E isto não é teoria da conspiração. Não é preciso ir buscar um senhor de chapéu de alumínio fechado na cave. Basta ler os relatórios e contas.
A Volkswagen não está em dificuldades porque os alemães desaprenderam a fazer carros. Não está a cortar dezenas de milhares de postos de trabalho porque, de repente, em Wolfsburgo se descobriu que afinal o segredo da prosperidade era produzir menos, despedir mais e rezar por dias melhores.
A própria Volkswagen escreve, preto no branco, que o ano foi marcado por tarifas, tensões geopolíticas, pressão concorrencial intensa, custos de reestruturação, transição eléctrica e regulação de CO₂. Traduzindo para português: meteram uma das maiores empresas do mundo dentro de uma máquina burocrática, ambientalista e ideológica, ligaram a centrifugação, e agora saiu de lá uma empresa esmagada.
O resultado operacional caiu brutalmente. As receitas ficaram praticamente paradas. A margem operacional ficou miserável para uma empresa desse porte. E, como cereja no bolo, a empresa reconhece centenas de milhões em custos ligados à regulação europeia de CO₂. Isso não é uma opinião. Isso está nos documentos da empresa.
A UE decidiu que o futuro automóvel europeu tinha que ser decidido por burocratas que nunca fabricaram uma dobradiça, nunca venderam um carro, nunca pagaram salários com dinheiro próprio e nunca tiveram que competir com a China ou os EUA.
Resultado: os EUA inovam, a China fabrica, a Europa regula, e a Alemanha despede. É esta a nova cadeia de produção do planeta, sendo que a Europa está a conseguir ser mais produtiva a despedir do que os EUA a inovar ou a China a fabricar.
A Volkswagen junta-se assim a uma longa lista de cadáveres, semi-cadáveres e marcas transformadas em fantasmas.
Lembram da Nokia? A Europa tinha a rainha mundial dos celulares. Agora todos nós andamos com IOS e Android.
Lembram-se da Siemens Mobile? Evaporou-se. Lembram-se da Ericsson? Toda a gente conhece aquele gajo que tinha um Ericsson! Hoje, faz parte dos museus.
Lembram da Alcatel? Da Grundig? Da AEG? Da Thomson? Da Olivetti? Da Philips? Lembram da Saab? Da Rover? Da Volvo, que acabou nas mãos da chinesa Geely?
E agora seguem-se Volkswagen, Mercedes e o coração industrial alemão. Quem conhece as histórias passadas, consegue perceber o desenlace destes novos dramas. Já vimos este filme.
A Europa está sendo assassinada pela União Europeia e seus governos. A “transição” fez gigantes transitarem para o estado de falidos. A “neutralidade de carbono” se traduziu na transferência de indústria para países que continuam a produzir com carvão.
"Soberania estratégica” agora, é depender da China para baterias, minerais, painéis solares e componentes. A “competitividade” é meter mais custos, mais regras, mais impostos, mais certificados, mais proibições e fazer dos subsidios uma das principais fontes de receita de empresas escolhidas a dedo por burocratas.
Ele é o tipo de gênio administrativo que só poderia nascer em um continente onde um burocrata olha para uma fábrica e não vê trabalhadores ou empresários precisando de ajuda. Você vê “emissões”, “metas”, “conformidade” e “alinhamento regulatório”. Parece uma anedota.
A Europa comporta-se como o maior serial killer empresarial do pós revolução industrial. Mata com a arrogância moral de quem acha que o mundo inteiro imitará a Europa se a Europa se imolar primeiro. Só que o mundo não imita. O mundo vende-nos os produtos que deixámos de conseguir produzir. A China agradece. Os EUA abriram os olhos. A Europa faz palestras.
E aí, claro, aparecem os mesmos iluminados perguntando por que a revolta cresce, por que os trabalhadores deixam de confiar no sistema, por que a classe média sumiu, por que a Alemanha estagnou, por que a França queima, e por que os portugueses votam como quem votaria em um país em colapso, apesar de nos inundarem de estatísticas dizendo que está tudo bem.
A resposta está em Wolfsburgo. Está nas fábricas paradas. Está nos despedimentos. Está na Autoeuropa em pausa. Está na Mercedes a cortar custos. Está nos fornecedores alemães a tremer. Está nos nomes que já foram orgulho europeu e hoje são epitáfios industriais. Está na miséria que se vive em Setúbal, no Vale do Ave, em Aveiro, e no Porto, que vivia de serviços que prestava às industrias.
A Volkswagen não é apenas uma empresa em crise. É só mais uma. Quando se entrega a economia real a burocratas, a indústria não se adapta. Morre. E quando a indústria morre, não morre sozinha. Leva consigo salários, a classe média, o conhecimento técnico, a soberania, o poder político e o futuro.
Vamos ficar reduzidos a funcionários públicos, a dívida, a subsídios, a imigrantes baratos, a pobres subsidiados, a ricos exilados e classe média inexistente.
Caminhamos alegremente para ser o terceiro mundo. E não é só por causa da cultura que milhões de imigrantes trazem. É também pela cultura de auto extinção que por aqui continua vencendo nas urnas. E isso não é culpa de quem vem de fora.
João Pereira dos Santos
domingo, 28 de junho de 2026
A Volkswagen é mais uma vítima mortal da União Europeia.
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