O que foi prometido como uma magistratura moderada e equilibrada deu lugar a um alinhamento direto com fações radicais.
Fontes próximas do meio diplomático revelam um descontentamento crescente com a presidência, que decidiu romper com a tradição de neutralidade do país para ceder ao populismo fácil das redes sociais e das agendas ideológicas.
O primeiro grande sinal desta cedência aconteceu a 19 de maio, durante a entrega do Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa, um evento oficial que pode ser consultado no portal em http://www.coe.int.
No seu discurso, o Presidente da República usou o palco para fazer um ataque unilateral a Israel. Chorou publicamente a morte de indivíduos descritos como jornalistas na Faixa de Gaza, mas omitiu deliberadamente o resto da história.
Para quem acompanha estes temas sem o filtro da propaganda, a realidade é muito mais crua do que o discurso oficial faz parecer.
Muitos destes supostos repórteres são, na verdade, operacionais armados.
Indivíduos que de dia faziam reportagens encomendadas e à noite guardavam armas, integrados nas fileiras do Hamas e da Jihad Islâmica.
Quando a figura máxima do Estado português chora por estes agentes sem contextualizar quem eles eram, está a validar desinformação e a branquear o terrorismo.
O Presidente preferiu ignorar os relatórios de segurança e conseguiu a proeza de não proferir uma única palavra sobre o Irão ou sobre o Hezbollah, que diariamente bombardeia o norte de Israel.
A confirmação desta deriva política veio logo no dia seguinte, a 20 de maio.
As portas do Palácio de Belém abriram-se para receber oficialmente os familiares dos dois médicos portugueses detidos na chamada Global Sumud Flotilla.
O registo deste encontro e a agenda oficial da Presidência estão acessíveis em http://www.presidencia.pt.
À saída, montou-se o habitual circo mediático perante as câmaras, com queixas de que o cônsul de Portugal em Telavive ainda não tinha conseguido falar com os detidos, tentando passar a imagem de que os jovens médicos são heróis desamparados.
Desmontando a retórica política, a verdade sobre este caso é simples.
Aquela flotilha nunca foi uma missão de caridade ou de ajuda humanitária.
Foi uma provocação política orquestrada para desafiar a segurança e furar um bloqueio militar numa zona de guerra ativa. Os dois médicos sabiam perfeitamente ao que iam. Ninguém entra numa operação daquelas por ingenuidade. Eles conheciam os riscos e sabiam que seriam usados como peões de manobra ideológicos.
Ao recebê-los em Belém com honras e passadeira vermelha, o Presidente acabou por transformar ativistas radicais em mártires nacionais, validando quem viola bloqueios militares e apoia indiretamente estruturas terroristas.
Um passaporte português serve para proteger os cidadãos cumpridores e trabalhadores, não para ser usado como salvo-conduto por ativistas que vão conscientemente criar incidentes internacionais e depois exigem que o Estado os vá salvar.
Esta postura de Belém representa uma rutura e uma traição ao eleitorado moderado que colocou o Presidente no poder.
Ao ceder à pressão das franjas mais radicais para garantir aplausos fáceis dos comentadores de serviço, o Chefe de Estado escolheu a imagem pessoal em detrimento da justiça, promovendo a divisão interna e manchando a credibilidade externa da diplomacia portuguesa.
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