocadinho de conhecimentos de História.
O padrão é sempre parecido: primeiro cria-se uma linguagem moralmente blindada, uma moral que não pode ser desafiada. Depois classificam-se opiniões como perigos. Depois, transformam-se os adversários em ameaças. Depois ensinam-se activistas, técnicos, funcionários e instituições a reconhecer os sinais de desvio, com manuais deste tipo. Finalmente, tudo passa a ser prevenção. E quando tudo é prevenção, já ninguém precisa de provar grande coisa. Basta suspeitar, catalogar, assinalar, denunciar e condicionar.
E assim se vão transformando Estados democráticos em ditaduras, em lume brando, com palavras bonitas, financiamentos públicos, projectos europeus, manuais... até que depois surge a policia política, nunca anunciada como tal. Só depois é que percebemos: "a policia política era aquela".

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